|

|
PLANEJAMENTO E POLÍTICAS PÚBLICAS - PPP |

Número 11 - junho/dezembro 1994Nota
das Editoras Seção: AJUSTE ESTRUTURAL E POLÍTICA SOCIAL Hood
Robin: ajuste e eqüidade na América Latina Desenvolvimento
sustentável, ajuste estrutural e política social: as estratégias
da OMS/OPS e do Banco Mundial para a atenção à
saúde Seção: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Problemas
de regulação pública e planejamento governamental
envolvidos no debate sobre sustentabilidade Desenvolvimento
sustentável no Brasil (as pedras no caminho do possível)
Trabalho,
educação e desenvolvimento Seção: REFORMA DO ESTADO Reconstruindo
o Estado: gestão do setor público e reforma da educação
Seção: HISTORIOGRAFIA Os
cinco réis das esferas Seção: RESENHAS BIBLIOGRÁFICAS Resenha
de: MOISÉS, José Álvaro.Os brasileiros e
a democracia (bases sociopolíticas de legitimidade democrática
no Brasil). São Paulo: Ática, no prelo Resenha
de: HAUBERT, Maxime et al. État et societé
dans le Tiers Monde: de la modernization à la democratisation?
Paris: Sorbonne, 1992 Seção: EVENTOS - p.313-314 |


Desenvolvimento sustentável, ajuste estrutural e política social: as estratégias da OMS/OPS e do Banco Mundial para a atenção à saúdeMarcus André B. C. de Melo* e Nilson do Rosário Costa**Nota: Versões anteriores desse artigo (ou de partes dele) foram apresentadas no XVIII International Congress of LASA, Atlanta, 9 a 12 de março de 1994, e no XIII World Congress of Sociology, Bielefeld, 18 a 23 de julho de 1994. * Da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). ** Da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz). Resumo: Analisa o processo de formação de agendas (agenda setting) com ênfase na mudança do paradigma conceitual que informa a atuação das agências internacionais na área da saúde. As agências analisadas são a Organização Mundial da Saúde (OMS) - e sua oficina regional, a Organização Panamericana da Saúde (OPS) - e o Banco Mundial. O primeiro paradigma conceitual discutido é o paradigma da saúde pública, que balizou a agenda internacional para a saúde - sob o comando hegemônico da OMS - até a década de 50, quando se funde com o desenvolvimentismo no projeto de planejamento em saúde. Peças essenciais desse paradigma são os princípios de eqüidade e o marco conceitual da epidemiologia, elaborados por uma comunidade de especialistas. O segundo paradigma conceitual é o paradigma da economia da saúde, que passa a permear a agenda internacional nos anos 80 sob o comando do Banco Mundial. Nele, os princípios de focalização e seletividade da ação pública são fundamentais e a análise econômica é manejada sobretudo para revelar a dimensão fiscal e financeira da atenção à saúde. A idéia de desenvolvimento sustentável também é incorporada como ingrediente importante. O texto apresenta, ainda, uma análise da dinâmica político-institucional e do processo de agenda setting da OMS/OPS e do Banco Mundial a partir de uma pesquisa de campo realizada nessas agências. A principal conclusão é que a mudança de paradigma ocorrida está na base da crise atual da cooperação internacional em saúde e nas disputas interagências existentes. |


Desenvolvimento sustentável no Brasil (as pedras no caminho do possível)Fábio Feldmann * e Maristela Bezerra Bernardo *** Do governo do estado de São Paulo. ** Do Senado Federal. Resumo: A expressão desenvolvimento sustentável tem servido para significar rumos e interesses diversos, além de se prestar a descrever experiências de proporções sensivelmente diferentes. A procura da chancela do "moderno" ajuda a explicar sua aplicação utilitarista, mas não lhe retira a potencialidade de traduzir a procura de mudança, no rumo de um estilo de desenvolvimento com eqüidade social e novos critérios no uso do patrimônio natural comum. Para chegar a esta dimensão de desenvolvimento sustentável, é preciso aprofundar a discussão sobre a presente lógica do poder, cerne da insustentabiliade. Por outro lado, a expressão permite, também, negociar reformas a curto e médio prazos, na medida em que fornece parâmetros básicos de negociação social de um ponto de vista original, que é o do meio ambiente como sujeito político. Nesse sentido, o trabalho propõe uma agenda para construir um consenso possível a respeito da aplicabilidade de desenvolvimento sustentável como designativo de alternativas para o caso brasileiro. |

Trabalho, educação e desenvolvimentoHenrique Rattner ** Da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e Nama. Resumo: O desenvolvimento econômico ecológico tem-se processado de forma reducionista. As propostas, apontadas tanto por governos quanto pelos economistas, tendem a adotar soluções inadequadas por serem de alcance limitado e excludente de amplas camadas da população, e por trazerem conseqüências calamitosas para a utilização dos recursos econômicos e para o meio ambiente. O texto aponta algumas soluções para reverter este processo, tais como: utilização de uma abordagem sistêmica e interdisciplinar, prática permanente do pluralismo democrático, e busca do equilíbrio entre a função de planejamento e coordenação e o espaço vital para a criatividade individual e coletiva. Sobre o novo paradigma técnico-econômico, o texto enfatiza que a "eficiência coletiva" de grupos e organizações torna-se mais importante que o desempenho competitivo individual. Este ensaio enfatiza a educação como processo de formação de atitudes e valores fundamentais para a auto-realização do indivíduo. Postula-se a necessidade de desenvolver uma concepção e práticas educacionais inovadoras, em função das tendências tecnológicas e econômicas da sociedade industrial. Enfatiza também a necessidade de buscar a "eficiência coletiva" na educação estimulando a observação, interpretação, avaliação e extrapolação em todos os membros do grupo, que, por sua vez, induzem à cooperação e à solução de problemas comuns, à utilização de tecnologias "apropriadas" e/ou à criação de tecnologias culturalmente compatíveis com a realidade e as tradições e ao reforço da solidariedade que, também por sua vez, induzem à autonomia e à sustentabilidade. O ensaio indica a globalização como resposta aos problemas ambientais, populacionais, da miséria e da opressão, cuja superação exige esforços de cooperação em nível internacional. |

Reconstruindo o Estado: gestão do setor público e reforma da educaçãoMarta Ferreira Santos Farah *Nota: Artigo elaborado com base em pesquisa desenvolvida no âmbito do Centro de Estudos de Administração Pública da EAESP/FGV-SP, tendo contado com o apoio do Núcleo de Publicações e Pesquisas desta Escola. A pesquisa contou com a participação de Lígia Salomé Esteves Beira, Francisco Rogério Lima da Silva (bolsista de iniciação científica do CNPq) e Carmem Maria. * Da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). Resumo: Analisa as principais propostas e iniciativas de reforma da educação no Brasil, do início da década de 1980 até meados dos anos 90, destacando o papel que a temática da gestão assume na agenda de reforma do setor. Procura situar o debate na área da educação com relação a propostas e teses mais abrangentes relativas à reforma do Estado. Identifica dois momentos, no período considerado, no que diz respeito ao papel atribuído à educação e a prioridades da agenda. Com relação ao primeiro ponto, privilegia, incialmente, a educação como condição para a cidadania. Num segundo momento, à formação para a cidadania vem se agregar o sentido de qualificação para o trabalho. Com relação às prioridades da agenda, a ênfase recai nos anos 80 na democratização da gestão e dos processos decisórios. A partir do final da década de 80 e nos anos 90, ao lado da temática da democratização, ganham força propostas de reforma da educação que têm como eixo a modernização da gestão dos sistemas educacionais estatais. Articular democratização e modernização aparece hoje como o principal desafio da reforma do setor, condição para que o Estado viabilize ao mesmo tempo a qualidade da educação e a eqüidade nesta esfera da política social. |

Os cinco réis das esferasWanderly Manso de Almeida ** Consultor do Geipot, foi técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Resumo: O real, a nova unidade monetária brasileira instituída em julho do ano passado [1994], está completando o seu primeiro aniversário de criação. As respectivas questões de política pública, afetando o cotidiano das pessoas, naturalmente requerem atenção primordial. Contudo, este artigo não pretende explorar essa vertente da administração para celebrar a nova moeda brasileira. De modo diferente, a historiografia e a semântica são os campos de investigação aqui escolhidos, porquanto procura-se tratar das origens antigas do real português e do aparecimento dos réis, como antecessores do real brasileiro. Esta é, portanto, uma incursão que vem descobrir raízes, conferindo foros de tradição à atual denominação da moeda nacional, ao mesmo tempo em que busca reparar uma perda de memória histórica relativa ao meio circulante no passado. Real é uma denominação da qual já se cogitava no segundo semestre de 1989, quando uma nova reforma monetária parecia iminente. Mas aquela não foi a primeira vez que se pretendeu adotar essa designação no Brasil. Em 1891, um projeto de lei apresentado no Senado propunha denominar-se real a unidade mometária que então se buscava instituir - supondo-se, naquela oportunidade, que, na verdade, o real já constituía uma "moeda de conta" brasileira, embora não declarado formalmente, uma vez que o seu múltiplo e plural seriam os réis. A lei, portanto, visava confirmar a existência do concreto. Uma grande confusão, que tem origens mais remotas. Este estudo parte das atuais definições e verbetes apresentados em vários dicionários para as palavras real, réis e mil-réis, passando a investigar as suas respectivas origens e empregos ao longo da história, nos registros de valores monetários usados no comércio, na administração pública e no meio circulante. Interessando-se particularmente pelos aspectos atinentes ao Brasil, a investigação procura fundamentos tanto na documentação e literatura especializada brasileiras, quanto nos documentos portugueses e nas anotações dos seus estudiosos. Assim, examinam-se textos arcaicos e antigos, construindo-se uma descrição das origens e evolução dos reais e dos réis desde o século XIII, prosseguindo pelo período imperial para abordar o surgimento do mil-réis na fase republicana. As conclusões, resumidas em três definições experimentais, vêm significar uma proposta de reconsideração de idéias há algum tempo arraigadas, as quais teriam levado diversos dicionários didáticos a apresentar verbetes errôneos ou enganosos a respeito daquelas palavras. O estudo mostra, desse modo, que o real foi no passado não uma moeda brasileira ideal ou de conta, como pretendem algumas explicações, mas uma moeda efetiva do meio circulante português, a qual não chegara a correr no Brasil. Que a palavra réis, empregada durante algum tempo como sinônimo de reais, mas não como plural de real, era designação genérica de valor, tendo origem etimológica particular na palavra latina ren. E que o mil-réis jamais constituíra uma unidade monetária brasileira, contrário ao que supõem alguns autores da literatura especializada, mas apenas um abuso de linguagem, um coloquialismo, decorrente do ambiente inflacionário no início da República. |