Arquivos da categoria: Inflação

Visão Geral da Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Marco A. F. H. Cavalcanti, Paulo Mansur Levy, Leonardo Mello de Carvalho, Estêvão Kopschitz X. Bastos e Francisco E. de Luna A. Santos

A economia brasileira vem registrando recuperação significativa desde o terceiro trimestre do ano passado. A piora das condições sanitárias no final de 2020, e a consequente adoção de novas medidas restritivas em março e abril deste ano, impactaram negativamente a atividade econômica em magnitude significativamente menor que se temia inicialmente. A queda na mobilidade de trabalhadores e consumidores foi menos intensa e persistente do que no início da pandemia, e a economia parece ter aprendido a produzir e vender mesmo com menor grau de mobilidade. Ainda assim, é certo que a pandemia continua a representar um obstáculo à retomada mais forte da atividade econômica. No segundo semestre deste ano, com o avanço da vacinação, diante do ambiente externo favorável e da redução das incertezas fiscais no curto prazo, espera-se crescimento mais sustentado da atividade econômica. Na média do ano, o crescimento projetado é de 4,8%, e para 2022, de 2,0%.

210630_cc_51_nota_33_visao_geral_tabela_3Nas últimas semanas, o cenário de inflação no país veio se modificando, refletindo nova conjunção de fatores internos e externos, cujo impacto sobre o IPCA é de alta, em 2021, maior que a prevista anteriormente. De abril para maio, a taxa de inflação acumulada em doze meses saltou de 6,8% para 8,1%, pressionada pela aceleração, acima das expectativas, dos preços monitorados e dos bens industriais. O surgimento de novos elementos no cenário econômico alterou o balanço de riscos para a inflação, de forma que a projeção para o IPCA, em 2021, feita pelo Grupo de Conjuntura do Ipea – divulgada na Nota de Conjuntura no 17 – avançou de 5,3% para 5,9%. Ainda que ocorra melhora no cenário de câmbio, a continuada aceleração dos preços das commodities no mercado internacional vem mantendo os índices de preços ao produtor pressionados, possibilitando altas adicionais nos preços dos bens de consumo industriais no varejo e levando ao aumento na projeção de inflação deste subgrupo de 4,3% para 4,8%, em 2021. A estimativa para a alta dos preços monitorados também foi revista para cima, passando de 8,4% para 9,7%, sobretudo pela piora no comportamento da energia elétrica. Ainda que em menor intensidade, a expectativa da inflação dos serviços livres (exceto educação) também foi majorada – de 4,0% para 4,2% –, motivada por uma melhora do nível de atividade e pelo avanço da vacinação, que devem gerar incremento de demanda para esse setor. Já para os alimentos e para a educação, as projeções divulgadas anteriormente foram mantidas.

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Inflação por faixa de renda – Maio/2021

Por Maria Andréia P. Lameiras

Em maio, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda voltou a registrar aumento nas taxas de inflação para todas as classes de renda pesquisadas. De acordo com os dados apurados, a inflação foi maior para as famílias de renda muito baixa (0,92%) comparativamente à apontada pelo segmento de renda mais alta da população (0,49%). Após a incorporação deste resultado, no acumulado do ano, as maiores taxas de inflação estão nas classes de renda média (3,5%) e renda média-baixa (3,4%). Para o segmento de renda mais baixa, a inflação acumulada de 3,0% em 2021 é a mesma apontada pela classe mais alta. Já no acumulado em doze meses, a taxa de inflação das famílias de renda muito baixa (8,9%) segue em patamar bem acima do observado na faixa de renda alta (6,3%).

Gráficos 1 e 2_mai21 Tabela 1 _mai21

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – março de 2021

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,72% em março de 2021, situando-se 0,03 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo período de 2020, o índice permaneceu praticamente estável (0,73%).

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula alta de 8,18% nos últimos doze meses, mantendo-se em patamar acima do registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), mas abaixo do apontado tanto pelo Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) quanto pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), como mostra a tabela 1.
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Na desagregação entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, a maior contribuição veio do segmento demais despesas operacionais, cujo impacto de 5,57 p.p. foi responsável por aproximadamente 68% da variação total apresentada pelo índice. Ainda que em menor intensidade, o grupo material de consumo também vem afetando positivamente o ICTI, com impacto de 1,89 p.p.210607_cc_51_nota_23_icti_marco_21_tabela_02

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Análise e Projeções de Inflação

Por Maria Andréia P. Lameiras, Marcelo L. de Moraes, Carolina Ripoli e José Ronaldo C. Souza Jr.

Mantendo uma trajetória de alta, iniciada no segundo semestre de 2020, em abril, no acumulado em doze meses, a inflação brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 6,76%. Em que pese à expectativa de que, no segundo semestre, se verifique um recuo significativo desta taxa de variação, o desempenho recente pior que o esperado anteriormente motivou a elevação da projeção para o IPCA em 2021.

De acordo com a análise do Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea, a inflação brasileira deve encerrar o ano com alta de 5,3%, ante variação anterior de 4,6%, divulgada na visão geral da Carta de Conjuntura no 50, em março. De forma desagregada, enquanto a previsão para a inflação dos alimentos no domicílio foi mantida em 5,0%, a alta projetada para os demais bens livres avançou de 3,8% para 4,3%. No caso dos serviços, a previsão foi revista de 3,6% para 4,0%. Por fim, observa-se que o principal fator responsável pela aceleração projetada para a inflação em 2021 está relacionado à trajetória dos preços monitorados, cuja previsão acelerou 2,0 pontos percentuais (p.p.), passando de 6,4% para 8,4%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), nota-se que, mesmo diante de um aumento nas expectativas de inflação, o Grupo de Conjuntura ainda prevê uma melhora no comportamento desse índice neste ano em relação a 2020. Segundo as previsões da Dimac, o INPC deve encerrar o ano com alta de 4,7%, acima da estimada anteriormente (4,3%), mas abaixo da registrada em 2020 (5,5%).

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Inflação por faixa de renda – Abril/2021

Por Maria Andréia P. Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda registrou, em abril, desaceleração nas taxas de inflação em todas as classes de renda pesquisadas. A queda apontada, no entanto, foi proporcionalmente maior para as famílias de renda média-alta e alta, cujas taxas de inflação passaram de 1,08% e 1,0% em março para 0,20% e 0,23%, respectivamente, em abril. Na outra ponta, as famílias de renda muito baixa foram as que apresentaram o menor alívio inflacionário, com uma taxa de variação de preços recuando de 0,71% para 0,45%. Apesar da maior alta em abril, no acumulado do ano, a inflação da classe de renda mais baixa (2,1%) mantém-se abaixo da apontada pelo segmento mais rico da população (2,5%), ainda repercutindo, basicamente, a desaceleração dos alimentos e a forte alta dos combustíveis ocorrida no primeiro trimestre de 2021. Já no acumulado em doze meses, a taxa de inflação das famílias mais pobres (7,7%) segue em um patamar bem acima do que foi observado no conjunto mais rico da população (5,2%).

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI)- fevereiro de 2021

Por Maria Andreia Parente Lameira

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, registrou variação de variação de 0,75% em fevereiro de 2021, permanecendo 0,05 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2020, a alta apontada foi de 0,36 p.p.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 8,19% nos últimos doze meses, situando-se em patamar acima do que registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), mas abaixo tanto do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), quanto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas (FGV), como mostra a tabela 1.

210505_cc_51_nota_11_icti_fev21_tabela_01Na desagregação entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, o maior impacto veio do segmento “Demais despesas operacionais”, cuja contribuição de 5,18 p.p. foi responsável por aproximadamente 63% da variação total apresentada pelo índice. No sentido contrário, a queda de 0,89% no segmento “Pessoal” gerou um alívio de 0,42p.p. no ICTI de fevereiro.

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Inflação por faixa de renda – Março/2021

Por Maria Andréia P. Lameiras

Em março, pelo segundo mês consecutivo, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda apontou aceleração nas taxas de inflação de todas as classes de renda pesquisadas. No mês passado, as maiores variações foram registradas nos segmentos de renda média (1,09%) e renda média-alta (1,08%). Já as famílias de renda muito baixa e baixa foram as que apresentaram o menor incremento inflacionário, com taxas de 0,71% e 0,85%, respectivamente.

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Após a incorporação deste resultado, observa-se que, no acumulado do ano, a inflação do segmento mais rico da população (2,3%) é superior à apontada pela classe mais baixa (1,6%), repercutindo, basicamente, a desaceleração dos alimentos e a alta elevada dos combustíveis. No entanto, no acumulado em doze meses, a taxa de inflação das famílias mais pobres (7,2%) segue bem acima da observada no segmento mais rico da população (4,7%)

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – janeiro de 2021

Por Maria Andréia P. Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou uma variação de 0,8% em janeiro de 2021, situando-se 0,52 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2020, o índice avançou 0,36 p.p.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 7,8% nos últimos doze meses, mantendo-se em patamar superior ao registrado pelo IPCA, do IBGE, mas abaixo tanto do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) quanto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da FGV.

Na desagregação entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, a maior contribuição veio do segmento de demais despesas operacionais, cuja alta de 4,60% foi responsável por aproximadamente 59% da variação total apresentada pelo índice. Ainda que em menor intensidade, o segmento material de consumo também afetou significativamente o ICTI, com impacto de 1,95 p.p. No sentido contrário, a queda de 0,78% nos gastos de pessoal vem gerando redução de custos.

Tabela 1_jan21

Tabela 2 - jan21

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Visão Geral da Conjuntura

Por José Ronaldo Souza Jr., Marco Cavalcanti, Paulo Levy e Leonardo Carvalho

Dados recentes de janeiro de 2021 e estimativas da Dimac do Ipea para fevereiro mostram que a trajetória de recuperação continuou no primeiro bimestre deste ano na indústria e, principalmente, nos serviços. No entanto, o agravamento recente da pandemia, que culminanou no quadro atual de forte pressão sobre o sistema de saúde, vem motivando os governos estaduais e municipais a reintroduzir medidas impositivas de isolamento social. Se, por um lado, se espera que a nova rodada de restrições possa ajudar a conter o número de novos casos da doença e aliviar o sistema de saúde, por outro lado, aumentam as incertezas em relação ao desempenho da economia no curto prazo. O impacto negativo sobre a atividade econômica tende a ser significativo, mas menor do que no segundo trimestre do ano passado.

O desequilíbrio fiscal é analisado nesta nota na perspectiva do orçamento de 2021 recém-aprovado pelo Congresso, especialmente em relação ao cumprimento do teto de gastos, e do impacto da aprovação da Emenda Constitucional (EC) no 109, derivada da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, sobre a sustentabilidade das contas públicas em prazo mais longo. Argumenta-se que a necessidade de duras medidas de contenção de despesas visando ao cumprimento do teto de gastos em 2021, que já era significativa, foi magnificada pelo Autógrafo do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) aprovado. Contudo, dado o já relativamente baixo nível das despesas discricionárias, o espaço para o ajuste requerido é estreito, havendo risco de interrupção parcial ou total de algumas atividades ou programas públicos. Faz-se necessária, portanto, a busca por uma solução que envolva a revisão de parte da programação orçamentária aprovada no Autógrafo do PLOA. No que se refere à sustentabilidade da política fiscal no longo prazo, entende-se que a EC no 109 seja um passo importante na direção correta, ao proporcionar instrumentos e reforçar princípios relevantes para o equilíbrio fiscal intertemporal. Um dos determinantes de seus impactos, porém, será a aprovação de leis complementares que regulamentem algumas das alterações constitucionais. Ao longo do tempo, o impacto final da EC no 109 sobre as contas públicas ficará mais claro.

Neste contexto de incertezas de política fiscal e relacionadas à pandemia, a previsão da Dimac/Ipea para o PIB de 2021 é de um crescimento de 3%, com recuo de 0,5% do PIB no primeiro trimestre, na comparação com ajuste sazonal. Ainda que uma nova rodada de medidas fiscais de combate aos efeitos da pandemia esteja programada para começar em abril, o impacto negativo sobre a atividade econômica tende a prevalecer no primeiro semestre, embora em magnitude significativamente menor do que a verificada no ano passado. No segundo semestre, o cenário considerado na projeção é que a cobertura vacinal contra a Covid-19 esteja avançada e permita a retomada do crescimento devido ao aumento da confiança dos consumidores e empresários e à redução de medidas de isolamento social. Para 2022, a Dimac/Ipea projeta um aumento de 2,8% para o PIB. Embora esse resultado do ano seja inferior ao previsto para 2021, o cenário caracteriza-se pela manutenção, ao longo de 2022, da retomada da atividade esperada para o segundo semestre deste ano.

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No que diz respeito à inflação de 2021, projeta-se uma variação de 4,6% do IPCA e de 4,3% do INPC. Essa projeção considera as surpresas inflacionárias adversas do início do ano, especialmente em relação aos preços administrados, bem como o recente período de seca verificado nas principais regiões produtoras de carne e leite, a trajetória observada e esperada para a taxa de câmbio e a continuada aceleração dos preços das matérias-primas no mercado internacional. Contudo, espera-se que, no contexto de uma política monetária mais apertada e sob a hipótese de que as atuais incertezas fiscais sejam controladas, a inflação volte a cair ao longo do ano e permaneça controlada em 2022, atingindo, nesse ano, 3,4% tanto para o IPCA quanto para o INPC.

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Inflação por faixa de renda – fevereiro/2021

Por Maria Andréia P. Lameiras

Após a desaceleração registrada em janeiro, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda voltou a apresentar, em fevereiro, alta nas taxas de inflação em todas as classes de renda pesquisadas. Em termos absolutos, os maiores incrementos inflacionários ocorreram nas três faixas de renda mais alta, cujas taxas de inflação aceleraram de 0,26%, 0,27% e 0,29% para 0,98%, 0,97% e 0,98%, respectivamente.

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Na desagregação da inflação por grupos, observa-se que, em fevereiro, a maior contribuição inflacionária, em todos os segmentos de renda, veio do grupo transportes, impactado pela alta de 7,1% dos combustíveis. No caso das famílias de renda mais baixa, além dos combustíveis, os reajustes de 0,33% do ônibus urbano e de 0,56% do trem explicam a pressão exercida por esse grupo. Em contrapartida, para as famílias de renda mais alta, a queda de 3,0% nos preços das passagens aéreas ajudou a atenuar o aumento dos combustíveis.

Em relação aos demais grupos, nota-se que a segunda maior contribuição à alta da inflação das famílias mais pobres veio da habitação, repercutindo os aumentos de 0,66% dos aluguéis, de 1,0% da taxa de água e esgoto e de 3,0% do botijão de gás. Já para o segmento mais rico da população, o reajuste de 3,1% das mensalidades escolares explica a pressão exercida pelo grupo educação. Deve-se ressaltar, ainda, que, assim como ocorrido em janeiro, a desaceleração dos alimentos evitou um aumento ainda maior das taxas de inflação em fevereiro.

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