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Visor IPEA - ano II, nº 5 - setembro 1997

POPULAÇÃO

População feminina jovem deixa o campo
Os homens e os mais velhos passam a predominar

Nordeste rural perderá, nesta década, cerca de 4,6 milhões de habitantes

IPEA 33 ANOS

Ministro Antonio Kandir abre seminário comemorativo dos 33 anos do IPEA

AGRICULTURA

Integração regional favorece especialização

EXPORTAÇÃO

Cada estado mantém características próprias no intercâmbio de produtos

TEXTO PARA DISCUSSÃO

Brasil e Venezuela estão perto de consolidar vínculos econômicos

PERSPECTIVAS

Expansão dos negócios intrabloco depende do ritmo de desenvolvimento

LANÇAMENTO

Pesquisa avaliará perspectivas de comércio com o México

PROJETO

Indicadores vão medir competitividade da indústria

ANPEC

Repressão financeira desacelera ritmo de crescimento

POPULAÇÃO

População feminina jovem deixa o campo
Os homens e os mais velhos passam a predominar

Cerca de 30% da população brasileira deve trocar o campo pela cidade, nesta década. Principalmente, as mulheres mais jovens, na faixa dos 15 aos 19 anos de idade. Elas traçam um novo perfil da migração que, nos anos 60, tinha predominância de pessoas de 40 a 49 anos. Atualmente, as probabilidades de mudança são maiores para quem tem menos de 20.

O esvaziamento persiste, o campo envelhece e muda de gênero: agora, é francamente masculino.

A conjugação do envelhecimento e da masculinização do meio rural está na raiz de um fenômeno conhecido na França como "celibato camponês". Em alguns países europeus, há até mesmo agências matrimoniais especializadas no tema.

Na América Latina, a única informação agregada que se tem, por enquanto, é de um trabalho da Cepal. Em 1995, havia 5,2 milhões mais de homens do que mulheres no campo. Só na faixa dos 5 aos 29 anos faltavam pares para 1,6 milhão de rapazes.

Fora de moda

Um em cada três brasileiros continua a trocar o meio rural pela cidade. Isto acontece, pelo menos, desde 1950. Mas o assunto deixou de constar da pauta de temas prioritários dos estudiosos. O êxodo rural - que está longe do fim - saiu de moda antes do tempo.

No ano passado, 22% dos brasileiros residiam no campo. Esta proporção é bem menor do que a de países capitalistas. Lá, o movimento campo-cidade está em queda e, em alguns casos, a direção foi até mesmo invertida.

Desruralização progressiva

No Brasil, a desruralização progressiva é um fato. As áreas urbanas concentram quase 80% da população, contra 31% no início dos anos 40. Quem mais perde, proporcionalmente, são as áreas rurais com menos de 20 mil habitantes. Quem mais absorve esse fluxo são as nove regiões metropolitanas, onde, já em 1996, viviam 45 milhões de pessoas.

Segundo estimativas feitas com a hipótese de taxa de fecundidade decrescente, pelo menos quatro milhões de pessoas que viviam no campo em 1990 já estão morando nas cidades. Mais da metade desse contingente é de nordestinos.

Visor II.5 - Gráfico 1

Nordeste rural perderá, nesta década, cerca de 4,6 milhões de habitantes

O Nordeste perderá 38,3% da sua população rural em dez anos. Isto equivale ao total de habitantes de estados como o Maranhão e Santa Catarina, e está bem acima da proporção da década anterior (27,6%).

Em termos absolutos, a perda deverá ser a menor dos últimos cinquenta anos, situando-se distante dos cerca de 5,8 milhões que saíram nos anos 70 e nos anos 80. No entanto, desta vez, o Nordeste bate um recorde histórico: 59,1% dos migrantes rurais brasileiros são nordestinos.

Fugindo da seca

Estudo de Ana Amélia Camarano e Ricardo Abromovay - a ser publicado em Como vai? população brasileira e, com mais detalhes, em um texto para discussão a ser lançado brevemente - mostra que, nos anos 50, os nordestinos representavam quase a metade dos 11 milhões de retirantes. Foi a época das grandes secas, da cons trução da Belém-Brasilia e da nova Capital ... E o Nordeste liderou também o crescimento populacionai, ligado a taxas de fecundidade em alta e de mortalidade em queda.

Sudeste nos anos 60

Nenhuma região brasileira, em nenhum momento de sua história, teve uma emigração tão forte quanto a zona rural do Sudeste nos anos 60. O movimento envolveu nada menos do que seis milhões de pessoas. Ou seja, metade de toda a migração do período - o único a não ter o Nordeste na liderança e que ficou marcado por mudanças na agricultura, erradicação de cafezais, dissolução de colônias, expansão das cidades ...

Visor II.5 - Gráfico 3

Sul busca o Norte

A década de 70 prova que nem sempre o êxodo rural está associado a transformações na base técnica dos sistemas produtivos na agricultura. Apesar de o Nordeste retomar a liderança (5,9 milhões), seguido pelo Sudeste (4,9 milhões), a grande novidade ficou mesmo com o Sul: 48,8% saem do campo. São dois milhões de pessoas. A atração é o Norte, a Transamazônica, os incentivos e as áreas rurais que, entre 1960 e 1980, ganham 1,2 milhão de habitantes -, além das áreas urbanas regionais. A partir daí, começam a cair de forma acentuada as taxas de fecundidade, que, no médio prazo, diminuem o êxodo rural.

Centro-Oeste nos anos 80

Metade da população rural do Centro-Oeste toma o caminho da migração. É que o formato do seu meio rural conduziu para atividades econômicas que demandam muita pesquisa e tecnologia e pouca mão-de-obra. Outros destaques vêm do Nordeste, cuja migração passa a ser mais intrarregional e altas taxas de migração e queda das taxas de fecundidade fazem diminuir, pela primeira vez, o número absoluto de habitantes da sua zona rural. São cinco milhões de pessoas a menos.

Volta ao campo

Agora, muitos sustentam existir uma volta ao campo provocando o início de sua revitalização. Mas esta não é a conclusão dos autores de Êxodo rural, envelhecimento e masculinização no Brasil - Panorama dos últimos cinqüenta anos.

IPEA 33 ANOS

Ministro Antonio Kandir abre seminário comemorativo dos 33 anos do IPEA

O Ministro Antonio Kandir, do Planejamento e Orçamento, abre oficialmente as comemorações do 33º aniversário do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, no dia 25 de setembro, às 9 horas, no auditório do BNDES, em Brasllia.

Logo depois, começam as apresentações - com debates - dos trabalhos mais recentes da Casa, em seminário de dois dias. No encerramento do primeiro, às l7h 30min, quem faz uma conferência especial é o Deputado Roberto Campos, que, como fundador, vai inaugurar uma galeria de fotos dos ex-presidentes, na sede do Instituto.

Fernando Rezende, presidente do IPEA, fala dos objetivos do seminário: "Pensamos não apenas na importância do encontro e do debate para todos nós, mas também na maior integração das equipes técnicas, principalmente porque todos os trabalhos levam a assinatura de jovens concursados recém-admitidos".

AGRICULTURA

Integração regional favorece especialização

Uma análise da evolução da participação dos produtos da agroindústria no total exportado mostra a diferença entre as mudanças na estrutura industrial brasileira e a dos demais países do bloco, com vantagens para o Brasil. já no que se refere às importações, houve expansão significativa dessa participação em todos os países, menos na Argentina.

Estas são constatações de Mercosul: integração regíonal e o comércio de produtos agrícolas, texto para discussão de autoria de Maria Beatriz de Albuquerque David e Marcelo José Braga Nonnenberg.

Produções complementares

A produção de cebola, maçã, arroz, leite e laticínios, algodão e carne de aves e de porco se complementam. A do trigo, também. Mas, neste caso, a demanda do bloco é pelo tipo "duro" e a Argentina, que detém nítida vantagem competitiva, não tem para oferecer. O mesmo acontece com o milho, desta vez por conta de custos de transporte.

Há forte competição entre Brasil, Argentina e, mais recentemente, Paraguai, se o negócio envolve o complexo da soja. Mas há ganhos para todos nos negócios com a carne bovina, desde que entrem logo na pauta a erradicação de doenças e o controle de qualidade.

É certo que a integrarão regional aumentou o fluxo de comércio do Brasil com os demais países do bloco, no entanto o impacto sobre o setor agrícola se restringiu a aves e trigo. Pelo menos por enquanto.

Perdas e ganhos

Os autores sugerem uma estratégia de especialização que dê ganhos de competividade ou ajude a recuperar a participação no mercado mundial. No Brasil, isto fica bem claro no caso do arroz, do algodão, da carne bovina e do suco de laranja. Estamos perdendo vantagens no comércio dos dois primeiros, bem como no do trigo. Mas, há ganhos em café, soja, aves e açúcar. É que o Brasil, assím como o Uruguai, já iniciou a trajetória de especialização.

EXPORTAÇÃO

Cada estado mantém características próprias no intercâmbio de produtos

A composição do comércio entre os países do Mercosul vem sofrendo mudanças com o aprofundamento da integração econômica. Os setores produtivos nacionais sofrem impactos bem diferenciados - associados à distribuição geográfica. Fica evidente que regiões e/ou estados brasileiros mantêm características próprias nas relações comerciais com o bloco. No entanto, é preciso investir na reestruturação produtiva, nas políticas setoriais, em infra-estrutura e na harmonização de políticas macroeconômicas. É disso que trata Constantino Cronemberger Mendes no novo texto para dis cu ssão Efeitos do Mercosul no Brasil.- uma visão setorial e locacional do comércio.

Pauta regionalizada

O Sudeste detém mais da metade (pelo menos 53%) da exportação de sete dos oito principais grupos de produtos da pauta brasileira para o Mercosul: alimentos, minerais, química, têxtil, metais, máquinas e aparelhos eletrônicos e material de transporte. A exceção fica por conta de madeiras e suas obras, que tem no Sul - principalmente no Paraná - a origem de 76,6% do comércio com o bloco.

São Paulo é o estado que mais faz negócios com o Mercosul, mantendo a liderança em seis dos principais produtos intercambiados. Em termos de exportação, só perde em madeiras e suas obras, para o Paraná e Santa Catarina, e em produtos minerais, para o Espírito Santo, Rio de janeiro, São Paulo e Paraná. Nas importações, perde para o Rio Grande do Sul, em produtos minerais, e para o Espírito Santo, em química.

Fora do Sul-Sudeste

O comércio das regiões menos desenvolvidas também evoluiu. No Norte, vale ressaltar o desempenho das exportações dos produtos minerais notadamente da hematita, do Pará, que respondia por 82% do resultado desse grupo no final do ano passado. No Nordeste, a indústria química cresceu acima da média nacional (173% no Maranhão e 22.830% em Sergipe), assim como têxteis (510% no Ceará), metais comuns (440% na Bahia) e máquinas e aparelhos eletrônicos (375% em Pernambuco e 428% na Bahia). No Centro-Oeste, o destaque vai para a indústria de alimentos, em Goiás.

TEXTO PARA DISCUSSÃO

Brasil e Venezuela estão perto de consolidar vínculos econômicos

Em um mundo no qual os principais atores são grandes corporacões, há muito para Brasil e Venezuela construirem juntos, consolidando vínculos econômicos em direção a um Acordo de Livre Comércio. Por exemplo: investir em energia que crie sinergias técnicas, unindo Petrobrás e PDVSA, e em energia elétrica, em ação conjunta da Eletrobrás com a Edelca.

Esta é uma proposta que faz Edson Peter Lee Guimarães no texto para discussão impactos para o Brasil de um Acordo de Livre Comércio com a Venezuela, que sairá no próximo mês. Ele analisa como compatibilizar um acordo, no qual as assimetrias são grandes, mas tendo em mente que a Venezuela busca estreitar relacionamento comercial com países do Caribe, América do Sul e América Central; quais são os ganhos resultantes das sinergias e como se distribuem, e como produzir novas vantagens comparativas, por meio da ação governamental em um possível contexto de livre comércio bilateral.

Mercados potenciais

Com políticas apropriadas, pode aumentar o volume das exportações brasileiras para a Venezuela, notadamente nos chamados mercados em expansão. Mas pode haver incrementos nos mercados que se mantêm constantes, como os da pasta de madeira, dependendo de maior integração vertical; dos produtos para fotografia, com a regulamentação favorável à associação de empresas de outros países; e das obras de ferro, desde que promovidas sinergias técnicas.

E, mesmo nos mercados decadentes: em compostos orgânicos, com a redução de custos a partir de economias de escala, e em reatores nucleares, caldeira e maquinas mecânicas, pois sinergias técnicas e semelhança entre os mercados favorecem a formação de conglomerados produtivos.

Visor II.5 - Tabela 1

PERSPECTIVAS

Expansão dos negócios intrabloco depende do ritmo de desenvolvimento

As perspectivas brasileiras no Mercosul dependem das trajetórias de desenvolvimento - nossa e de nossos sócios.

Depois de cinco anos, os efeitos iniciais da criação do bloco no comércio entre os países-membros já foram absorvidos e a ex pansão dos próximos anos depende de novos investimentos e do impacto da implantação plena da Tarifa Externa Comum (TEC).

Estas qualificações se encontram em O Brasil na virada do milênio, no qual o IPEA diz que, no médio prazo, o crescimento do comércio no Mercosul deve continuar assentado no comércio inter-indústria, à exceção de material de transporte e, em menor grau, produtos químicos, entre Argentina e Brasil.

Integração hemisférica

A ampliação do Mercosul também depende dos desdobramentos do processo de integrarão hemisférica. A próxima etapa, pós-Chile e Bolívia, envolve incertezas. O interesse dos integrantes do Pacto Andino nas negociações é heterogéneo, sendo a posição colombiana importantíssima para tornar viável um acordo preferencial entre os dois blocos. Vale ressaltar que cerca de 40% do comércio do Pacto Andino se dá com os Estados Unidos, com quem o Mercosul negocia não mais de 20% de sua pauta.

Visor II.5 - Gráfico 2

União Européia

A prazo mais longo não há porque o Mercosul se limitar ao continente. Ao contrário do que ocorre nos outros países latino-americanos, os do bloco mantêm um bom nível de relacionamento econômico com a União Européia, o que é muito saudável, embora as commodities tenham peso muito maior nas exportações do Mercosul para a União Européia do que na média das exportações. Certamente, há obstáculos a enfrentar, como a alta incidência de produtos sensíveis. Além disso, tudo depende, também, do ritmo das negociações hemisféricas como um todo, que resultarão em concessões tarifárias preferenciais.

África do Sul

Esta integração pode ir mais adiante fazendo o Mercosul chegar ao seu centro de gravidade no Atlântico Sul, buscando explorar essa localização e a diversidade de interesses comerciais sul-americanos: Por que não estreitar relações com a África do Sul e seus parceiros na Southern Africa Development Community (SADC)?

LANÇAMENTO

Pesquisa avaliará perspectivas de comércio com o México

Com o apoio da Cepal, o IPEA está começando a realizar uma pesquisa para analisar as inserções internacionais das economias do Brasil e do México, com ênfase nos seus processos de integração regional e no comércio bilateral. Resultados deverão estar disponíveis até junho do ano que vem.

As duas maiores economias da América Latina vêm passando por rápidas transformações estruturais; nesses anos 90 integraram-se a blocos regionais - o Brasil ao Mercosul e o México ao NAFTA - e estão empenhadas em participar da formação de uma área de livre comércio que reúna todo o continente americano.

A pesquisa envolve, basicamente, uma retrospectiva do desempenho econômico recente dos dois países, com avaliação de perspectivas, e exame das políticas comerciais e de integrarão regional. Isto, além de análise dos dados estatísticos sobre o comércio internacional do Brasil

PROJETO

Indicadores vão medir competitividade da indústria

O IPEA vai estruturar um sistema de indicadores de competitividade para a indústria do Mercosul. E vem tomando iniciativas nessa direção desde maio. Um mês depois de receber a incumbência como participante do grupo de trabalho do Mercosul sobre a indústria, promoveu uma reunião de representantes dos quatro países, com a presença de especialistas da Cepal, do BID, do próprio IPEA, do MICT, da CNI e da Fundação Dom Cabral.

Os indicadores de competitividade se constituem em instrumento de monitoramento das transformações estruturais das economias dos quatro países e são fundamentais para orientar políticas que levem a atingir um patamar mais elevado de competitividade perante o resto do mundo.

Luís Fernando Tironi, diretor do IPEA e coordenador do projeto, informa que serão duas categorias de indicadores: os gerais, com corte setorial, feitos a partir de diferentes estatísticas, como as de produtividade do IBGE, e os operacionais, por consulta direta às empresas.

"O principal obstáculo para a geração de indicadores gerais é a existência de dados - e compatíveis. Por isso mesmo, os bancos de dados da Cepal serão de muita valia", diz ele, concluindo: - Um importante motivo para a criação de um sistema de indicadores como este é justamente oferecer uma base de informações mais específica, aprimorando a avaliação da contribuição do bloco regional para a melhoria da competitividade dos seus integrantes.

O IPEA tem produzido diversos estudos sobre integração hemisférios Entre inúmeras outras iniciativas, dedicou ao assunto diversos capítulos do livro O Brasil na virada do milênio, recentemente lançado; publicou um encarte sobre o Mercosul que saiu no boletim Panorama da economia mundial, divulgado na reunião de ministros realizada em maio deste ano, em Belo Horizonte, elaborou um trabalho de referência para o tratamento da questão da infra-estrutura no processo de constituição da Alca; fez uma avaliação das condições e oportunidades de uma área de livre comércio com a Venezuela e inicia, agora, uma pesquisa sobre o México; está analisando a competitividade do Mercosul na agricultura e na indústria e aspectos regionais dos fluxos de comércio.

ANPEC

Repressão financeira desacelera ritmo de crescimento

Allan H. Meltzer, quando esteve no Brasil para o último encontro da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia - Anpec, falou sobre a tese de que países com sistemas financeiros reprimidos crescem mais lentamente. E este é o tema do seu artigo na revista Anpec, que acaba de ser retomada.

Exposição de motivos

Os primeiros defensores da tese sobre os efeitos negativos de políticas intervencionistas, McKinnon e Shaw, relacionaram cinco itens em sua exposição de motivos:

Primeiro, se a poupança depende da taxa de juros, ela diminui com a prática de taxas baixas. Além disso, a intervenção no sistema financeiro pode provocar reduções no volume de depósitos, no tamanho do sistema bancário e no montante dos empréstimos, deslocando operações para o setor informal. Se os bancos emprestam com taxas baixas, financiam projetos menos eficientes e/ou menos produtivos. Uma quarta razão é a de que o prêmio de risco cobrado pelo sistema financeiro informal afasta alguns projetos que poderiam ser viáveis em outras condições. Finalmente, o controle governamental sobre os bancos pode aumentar oportunidades de intervenção política, favorecimentos etc.

Efeitos da inflação

A estes argumentos, Allan Meltzer acrescenta os efeitos da inflação: ao elevar o número de transações financeiras no setor privado, a inflação estimula a expansão do sistema, que, se pode antecipar ganhos, fica vulnerável à desinflação. E conclui: - Crescimento não vem, necessariamente, precedido de maior poupança e não é inibido por intervenção modesta no mercado financeiro. Algumas economias se expandiram, apesar das políticas de alocação de crédito, controle das taxas de juros, restrição à saída de capitais ... Mas, ainda que existam exemplos desse tipo, é raro que o desenvolvimento possa ser sustentado sob essas condições.

Outras edições do Visor IPEA

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

© 1997, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

E-mail para contato, sugestões ou comentários: visor@ipea.gov.br

Dados diponíveis até: 24 setembro 1997

URL: http://www.ipea.gov.br/pub/visor/v0205.html 

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