Arquivos da categoria: Indicadores Ipea

Índice de qualidade do trabalho e suas implicações sobre a produtividade e a taxa de desocupação

Por Cristiano da C. Silva, José Ronaldo de C. Souza Jr. e Tarsylla da S. de G. Oliveira

Propomos nesta nota um novo indicador Ipea denominado Índice de Qualidade do Trabalho (IQT), que combina informações de mercado de trabalho com dados de escolaridade e experiência. Com base nesse indicador, analisamos as mudanças de composição do trabalho no Brasil de 2012 a 2020, que apresentam um viés de melhora mais acentuada nos momentos de crise econômica – período em que os trabalhadores menos qualificados estão mais expostos ao desemprego. A saída desses trabalhadores da força de trabalho pode resultar em um viés considerável na apuração de indicadores de ociosidade do fator trabalho, variável importante em estudos sobre produtividade – como também será mostrado nesta nota – e produto potencial.

Nossos resultados mostram um crescimento médio de 2,31% ao ano (a.a.) na qualidade da população ocupada (PO) no mercado de trabalho brasileiro durante o intervalo de 2012T2 até 2021T1 – por meio de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua), do IBGE. Estimativas contrafactuais indicam a acumulação de estoque de capital humano da população em idade ativa (PIA) como principal driver para essa evolução, indicando a importância de fatores estruturais.

Do ponto de vista cíclico, no período analisado, observamos que o efeito composição na PO contribuiu para o crescimento mais acelerado do IQT durante fases de recessão, com o índice crescendo no ritmo de: 2,7% a.a. na comparação entre o primeiro trimestre de 2014 e o quarto trimestre de 2016; e 11,9% a.a. na comparação entre o quarto trimestre de 2019 e o segundo trimestre de 2020. Já nas fases de expansão econômica, o crescimento médio ficou entre 0,90% a.a. e 1,5% a.a. – bem inferior às varrições dos períodos recessivos. Assim, concluímos que a participação relativa dos grupos demográficos mais qualificados aumentou em decorrência da maior perda líquida de vagas dos trabalhadores de baixa qualificação em períodos de turbulência econômica.

Avaliamos também o impacto do ajuste pela qualidade da PO sobre a produtividade total dos fatores (PTF) e a taxa de desocupação. As estimativas indicam que a PTF estimada da forma convencional (em que o fator trabalho é mensurado pelas horas efetivamente trabalhadas, sem correção por qualidade) superestima em 13,3 pontos percentuais (p.p.) o indicador no período analisado – quando comparado à PTF ajustada pela qualidade do trabalho. Contrariamente à medida convencional, sem ajuste pela qualidade, nossos resultados apontam para uma redução significativa na eficiência dos fatores de produção durante o período analisado.

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As evidências mostradas neste trabalho confirmam que o forte ajuste na composição da força de trabalho ocupada nos dois primeiros trimestres de 2020 – período em que os grupos demográficos com menor acumulação de experiência e educação foram relativamente mais afetados pela perda de emprego – explicam em grande parte o avanço observado pela PTF mensurada da forma convencional. Quando ajustamos a variação das horas efetivas trabalhadas pelo IQT, observamos uma queda da PTF de 0,4%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2021 e o mesmo período do ano passado, contra um aumento de 3,6% na medida convencional de PTF – sem ajuste pelo IQT.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Abril de 2021 Demanda interna por bens industriais recua 5,4% em abril

Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou uma queda de 5,4% na comparação entre abril e março na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, o trimestre móvel encerrado em abril retraiu 2,6% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) caiu 2% em abril, as importações de bens industriais recuaram 10,6%, após registrarem alta de 10% no período anterior.

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 28,9% contra abril do ano passado. Com isso, o trimestre móvel apresentou uma alta de 15,6% em relação ao verificado no mesmo período de 2020. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou varação nula, enquanto a produção industrial, mensurada pela PIM-PF do IBGE, acumulou um crescimento de 1,1%.

Tabela 1

Grafico 1
A análise dos resultados por grandes categorias econômicas, por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – março de 2021

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,72% em março de 2021, situando-se 0,03 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo período de 2020, o índice permaneceu praticamente estável (0,73%).

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula alta de 8,18% nos últimos doze meses, mantendo-se em patamar acima do registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), mas abaixo do apontado tanto pelo Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) quanto pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), como mostra a tabela 1.
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Na desagregação entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, a maior contribuição veio do segmento demais despesas operacionais, cujo impacto de 5,57 p.p. foi responsável por aproximadamente 68% da variação total apresentada pelo índice. Ainda que em menor intensidade, o grupo material de consumo também vem afetando positivamente o ICTI, com impacto de 1,89 p.p.210607_cc_51_nota_23_icti_marco_21_tabela_02

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Indicador Ipea de FBCF – Março e Primeiro Trimestre de 2021 Impulsionados pela importação de plataformas de petróleo, investimentos apresentam alta de 4,6% no primeiro trimestre de 2021

Por Leonardo M. de Carvalho e José Ronaldo de C. Souza Jr.

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta um recuo de 4,7% na comparação entre março e fevereiro de 2021, na série com ajuste sazonal. Ainda assim, o primeiro trimestre fechou com uma alta de 4,6% –resultado já ajustado pelas Contas Nacionais Trimestrais, do BGE.Nas comparações com os mesmos períodos de 2020, enquanto março registrou uma expansão de 27%, o primeiro trimestre apresentou alta de 17%. Os resultados voltaram a ser afetados pelas operações envolvendo importações de plataformas de petróleo, ainda sujeitas, em parte, às mudanças no regime aduaneiro Repetro. No acumulado em doze meses, os investimentos apresentaram crescimento de 2%.

Gráfico Tabela

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Inflação por faixa de renda – Abril/2021

Por Maria Andréia P. Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda registrou, em abril, desaceleração nas taxas de inflação em todas as classes de renda pesquisadas. A queda apontada, no entanto, foi proporcionalmente maior para as famílias de renda média-alta e alta, cujas taxas de inflação passaram de 1,08% e 1,0% em março para 0,20% e 0,23%, respectivamente, em abril. Na outra ponta, as famílias de renda muito baixa foram as que apresentaram o menor alívio inflacionário, com uma taxa de variação de preços recuando de 0,71% para 0,45%. Apesar da maior alta em abril, no acumulado do ano, a inflação da classe de renda mais baixa (2,1%) mantém-se abaixo da apontada pelo segmento mais rico da população (2,5%), ainda repercutindo, basicamente, a desaceleração dos alimentos e a forte alta dos combustíveis ocorrida no primeiro trimestre de 2021. Já no acumulado em doze meses, a taxa de inflação das famílias mais pobres (7,7%) segue em um patamar bem acima do que foi observado no conjunto mais rico da população (5,2%).

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Indicador de Consumo Aparente de Bens Industriais – março de 2021 Demanda interna por bens industriais recua 1,2% em março

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou uma queda de 1,2% na comparação entre março e fevereiro na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu crescimento nulo no período anterior, o primeiro trimestre de 2021 avançou 4,1% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) caiu 3,9% em fevereiro, as importações de bens industriais aumentaram 0,4%.

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 12,9% contra março do ano passado. Com isso, o primeiro trimestre apresentou uma alta de 6,6% em relação ao verificado no mesmo período de 2020. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou uma queda de 4,4%, enquanto a produção industrial, mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do IBGE, acumulou uma baixa de 3,1%.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI)- fevereiro de 2021

Por Maria Andreia Parente Lameira

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, registrou variação de variação de 0,75% em fevereiro de 2021, permanecendo 0,05 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2020, a alta apontada foi de 0,36 p.p.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 8,19% nos últimos doze meses, situando-se em patamar acima do que registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), mas abaixo tanto do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), quanto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas (FGV), como mostra a tabela 1.

210505_cc_51_nota_11_icti_fev21_tabela_01Na desagregação entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, o maior impacto veio do segmento “Demais despesas operacionais”, cuja contribuição de 5,18 p.p. foi responsável por aproximadamente 63% da variação total apresentada pelo índice. No sentido contrário, a queda de 0,89% no segmento “Pessoal” gerou um alívio de 0,42p.p. no ICTI de fevereiro.

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Indicador Ipea de FBCF – Fevereiro de 2021 Investimentos recuam 1,1% em fevereiro, a segunda queda seguida na margem

Leonardo M. Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta uma retração de 1,1% na comparação entre fevereiro e janeiro, na série com ajuste sazonal. Ainda assim, o trimestre móvel terminado em fevereiro registrou alta de 22,4%. Na comparação com o ano anterior, a FBCF atingiu um patamar 7,8% superior ao verificado em fevereiro de 2020. No acumulado em doze meses, a taxa de crescimento dos investimentos passou de -1,4% para -1,1%.

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Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentou uma queda de 2,9% em fevereiro. Apesar desse resultado, o trimestre móvel registrou alta de 47,2%. De acordo com os seus componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos recuou 4,3% em fevereiro, a importação aumentou 13,1% no mesmo período. No acumulado em doze meses, a demanda interna por máquinas e equipamentos apresentou queda de 3,1%.

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Os investimentos em construção civil, por sua vez, recuaram 1,2% em fevereiro, na série dessazonalizada, segunda queda consecutiva na margem. Com isso, o segmento registrou um avanço de 2% no trimestre móvel, embora ainda apresente baixa de 1,3% no acumulado em doze meses.

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Inflação por faixa de renda – Março/2021

Por Maria Andréia P. Lameiras

Em março, pelo segundo mês consecutivo, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda apontou aceleração nas taxas de inflação de todas as classes de renda pesquisadas. No mês passado, as maiores variações foram registradas nos segmentos de renda média (1,09%) e renda média-alta (1,08%). Já as famílias de renda muito baixa e baixa foram as que apresentaram o menor incremento inflacionário, com taxas de 0,71% e 0,85%, respectivamente.

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Após a incorporação deste resultado, observa-se que, no acumulado do ano, a inflação do segmento mais rico da população (2,3%) é superior à apontada pela classe mais baixa (1,6%), repercutindo, basicamente, a desaceleração dos alimentos e a alta elevada dos combustíveis. No entanto, no acumulado em doze meses, a taxa de inflação das famílias mais pobres (7,2%) segue bem acima da observada no segmento mais rico da população (4,7%)

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Fevereiro de 2021 Demanda interna por bens industriais recua 1,2% em fevereiro

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou uma queda de 1,2% na comparação entre fevereiro e janeiro na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu uma alta de 2,7% no período anterior, o trimestre móvel encerrado em fevereiro avançou 6,5% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) caiu 1,6% em fevereiro, as importações de bens industriais cederam 0,7%.

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 5,4% contra fevereiro do ano passado. Com isso, o trimestre móvel apresentou uma alta de 8,7% em relação ao verificado no mesmo período de 2020. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou uma queda de 5,3%, enquanto a produção industrial, mensurada pela PIM-PF do IBGE, acumulou uma baixa de 4,2%.

Tabela 1

Grafico 1

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