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Desagregação temporal da série de estoque de capital

Por José Ronaldo Souza Júnior e Felipe Cornelio

Em Souza Júnior e Cornelio (2020a; 2020b), optou-se por fazer a desagregação temporal dos fluxos anuais de depreciação (do estoque de capital prévio) utilizando os dados mensais do Indicador Ipea de FBCF como indicador de frequência mais alta do método de Denton. Esse procedimento suavizou a série de investimento líquido (FBCF menos a depreciação), resultando numa série mensal/trimestral de estoque de capital, de certo modo, em linha com a sugestão mencionada por OECD (2001) – de interpolação dos dados anuais. Porém, com essa suavização, as variações de curto prazo do estoque de capital podem não expressar as oscilações esperadas da variável quando se leva em consideração o comportamento da FBCF mensal.

Para resolver essa questão e oferecer uma outra opção para os usuários das séries mensal e trimestral, esta Nota Técnica propõe uma alternativa metodológica para desagregar temporalmente os fluxos de depreciação – distribuindo-os mais uniformemente ao longo do ano. Essa proposta se baseia na ideia de que a depreciação ocorre de forma relativamente estável ao longo do ano, independentemente dos movimentos mensais da FBCF. Por sua vez, com a depreciação calculada dessa forma, a série mensal de investimento líquido torna-se muito mais volátil – até mesmo que a de FBCF –, porém, no acumulado de doze meses, muito parecida com a metodologia anterior.

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Investimento líquido e estoque de capital: desempenho recente

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior e Felipe Moraes Cornelio

O Texto para Discussão (TD) de Souza Júnior e Cornelio (2020) apresenta a metodologia de cálculo e as novas séries do Ipea de investimento líquido e de estoque de capital. Os dados são anuais (desagregados por componentes) para o período de 1947 a 2019 e mensais (agregados) para o período de janeiro de 1996 a dezembro de 2019. Esta nota complementa o TD por meio da atualização dessas séries – até o junho de 2020 – e da extensão das séries mensais para o período de janeiro de 1980 a dezembro de 1995.

As estimativas apresentadas indicam que, após um período inédito (na série histórica desde 1947), iniciado em 2016, com investimentos líquidos negativos e, portanto, reduções anuais do estoque de capital fixo, o investimento líquido voltou a ficar positivo no acumulado em doze meses no início deste ano. Isso significa que, apesar da recuperação do crescimento dos investimentos brutos ter se iniciado em 2017, somente no início deste ano, o investimento bruto voltou a ficar maior que o investimento necessário para repor da depreciação – indicando o aumento da capacidade instalada do estoque de capital.

CC48_NT_Estoque de capital_gráfico

As séries completas de investimento líquido e estoque de capital estão disponíveis no site do Ipeadata.

Acesse a nota da Carta de Conjuntura

Acesse o Texto para Discussão



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Indicadores Ipea Trimestrais de Estoque de Capital e de Investimento Líquido

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior

O Indicador Ipea trimestral de estoque de capital é estimado por meio de uma atualização da série anual estimada pelo Ipea para o período 1950-2008 pelo método do estoque perpétuo – descrito por Morandi e Reis (2002) – e da desagregação temporal dos dados anuais para trimestrais foram feitos com base na distribuição da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) ao longo dos trimestres. A atualização e a desagregação temporal foram feitas a partir dos dados do Sistema de Contas Nacionais – Referência 2010 (SCN 2010) do IBGE e dos dados do SCN Trimestral (SCNT 2010). Já as projeções para o período até o final de 2018 são feitas com base no cenário definido na Visão Geral da Conjuntura. 

O investimento líquido, que é a parcela dos investimentos que aumenta a capacidade produtiva da economia, é calculado por meio da subtração do valor da FBCF pelo valor da depreciação (ver Gráfico 1). Como mostra o gráfico 2, a volatilidade da taxa de crescimento do investimento líquido é, consideravelmente, maior que a do investimento bruto, apesar de as tendências serem as mesmas. A explicação é que, à medida que o estoque líquido de capital aumenta, o valor da depreciação (mantida a mesma taxa de depreciação) também se eleva – independentemente do que ocorre com o investimento bruto. A queda esperada de 2,5% da FBCF para este ano, por exemplo, deve resultar numa queda de 17,1% do investimento líquido – variação bem menor que as duas consecutivas de mais de 38% nos anos de 2015 e 2016. Para o ano que vem, a alta esperada de 4,2% para a FBCF deve gerar um crescimento de 19,3% do investimento líquido. 

CC36_Indicador de K_gráficos

Acesse aqui a planilha com os dados do Indicador Ipea trimestral de estoque de capital



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