Por Maria Andréia P. Lameiras
Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda revelam que, em julho, na margem, a inflação manteve-se estável para as classes de rendas baixas e médias, mas apontou forte aceleração no segmento de renda alta. Por certo, enquanto a inflação apurada no segmento de renda muito baixa permaneceu praticamente inalterada entre junho (0,20%) e julho (0,19%), a taxa observada na faixa de renda alta avançou de 0,28% para 0,44% na mesma base de comparação. Assim como ocorrido no mês anterior, a queda dos preços dos alimentos no domicílio (-0,69%) foi o principal fator de alívio inflacionário, em julho, especialmente para as famílias de menor poder aquisitivo, reduzindo, inclusive, o impacto exercido pelo aumento da tarifa de energia elétrica (3,0%). Já para a classe de renda alta, além de se beneficiarem proporcionalmente menos da deflação dos alimentos, os reajustes de 19,9% das passagens aéreas e de 1,6% dos serviços de recreação explicam a aceleração da inflação em julho.
Nota-se, no entanto, que mesmo diante de uma alta mais moderada em julho, no acumulado do ano, as faixas de renda muito baixa e baixa são as que apresentam a maior taxa de inflação (3,4%), pressionada, sobretudo, pelas altas dos alimentos no domicílio (2,9%), da energia elétrica (10,2%) e das passagens de ônibus urbano (6,7%). Em contrapartida, a faixa de renda alta é a que aponta a taxa menos elevada (3,0%), beneficiada pela queda das tarifas aéreas (13,6%).

