Arquivos mensais: dezembro 2025

Desempenho do PIB: terceiro trimestre de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho e Claudio Hamilton Matos dos Santos

O PIB brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, na série dessazonalizada, ritmo que representa nova desaceleração do nível de atividade, após as expansões de 1,5% no início do ano e de 0,3% no período seguinte. Na comparação com o mesmo período de 2024, a economia expandiu 2,2%. Esses resultados vieram próximos às previsões apresentadas na Nota de Conjuntura no 68, publicada em junho de 2025 pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que projetava altas de 0,1% na margem, e de 1,6% na comparação interanual. Com isso, o carry-over para o ano de 2025 ficou em 2,3%, significando dizer que a economia crescerá a essa última taxa no referido ano caso o crescimento verificado no quarto trimestre seja zero. Cabe destacar que a nova divulgação incorporou revisões relevantes na série recente das Contas Nacionais Trimestrais, elevando as taxas de crescimento interanual do PIB no primeiro e no segundo períodos de 2025 e, por conseguinte, aumentando também o resultado acumulado do primeiro semestre, que passou de 2,5% para 2,7%.

A desaceleração em curso da atividade econômica, corroborada pelo resultado do PIB do terceiro trimestre, segue ocorrendo em linha com o cenário já antecipado e, portanto, reforça o diagnóstico de fundo da Dimac/Ipea sobre o ciclo atual. Mesmo num contexto interno ainda caracterizado por um mercado de trabalho pujante, com ocupação elevada e massa de rendimentos em expansão moderada, sobressaem os efeitos defasados e contemporâneos da política monetária contracionista, marcada pela manutenção de patamares elevados da taxa nominal de juros básica por um período já bastante longo, mesmo em um contexto de expectativas inflacionárias decrescentes.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – outubro de 2025

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou taxa de variação de -0,21% em outubro de 2025, situando-se 0,57 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2024, a variação foi 0,84 p.p. menor. Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 3,57% nos últimos doze meses.

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Metodologia de cálculo dos indicadores bimestrais de receitas e despesas correntes, receitas de transferências correntes e próprias e despesas com pessoal e encargos sociais e outras despesas correntes de estados e municípios

Por Cláudio Hamilton dos Santos e Pedro Marques de Santana

O objetivo desta nota é apresentar uma metodologia de construção de indicadores bimestrais de receitas e despesas correntes, receitas de transferências, receitas correntes próprias, despesas com pessoal e encargos sociais e outras despesas correntes para o conjunto dos estados e do Distrito Federal e dos municípios brasileiros.

A execução orçamentária dos entes subnacionais é relativamente pouco acompanhada pelos analistas da conjuntura econômica do país, apesar de sua elevada importância macroeconômica e para o bem-estar da população por meio da prestação de bens e serviços públicos finais. Em anos mais recentes, a disponibilização das Estatísticas Fiscais do Governo Geral (EFGG) trimestrais pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) lançou considerável luz sobre o tema (BRASIL, 2015; 2021). Os indicadores bimestrais ora apresentados, os primeiros de um grupo maior a ser divulgado nos próximos meses, têm como objetivo complementar os dados da EFGG com informações mais tempestivas, além de conceitualmente distintas.

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Retrato dos rendimentos do trabalho: resultados da PNAD Contínua do terceiro trimestre de 2025

Por Sandro Sacchet de Carvalho

Os dados dos rendimentos do trabalho do terceiro trimestre de 2025 apresentaram uma elevação da renda em relação ao trimestre anterior, renovando outra vez o pico da série histórica iniciada em 2012. O crescimento interanual da renda habitual média foi de 4%. No trimestre móvel terminado em outubro de 2025, a renda média subiu para R$ 3.528,00, sendo 3,9% acima do mesmo trimestre no ano anterior. Com tal resultado, completa-se exatamente três anos com o crescimento interanual da renda acima de 3%.

Por grupos demográficos, os maiores aumentos na renda na comparação com o mesmo período de 2024 foram registrados no Sul, entre os trabalhadores adultos (entre 40 e 59 anos) e com ensino médio incompleto. Piores desempenhos ocorreram entre os trabalhadores mais velho (mais de 60 anos) e entre aqueles com ensino superior.

Na análise por tipo de vínculo, assim como no trimestre anterior, os trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira apresentaram crescimento interanual da renda acima dos demais tipos de vínculo (5,2% e 7,1%, respectivamente). Por sua vez, os trabalhadores privados com carteira mostraram um crescimento de 1,9%, mantendo taxas de crescimento mais lento que as categorias informais desde o início de 2022.

Por setor, no terceiro trimestre de 2025, a agricultura continuou uma recuperação do rendimento habitual (6%), após ter sido claramente o setor que obteve o menor crescimento da renda ao longo de 2024. Além da agricultura, os maiores aumentos interanuais da renda habitual foram observados no setor de construção (5,8) e na administração pública (5,1%). O menor crescimento da renda média habitual foi no comércio com apenas 1,1% no terceiro trimestre de 2025, seguido do setor de transporte com elevação de 1,8%.

Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice de Gini tem se mantido relativamente estável desde o terceiro trimestre de 2022. No terceiro trimestre de 2025, o índice de Gini da renda domiciliar retornou para 0,513. Já o índice de Gini da renda individual caiu de 0,486 para 0,485 entre o segundo e o terceiro trimestres de 2025.

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