PLANEJAMENTO E POLÍTICAS PÚBLICAS - PPP

Nº 24 (DEZEMBRO DE 2001)

TRIBUTAÇÃO E DISPÊNDIO COM SAÚDE DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS: AVALIAÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA SOBRE MEDICAMENTOS 5

Luís Carlos G. de Magalhães
Frederico Andrade Tomich
Fernando Gaiger Silveira
Salvador Werneck Vianna
Leandro Safatle
Alexandre Batista de Oliveira
Rodrigo Dourado

Resumo Neste trabalho estimou-se a carga tributária de um conjunto de 614 medicamentos, classificados segundo sua classe terapêutica. Foram considerados: (i) o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS; (ii) o Imposto de Importação - II; o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI; (iii) a Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS; e (iv) a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. A carga tributária total média e modal estimada oscila entre 20% e 30% do preço final da maioria dos medicamentos em questão. Foram também analisadas as características e a evolução do gasto com saúde, e com medicamentos, das famílias dos grandes centros urbanos brasileiros a partir de dados das Pesquisas de Orçamentos Familiares - POF, de 1987/1988, e de 1995/1996 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Os gastos com medicamentos constituem dois terços do gasto total com saúde das famílias mais pobres. Por fim, estimou-se a carga tributária sobre o gasto familiar com medicamentos. A evidência encontrada mostra que a tributação sobre esses bens essenciais é regressiva.
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DESCENTRALIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL:
AVALIAÇÃO DE RESULTADOS DO FUNDEF 27

Marcos Mendes

Resumo Analisa-se aqui um caso importante no processo brasileiro de descentralização fiscal: o ensino fundamental. Mostra-se que essa área obteve avanços em virtude da substituição de transferências fiscais não vinculadas por transferências vinculadas, mediante a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef). Não só houve progresso em todas as regiões do país como também ocorreu redução de desigualdades, com municípios mais pobres e regiões mais atrasadas tendo uma melhor performance relativa. Não obstante, há evidências de que é sobretudo nesses municípios, em especial naqueles que recebem recursos complementares da União, que se concentram as fraudes e a má gestão dos recursos do Fundef.
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AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE GASTO PÚBLICO DO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (FNDE) 53

Jorge Abrahão de Castro

Resumo O objetivo deste artigo é analisar o processo de gasto do (antigo) Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da Fundação de Assistência ao Estudante (FAE) ocorrido até 1997, centrando-se no período de 1995 a 1997, e também o processo de gasto desenvolvido pelo (novo) FNDE, considerando, para tanto, o novo marco estratégico previsto para a gestão da capacidade de gasto do Ministério da Educação (MEC). O seu foco analítico privilegia, como elementos interpretativos, os aspectos políticos e institucionais presentes no processo decisório e os aspectos quantitativos dos gastos. A pergunta-chave para o desenvolvimento deste trabalho é: que papel pode desempenhar o (novo) FNDE no processo de gasto do MEC? Para responder a tal indagação, este estudo procura verificar a hipótese de que a criação desse órgão procurou eliminar os conflitos interburocráticos que existiam entre o (antigo) FNDE e a FAE e reforçar a implementação de uma política de descentralização de recursos que reafirmasse a estratégia de redefinição do papel do MEC. Os resultados do trabalho indicam que o novo eixo estruturador do processo de gasto, ao procurar a desestruturação da correlação de forças regionais e locais que vinham se moldando desde o início da década de 1980, convergiu com as intenções políticas iniciais do novo governo. Para fazer que as linhas de conflito, a interação e as alianças fossem refeitas na direção pretendida, os novos dirigentes precisaram efetuar grandes alterações no processo de gasto, mediante a criação de mecanismos decisórios, bem como por meio de mudanças nos herdados da gestão anterior.
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ASPECTOS DISTRIBUTIVOS DO GASTO PÚBLICO NA SAÚDE 189

Carlos Alberto Ramos

Resumo Este trabalho se inscreve na literatura que visa identificar os beneficiários dos gastos públicos na área social. As fontes de dados nele utilizadas foram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 1998, em razão do Suplemento Saúde, e os registros administrativos do Ministério da Saúde referentes aos gastos. Adotou-se como metodologia identificar os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) - por decil da renda familiar per capita - via dados da Pnad e, após essa identificação, procedeu-se a uma imputação dos gastos públicos. Os resultados indicam que o perfil de acesso é nitidamente progressivo (os maiores beneficiários do SUS estão situados nos menores decis).
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