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Visão geral da conjuntura

Por Claudio Hamilton Matos dos Santos, Cláudio Roberto Amitrano e Mônica Mora Y Araujo

Conforme previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica n º 22, Carta de Conjuntura n º 69, de dezembro de 2025), o produto interno bruto (PIB) da economia brasileira fechou o ano de 2025 com crescimento de 2,3%. Ademias, os dados do quarto trimestre – com o PIB crescendo 0,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior na série dessazonalizada – se mostraram compatíveis com o diagnóstico do grupo no final do ano passado, segundo o qual a economia estaria em um “pouso suave” “(…) “sem ruptura abrupta do nível de atividade, mas com clara perda de tração da demanda interna”.

A recente eclosão do conflito armado envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã – e a consequente perspectiva de altas prolongadas no preço do petróleo – inserem-se em um contexto já potencialmente instável, decorrente do conflito na Ucrânia e dos impactos sobre o comércio mundial da imposição unilateral de tarifas pelos Estados Unidos. Não parece exagerada a afirmação de que o mundo se encontra no momento de maior tensão geopolítica desde o fim da Guerra Fria.

Dadas as incertezas associadas à própria extensão da guerra, os impactos desta última sobre a economia brasileira são difíceis de antecipar com precisão. Há motivos para moderado otimismo a este respeito, entretanto.

A elevada incerteza no cenário externo contrasta, entretanto, com a relativa rigidez de algumas dinâmicas que vêm caracterizando a economia brasileira há alguns anos – notadamente o crescimento rápido e contínuo da renda disponível das famílias e do volume de crédito disponibilizado pelo sistema financeiro nacional

O crescimento da renda das famílias brasileiras nos últimos anos se deve, em grande medida, à combinação de crescimento continuado dos gastos públicos sociais e da massa salarial, esse último resultado do desempenho recente muito favorável do mercado de trabalho favorecido pelos efeitos multiplicadores dos referidos gastos sociais5. Não são esperadas mudanças no binômio gastos sociais e massa salarial crescentes ao longo de 2026, o que, por seu turno, sustenta, pelo lado da demanda, a perspectiva de crescimento da atividade econômica no ano.

Após um fim de 2025 marcado por perda de dinamismo da atividade, os resultados de janeiro das principais pesquisas conjunturais sugerem desempenho positivo disseminado, contemplando tanto segmentos menos cíclicos quanto aqueles mais sensíveis aos efeitos do aperto monetário. Embora, por si só, não alterem de forma substantiva a leitura do grupo de conjuntura do Ipea sobre o ambiente macroeconômico, os números do primeiro bimestre impactam positivamente o resultado esperado para a atividade econômica no primeiro trimestre de 2026.

Com efeito, a projeção do grupo de conjuntura do Ipea para o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 é de 0,8% contra o trimestre imediatamente anterior na série dessazonalizada e 1,4% na comparação interanual, crescimento esse que se espera puxado, pelo lado da demanda, pelo consumo das famílias e pela formação bruta de capital fixo. Pelo lado da oferta, espera-se que o setor de serviços lidere a expansão, mas cabe registrar também o aparente crescimento do PIB agropecuário no primeiro trimestre de 2026, que, caso se concretize, ocorrerá sobre uma base já elevada pela supersafra colhida em 2025.

Embora o cenário prospectivo do grupo permaneça, em linhas gerais, semelhante ao traçado na última Visão Geral — ressalvadas alterações no que se refere ao aumento da incerteza no ambiente externo — a revisão da nossa projeção para o primeiro trimestre ensejou também uma revisão da estimativa de crescimento do PIB em 2026 de 1,6% para 1,8%. Para 2027, em um cenário sem choques adicionais relevantes, mantemos a expectativa de aceleração moderada da atividade, com expansão de 2,0%, refletindo, em grande medida, a tendência de que os efeitos defasados da flexibilização monetária se tornem mais perceptíveis ao longo do próximo ano.

Optamos, adicionalmente, por manter nossa projeção para a inflação brasileira em 2026, medida pelo IPCA, em 4,2%, embora com mudanças em sua composição. Se, por um lado, houve melhoras no desempenho da safra, da taxa de câmbio e dos serviços aliviando a pressão sobre os preços livres, por outro, a eclosão da guerra e seus efeitos sobre os combustíveis pioraram a projeção para os preços administrados.

Nesse novo quadro, as projeções para a alta dos alimentos e dos serviços livres foram revisadas para baixo, passando de 4,2% e 5,7% para 3,9% e 5,5%, respectivamente. Já a projeção para os bens industriais foi mantida em 2,6%, uma vez que o melhor desempenho do câmbio foi compensado pela alta de 28% das commodities metálicas no último trimestre. Em sentido oposto, a elevação do preço do petróleo no mercado internacional ampliou o diferencial entre os preços domésticos e internacionais da gasolina, que em meados de março já superava 45%, alimentando expectativas de novos reajustes nos combustíveis. Com isso, a estimativa para a alta dos preços administrados em 2026 avançou de 3,8% para 4,3%.

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Indicador Ipea mensal de FBCF – resultado de janeiro de 2026

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que agrega os investimentos em máquinas e equipamentos, na construção civil e em outros ativos fixos, registrou um avanço de 3,2% na comparação entre janeiro e dezembro na série com ajuste sazonal. O resultado sucedeu ao recuo de 5,0% ocorrido no período anterior. Com isso, o trimestre móvel encerrado em janeiro registrou queda de 3,8% na comparação dessazonalizada. Nas comparações com os mesmos períodos de 2025, o indicador mensal apresentou retrações de 3,8% em janeiro e de 4,0% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, por sua vez, os investimentos totais tiveram uma expansão de 2,3%.

Na comparação com ajuste sazonal, os investimentos em máquinas e equipamentos – medidos segundo o conceito de consumo aparente, que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentaram um recuo de 2,4% em janeiro, encerrando o trimestre móvel com baixa de 7,8%. Quanto aos seus componentes, enquanto a produção nacional avançou 1,9%, as importações recuaram 2,7% na margem. Já na comparação em médias móveis, ambas registraram quedas, com baixas de 5,1% e 10,8%, respectivamente. No acumulado em doze meses, o consumo aparente (ou a demanda interna) de máquinas e equipamentos registrou um crescimento de 2,8%.

Os investimentos em construção civil, por seu turno, avançaram 3,5% na passagem entre os meses de dezembro e janeiro, na série dessazonalizada. Com esse resultado, que sucedeu à queda de 6,3%, o segmento declinou 2,5% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, o crescimento foi de 0,1%. Já o segmento de outros ativos fixos expandiu 4,0% na margem em janeiro, exibindo alta de 0,4% na comparação em médias móveis. No acumulado do ano, o crescimento ficou em 5,0%.

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Dados Xls



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Panorama da economia mundial

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos, Caio Rodrigues Gomes Leite e Tarsylla da Silva de Godoy Oliveira

A economia mundial tem apresentado um desempenho acima do esperado após o tarifaço de Donald Trump em abril de 2025, no crescimento e na inflação. Por sua vez, os preços das commodities metálicas e de energia têm oscilado muito, refletindo questões geopolíticas, de política monetária e de demanda. Além de indicadores globais, o texto analisa as economias dos Estados Unidos, da China e da Área do euro. Com a eclosão da guerra no Irã, a incerteza aumentou, especialmente quanto à inflação e à política monetária nos diversos países.

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Estimativa preliminar do resultado primário do governo central em fevereiro de 2026

Por Sérgio Fonseca Ferreira

De acordo com os resultados da execução orçamentária registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, que servem como referência confiável para estimativa dos resultados oficiais posteriormente divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o mês de fevereiro de 2026 apresentou déficit primário de R$ 30,7 bilhões nas contas do governo central. Conforme demonstrado na tabela 1, a receita líquida do governo central atingiu R$ 156,6 bilhões nesse período, em comparação aos R$ 149,3 bilhões observados em fevereiro de 2025, refletindo um crescimento real de 4,9%. As despesas somaram R$ 187,3 bilhões, em relação aos R$ 182,1 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior, representando um aumento real de 2,8%. No acumulado do ano, observa-se que o déficit primário de R$ 56,8 bilhões até fevereiro, a valores constantes de fevereiro de 2026, está em patamar semelhante ao déficit de R$ 56,7 bilhões apurado no mesmo intervalo de 2025.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – janeiro de 2026

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou taxa de variação de 0,15% em janeiro de 2026, situando-se 0,07 ponto percentual (pp) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 0,39 pp menor. Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 2,89% nos últimos doze meses

Após a revisão dos dados de 2025, foi fornecido que, em abril, a variação do ICTI foi de 0,22%, e não de 0,62%, como divulgado. A planilha, disponibilizada em anexo, já contém os valores revisados ​​e corrigidos.

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Dados Xls



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Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – dezembro de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais recuou 2,6% na comparação entre dezembro e novembro na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Por trás deste resultado, a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) caiu 1,8%, enquanto as importações de bens industriais recuaram 6,1%, conforme mostra a tabela.

O recuo na série dessazonalizada foi o terceiro consecutivo. Com isso, o trimestre móvel encerrado em dezembro registrou queda de 2,3% na margem, quando comparado com aquele encerrado em setembro. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal diminuiu 3,2% em relação a dezembro de 2024, a variação em médias móveis trimestrais caiu 2,1%. No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais encerrou 2025 com alta de 1,1%, contrastando com a elevação de 0,6% da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE). Ambas apontaram para mais uma desaceleração em dezembro, como ilustra o gráfico.

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Dados Xls



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Indicadores bimestrais de receitas e despesas correntes dos entes subnacionais – atualização para o 6° bimestre de 2025

Por Pedro Marques de Santana
Técnico de Planejamento e Pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Dimac/Ipea)
pedro.santana@ipea.gov.br

A atualização dos indicadores bimestrais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que as receitas correntes dos estados e do Distrito Federal (DF) apresentaram crescimento real de 2,6% em 2025 em relação a 2024. Os dados do sexto bimestre reforçam essa trajetória, com alta de 4,9% frente ao mesmo período do ano anterior.

Esse resultado foi impulsionado sobretudo pelas receitas correntes próprias — que incluem tributos, receitas patrimoniais e outras fontes — as quais cresceram 2,9% no acumulado do ano e 4,2% na comparação interanual. As transferências correntes também contribuíram positivamente, embora em menor intensidade, registrando avanços de 1,2% no acumulado anual e de 7,3% em relação ao sexto bimestre de 2024.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – dezembro de 2025

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou taxa de variação de 0,22% em dezembro de 2025, situando-se 0,35 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2024, a variação foi 0,44 p.p. menor. Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula variação de 3,37% nos últimos doze meses.

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Dados Xls



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Indicador Ipea mensal de FBCF: resultado de novembro de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que agrega os investimentos em máquinas e equipamentos, na construção civil e em outros ativos fixos, registrou uma alta de 0,5% na comparação entre novembro e outubro na série com ajuste sazonal, resultado que sucedeu à queda de 7,5%. Com isso, o trimestre móvel encerrado em novembro registrou expansão de 1,8% na comparação dessazonalizada. Nas comparações com os mesmos períodos de 2024, o indicador mensal apresentou retração de 3,4% em novembro, e alta de 0,8% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, por sua vez, os investimentos totais apresentaram uma expansão de 3,8%.

Na comparação com ajuste sazonal, os investimentos em máquinas e equipamentos – medidos segundo o conceito de consumo aparente, que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentaram um avanço de 0,3% em novembro, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 6,6%. Quanto aos seus componentes, enquanto a produção nacional recuou 1,9% na margem, as importações cresceram 6,8%. Já na comparação em médias móveis, a produção nacional caiu 4,4%, ao passo que as importações avançaram 24,8%.

Os investimentos em construção civil, por seu turno, registraram alta de 1,6% na passagem entre os meses de outubro e novembro, na série dessazonalizada. Com esse resultado, que sucedeu à queda de 1,4%, o segmento registrou uma queda de 2,1% no trimestre móvel. O segmento de outros ativos fixos, por sua vez, recuou 0,4% na margem em novembro, e 0,5% na comparação em médias móveis.

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Inflação por faixa de renda – Dezembro/2025

Por Maria Andréia P. Lameiras

Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que, em dezembro, todas as faixas de renda apresentaram aceleração da inflação em relação ao mês anterior. Apesar do alívio inflacionário observado no grupo habitação – refletindo a queda de 5,4% nas tarifas de energia elétrica –, o encerramento das deflações dos alimentos no domicílio, combinado com reajustes mais intensos nos grupos transportes e saúde e cuidados pessoais, explica o avanço da inflação no mês. Nesse contexto, a inflação das famílias de renda muito baixa passou de 0,01% em novembro para 0,14% em dezembro, enquanto, na faixa de renda alta, a taxa avançou de 0,45% para 0,51% na mesma base de comparação.

Com a incorporação do resultado de dezembro, observa-se que, no acumulado de 2025, a faixa de renda baixa registrou a menor variação inflacionária (3,8%), ao passo que a renda alta apresentou a maior taxa (4,7%). Nota-se, ainda, que, na comparação com 2024, houve descompressão inflacionária nas cinco primeiras faixas de renda e pressão inflacionária adicional no segmento de renda alta.

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Dados Xls



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