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PNAD COVID-19 – Divulgação de 14/8/2020 – Principais destaques

Por Maria Andreia Parente Lameiras e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19 referente à semana de 19 a 25 de julho, a maioria dos indicadores do mercado de trabalho mostrou relativa estabilidade em comparação com a semana anterior. Na média do mês de julho, o quadro geral do mercado de trabalho apresentou deterioração em relação a junho.

A taxa de desocupação atingiu 13,7% na semana de referência, maior nível observado na pesquisa até o momento. Na média de julho, a taxa foi de 13,1%, acima do observado em maio (10,7%) e junho (12,4%).

O nível da ocupação apresentou estabilidade em relação às semanas anteriores, situando-
se em 47,7% e fechando a média de julho em 47,9% – nível inferior ao registrado em maio (49,7%) e junho (49%).

A taxa de participação na força de trabalho foi de 55,3%, mantendo-se estável em relação à semana anterior (55,2%). Após ter aumentado entre maio (55,6%) e junho (56%), a taxa de participação voltou a cair na média do mês, atingindo 55,1% em
julho.

Entre as pessoas não ocupadas que não procuraram emprego, mas afirmaram que gostariam de trabalhar, a parcela que não procurou trabalho por conta da pandemia foi de 66,1%, pouco abaixo do valor registrado na semana anterior (66,4%).Essa proporção, que havia caído de 70,1% para 66,7% entre maio e junho, mostrou pequeno aumento em julho (67%).

O número de pessoas ocupadas, mas temporariamente afastadas do trabalho devido ao distanciamento social, continuou em queda. Esse número, que foi, em média, 15,8 milhões em maio (18,7% do total de pessoas ocupadas) e 11,8 milhões em junho (14,2% do total), caiu para 5,8 milhões na semana de referência e atingiu, na média de julho, 6,8 milhões de pessoas (8,4% do total de ocupados).

Dentro do total das pessoas ocupadas e não afastadas do trabalho, a parcela de pes¬soas que trabalharam de forma remota foi de 11,5%. Essa proporção vem caindo lentamente desde o início da pesquisa, tendo passado de 13,3% na média de maio para 12,7% e 11,7% em junho e julho, respectivamente. Nas últimas três semanas, contudo, essa proporção tem se mostrado relativamente estável.

O número de pessoas ocupadas trabalhando presencialmente atingiu 64 milhões, levando a média de julho a 63,3 milhões e continuando a trajetória de elevação em relação a maio (56,7 milhões) e junho (60 milhões).

A taxa de informalidade das pessoas ocupadas foi de 33,5%, mantendo-se estável em relação à média do mês de julho (33,6%) e abaixo das médias de maio e junho (34,7%).

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Heterogeneidade do impacto econômico da pandemia

Por Ajax Moreira

A pandemia do Covid-19 não tem precedentes na história recente dos países. A última com porte semelhante foi a gripe espanhola, que ocorreu há cem anos, em um ambiente político, social e econômico totalmente distinto do atual. O impacto econômico da atual pandemia depende da duração e da profundidade das restrições às atividades econômicas e dos efeitos sobre a cadeias de valor, produtividade e grau de interligação econômica entre os países.

Já se encontram na literatura tentativas de prever a evolução da crise, mas, em geral, considerando agentes representativos e não considerando a heterogeneidade dos agentes e que a crise pode tende a afetar as pessoas mais vulneráveis. Neste exercício, utilizando uma hipótese sobre a probabilidade de saída do mercado de trabalho, diferenciada por atividade e posição na ocupação do empregado, implementamos um modelo que simula com os microdados da PNAD 2019 o impacto sobre a ocupação e a renda das pessoas e dos domicílios. Mostramos que o impacto sobre a renda e a taxa de ocupação do primeiro estrato de escolaridade e de renda é, aproximadamente, o dobro do impacto do último estrato, nas duas estratificações, e para as medidas individuais e domicílio. Mostramos também que a duração da crise tem impacto maior do que a intensidade.

Esta abordagem pode ser utilizada para discutir para avaliar o impacto agregado e a heterogeneidade das políticas compensatórias adotadas, e também condicionar os resultados obtidos com os oriundos de outros modelos que façam previsões o PIB ou o emprego agregado.

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