Retrato dos rendimentos do trabalho: resultados da PNAD Contínua do quarto trimestre de 2025

Por Sandro Sacchet de Carvalho

Os dados dos rendimentos do trabalho do quarto trimestre de 2025 apresentaram uma elevação da renda em relação ao trimestre anterior, renovando outra vez o pico da série histórica iniciada em 2012. O crescimento interanual da renda habitual média foi de 5%. No trimestre móvel terminado em janeiro de 2026, a renda média elevou-se para R$ 3.652, estando 5,4% acima do valor registrado no mesmo trimestre do ano anterior. Com tal resultado, atinge-se o total de treze trimestres consecutivos com o crescimento interanual da renda acima de 3%.

Por grupos demográficos, os maiores aumentos na renda na comparação com o mesmo período de 2024 foram registrados no Norte, entre os trabalhadores jovens adultos (entre 25 e 39 anos) e com ensino médio incompleto. Piores desempenhos ocorreram entre os trabalhadores adultos (entre 40 e 59 anos) e entre aqueles com ensino superior.

Na análise por tipo de vínculo, assim como no trimestre anterior, os trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira apresentaram crescimento interanual da renda acima dos demais tipos de vínculo (9,1% e 7%, respectivamente). Por sua vez, os trabalhadores privados com carteira mostraram um crescimento de 2,6%, mantendo, desde o início de 2022, taxas de crescimento inferiores às registradas entre as categorias informais.

Por setor, no quarto trimestre de 2025, a agricultura manteve uma recuperação do rendimento habitual (8,7%), após ter sido claramente o setor que obteve o menor crescimento da renda ao longo de 2024. Além da agricultura, os maiores aumentos interanuais da renda habitual foram observados no setor de serviços pessoais e coletivos (8,8%) e na administração pública (6,4%). O menor crescimento da renda média habitual foi no comércio, com apenas 1,1% no quarto trimestre de 2025, seguido do setor da indústria da transformação, com elevação de 2,2%.

Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice de Gini tem se mantido relativamente estável desde o terceiro trimestre de 2022. No quarto trimestre de 2025, o índice de Gini da renda domiciliar ascendeu para 0,517. Já o índice de Gini da renda individual subiu de 0,485 para 0,490 entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025.

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