Retrato dos rendimentos do trabalho: resultados da PNAD Contínua do segundo trimestre de 2025

Por Sandro Sacchet de Carvalho

Os dados dos rendimentos do trabalho do segundo trimestre de 2025 apresentaram uma elevação da renda em relação ao trimestre anterior, marcando novamente o pico da série histórica iniciada em 2012. O crescimento interanual da renda habitual média foi de 3,3%. No trimestre móvel terminado em julho de 2025, a renda média recuou ligeiramente para R$ 3.484,00, estando, contudo, 3,9% acima do valor registrado no mesmo trimestre do ano anterior. Com tal resultado, completam-se quase três anos com o crescimento interanual da renda acima de 3%.

Por grupos demográficos, os maiores aumentos na renda na comparação com o mesmo período de 2024 foram registrados no Sul, entre os trabalhadores jovens adultos (entre 25 e 39 anos) e com ensino médio incompleto. Piores desempenhos ocorreram entre os trabalhadores mais velhos (mais de 60 anos) e entre aqueles com ensino superior.

Na análise por tipo de vínculo, assim como no trimestre anterior, os trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira apresentaram crescimento interanual da renda acima dos demais tipos de vínculo (5,6% e 6,8%, respectivamente). Por sua vez, os trabalhadores privados com carteira mostraram um crescimento de 2,3%, mantendo taxas de crescimento mais lento que as categorias informais desde o início de 2022.

Por setor, no segundo trimestre de 2025, a agricultura continuou uma recuperação do rendimento habitual (6,8%), após ter sido claramente o setor que obteve o menor crescimento da renda ao longo de 2024. A renda média habitual do setor de alojamento e alimentação caiu 1,9% no segundo trimestre deste ano, sendo o setor de pior desempenho, seguido do setor de educação e saúde, com queda de 0,1%. Os maiores aumentos interanuais da renda habitual foram observados em construção (6,9%), agricultura (6,8%) e serviços profissionais (5,0%).

Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice de Gini tem se mantido relativamente estável desde o terceiro trimestre de 2022. No segundo trimestre de 2025, o índice de Gini da renda domiciliar subiu para 0,514. Já o índice de Gini da renda individual subiu de 0,484 para 0,486 entre o primeiro e o segundo trimestre de 2025.

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