Por Leonardo Mello de Carvalho
O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na série dessazonalizada, acelerando em relação ao ritmo modesto observado no encerramento de 2025. Com base nos indicadores de atividade já disponíveis para o segundo trimestre, o quadro segue compatível com continuidade da expansão, ainda que com diferenças relevantes entre setores. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,5% em abril, na série dessazonalizada, após recuo de 0,2% em março, deixando alta de 0,7% no trimestre móvel encerrado no mês e carry-over positivo de 0,6% para o segundo trimestre. A abertura setorial do indicador também reforça essa leitura: indústria e serviços cresceram na margem, assim como o agregado ex-agropecuária, enquanto a agropecuária ficou praticamente estável em abril, após o forte desempenho observado nos meses anteriores. Na mesma direção, os dados da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF), também calculada pelo Banco Central do Brasil (BCB), continuaram apontando sustentação relevante da renda: em maio, a RNDBF acumulava alta real de 4,4% em doze meses, enquanto sua parcela mais diretamente associada aos rendimentos recorrentes das famílias avançava 5,0% na mesma comparação. Em conjunto, esses resultados sugerem que a melhora observada no primeiro trimestre não foi revertida no início do segundo. Mais do que isso, indicam que a expansão de 2026 vem apresentando composição menos concentrada do que a observada no ano passado – ponto detalhado nos parágrafos seguintes.
Em linhas gerais, as pesquisas setoriais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corroboram esse cenário relativamente mais positivo para a atividade econômica ao longo 2026. A produção industrial apresentou acomodação em maio, mas após sequência expressiva de altas e com continuidade do crescimento da indústria de transformação na margem. O comércio varejista recuou em abril, sinalizando moderação após resultados positivos nos meses anteriores, mas ainda preservou desempenho favorável nas métricas trimestrais. Já os serviços voltaram a crescer no início do segundo trimestre, recuperando integralmente a queda de março e mantendo o setor em patamar próximo ao pico histórico. Em síntese, os indicadores disponíveis sugerem uma economia ainda aquecida no início do segundo trimestre, com sinais positivos em indústria e serviços, acomodação localizada do comércio na ponta e suporte persistente vindo da renda das famílias e das políticas de sustentação da renda e acesso ao crédito.








