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O produto
potencial é um importante indicador para análises macroeconômicas
tanto de curto como de longo prazo. Quando o Produto Interno Bruto (PIB)
do país está acima de seu nível "potencial",
há uma tendência de elevação do nível
geral de preços devido aos efeitos diretos do excesso de demanda
interna e aos efeitos indiretos da queda das exportações
líquidas, que pressiona o câmbio e, por conseguinte, o preço
dos bens comercializáveis e os custos das empresas.
O objetivo deste trabalho é contribuir para a discussão
sobre a estimação do produto potencial, através de
uma revisão teórica e metodológica e de estimativas
da variável para a economia brasileira.
Por ser uma variável não-observável, a própria
definição do produto potencial não é tema
consensual entre os economistas. Muitas vezes, diferentes métodos
de estimação referem-se a definições distintas
de potencial. Neste trabalho, as estimativas resultantes de metodologias
puramente estatísticas e univariadas foram definidas como tendência
do PIB. Já os resultados de metodologias que buscam calcular a
capacidade máxima de produção da economia foram classificados
como produto máximo. O conceito de produto potencial utilizado
neste trabalho refere-se à capacidade de oferta com o pleno emprego
(não inflacionário) dos fatores de produção.
Após uma análise sintética sobre os métodos
de estimação mais utilizados na literatura internacional,
na qual foram considerados os principais pontos positivos e negativos
de cada um, optou-se por utilizar dois tipos de combinação
entre o método da função de produção
e o filtro HP.
Na primeira combinação, informações da função
de produção foram utilizadas para a geração
de um filtro HP multivariado. Através de uma simulação
foi possível demonstrar que a análise da função
de produção, deixando-se de levar em consideração
o estoque de fatores e a PTF, gera resultados inconsistentes em relação
à própria definição de produto potencial.
Na segunda combinação, a função de produção
foi estimada da forma convencional, com dados de estoque de capital e
de trabalho. Nesse caso, o filtro HP foi usado para indicar a tendência
da produtividade total dos fatores (PTF) e das taxas de desemprego e de
utilização UCI. A rápida ocupação da
capacidade ociosa do estoque de capital em períodos de crescimento,
que resulta da forte e prolongada queda da taxa real de investimento,
justifica a utilização da tendência da taxa de UCI
como indicador de pleno emprego do capital. Com relação
ao fator trabalho, foi feito um ajuste para tentar se corrigir o chamado
"efeito desalento" no cálculo do nível de pleno
emprego.
Os resultados dessa estimativa indicam que o PIB brasileiro estava próximo
ou acima de seu potencial no período após o Plano Real até
o final de 1997, do final de 2000 ao início de 2001, no final de
2002 e após a recuperação da economia iniciada no
final de 2003. Nos demais períodos, o produto distanciou-se de
seu potencial devido à implementação de políticas
econômicas restritivas e, em 2001, um choque de oferta (de energia
elétrica).
Em síntese, a economia brasileira oscilou entre breves períodos
de crescimento e outros de estagnação ou recessão,
de 1992 até o primeiro semestre de 2005. Sendo que a retomada do
crescimento da economia ocorrida a partir do final de 2003 não
foi acompanhada de um crescimento do produto potencial na mesma proporção.
Ou seja, o aumento da produção foi maior que o aumento da
capacidade produtiva da economia, o que foi possível devido à
existência de capacidade ociosa.
Torna-se claro, portanto, que, para se evitar a continuação
do comportamento "stop and go" e viabilizar o crescimento
sustentável de longo prazo é preciso estimular o aumento
da taxa de investimento e da produtividade da economia. Para estimular
os investimentos, por sua vez, é fundamental realizar reformas
institucionais que ampliem a competitividade da economia e definir marcos
regulatórios estáveis que incentivem os investimentos privados.
Especial destaque deve ser dado aos investimentos em infra-estrutura,
principalmente de energia elétrica e transportes, essenciais para
viabilizar o desenvolvimento dos demais setores da economia.
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