Publicações

PLANEJAMENTO E POLÍTICAS PÚBLICAS - PPP

Nº 19 (JUNHO DE 1999)


A AVALIAÇÃO DE PROGRAMAS E A DINÂMICA DA APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL

Kátya Maria Nasiaseni Calmon

Resumo A aprendizagem organizacional tem sido objeto de vários estudos. Similarmente, pesquisas na área de avaliação de programas têm gerado ampla e complexa literatura. No entanto, há carência de estudos que analisem a conexão entre avaliação e aprendizagem, especialmente no setor público. Este artigo procurou examinar os aspectos dessa interação, ao tomar por base o caso do Programa de Ação Social em Saneamento (PROSEGE), cuja execução esteve a cargo da Secretaria de Política Urbana (SEPURB), do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). A análise utilizou um modelo fundado nas idéias de single-loop e double-loop, de Chris Argyris e Donald Schön (1996), e aplicou-o ao caso do PROSEGE. Foram identificadas, primeiramente, as práticas de avaliação nas fases de concepção, implementação e conclusão do programa, e utilizou-se a classificação do Evaluation Research Society Standards Committee (1982). Em seguida, foram verificados os tipos de aprendizagem organizacional decorrentes da utilização da avaliação. Observou-se, no caso do PROSEGE, que a avaliação representou importante instrumento de feedback no processo de aprendizagem organizacional, ou seja, na maneira como a organização detectou e corrigiu seus erros. Não obstante, constatou-se, também, que esse aprendizado poderia ter sido mais efetivo. Foram identificados e enumerados os fatores que facilitaram ou dificultaram o aprendizado organizacional produtivo durante as fases de concepção e implementação do PROSEGE.
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INSTITUIÇÕES E INSTRUMENTOS ECONÔMICOS PARA A ADMINISTRAÇÃO AMBIENTAL: O REGIME INTERNACIONAL PARA FLORESTAS TROPICAIS

Valérie de Campos Mello

Resumo A crescente preocupação com a proteção ambiental e a multiplicação do número de congressos internacionais e acordos na área têm sido uma característica significativa em política internacional desde o final dos anos 80. No caso das florestas tropicais, apesar da falta de instituições legais formais, existem vários instrumentos econômicos e legais que, juntos, formam um tipo de regime internacional informal. O estudo considera, primeiramente, de que forma o sistema de comércio internacional, representado pelo GATT/ Organização Mundial de Comércio, vem tratando a matéria da proteção ambiental, bem como seus esforços para ambientalmente tratar os negócios. Em segundo lugar, examina-se a inserção da questão das florestas na economia política internacional, em particular nos acordos e implicações do comércio e das negociações dos produtos florestais, assim como as tentativas para reestruturar tanto os problemas das finanças quanto os dos débitos internacionais da forma menos agressiva ao meio ambiente. Em seguida, revisam-se as respostas em nível de sistema legal internacional, os respectivos instrumentos desenvolvidos no UNCED e seus resultados. O estudo conclui com uma avaliação do regime florestal que enfatiza seus defeitos e seu caráter problemático.
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NOVOS PARADIGMAS NA PREVIDÊNCIA SOCIAL: LIÇÕES DO CHILE E DA ARGENTINA

Katja Hujo

Resumo Na década de 90, sete países latino-americanos implementaram reformas fundamentais de seus sistemas previdenciários ao substituírem, total ou parcialmente, um sistema público de seguridade social, financiado por repartição, por sistemas de capitalização individual, administrados pelo setor privado. As reformas posteriores à reforma chilena de 1981 refletem uma mudança paradigmática na política social da região, apoiada, ativamente, por organismos internacionais como o Banco Mundial. Este trabalho apresenta uma breve introdução ao debate teórico sobre reformas estruturais no sistema previdenciário e enfatiza, em particular, a questão financeira da transição. Finalmente, chega-se a conclusões preliminares sobre as reformas prividenciárias na América Latina a partir de critérios econômicos e sociais.
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UMA ABORDAGEM ABRANGENTE DA REGULAÇÃO DE MONOPÓLIOS: EXERCÍCIO PRELIMINAR APLICADO A TELECOMUNICAÇÕES

Ronaldo Fiani

Resumo Este trabalho propõe uma análise abrangente do problema da regulação econômica, ao abordar elementos geralmente dispersos na literatura econômica, ao mesmo tempo que considera a questão do ambiente em que se processa a regulação, isto é, o contexto mais amplo em que se insere a atividade regulatória, e que envolve a atuação de grupos de pressão, estrutura institucional, mercado externo, etc. A tese central é que a atividade regulatória deve ser percebida como uma das variáveis de política econômica, principalmente no caso de setores com efeitos significativos na performance do sistema econômico.
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MUDANÇAS NA DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA PRODUÇÃO DE GRÃOS, AVES E SUÍNOS NO BRASIL: O PAPEL DO CENTRO- OESTE

Steven M. Helfand & Gervásio Castro de Rezende

Resumo Este trabalho procura analisar em que medida o Centro-Oeste tem vantagem competitiva na produção de aves e suínos, vis-à-vis as regiões , Sudeste e Sul, devido a melhores preços de milho e soja e, portanto, ao menor custo da ração. Para isso, o trabalho analisa os diferenciais de preços desses grãos entre estados no período 1980/1995, e estima os fluxos de comércio de milho, de carne de frango e de porco para o mesmo período. A conclusão principal é que, mantida a atual estrutura espacial de preços, não há redução significativa de custo de produção do frango abatido entre as regiões Centro-Oeste e Sul em razão do menor custo da ração; o mesmo não acontece, entretanto, entre o Centro-Oeste e Sudeste. Também são considerados, neste trabalho, outros fatores ligados à mudança tecnológica ocorrida no setor de criação de aves e suínos, que possam estar a favorecer a competitividade da região Centro-Oeste.
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A INFRA-ESTRUTURA, SUA RELAÇÃO COM A PRODUTIVIDADE TOTAL DOS FATORES E SEU REFLEXO SOBRE O PRODUTO REGIONAL

Rogério Martin Benitez

Resumo Pretende-se, neste artigo, demonstrar a participação e colaboração das infra-estruturas no desenvolvimento regional, a partir da relação entre o produto e a produtividade regional e as diferentes dotações de infra-estruturas existentes. O trabalho calcula as dotações estaduais dos setores de transportes, comunicações e energia segundo o critério de capacidade produtiva, e obtém indicadores das dotações regionais com base nas metodologias de Biehl (1986) e da análise fatorial. O objetivo deste trabalho é atingido pela quantificação da correlação entre as dotações de infra-estrutura e a produtividade total dos fatores, e pela mensuração das elasticidades da produ-tividade em relação à dotação do recurso infra-estrutura. Ambas as análises são realizadas de forma agregada e desagregada.
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POST-SCRIPTUM SOBRE DESENVOLVIMENTO REGIONAL: MODELOS REAIS E MODELOS MENTAIS

Sergio Boisier

Resumo Cinqüenta anos de políticas públicas em favor do desenvolvimento territorial na América Latina produziram uma rica experiência para estudos acadêmicos, mas escassos resultados práticos que possam ser medidos de redução da superconcentração demográfica e econômica dos territórios.

Este trabalho, preparado por um indefectível crente no potencial democratizador do desenvolvimento territorial, não termina no mero relato dos fracassos. A partir de uma dupla categoria de análise, o conceito de modelo real por um lado, e o de modelo mental, por outro, o autor repassa os componentes básicos dos modelos reais de desenvolvimento regional na América Latina (a regionalização, a descentralização e o desenvolvimento das regiões). Fracasso, ambigüidade e escassez parecem ser características que acompanharam os processos em questão. Contudo, mais importante que a simples constatação dos resultados é a tentativa de explicação que o autor dá ao conceito de modelo mental, descrito como a pré-figuração racional da ação. O documento sustenta que existiram fatores estruturais que impediram a construção dos modelos mentais adequados para respaldar intervenções territoriais de sucesso. Esses fatores têm relação com as questões metodológicas, epistemológicas, praxeológicas e ideológicas, campos nos quais existem carências consideráveis que devem ser sanadas para se concretizarem, na prática, o potencial de justiça das políticas regionais.
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