Arquivos mensais: dezembro 2025

Indicadores de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, na série dessazonalizada, confirmando a desaceleração do nível de atividade econômica como consequência de efeitos defasados e contemporâneos da política monetária contracionista. Mesmo num contexto interno ainda caracterizado por um mercado de trabalho pujante, com ocupação elevada e massa de rendimentos em expansão moderada, sobressaem os impactos da manutenção de patamares elevados da taxa nominal de juros básica por um período já bastante longo. Descontando a inflação projetada para os próximos 12 meses, os juros reais se situam atualmente acima de 10,0%, o que não apenas desestimula decisões de investimento privado – ao encarecer o custo de capital e aumentar a exigência de retorno dos novos projetos – como também pressiona o orçamento das famílias, à medida que encarece o custo do crédito ao consumidor.

Nesse cenário, os dados mensais de atividade econômica de outubro de 2025 revelam um panorama heterogêneo para a abertura do quarto trimestre. De maneira geral, os três principais levantamentos setoriais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reportaram variações positivas na margem, ainda que com performances distintas entre os segmentos desagregados. Enquanto as vendas do comércio varejista exibiram recuperação após período de fraqueza, o setor de serviços mantém a performance positiva observada ao longo do ano. A produção industrial, embora tenha apresentado variação favorável, continua evidenciando fragilidades relevantes, particularmente na indústria de transformação, onde os efeitos da restrição monetária têm sido mais acentuados. Em síntese, a resiliência em determinados segmentos mais cíclicos, combinada à contribuição favorável de outros mais exógenos, indicam a preservação de um cenário de relativa estabilidade no horizonte próximo.

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Indicador Ipea mensal de FBCF – resultado de setembro de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que agrega os investimentos em máquinas e equipamentos, na construção civil e em outros ativos fixos, registrou uma queda de 7,2% na comparação entre outubro e setembro na série com ajuste sazonal, resultado que sucedeu à alta de 8,5%. Com isso, o trimestre móvel encerrado em outubro registrou expansão de 0,9% na comparação dessazonalizada. Nas comparações com os mesmos períodos de 2024, o indicador mensal apresentou retração de 2,1% em outubro, e alta de 0,9% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, por sua vez, os investimentos totais apresentaram uma expansão de 4,8%.

Na comparação com ajuste sazonal, os investimentos em máquinas e equipamentos – medidos segundo o conceito de consumo aparente, que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentaram uma queda de 14,7% em outubro, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 3,2%. Quanto a seus componentes, enquanto a produção nacional cresceu apenas 0,1% na margem, as importações recuaram 34,5%, afetadas pelo efeito base em setembro, quando foram impulsionadas pela compra de uma plataforma de petróleo. Já na comparação em médias móveis, a produção nacional caiu 6,0%, ao passo que as importações avançaram 16,6%.

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Dados Xls



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Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – outubro de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais recuou 2,2% na comparação entre outubro e setembro na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Por trás deste resultado, a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) caiu 1,0%, enquanto as importações de bens industriais recuaram 6,3%, conforme mostra a tabela 1.

A queda na série dessazonalizada devolveu o avanço ocorrido em agosto. Com isso, o trimestre móvel encerrado em setembro registrou estabilidade na margem, quando comparado com aquele encerrado em julho. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal baixou 2,4% em relação a outubro de 2024, a variação em médias móveis trimestrais também foi negativa (-0,4%). No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais registrou alta de 2,4% em outubro, contrastando com a elevação de 0,9% da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE). Ambas apontam para uma desaceleração, como ilustra o gráfico 1.

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Dados Xls



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Análise e Projeções de Inflação

Por: Maria Andréia P. Lameiras e Tarsylla Godoy de Oliveira

O ambiente inflacionário brasileiro apresenta sinais claros de arrefecimento ao longo de 2025, embora ainda permaneça desafiador. Após um período marcado por pressões intensas, a trajetória recente do IPCA revela um processo de desinflação mais consistente, tendo a inflação acumulada em doze meses retornado ao intervalo de tolerância da meta. No entanto, os núcleos de inflação seguem acima do centro do objetivo estabelecido e as expectativas permanecem desancoradas, indicando que ainda há incertezas quanto à sustentabilidade desse movimento. Em que pese a comercialização da safra brasileira recorde e a desaceleração das commodities agrícolas no mercado mundial, o principal vetor de alívio inflacionário no período recente tem sido a valorização cambial, que reduziu pressões sobre os preços de alimentos, bens industriais e combustíveis. Dessa forma, o processo de descompressão inflacionária avança, mas ainda de forma gradual e com custos relevantes em termos de política monetária restritiva.

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Visão geral da conjuntura

Por Claudio Hamilton Matos dos Santos, Cláudio Roberto Amitrano e Mônica Mora Y Araujo

Conforme previsto na última Visão Geral da Conjuntura (VG) (Nota de Conjuntura nº 25 da Carta de Conjuntura nº 68 de setembro de 2025), o PIB do terceiro trimestre de 2025 foi 0,1% superior ao valor reportado no segundo trimestre do ano na série dessazonalizada. Na comparação interanual com o terceiro trimestre de 2024, o crescimento do PIB no terceiro trimestre de 2025 alcançou 1,8%, resultado apenas ligeiramente superior à projeção de 1,6% divulgada na VG de setembro para essa mesma base de comparação.

A acurácia das projeções reportadas nas últimas Visões Gerais da Conjuntura sugere que nossos modelos interpretativos têm sido capazes de capturar os aspectos centrais da dinâmica de curto prazo da economia brasileira. Há algum tempo, temos argumentado que a política econômica tem buscado alcançar simultaneamente quatro objetivos principais, a saber: (i) a manutenção de níveis próximos ao pleno emprego da mão de obra, com crescimento dos rendimentos reais médios do trabalho; (ii) a preservação dos programas públicos de transferência de renda voltados aos mais idosos e aos mais pobres, bem como a expansão dos gastos com serviços públicos de saúde e educação; (iii) a manutenção da inflação dentro da meta estabelecida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central; e (iv) a observância do Regime Fiscal Sustentável (RFS), conforme previsto na Lei Complementar nº 200/2023.

Neste contexto, apesar de o cenário prospectivo permanecer praticamente inalterado, estamos elevando a nossa projeção de crescimento do PIB para 2025 de 2,2% para 2,3%, refletindo, em grande medida, a revisão implementada pelo IBGE, que elevou em 0,2 p.p. o crescimento do primeiro trimestre de 2025. Para 2026, mantemos a expansão esperada em 1,6%, porém com viés de alta. Em relação ao quarto trimestre, conforme colocado anteriormente, a expectativa é de resiliência em alguns segmentos mais cíclicos, combinada à contribuição positiva de componentes mais exógenos, o que sugere a manutenção de um quadro de relativa estabilidade no curto prazo, com crescimento modesto. Nesse sentido, projetamos que o PIB avance 0,2% na margem, com alta de 2,0% em relação ao quarto trimestre de 2024.

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Desempenho recente do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O mercado de trabalho brasileiro segue em terreno favorável, mas começa a dar sinais de acomodação, em linha com um quadro macroeconômico de atividade mais moderada, decorrente de uma monetária mantida em patamar restritivo, tendo em vista que, mesmo em trajetória de desaceleração, a inflação ainda se mantém acima da meta.

Segundo os dados mais recentes da PNAD Contínua, a população ocupada atingiu o patamar recorde de 102,4 milhões de pessoas no trimestre móvel encerrado em julho de 2025 e, desde então, passou a mostrar leve recuo. No trimestre encerrado em outubro, o número de ocupados recuou para 101,9 milhões de pessoas, apontando queda de 0,4% na margem. Na comparação interanual, a ocupação ainda cresce 0,9%, mas essa já é a menor taxa de expansão desde o trimestre móvel encerrado em setembro de 2023, indicando que o forte ciclo de recomposição pós-pandemia começa a perder força.

Apesar desse recuo recente da população ocupada, a taxa de desocupação continua em trajetória de queda, refletindo uma perda de dinamismo ainda maior da força de trabalho. No trimestre de agosto a outubro de 2025, a força de trabalho somou 108,3 milhões de pessoas, retração de 0,5% em relação ao trimestre móvel encerrado em julho, e avanço de apenas 0,1% frente ao mesmo período de 2024, portanto bem abaixo da expansão da população ocupada (0,9%). Nesse contexto, no qual a ocupação veio crescendo mais do que a força de trabalho, e na margem, a queda do emprego é menos intensa, e a taxa de desocupação segue recuando tanto na comparação interanual quanto em relação aos trimestres imediatamente anteriores.

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Indicador Ipea mensal de FBCF – resultado de setembro de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que agrega os investimentos em máquinas e equipamentos, na construção civil e em outros ativos fixos, registrou uma alta de 8,6% na comparação entre setembro e agosto na série com ajuste sazonal, resultado que sucedeu queda de 2,6%. Com isso, o trimestre móvel encerrado em setembro registrou expansão de 0,9% na comparação dessazonalizada – resultado já ajustado de acordo com as contas nacionais trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas comparações com os mesmos períodos de 2024, o indicador mensal apresentou crescimento de 8,1% em setembro, e alta de 2,3% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, por sua vez, os investimentos totais apresentaram uma expansão de 6,0%.

Na comparação com ajuste sazonal, os investimentos em máquinas e equipamentos – medidos segundo o conceito de consumo aparente, que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentaram uma expansão de 22,1% em setembro, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 1,3%. Quanto a seus componentes, enquanto a produção nacional cresceu apenas 0,1% na margem, as importações avançaram 63,0%, impulsionadas pela compra de uma plataforma de petróleo. Já na comparação em médias móveis, a produção nacional caiu 7,1%, ao passo que as importações avançaram 11,9%.

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Dados Xls



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Inflação por faixa de renda – Novembro/2025

Por Maria Andréia P. Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostra que, após o recuo observado em outubro, a inflação voltou a acelerar em novembro para todos os segmentos de renda, impulsionada pelos reajustes nos grupos habitação, transportes e despesas pessoais. Em termos absolutos, a classe de renda muito baixa registrou a menor taxa (0,01%), enquanto a faixa de renda alta apresentou a variação mais elevada (0,45%). A deflação de alimentos, itens de residência e artigos de higiene pessoal atenuou a pressão exercida pela alta das tarifas de energia, beneficiando especialmente as famílias de menor renda. Já os aumentos das passagens aéreas e dos serviços de recreação contribuíram de forma mais significativa para a inflação da classe de renda alta.

O comportamento mais favorável dos preços dos alimentos ao longo dos últimos meses — dada sua elevada participação na cesta das famílias de menor renda — explica por que a classe de renda muito baixa registra as menores taxas de inflação tanto no acumulado do ano (3,7%) quanto em doze meses (4,2%). Em contrapartida, pressionada pelos reajustes de serviços, a faixa de renda alta apresenta as maiores taxas no ano (4,2%) e no acumulado em doze meses (4,8%).

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Dados Xls



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Estimativa preliminar do resultado primário do governo central em novembro de 2025

Por Sérgio Fonseca Ferreira

Segundo dados da execução orçamentária registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, que constituem uma fonte confiável para a aproximação dos resultados oficiais posteriormente divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o mês de novembro de 2025 registrou déficit primário de R$ 13,4 bilhões nas contas do governo central. A receita líquida alcançou R$ 172,7 bilhões, frente aos R$ 175,3 bilhões observados em novembro de 2024, representando uma redução real de 1,5%. As despesas totais atingiram R$ 186,1 bilhões, ante R$ 180,0 bilhões no mesmo mês do ano anterior, crescimento real de 3,4%. No acumulado anual até novembro, verifica-se déficit primário de R$ 75,7 bilhões, superior ao déficit de R$ 70,7 bilhões registrado no mesmo intervalo de 2024.

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Indicadores bimestrais de receitas e despesas correntes dos entes subnacionais – atualização para o 5° bimestre de 2025

Por Pedro Marques de Santana

No quinto bimestre de 2025, a receita corrente do conjunto dos estados e do distrito federal (DF) cresceu 4,0% em relação ao mesmo período do ano anterior enquanto a taxa de variação acumulada em doze meses registrou expansão de 1,6%. Já a despesa corrente desses entes cresceu 6,3% no quinto bimestre do ano em comparação com o mesmo período do ano passado (contra 4,1% no acumulado de doze  meses).

No caso dos municípios, o crescimento de 10,9% na comparação interanual das receitas correntes verificado no bimestre terminado em outubro ficou muito acima do observado para o acumulado em doze meses (3,1%) enquanto que as despesas correntes também apresentaram um crescimento interanual superior ao observado no acumulado em doze meses (4,9% contra 2,7%, respectivamente).

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