Arquivos da categoria: Mercado de Trabalho

Desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Mendonça Russo

O desempenho recente dos principais indicadores revela que a retomada do mercado de brasileiro se intensificou no último trimestre. Segundo dados da PNAD Contínua, apesar do contingente elevado de desempregados – 13,5 milhões –, a taxa de desocupação dessazonalizada no terceiro trimestre ficou em 12,5%, atingindo o menor nível desde o trimestre móvel encerrado em abril de 2020. Esta queda do desemprego – que ocorre de modo generalizado, abrangendo todas as regiões e praticamente todos os segmentos etários e educacionais – é resultado de uma expansão significativa da população ocupada, que avançou 11,4%, no terceiro trimestre, na comparação interanual, superando o ritmo de crescimento da força de trabalho (8,6%). O crescimento da ocupação, entretanto, vem ocorrendo de modo mais intenso nos setores informais, refletindo, especialmente, retomada a dos serviços mais beneficiados com o relaxamento das medidas de restrição social. No terceiro trimestre do ano, na comparação interanual, o número de trabalhadores sem carteira e por conta própria registraram alta de 23,1% e 18,4%, respectivamente, enquanto os empregos com carteira assinada apresentaram um desempenho mais moderado (8,6%). Essa melhora das condições do mercado de trabalho, impactada pela aceleração do ritmo de criação de empregos nos últimos meses, pode ser apontada como o principal fator de redução do desalento no país, cujo contingente passou de 5,8 milhões para 5,1 milhões entre 2020 e 2021.

Entretanto, mesmo diante de dados positivos, a situação do mercado de trabalho ainda é bastante desafiadora, combinado desocupação, ainda em patamar elevado, alta proporção de subocupados – 8,2% da ocupação total e 29% de desocupados nesta situação há mais de dois anos.

Gráficos 1 e 2_dez21

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Retrato dos rendimentos e horas trabalhadas durante a pandemia – resultados da PNAD Contínua do terceiro trimestre de 2021

Por Sandro Sacchet de Carvalho

Os impactos imediatos da pandemia sobre os rendimentos, bem como a importân- cia do Auxílio Emergencial, foram analisados com os dados da PNAD Covid-19, que mostraram um descolamento da renda efetiva do trabalho da renda habitual. Tal descolamento também foi observado na PNAD Contínua, levando a que se deva considerar com mais atenção a renda efetiva para se avaliar a conjuntura dos rendimentos ao longo dos anos de 2020 e 2021. Os rendimentos habituais reais médios apresentaram uma queda de 11,1% no terceiro trimestre de 2021 em comparação com o mesmo trimestre de 2020, intensificando uma retração que se iniciou no trimestre terminado em abril. Contudo, tal movimento é apenas o inverso (um ano depois) do observado no início da pandemia, quando os rendimentos habituais apresentaram um aumento acelerado, atingindo um crescimento interanual de 8,2% no trimestre móvel entre maio e julho de 2020, tendo desacelerado após o terceiro trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre de 2019, portanto antes da pandemia, os rendimentos habituais caíram 4,3% no terceiro trimestre de 2021.

Em contraste, a partir do trimestre móvel iniciado em abril do ano passado, a renda efetiva apresentou consecutivas quedas, apenas se recuperando após setembro. Os resultados mais recentes da PNAD Contínua confirmaram a deterioração da renda média. Enquanto que o crescimento interanual da renda efetiva cresceu 1% ao fim do segundo trimestre de 2021, sinalizando uma recuperação em comparação ao pior momento da pandemia, durante o terceiro trimestre a queda da renda efetiva média foi de 6,1%. Na comparação com o terceiro trimestre de 2019, a renda efetiva média caiu 4,4%.

Tal resultado foi gerado por um efeito composição. Primeiro, a elevação da renda habitual média em 2020 se deve ao fato de a perda de ocupações ter se concentrado nas ocupações com remuneração mais baixas, nos setores de construção, comércio e alojamento e alimentação, além dos empregados sem carteira assinada e principalmente trabalhadores por conta própria. Portanto, os que permaneceram ocupados foram os de renda relativamente mais alta. Por sua vez, à medida que os trabalhadores informais e por conta própria foram retornando ao mercado de trabalho, o rendimento habitual médio foi se reduzindo. De certa forma, o arrefecimento do aumento da renda habitual e o aumento da renda efetiva indicam o início de um retorno à normalidade do mercado de trabalho. Contudo, a forte queda da renda efetiva no terceiro trimestre de 2021 e a queda em comparação com 2019 mostram que a aproximação aos níveis anteriores de ocupação tem se processado em um nível de renda média menor.

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Indicadores mensais do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras e Marcos Dantas Hecksher

As estimativas próprias de dados mensais apresentadas nesta nota, feitas com base nos dados trimestrais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), revelam que o processo de recuperação do mercado de trabalho brasileiro vem se consolidando nos últimos meses. Em agosto, a população ocupada (PO) no mercado de trabalho somava 91,6 milhões de pessoas, avançando 11,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Após o ajuste sazonal, observa-se que, em agosto, não só houve uma alta de 1,8% da ocupação na margem como também o contingente alcançado foi o maior registrado desde fevereiro de 2020. Como consequência desse quadro de melhora da PO, a taxa de desocupação recuou de 14,7% em agosto de 2020 para 12,8% em agosto de 2021.Gráficos 1 e 2 _Nota_out21

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A gig economy no Brasil: uma abordagem inicial para o setor de transporte

Por Geraldo Góes,  Antony Firmino e Felipe Martins

Esta nota de conjuntura tem como objetivo propor uma abordagem metodológica que permita uma estimativa das pessoas ocupadas na Gig economy do setor de transporte no país. Antecipando brevemente os resultados, os dados indicam que, no Brasil, até 1,4 milhão de trabalhadores poderiam estar em alguma atividade de Gig economy no setor de transporte de passageiros e mercadorias. Isso indica que até 31,0% do total de pessoas ocupadas no setor de transporte, armazenagem e correios da PNAD Contínua estavam na Gig economy.

De modo geral, apesar de eventuais diferenças de níveis e intensidades, ambas as pesquisas (PNAD Contínua e PNAD Covid-19) mostraram um retrato similar para o período em que coexistem. A análise dos dados desse período (de maio a novembro de 2020) mostra duas importantes tendências: i) uma queda inicial do número de trabalhadores no transporte de passageiros, seguida por uma recuperação; e ii) um crescimento em meados de 2020, seguido por uma estabilização ao final de 2020 no setor de transporte de mercadorias. Ao observar o período mais longo disponível na PNAD Contínua (de 2016 até o segundo trimestre de 2021), nota-se uma explosão do número de trabalhadores no setor de transporte de mercadorias, com um crescimento de quase 1.000%. Quanto aos trabalhadores no setor de transporte de passageiros, tem-se um crescimento constante até o início de 2020, embora menos expressivo que o observado no transporte de mercadorias.

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Indicadores mensais do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente lameiras e Marcos Dantas Hecksher

As estimativas próprias de dados mensais apresentadas nesta nota, feitas com base nos dados trimestrais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), indicam que o ritmo de recuperação da população ocupada se acentuou no último mês, possibilitando a redução da taxa de desemprego, mesmo num cenário de recuperação da taxa de participação. Em julho, a população ocupada no mercado de trabalho chegou a 90,2 milhões de pessoas, o que representa uma alta de 12%, na comparação interanual. Essa expansão possibilitou a queda de 1,5 ponto percentual (p.p.) da taxa de desocupação, que recuou de 14,5%, em julho de 2020, para 13,0% em julho de 2021.

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Desempenho recente do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Mendonça Russo

Os dados mais recentes mostram que embora já se verifique alguns sinais positivos, o mercado de trabalho brasileiro ainda apresenta um quadro desafiador, com taxas de desocupação, subocupação e informalidade ainda em patamares elevados. No entanto, o ritmo de recuperação da população ocupada vem se acentuando nos últimos meses, a ponto de conseguir reduzir a taxa de desemprego mesmo num cenário de recuperação da taxa de participação. Segundo a desagregação dos trimestres móveis da PNAD Contínua, observa-se que, após atingir 15,1%, em março, a taxa de desocupação vem decrescendo, de modo que, em junho, já havia recuado para 13,7%. De modo similar, os dados dessazonalizados indicam que a taxa de desocupação em junho (13,8%) é a menor apurada desde maio de 2020.

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As estatísticas extraídas da PNAD Contínua mostram ainda que esse aumento do emprego no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior, ocorreu de forma disseminada entre os diferentes segmentos da população, com destaque para a expansão da ocupação entre as mulheres (2,2%), os jovens (11,8%) e os trabalhadores com ensino médio (7,0%).

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Retrato dos rendimentos e horas trabalhadas durante a pandemia – resultados da PNAD Contínua do segundo trimestre de 2021

Por Sandro S. de Carvalho

Os impactos imediatos da pandemia sobre os rendimentos, bem como a importância do Auxílio Emergencial, foram analisados com os dados da PNAD Covid-19, que mostraram um descolamento da renda efetiva do trabalho da renda habitual. Tal descolamento também foi observado na PNAD Contínua, levando à consideração mais atenta da renda efetiva para se avaliar a conjuntura dos rendimentos ao longo dos anos de 2020 e 2021. Os rendimentos habituais reais médios apresentaram uma queda de 6,6% no segundo trimestre de 2021 em comparação com o mesmo trimestre de 2020, intensificando uma retração que se iniciou no trimestre terminado em abril. Contudo, tal movi- mento é apenas o inverso (um ano depois) do observado no início da pandemia quando os rendimentos habituais apresentaram um crescimento acelerado, atingindo um crescimento interanual de 8,6% no trimestre móvel entre maio e julho de 2020, tendo desacelerado após o terceiro trimestre. Ainda assim, apresenta um crescimento de 2,8% no quarto trimestre de 2020. Na comparação com o segundo trimestre de 2019, portanto, antes da pandemia, os rendimentos habituais caíram 0,2% no segundo trimestre de 2021.

Em contraste, a renda efetiva apresentou consecutivas quedas a partir do trimestre móvel iniciado em abril do ano passado, apenas se recuperando após setembro. Entretanto, entre o fim de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, a renda efetiva voltou a apresentar quedas, tendo recuado 2,2% no primeiro trimestre de 2021 na comparação interanual. Após uma pequena recuperação em maio, o crescimento interanual da renda efetiva foi de 0,9% ao fim do segundo trimestre de 2021.

O impacto da pandemia no mercado de trabalho não ocorreu apenas sobre o nível de ocupação e os rendimentos. Também foram detectadas significativas alterações no comportamento das horas trabalhadas e no afastamento do trabalho. A pandemia não afetou as horas habitualmente trabalhadas que, durante 2020, manteve-se em torno de 39,5 horas semanais. Contudo, já no primeiro trimestre de 2020, e sobretudo no segundo trimestre, observou-se uma forte queda nas horas efetivamente trabalhadas, que alcançaram apenas 78% das horas habituais, o que representa uma jornada semanal média efetiva de 30,7 horas. O impacto foi maior entre os trabalhadores por conta própria (73%) e trabalhadores do setor público informais (72%). A comparação do quarto trimestre de 2020 com o mesmo trimestre do ano anterior já não mostrava diferenças significativas, o que se manteve no segundo trimestre de 2021, mostrando que a segunda onda da pandemia não causou novos impactos sobre as horas trabalhadas.

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O trabalho remoto na pandemia nas Unidades Federativas brasileiras: a heterogeneidade das suas realidades

Por Geraldo Sandoval Góes, Felipe dos Santos Martins e José Antônio Sena Nascimento

Esta Nota de Conjuntura tem como objetivo apresentar o perfil e atender a demanda por informações sobre o trabalho remoto nas unidades federativas brasileiras, durante a pandemia da Covid-19. Antecipando brevemente os resultados, os dados indicam que a intensidade de trabalho remoto foi bastante diversa. Em um dos extremos tem-se o Distrito Federal, onde, em média, mais que um quinto (23,6%) das pessoas ocupadas e não afastadas estavam em trabalho remoto ao longo de 2020; por outro tem-se o Pará, onde esse percentual foi de 3,5%, como ilustra a figura 1. Quanto ao perfil das pessoas que estavam em trabalho remoto nos estados brasileiros ao longo de 2020, a sua maioria é composta por mulheres, pessoas autodeclaradas brancas, com escolaridade de nível superior completo. De modo análogo, o resultado para outras características – como o percentual dentro da faixa etária de 20 a 49 anos ou de pessoas no setor público – é bastante heterogêneo a depender da unidade federativa.

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Indicadores mensais do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente lameiras e Marcos Dantas s Hecksher

As estimativas próprias de dados mensais apresentadas nesta nota (feitas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua) indicam que o mercado de trabalho brasileiro começa a mostrar maior dinamismo, repercutindo a retomada do nível de atividade. Embora a taxa de desocupação de 14,3% em maio ainda esteja 1,5 ponto percentual (p.p.) acima da observada no mesmo período de 2020, na margem, observa-se estabilidade da taxa de desemprego. Essa melhora do mercado de trabalho vem se traduzindo na expansão da população ocupada (PO), cujo contingente de 88,2 milhões de pessoas em maio representa um aumento de 5,6% na comparação com maio de 2020 (83,5 milhões). Na margem, o resultado de maio de 2021 mostra uma alta de 1,6% da ocupação ante abril.

Gráficos 1 e 2_Nota9

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Trabalho remoto no Brasil em 2020 sob a pandemia do Covid-19: quem, quantos e onde estão?

Por Geraldo S. Góes, Felipe dos S. Martins e José Antônio S. Nascimento

Esta Nota de Conjuntura se propõe a mensurar o trabalho remoto no Brasil em 2020, com ênfase numa análise do setor público. Para isso, o texto está dividido em cinco seções, além desta introdução. A segunda apresenta os resultados médios observados durante a realização da PNAD Covid-19 ao longo dos meses de maio a novembro de 2020 para o trabalho remoto no Brasil. A terceira, realiza uma desagregação do trabalho remoto em função da atividade econômica à qual o trabalhador estava vinculado, enquanto a quarta se debruça sobre o setor público. Já a quinta seção distribui regionalmente as pessoas em trabalho remoto. Por fim, breves comentários à guisa de conclusão são apresentados na última seção. Não custa destacar que no apêndice desta Nota é apresentado o resultado mês a mês.

Antecipando brevemente os resultados, tem-se que 11% das pessoas ocupadas e não afastadas no país ao longo de 2020 estavam exercendo suas atividades de forma remota. Esses trabalhadores foram majoritariamente compostos por pessoas com escolaridade de nível superior completo, com vínculo empregatício junto ao setor privado, embora não seja possível deixar de observar o ganho de participação do setor público no tocante ao trabalho remoto. Adicionalmente, observa-se, tanto para o setor privado quando para o público, uma forte participação dos profissionais de ensino no contingente de pessoas em home office.

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