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Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo M. de Carvalho e José Ronaldo de C. Souza Jr.

Os indicadores setoriais mensais de atividade econômica sinalizam a continuidade da recuperação da economia brasileira no início do terceiro trimestre. De modo geral, o significativo avanço de vacinação contra a Covid-19 tem permitido que os níveis de mobilidade urbana se aproximem da normalidade. Com isso, as atividades cuja interação presencial é mais necessária, notadamente alguns segmentos do setor de serviços, seguem apresentando um ritmo de crescimento mais acelerado. O aumento de 1,1% em julho dos serviços na comparação com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), foi a décima terceira variação positiva em quatorze meses. Em relação ao mês de agosto, a Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea projeta uma desaceleração na margem, com avanço de 0,1% na comparação com julho (com ajuste sazonal). O destaque positivo é o crescimento previsto de 5,9% para os serviços prestados às famílias – segmento mais atingido pelos efeitos negativos da pandemia. Por sua vez, na comparação interanual, esperamos uma alta de 15,7% sobre agosto de 2020.

Esta nota de conjuntura apresenta também previsões desagregadas para os setores da indústria e o comércio.



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Atividade econômica: dados recentes e previsões para 2021 e 2022

Por Leonardo M. de Carvalho e José Ronaldo de C. Souza Jr.

A análise recente dos indicadores de atividade econômica corrobora, em grande medida, as expectativas da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea em relação aos cenários de curto e médio prazo para a economia brasileira – discutidos em junho deste ano na visão geral da Carta de Conjuntura no 51. Conforme prevíamos, apesar da melhora no ambiente macroeconômico, refletida no aumento generalizado dos indicadores de confiança nos últimos meses, o produto interno bruto (PIB) deverá apresentar um resultado próximo à estabilidade no segundo trimestre, quando comparado aos primeiros três meses do ano. Enquanto os resultados do Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicam uma contração de 0,3% na margem do PIB no segundo trimestre, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) estima crescimento de 0,1% da atividade econômica no mesmo período. De um lado, os efeitos do recrudescimento da pandemia de Covid-19 sobre o nível de atividade no início de 2021 se mostraram menos intensos do que no início da crise sanitária – como discutido na Carta de Conjuntura no 51. De outro lado, a indústria de transformação continuou enfrentando escassez de matéria-prima, o que restringiu a oferta em alguns segmentos. Além disso, o ritmo de recuperação ainda modesto observado nos indicadores de mercado de trabalho, juntamente com a aceleração da inflação, constituiu dificuldades para um crescimento mais robusto da demanda interna.

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Esta nota analisa indicadores desagregados de indústria, comércio e serviços e mostra que os indicadores dos dois primeiros setores vieram, até agora, em linha com o nosso cenário detalhado na visão geral (de junho), ao passo que os serviços têm apresentado desempenho um pouco melhor que o previsto anteriormente. Essa melhora dos serviços tende a ser compensada pela menor expectativa de crescimento do valor adicionado do setor da agropecuária, conforme ressaltado na Nota de Conjuntura no 18. Diante desse cenário, nossas previsões de crescimento para 2021 (4,8%) e 2022 (2%) permanecem inalteradas. Cabe destacar, contudo, vários fatores de risco para esse cenário; em particular, a atual crise hídrica e a recente piora no quadro de contágio da Covid-19 em função da variante delta, no país e no mundo.

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Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo M. de Carvalho e José Ronaldo de C. Souza Jr.

Os efeitos da segunda onda da Covid-19 sobre o nível de atividade se mostraram menos intensos e com menor duração em comparação com o período inicial da pandemia, no primeiro semestre do ano passado. Parte disso pode ser atribuída a uma melhor adaptação da economia para lidar com as restrições impostas pela redução de mobilidade. Essa adaptação tem sido importante particularmente para o setor de serviços, em que alguns segmentos, cujas atividades são mais dependentes de interação presencial, ainda se encontram em níveis bastante inferiores aos observados no período pré-pandemia. Sua recuperação ao longo do ano deverá ser um importante driver para o crescimento da demanda doméstica. Para maio, a Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea estima que a receita de serviços tenha crescido 1,3% na série sem efeitos sazonais. Com isso, o carry-over para o segundo trimestre ficaria em 0,8%.

Apesar deste cenário mais benigno, a lenta recuperação do mercado de trabalho, principalmente em relação aos trabalhadores de baixa qualificação,1 tem afetado negativamente o consumo de bens e serviços pelas famílias, especialmente nas faixas de renda mais baixas, em que o impacto da aceleração inflacionária tem sido mais severo. Nesse contexto, também caracterizado pelo início de um ciclo de normalização das taxas de juros, o governo decidiu retomar alguns programas que haviam sido encerrados, como o auxílio emergencial e o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, ambos com início em abril. Um dos possíveis impactos de curto prazo dessa política de transferência de renda é o aumento das vendas do comércio, que, de acordo com a nossa projeção, deve ter uma alta de 3,9% na margem em maio, com crescimento interanual de 25,8%.

O setor manufatureiro segue num processo de ajustamento dos níveis de estoque, que encerraram o ano passado em patamar bastante inferior ao considerado ideal pelos empresários. Esse fator tem sido importante para compensar a falta de estímulos mais significativos da demanda interna, tendo contribuído positivamente para o resultado do PIB no primeiro trimestre. Alguns segmentos com peso relevante na cadeira produtiva, no entanto, ainda apresentam níveis abaixo do planejado. Na esteira desse processo de recomposição dos estoques e mesmo da demanda, a Dimac estima que a produção industrial de maio tenha avançado 1,4% na série sem efeitos sazonais. Ainda assim, o carry-over para o segundo trimestre ficaria em -2,4%.

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Atividade econômica: indicadores mensais

Por Leonardo M. de Carvalho

O desempenho recente dos indicadores de atividade aponta para uma acomodação no ritmo de crescimento da economia no primeiro trimestre de 2021. Embora os efeitos do recrudescimento da pandemia afetem a economia de maneira ampla, as pesquisas setoriais do IBGE sugerem algumas particularidades em relação ao seu desempenho. A produção industrial, medida na PIM-PF, registrou alta de 0,4% em janeiro, na série com ajuste sazonal, atingindo um patamar 3,7% superior ao observado em fevereiro de 2020, período imediatamente anterior ao início da crise sanitária. O resultado de janeiro representou a nona variação positiva seguida na margem, embora a tendência seja de desaceleração. A Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea estima que a produção industrial de fevereiro tenha ficado estável, com crescimento nulo na série sem efeitos sazonais. Com isso, o carry-over para o primeiro trimestre ficaria em 1,3%.

A análise setorial revela que a grande maioria dos segmentos que compõem a indústria manufatureira registra atualmente níveis de estoques abaixo do planejado. Embora essa situação, a princípio, represente um fator positivo para o aumento da produção nos próximos meses, a escassez de matérias-primas, juntamente com o aumento dos seus custos, tem se tornado mais disseminada, o que pode vir a retardar essa normalização. De acordo com o IPA, da FGV, a indústria manufatureira registra uma alta de 26,9% no acumulado em doze meses até fevereiro. Além disso, certos setores convivem com algumas limitações associadas à utilização dos fatores de produção, uma vez que já operam em níveis acima de sua média histórica.

Nesta nota, há ainda análises e projeções para as vendas do comércio varejista e as receitas dos serviços.



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Atividade Econômica

Carta de Conjuntura nº 33

 Por Leonardo Mello de Carvalho

Embora o quadro recessivo tenha sofrido um arrefecimento ao longo do primeiro semestre de 2016, o desempenho recente dos indicadores de atividade econômica apontam para um cenário ainda marcado pela instabilidade. Conforme foi destacado em edições anteriores da Carta de Conjuntura, algumas atividades industriais haviam apresentado melhora no decorrer dos primeiros seis meses do ano, notadamente àquelas mais voltadas para o comércio exterior. No entanto, a trajetória recente da produção industrial se deteriorou, revertendo grande parte do ganho acumulado no primeiro semestre. Nos próximos meses, o desempenho da produção industrial deverá permanecer instável. Os indicadores coincidentes já disponíveis apontam para uma melhora em novembro, traduzida numa estimativa de 1,7% de crescimento sobre o período anterior de acordo com o Indicador Ipea de Produção Industrial (prévia do indicador de produção industrial mensal do IBGE – PIM-PF). Além disso, também como reflexo da recessão, a demanda interna por bens segue caindo num ritmo acima daquele observado na produção doméstica medida pela PIM-PF.  É o que mostram os resultados do indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais (detalhados nesta seção).

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Acesse os textos completos de todas as seções já divulgadas da Carta de Conjuntura Nº 33 no portal do Ipea



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Atividade Econômica

Carta de Conjuntura nº 32

 Por Leonardo Mello de Carvalho

O ciclo recessivo que atinge a economia brasileira desde o segundo trimestre de 2014 ainda persiste. Apesar disso, a trajetória recente dos indicadores de atividade econômica sugere que o pior momento da crise já foi superado. De um modo geral, é possível verificar uma desaceleração no ritmo de queda, enquanto alguns setores já apresentam desempenho positivo em 2016, como é o caso da produção industrial e dos investimentos. Porém, com base nas informações referentes aos primeiros meses do terceiro trimestre, ainda não é possível antecipar o final da crise, mas a economia segue caminhando para a estabilização. Essa melhora no cenário econômico tem se refletido na recuperação dos indicadores de confiança, embora a situação ainda frágil do mercado de trabalho aponte para um processo bastante gradual.

 Em relação às perspectivas para o terceiro trimestre, o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta um recuo nos investimentos de 10% entre os meses de junho e julho de 2016, na comparação com ajuste sazonal. Essa queda prevista devolveria parte do crescimento verificado em junho (12,3%), mas não altera a percepção de melhora no cenário relativo aos investimentos. Olhando para o índice da média móvel trimestral, que possibilita uma análise mais estável, os investimentos contraíram 0,5% no mês de julho, resultado que sucedeu uma expansão de 4% no período anterior. Já o Indicador Ipea de Produção Industrial estima um recuo de 2,1% em agosto, frente o mês anterior, na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a queda teria sido de 3,8%.

 Os dados referentes ao desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2016, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao final de agosto, revelam uma economia ainda em recessão. A queda de 0,6% na comparação com o primeiro trimestre, já descontados os efeitos sazonais, representou a sexta variação negativa consecutiva nesta base de comparação. Este resultado deixa um carregamento estatístico (carry-over) de -3,1% para 2016, ou seja, caso apresente variação nula nos dois próximos trimestres, o PIB apresentará, ao final do ano, queda de 3,1% na comparação com 2015. Embora o fim do ciclo recessivo ainda não tenha sido registrado nesses dados do segundo trimestre, há diversos elementos que indicam que o pior da crise já passou. Apesar do recuo do PIB no segundo trimestre, o ritmo de queda nos dois primeiros trimestres de 2016, em termos anualizados, ficou em -2%, bastante inferior àquele apresentado ao longo de 2015, quando o PIB caiu a uma taxa média anual de -5,9%.

Conforme apontado na última edição da Carta de Conjuntura, os indícios de estabilização do nível de atividade econômica têm se mostrado mais acentuados nos setores ligados à produção industrial. Se, num primeiro momento, essa melhora estava concentrada nos setores onde a atividade exportadora possui papel relevante, já é possível notar uma maior disseminação do crescimento. Após cinco resultados negativos em sequência, o setor industrial voltou a crescer, registrando alta de 0,3% no segundo trimestre. Além do impulso vindo do comércio exterior, os demais setores que compõem a indústria de transformação vêm sendo positivamente afetados por outros fatores, como, por exemplo, a evolução do ajuste de estoques e um ainda modesto processo de substituição de importações. Refletindo esse início de recuperação, os indicadores de confiança dos empresários e das famílias seguem melhorando, com destaque também para o setor industrial. Além disso, os preços dos ativos também têm apresentado bom desempenho recente, fato que normalmente antecipa a melhora na atividade econômica.

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Atividade Econômica

Carta de Conjuntura nº 31

 Por Leonardo Mello de Carvalho

Não obstante o quadro geral relativo à atividade econômica continuar sendo caracterizado pelo ciclo recessivo iniciado no segundo trimestre de 2014, já há indícios de que o início da recuperação pode estar mais próximo. Se, por um lado, o elevado grau de disseminação e intensidade da queda da atividade econômica lhe confere um caráter resiliente, por outro o desempenho recente de alguns indicadores sugere que a crise começa a perder fôlego. Dentro deste contexto, os primeiros sinais deste possível início de recuperação cíclica têm se concentrado na indústria.

Como já fora citado na edição anterior da Carta de Conjuntura, o ajuste proveniente do setor externo começa a gerar efeitos positivos, notadamente nos setores industriais mais voltados para o comércio exterior. Além disso, a contração da demanda doméstica segue provocando um forte ajuste de estoques, o que pode representar mais uma fonte de estímulo para a recuperação da produção. Talvez como consequência dessa melhora no cenário,  os níveis de confiança dos empresários vêm registrando altas nos últimos meses – embora ainda se mantenham em patamares muito próximos dos mínimos históricos. Em contrapartida, espera-se uma recuperação mais lenta do consumo de bens e serviços, cujo desempenho está fortemente associado à dinâmica do mercado de trabalho.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB (Produto Interno Bruto) voltou a recuar no primeiro trimestre de 2016, registrando queda de 0,3% em relação ao período anterior, na série livre de influências sazonais. Embora tenha sido a quinta retração consecutiva na margem, o resultado representou acentuada desaceleração no ritmo de queda verificado na média dos quatro períodos anteriores (-1,5%). Com isso, o carry-over para 2016 ficou em -2,6%, ou seja, caso permaneça estagnado durante os próximos três trimestres, na série com ajuste sazonal, o PIB de 2016 terá sido 2,6% menor que o do ano passado. Tomando por base os comparativos interanuais, os efeitos gerados pelo longo período de recessão ainda se fazem presentes. Embora a queda de 5,4% frente ao primeiro trimestre de 2015 tenha sido menor que a observada no período anterior (-5,9%), a taxa acumulada em quatro trimestres voltou a registrar recorde negativo na série histórica iniciada em 1996, recuando de -3,8% para -4,7%.

A análise dos componentes do PIB pelo lado da demanda destaca mais uma forte contração da absorção doméstica, que apresentou recuo de 2,1% ante o último trimestre do ano passado, na série com ajuste sazonal[1]. No comparativo interanual, este componente foi responsável pela subtração de 10,2 pontos percentuais (p.p.) na taxa de variação do PIB ante o primeiro trimestre de 2015. A queda foi tão intensa que, pela primeira vez na série histórica do IBGE, a demanda interna apresentou variação negativa em termos nominais (de -0,7%). Enquanto o consumo das famílias registrou a quinta retração consecutiva na margem, recuando 1,7% frente ao período anterior, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) encolheu pela décima vez, período no qual acumulou uma perda de 27,1%.

O destaque positivo pelo lado da demanda voltou a ser o desempenho das exportações líquidas, ajudando a suavizar a queda do PIB no período. A trajetória de deterioração da absorção doméstica reflete, por um lado, os impactos negativos provenientes do desempenho do mercado de trabalho sobre o comportamento do consumo das famílias. Os resultados mais recentes divulgados pelo IBGE indicam uma intensificação da perda de postos de trabalho, o que deve manter os níveis de confiança dos agentes em patamar reduzido. Além disso, os rendimentos seguem encolhendo em termos reais, o que deprime ainda mais o orçamento das famílias, já bastante comprometido pelo custo elevado dos serviços de dívidas feitas anteriormente. Os dados divulgados na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, corroboram esse cenário, apontando nova queda nas vendas do varejo ampliado, que recuaram 1,4% abril, na série sem efeitos sazonais.

Registre-se, ademais, que a queda continuada na demanda doméstica levou a uma forte redução no grau de utilização da capacidade da indústria, o que poderá retardar a recuperação dos investimentos. Outro fator negativo é a desvalorização do real frente ao dólar, que encarece a importação de máquinas e equipamentos. Por outro lado, a melhora da confiança dos investidores em relação ao futuro da economia brasileira pode contribuir para aumentar o retorno esperado dos investimentos. De acordo com estimativas próprias do Ipea, o bom desempenho dos indicadores da construção civil e do consumo aparente de máquinas e equipamentos no mês de abril indica que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) teve um bom início de segundo trimestre, com alta de 2,8% na comparação com ajuste sazonal.

 Pelo lado da oferta, todos os setores recuaram na margem. Após registrar alta de 2,9% no último período do ano passado, a agropecuária contraiu 0,3%. Com isso, registrou queda de 1% no acumulado em quatro trimestres, a primeira variação negativa desde o final de 2012. Por sua vez, o setor de serviços também apresentou resultado negativo, com  retração de 0,2%, a quinta variação negativa nesta base de comparação. Assim como no caso do PIB, este resultado representou forte redução na taxa média de crescimento marginal verificada em 2015, que foi negativa em -1,1%. Registre-se, ainda, que a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, apontou mais uma queda no início do segundo trimestre, com recuo de 4,5% sobre abril de 2015. Por fim, a indústria registrou a oitava queda em dez trimestres, com recuo de 1,2% na margem, acumulando uma perda de 6,9% no comparativo em quatro trimestres.

Embora a produção industrial tenha recuado para níveis observados há quase uma década, alguns indicadores já apontam para um possível ponto de inflexão na sua trajetória de queda. Mesmo ainda apresentando alguma volatilidade no desempenho marginal, os resultados positivos têm se tornado mais frequentes. Um exemplo disso está no comportamento do indicador de produção industrial física do IBGE que, após registrar duas altas consecutivas nos meses de março (1,4%) e abril (0,1%) na série dessazonalizada, deve retroceder 1,6% em maio, segundo estimativas do Ipea.

Esta melhora recente de desempenho tem sido acompanhada por um aumento do grau de difusão, que já se encontra num patamar compatível com estabilidade. Dentre os fatores que estariam por trás desse início de recuperação, o processo de depreciação da taxa de câmbio brasileira parece estar gerando seus primeiros efeitos positivos. Com base nos indicadores de comércio exterior, já se verifica uma melhora no volume de bens exportados em alguns setores cuja atividade exportadora é mais relevante, como, por exemplo, têxteis, calçados e madeira. Além disso, nota-se também que a desvalorização da moeda pode estar estimulando alguma substituição de importações, notadamente na produção de bens intermediários.

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[1] Dessazonalização própria.



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Atividade Econômica

Carta de Conjuntura nº 30

Por Leonardo Mello de Carvalho

O desempenho recente dos indicadores relacionados à atividade econômica continua retratando o ciclo recessivo da economia brasileira iniciado no segundo trimestre de 2014. Sendo caracterizada por um elevado grau de disseminação e intensidade, a crise atual também se mostra persistente, não dando ainda sinais mais consistentes de recuperação. Como já foi analisado em edições anteriores da Carta de Conjuntura, o círculo vicioso que se instalou na economia é reflexo de um amplo conjunto de fatores, tanto de ordem doméstica quanto externa. Além disso, ao contrário de outros momentos de crise, o atual quadro de recessão não se instalou de forma abrupta, em resposta a algum evento envolvendo ruptura. O que temos observado nestes últimos dois anos é o resultado de um processo mais lento, que foi se disseminando de maneira gradual, fato este que lhe confere um caráter mais resiliente.

Embora o cenário da atividade econômica tenha deteriorado de forma mais significativa a partir do segundo trimestre de 2014, quando se observa uma maior difusão da crise, a produção industrial, por exemplo, já vinha enfrentando dificuldades desde meados do segundo semestre de 2010, sendo negativamente afetada por uma série de restrições pelo lado da oferta, refletidas, em grande medida, no descolamento entre o custo da mão de obra e a sua produtividade. Posteriormente, com o agravamento dos desequilíbrios internos na economia, evidenciados pelo resultado das contas públicas e pela aceleração dos índices de preço, o governo optou por  implementar um ajuste recessivo, impactando diretamente nos níveis de demanda. Nesse contexto, os indicadores referentes ao mercado de trabalho passaram a demonstrar uma crescente fragilidade, com efeitos negativos tanto nos níveis de ocupação, quanto nos rendimentos. O receio quanto à segurança do emprego, somado à redução do poder de compra dos salários, deprimiu os níveis de confiança dos consumidores. Num ambiente já contaminado por um alto comprometimento com dívidas passadas, a queda na procura por novas compras foi inevitável, o que acabou ajudando a propagar a crise pelos demais setores produtivos, como, por exemplo, o comércio de bens e serviços. Enquanto o mercado doméstico encolhia, a conjuntura externa também não se apresentava favorável. Além do lento crescimento da demanda mundial, o Brasil tem presenciado uma contínua deterioração dos seus termos de troca, influenciados, principalmente, pela trajetória decrescente dos preços das commodities.

A conjuntura atual apresenta outro aspecto que pode vir a retardar a saída da recessão. Além de todas as questões citadas anteriormente, o ambiente econômico brasileiro tem se caracterizado pela presença de um elevado nível de incerteza. Seja ela associada à questões de ordem econômica, uma vez que a própria crise vem impondo ao governo um estreitamento dos graus de liberdade na condução da economia, seja ela associada à questões políticas, que tem prejudicado a capacidade de implementação de medidas tidas como necessárias para debelar os desequilíbrios internos.

Se, por tudo o que foi dito, uma recuperação mais rápida da economia parece pouco provável no curto prazo, o ajuste do setor externo normalmente associado a cenários envolvendo deterioração da atividade econômica e movimentos de desvalorização cambial, tem ocorrido da forma como esperado. Embora a depreciação do real também ofereça um risco para a inflação, seus efeitos positivos em termos de competitividade já começam a ser percebidos em alguns setores exportadores. Mesmo que grande parte da melhora observada no saldo comercial ainda esteja associada à forte queda das importações, este pequeno avanço pode representar um alento. Outra parte do ajuste também caminha no sentido correto, refletido no processo de normalização dos níveis de estoques indesejados na indústria. Influenciados por estes dois fatores, o comportamento dos indicadores de confiança tem apresentado alguma estabilidade nos últimos meses, embora ainda permaneçam em níveis muito baixos.

Apesar desse alento, a maioria dos indicadores de atividade econômica ainda segue se deteriorando. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB voltou a recuar no último trimestre do ano passado, registrando queda de 1,4% em relação ao período anterior, na série livre de influências sazonais. Este resultado foi a sexta retração na margem em sete trimestres, período no qual o PIB acumulou uma queda de 7,2%. Com isso, o carry-over para 2016 ficou em -2,5%, ou seja, caso permaneça estagnado durante os próximos quatro trimestres, na série com ajuste sazonal, o PIB cairá 2,5% no ano. Tomando por base os comparativos interanuais, a trajetória de queda acelerou. O recuo de 5,9% frente ao mesmo período de 2014 foi o mais alto em toda a série histórica do IBGE, iniciada em 1996. Com isso, o PIB encerrou o ano de 2015 registrando contração de 3,8%, o pior resultado desde o ano de 1990, quando a economia encolheu 4,4%.

A análise dos componentes do PIB pelo lado da demanda voltou a apontar forte contração da absorção doméstica, que apresentou recuo de 6,3% no acumulado em quatro trimestres. Enquanto o consumo das famílias registrou a sua quarta queda consecutiva na margem, recuando 1,3% frente ao período anterior, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) segue em queda forte. A redução de 4,9% na margem foi a décima consecutiva, período no qual acumulou uma perda de 25,5%. O destaque positivo pelo lado da demanda voltou a ser o desempenho das exportações líquidas, ajudando a suavizar a queda do PIB no período. Pelo lado da oferta, a indústria registrou a sétima queda em nove trimestres, com recuo de 1,4% na margem, acumulando uma perda de 6,2% em 2015. Enquanto isso, o setor de serviços também apresentou mau desempenho, com a retração de 1,4%, a quarta variação negativa nesta base de comparação. Este resultado representou 2,7% de queda em 2015, sua primeira variação negativa anual em toda a série histórica. Por fim, o destaque positivo ficou por conta da agropecuária, que avançou 2,9% na margem, encerrando o ano com crescimento de 1,8%.

As informações disponíveis para os meses de janeiro e fevereiro continuam apontando para uma trajetória declinante da atividade econômica. Após ter apresentado pequena variação positiva em janeiro, com avanço de 0,4% no comparativo com ajuste sazonal, o indicador de produção física industrial mensal do IBGE voltou a sofrer forte recuo em fevereiro, com queda de 2,5%. Com isso, os níveis de utilização dos fatores de produção mantiveram-se em patamares historicamente baixos. Por outro lado, a recessão continua estimulando o processo de ajuste dos níveis de estoques indesejados na indústria. O cenário não é diferente para o setor de serviços, cujos indicadores também sugerem um fraco desempenho no primeiro bimestre do ano. Pelo lado da demanda, são esperadas novas quedas tanto no comércio varejista, quanto nos investimentos.

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