Arquivos mensais: julho 2025

Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – maio de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais avançou 0,2% na comparação entre maio e abril na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Esse resultado ocorreu em razão da alta de 0,3% da produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais), enquanto as importações de bens industriais permaneceram estáveis, conforme mostra a tabela 1.

              A alta na série dessazonalizada sucedeu recuo de 0,6% em abril. Com isso, o trimestre móvel encerrado em maio cresceu 0,9% na margem, quando comparado com aquele encerrado em fevereiro. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal subiu 4,5% em relação a maio de 2024, o indicador em médias móveis trimestrais aumentou 3,3%. No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais registrou alta de 6,3% em maio, contrastando com a elevação de 2,8% da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE). Ambas apontam para uma aceleração, como ilustra o gráfico 1.

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Dados Xls



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O PL 1.087/2025 e uma proposta de tributação mínima global de 14% sobre a renda

Por Pedro Humberto Bruno de Carvalho Junior

Esta Nota de Conjuntura aborda o atual sistema de tributação da renda do capital no Brasil e a regressividade do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) no topo da distribuição, a partir dos 2% de contribuintes mais ricos (renda aproximadamente superior a R$ 50 mil). Este trabalho deriva-se de um estudo maior, referente ao Discussion Paper do Ipea nº 3.103/2025 (Carvalho Junior, 2025), e ainda inclui uma análise do Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM) de (até) 10% proposto pelo governo federal, por meio do Projeto de Lei (PL) nº 1.087/2025 para indivíduos com renda superior a R$ 600 mil anual. A Nota é dividida em três partes, além da introdução, da síntese das recomendações e das considerações finais.

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Boletim de expectativas – julho de 2025

Por Caio Rodrigues Gomes Leite e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este boletim fornece uma visão panorâmica das expectativas para algumas das principais variáveis macroeconômicas brasileiras, a partir de diversas fontes. Predominam as projeções do Sistema Expectativas de Mercado (SEM), também conhecido como relatório Focus do Banco Central do Brasil (Focus/BCB). Nas finanças públicas, elas são cotejadas com as projeções mais recentes da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado. Para juros e inflação, também se recorre à estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) derivada do mercado secundário de título públicos, calculada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

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Inflação por faixa de renda: junho de 2025

Por Maria Andreia Parente Lameiras

De acordo com os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, em junho, houve uma desaceleração da inflação para as quatro primeiras classes de renda. Já para as duas faixas de renda mais alta, a inflação observada em junho ficou acima da registrada no mês anterior. Com efeito, para as famílias mais pobres, mesmo diante de uma alta nas tarifas de energia elétrica, a queda dos preços dos alimentos no domicílio gerou uma descompressão inflacionária, de modo que, para a faixa de renda muito baixa, a inflação recuou de 0,38%, em maio, para 0,20%, em junho. Em contrapartida, a inflação da faixa de renda alta avançou de 0,08%, em maio, para 0,28%, em junho, repercutindo os reajustes mais fortes do grupo transportes.

Apesar desse alívio inflacionário em junho, no acumulado do ano, a faixa de renda muito baixa é a que apresenta a maior inflação (3,2%), pressionada, especialmente, pelas altas de 3,6% dos preços dos alimentos no domicílio e de 7,0% da energia elétrica nos seis primeiros meses de 2025. Por sua vez, a faixa de renda alta é a que aponta a taxa menos elevada (2,6%), beneficiada pela queda de 27,9% das passagens aéreas. Já no acumulado de doze meses, a faixa de renda alta registra a maior inflação (5,4%), ao passo que o segmento de renda baixa apresenta a menor taxa (5,2%).

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Dados Xls



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Estimativa preliminar do resultado primário do governo central em junho de 2025

Por Sergio Ferreira

De acordo com os dados da execução orçamentária, registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, os quais fornecem boa aproximação com os dados oficiais relativos ao resultado primário que será divulgado posteriormente pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), junho de 2025 apresentou um déficit primário de R$ 41,6 bilhões nas contas do governo central. Conforme mostra a tabela 1, a receita líquida do governo central atingiu R$ 171,6 bilhões nesse mês, um crescimento de 1,4% em termos reais, comparativamente ao apurado em maio de 2024, ao passo que a despesa totalizou R$ 213,2 bilhões, crescimento real de 1,5% na mesma base de comparação. No acumulado do ano, o resultado primário apresenta um déficit de R$ 7,5 bilhões, a preços constantes de junho, ante o déficit de R$ 70,1 bilhões no mesmo período de 2024.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – maio de 2025

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado Ipea, apresentou uma taxa de variação de -0,77% em maio de 2025, situando-se 1,38 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2024, a variação foi 1,54 p.p. menor. Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 4,91% nos últimos doze meses.

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Dados Xls



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Visão Geral da Conjuntura

Por Claudio Roberto Amitrano, Mônica Mora Y Araújo e Claudio Hamilton Matos dos Santos

Como previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica, no 23, Carta de Conjuntura, no 66, de março de 2025), o produto interno bruto (PIB) da economia brasileira apresentou crescimento de 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao último trimestre de 2024 na série dessazonalizada. Esse crescimento, como também já era previsível em março, foi puxado, pelo lado da oferta, pelo desempenho do setor agropecuário, que apresentou crescimento de 12,2% em relação ao último trimestre de 2024 na série dessazonalizada. Pelo lado da demanda, os destaques foram os desempenhos da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e das exportações, com crescimentos de 3,1% e 2,9%, respectivamente, na mesma base de comparação.

Os dados parciais disponíveis para o segundo trimestre apontam para a desaceleração da economia, o que também já era previsível em março, notadamente porque a referida desaceleração é um objetivo declarado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) desde setembro de 2024, quando o atual ciclo de alta de juros teve início – ciclo classificado pelo próprio Copom, na ata da 271a reunião, ocorrida nos dias 17 e 18 de junho de 2025, como particularmente rápido e bastante firme.

O grupo de conjuntura do Ipea projetou, em março passado, que a economia brasileira cresceria 2,4% em 2025 – contra expectativas de mercado inferiores a 2%. De lá para cá, vários indicadores conjunturais têm indicado que a economia continuou a crescer no segundo trimestre e, até por isso, várias estimativas foram revistas a maior, aproximando-se, portanto, do número divulgado nessa Visão Geral em março. Entendemos que o diagnóstico apresentado no final de março continua válido no final de junho, de modo que mantemos a nossa projeção de PIB para 2025 (2,4%). Dada a perspectiva de que a taxa Selic se mantenha alta por mais tempo do que prevíamos, reduzimos, entretanto, o crescimento esperado para 2026 para 1,8%.

Tal como no caso do produto, as expectativas de mercado para o IPCA em 2025, divulgadas pela pesquisa Focus, do Banco Central, se aproximaram das do grupo de conjuntura nos últimos meses – recuando de 5,7% para 5,3%, entre março e junho. Não vemos motivos, entretanto, para mudar a nossa previsão de março que, dessa forma, permanece em 5,2%, ainda que com mudanças de composição. Se, por um lado, a melhora no comportamento dos alimentos e do petróleo indica uma alta menos acentuada para a alimentação no domicílio e para os preços administrados, em 2025, por outro lado, os efeitos ainda mais fortes do mercado de trabalho sobre a expansão da massa salarial e do custo da mão de obra vêm gerando pressões adicionais sobre a inflação de serviços.

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Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

O PIB brasileiro apresentou aceleração no primeiro trimestre de 2025, crescendo 1,4% em relação ao trimestre anterior, segundo dados do IBGE. Conforme já antecipado pelo desempenho dos indicadores mensais de atividade, a economia iniciou o ano num ritmo modesto e foi ganhando impulso ao longo do período, particularmente no mês de março. Embora o cenário macroeconômico brasileiro siga negativamente influenciado pelo ciclo de aperto da política monetária e por incertezas globais, a resiliência do mercado de trabalho, juntamente com o impacto do reajuste do salário-mínimo e das transferências públicas de assistência e previdência, manteve a demanda doméstica aquecida nos primeiros três meses do ano. Além disso, como também já era previsto, a forte contribuição positiva da agropecuária, pelo lado da produção, ajuda a explicar o resultado do PIB. Por outro lado, com base no conjunto de informações disponíveis até o momento, apesar do forte efeito de carry-over herdado do mês de março, já há indícios de uma desaceleração no ritmo de crescimento da economia no início do segundo trimestre, acompanhada por uma piora das condições financeiras das famílias.

Nesse contexto, o IBC-Br, um dos indicadores que buscam retratar o nível geral da atividade econômica brasileira em base mensal, servindo de prévia para o PIB, registrou, em abril de 2025, uma expansão de 0,2% na comparação livre de efeitos sazonais. O resultado veio após a alta de 0,7% observada em março e revela uma perda de fôlego na margem. Já na comparação interanual, o indicador avançou 2,5%, mantendo o ritmo positivo, embora em patamar ligeiramente inferior ao observado no mês anterior (3,0%). Com o resultado de abril, o carry-over em relação ao segundo trimestre de 2025 ficou em 0,8% na margem, e em 3,2% em termos interanuais.

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