Por Leonardo Mello de Carvalho e Claudio Hamilton Matos dos Santos
O produto interno bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025, na série dessazonalizada, mantendo o ritmo de crescimento modesto verificado nos dois períodos anteriores. Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, a economia expandiu 1,8%, encerrando o ano de 2025 com uma expansão de 2,3%. Esses resultados vieram em linha com as previsões apresentadas na Nota de Conjuntura no 69, publicada em dezembro de 2025 pela Dimac/Ipea, que projetava altas de 0,2% na margem, de 1,8% na comparação interanual e de 2,3% no acumulado em quatro trimestres. Com o resultado, o carry-over para 2026 ficou em 0,2%.
Como notamos em relatórios anteriores, a dinâmica da economia brasileira em 2025 foi marcada pela tensão entre duas forças de sentido oposto. De um lado, os efeitos defasados de uma política monetária crescentemente restritiva continuaram a pesar sobre os componentes do PIB mais sensíveis ao ciclo: o crédito mais caro comprimiu as condições financeiras, moderando o consumo das famílias e o investimento, ao mesmo tempo que elevou o comprometimento da renda com o serviço de dívidas e pressionou a inadimplência – um canal clássico de transmissão do aperto monetário. Neste contexto, a indústria de transformação absorveu os maiores impactos, registrando desempenho desfavorável em 2025. Segmentos menos dependentes da demanda doméstica, como a produção agropecuária e extrativa mineral, por sua vez, se destacaram, com contribuições relativamente maiores para o resultado agregado. Do outro lado da balança, um mercado de trabalho resiliente – com emprego aquecido e ganhos reais de renda – e medidas governamentais voltadas à preservação do acesso ao crédito atuaram como contrapeso à política monetária, limitando o seu alcance contracionista. O resultado foi uma desaceleração gradual: a economia, de fato, perdeu fôlego, notadamente nos segmentos mais cíclicos, mas sem ruptura – um pouso suave, em resumo.
