
MercosulArgentinaA economia argentina, após a recessão verificada entre o segundo trimestre de 1994 e o terceiro trimestre de 1995 provocada pela crise mexicana de dezembro de 1994, apresentou um desempenho macroeconômico excepcional no primeiro semestre do corrente ano: taxa de crescimento do PIB, dessazonalizada e anualizada, de 11,9%, inflação acumulada de 0,2%, cumprimento, pela primeira vez e com pequena folga, das metas de déficit fiscal acertadas com o FMI e nível de reservas internacionais ao redor de US$ 20 bilhões, superior ao verificado no período 1991/94, fase áurea do Plano de Conversibilidade. O índice Merval, que mede a evolução dos preços de 26 principais ações cotadas na Bolsa de Valores de Buenos Aires, aumentou 108% este ano, faltando um incremento de apenas 5,7% para atingir o recorde histórico verificado em junho de 1992, após a renegociação da dívida externa argentina. As expectativas para o segundo semestre e para o próximo ano também são bastante favoráveis. A principal dificuldade da economia argentina encontra-se na elevada taxa de desemprego, que registrou 16% na pesquisa realizada em maio do ano corrente contra 17,3 e 17% verificadas, respectivamente em maio e outubro passados, meses em que são realizadas as mensurações do nível de emprego. A queda de um ponto de percentagem, quando comparado com maio de 1996, representa a criação de cerca de 518.000 postos de trabalho. No entanto, apesar deste desempenho mais favorável, ainda restam cerca de 1,9 milhão de pessoas desempregadas e 1,5 milhão de pessoas subempregadas. Isto significa que um em cada três argentinos, que fazem parte da população economicamente ativa, ainda encontra dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. Assim, este resultado não será suficiente para reduzir os conflitos sociais latentes, que já começaram a se manifestar. O governo, supondo que para cada 4% de aumento do PIB ocorrerá uma queda de um ponto de percentagem na taxa de desemprego, espera que o levantamento estatístico a ser realizado em outubro de 1997 assinale uma taxa de desemprego de cerca de 15%. Para um incremento mais substancial no nível de emprego, o governo, principalmente o Ministério da Economia, conta com a flexibilização das leis trabalhistas. Segundo suas estimativas, a eliminação de todas as distorções criaria cerca de 1,8 milhão de empregos até o ano 2000. Infelizmente, o governo encontra sérias dificuldades para elaborar as novas regras para o mercado de trabalho, que sejam consensuais entre empresários e trabalhadores. Evidentemente, mesmo superada esta fase, o projeto de lei deve ser enviado ao Congresso Nacional, onde são esperados debates ainda mais acirrados, inclusive dentro do bloco governista, com forte tradição histórica de vínculos estreitos com os sindicatos trabalhistas. Em resumo, o desempenho macroeconômico argentino no primeiro semestre de ano é extraordinário, ainda que prejudicado pela manutenção de uma elevada taxa de desemprego. A médio prazo, a economia poderá enfrentar dificuldades, caso ocorram novos choques externos, tais como uma eventual desvalorização da moeda brasileira, afetando as exportações para este mercado, que atualmente representam cerca de 28% das exportações totais, ou um aumento significativo da taxa de juros no mercado internacional, que afetasse os fluxos de capitais externos. No plano interno, a possibilidade de uma crise está mais associada à ampliação dos conflitos sociais em tal magnitude que tornasse o país não governável. NÍVEL DE ATIVIDADEAs cifras oficiais preliminares assinalam uma variação do PIB, no primeiro semestre de 1997, de 8,1% em relação a igual período do ano anterior e 2,4%, quando dessazonalizado, em relação ao último trimestre de 1996. A taxa de crescimento do PIB, dessazonalizada e anualizada, atinge 11,9%, no seis primeiros meses de 1997. Assim, manteve-se, desde o quarto trimestre de 1995, um período de seis trimestres consecutivos de crescimento do PIB dessazonalizado com uma taxa média de 2%, um intervalo de tempo contínuo de recuperação econômica somente superado nos últimos 25 anos pelo ocorrido nos três primeiros anos do Plano de Conversibilidade. Em maio de 1997, último dado disponível, o índice de produto industrial elaborado pela Fiel atingiu o máximo histórico desde 1980, quando teve início o levantamento estatístico, tendo crescido 5,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior (GRÁFICO 13) e 2,6%, quando dessazonalizado e comparado com abril. No trimestre móvel março/maio de 1997, comparado ao período equivalente do ano passado, o incremento foi de 6,1%.
No acumulado do período janeiro/maio de 1997 em relação aos idênticos meses do 1996, o aumento do produto industrial foi de 7,4%, superior inclusive aos 5,4% verificados no correspondente período de 1994, antes da crise mexicana. Podemos observar ainda que o aumento do produto industrial ocorre de forma generalizada, com destaque para a indústria automotriz, com variação de 43,6%, cimento, com 32,6%, agroquímicos, com 27,1%, pneumáticos, com 19,1% e derivados de petróleo, com 12,2%. A taxa de desemprego, medida em maio do corrente ano, atingiu 16,1% contra 17,1% constatados no mesmo mês do ano anterior, o que implica uma redução de um ponto de percen-tagem. Este resultado representa a criação de 518 mil postos de trabalho (sendo que 158 mil correspondem ao subemprego, pois as pessoas declararam estar dispostas a trabalhar mais horas) em 12 meses. Segundo cálculos efetuados por Carola Pessino, assessora do Ministro Roque Fernandez, a demanda de trabalho apresenta uma elasticidade-preço de 0,4 e uma elasticidade-renda de 0,25. Com base nestas estimativas, Pessino argumenta que a redução de 40% dos encargos sociais assumidos pelas empresas, ocorrida no início de 1996, representou uma queda de 10% no custo do trabalho, o que aumentou a demanda de mão-de-obra em 4%, criando 400.000 empregos. O aumento do PIB de aproximadamente 8% gerou, por sua vez, um aumento de 2% na demanda de trabalho, acarretando 200 mil novos postos de trabalho. A diferença de 82 mil empregos é atribuída ao efeito defasado, isto é, 12 meses seriam insuficientes para absorver todos os efeitos provocados por estes dois fatores. Assim, a principal contribuição à elevação do nível de emprego é devida à redução do encargos sociais, o que ressalta a importância da flexibilização das regras trabalhistas para uma queda mais acentuada na taxa de desemprego. Entretanto, as negociações para a reforma da legislação trabalhista, a denominada flexibilização do emprego, continuam esbarrando nas dificuldades de conciliar os interesses entre os empresários, trabalhadores e governo (inclusive dentro do governo), não permitindo um projeto consensual que possa ser submetido ao Congresso Nacional. Caso o acordo não seja atingido, o presidente Menem promete enviar o projeto de lei diretamente ao Congresso, onde seguramente os conflitos não serão menores. Cabe lembrar que, apesar deste desempenho favorável, a taxa de desemprego continuará alta. Segundo a Cepal, a taxa de desemprego argentino é a maior da América Latina e a segunda no mundo, abaixo apenas da Espanha, que, entretanto, apresenta um sistema de proteção social muito superior ao disponível para os argentinos. INFLAÇÃOOs preços continuaram estáveis ao longo do segundo trimestre de 1997: a variação do Índice de Preços ao Consumidor atingiu 0,3% negativo em abril, 0,1% negativo em maio e 0,2% em junho. A variação dos preços ao consumidor acumulada no primeiro semestre alcançou 0,2% e em 12 meses terminados em junho foi de apenas 1%. O IPA também mostrou pequenas variações no segundo trimestre de 1997: 0,4% negativo em abril, 0,7% em maio e 0,4% negativo em junho. Nos 12 meses terminados em junho, o aumento do IPA é equivalente ao do IPC (ver no GRÁFICO 14 a inflação acumulada nos últimos 12 meses do IPC e do IPA). No acumulado do primeiro semestre do ano, o incremento dos preços no atacado é nulo.
TAXA DE CÂMBIO E CONTAS EXTERNASDada a taxa de câmbio nominal fixa estabelecida no Plano de Conversibilidade e a reduzida taxa de inflação nos últimos dois anos, a taxa de câmbio real, sem a correção dos diferenciais de produtividade, tem-se mantido estável, com pequenas flutuações. No período janeiro/maio de 1997, as exportações alcançaram US$ 10.419 milhões, o que representou um incremento de 14% contra o mesmo período do ano anterior, enquanto as importações atingiram US$ 11.461 milhões, sinalizando um crescimento de 32%. Assim, o déficit da balança comercial foi de US$ 1.042 milhões, enquanto no mesmo período de 1996 atingiu US$ 423 milhões. As exportações, quando classificadas segundo o grau de elaboração do produto, mostram taxas de crescimento de 22% para os produtos primários, 7% para os manufaturados de origem agropecuária, 15% para os produtos de origem industrial e 17% para os combustíveis e lubrificantes. Quanto às importações no mesmo período, os bens de capital tiveram uma expansão de 46%, os bens intermediários de 17%, os bens de consumo (exclusive automóveis, cujas importações são sujeitas a quotas) de 14% e as peças e acessórios para máquinas e equipamentos de 47%. Em relação ao comércio com os principais blocos econômicos neste mesmo período, merecem destaque as exportações argentinas aos demais países do Mercosul, que atingiram US$ 3.494 milhões, enquanto as importações alcançaram US$ 2.734 milhões, o que resultou em um superávit de US$ 760 milhões. No intercâmbio com o Nafta, as vendas externas argentinas atingiram US$ 923 milhões e as aquisições US$ 1.847 milhões, o que resultou em déficit de US$ 760 milhões. Em relação à União Européia, a Argentina vendeu US$ 1.689 milhões e adquiriu US$ 3.370 milhões, com saldo negativo de US$ 1.681 milhões. Com base no resultado dos primeiros cinco meses, estima-se um déficit comercial em 1997 de cerca de US$ 3 bilhões, contra a meta governamental inicial de US$ 1,5 bilhão, posteriormente corrigida para US$ 2 bilhões. As reservas internacionais líquidas (ouro, prata e aplicações de curto prazo) disponíveis no Banco Central mantiveram-se estáveis, atingindo US$ 19,5 bilhões no final de junho, sendo US$ 3 bilhões superiores ao nível verificado em dezembro de 1994. SISTEMA FISCAL E MONETÁRIOO déficit do setor público no período janeiro/maio, anualizado, atingiu 4,9 bilhões de pesos contra 5,9 bilhões de pesos verificados no ano passado. Em relação ao PIB, alcançou 1,6% contra 2% ocorridos em 1996, mas ainda bastante inferior aos 2% de superávit fiscal obtidos nos três primeiros anos do Plano de Conversibilidade. Dado que as estatísticas mensais de receita tributária não são estritamente comparáveis, devido à mudança no calendário de recolhimento dos tributos, apresentaremos os valores acumulados. No primeiro semestre de 1997, a receita tributária atingiu 24 bilhões de pesos, contra 21 bilhões verificados em igual período passado, o que corresponde a um aumento de 14,1%. Vale lembrar que no primeiro semestre de 1994, com um nível de atividade levemente inferior ao atual, a arrecadação alcançou 22,9 bilhões, sem descontar a perda de arrecadação da previdência sofrida no corrente ano. Assim, surgem as primeiras indicações de que o sistema tributário começa a superar o custo da reforma da previdência. Dessa forma, prevalece a expectativa de que a Argentina mantenha, em 1997, um déficit fiscal equivalente a aproximadamente 1,4% do PIB e uma dívida pública em torno de 30% do PIB. Porém, o mais importante é a tendência de queda verificada pela primeira vez desde 1994 (0,4% em 1994, 0,93% em 1995 e 2,34% em 1996). A base monetária, medida pela média diária, manteve uma tendência levemente crescente no segundo trimestre de 1997, passando de 13,4 bilhões de pesos em março para 13,8 bilhões de pesos em junho. Neste mesmo período, os depósitos totais no sistema bancário aumentaram de US$ 54,6 bilhões para US$ 58 bilhões. Os depósitos em pesos tiveram um incremento maior, passando de US$ 26,1 bilhões para US$ 28,3 bilhões, enquanto os depósitos em dólares aumentaram de US$ 28,5 bilhões para US$ 29,7 bilhões. A maior expansão relativa dos depósitos em pesos reflete a pouca preocupação dos agentes econômicos quanto a uma eventual mudança na política cambial. A taxa de juros para empresas de primeira linha e a diferença entre as taxas em pesos e em dólares apresentaram uma trajetória declinante no primeiro trimestre do ano. O custo dos empréstimos em pesos, no prazo de 90 dias, caiu de 10,5% em dezembro passado para 8,75% em março, enquanto os financiamentos em dólares mudaram de 9,3% para 8,04%. PERSPECTIVASPara 1997, as projeções dos principais indicadores econômicos são bastante otimistas: para o PIB, um crescimento entre 7% e 8%; uma queda na taxa de desemprego medida em outubro de cerca de dois pontos de percentagem (de 17,34% para 15,%); uma taxa de inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor, entre 1,5% e 2%; um déficit público em torno de 1,4% do PIB, dentro dos limites do compromisso firmado com o FMI; e um déficit comercial de US$ 3 bilhões (exportações de US$ 28 bilhões e importações de US$ 31 bilhões). ParaguaiAs projeções de crescimento econômico feitas por fontes do Banco Central do Paraguai para 1997 entre 4,5 e 5% foram reduzidas a um máximo de 3%, em virtude dos efeitos sobre a economia do país da intervenção governamental no segundo maior banco privado e do fechamento de mais duas instituições financeiras, em junho deste ano. A crise de liquidez gerada por essas ações deverá reverter parcialmente os bons resultados obtidos na produção de alguns dos mais importantes itens agrícolas, como a soja e o algodão. A taxa de inflação, após a alta de 2,5% registrada em março, voltou a cair nos meses seguintes: 0,2%, em abril, 0,3% negativo em maio e 0,8% em junho. Dessa forma, o Índice de Preços ao Consumidor no primeiro semestre ficou em 6%, um pouco inferior aos 6,4% observados nos seis primeiros meses de 1996. Com isso, é provável que seja atingida a meta estabelecida pelo governo para 1997, de 8% (GRÁFICO 15).
Entre janeiro e maio deste ano o déficit comercial paraguaio alcançou US$ 647 milhões, 41,5% acima do registrado em idêntico período do ano anterior , resultante de exportações de US$ 516 milhões e importações de US$ 1.163 milhões, respectivamente 8,7 e 25% superiores às do período janeiro/maio de 1996. Quanto ao setor fiscal, durante o primeiro quadrimestre do ano as receitas superaram as despesas em aproximadamente US$ 42 milhões. Para 1997, projeta-se um déficit fiscal equivalente a quase 2% do PIB, da ordem de US$ 200 milhões. UruguaiNo final de junho, o FMI aprovou um acordo stand-by com o Uruguai, com base em um programa econômico que abrangerá o período entre 1º de julho de 1997 e 31 de dezembro de 1998. A política macroeconômica continuará focalizada na redução do déficit público e na utilização da taxa de câmbio como âncora nominal da estabilização de preços. Do ponto de vista do nível de atividade, prevê-se uma taxa de crescimento de 3%, tanto em 1997 como em 1998. Os elementos mais dinâmicos da demanda agregada deverão ser os investimentos - públicos e privados - e as exportações. O déficit em conta corrente projetado para 1997 é de 1,5% do PIB, um nível praticamente igual ao do ano anterior, embora no contexto de um intercâmbio comercial maior, já que se projeta um aumento das exportações e importações de, respectivamente, 7,7 e 5,8%. O déficit fiscal foi estimado em 1,7% do PIB, sendo que 1,4% correspondente às reformas estruturais - da seguridade social e do setor público. Quanto à inflação, as metas parecem ambiciosas, em vista das taxas registradas até o momento: 15,4% em 1997 e 8,2% em 1998. NÍVEL DE ATIVIDADEO nível de atividade da economia uruguaia continuou apresentando uma trajetória expansiva no início de 1997. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto experimentou um crescimento de 4,2%, em relação ao mesmo período do ano anterior; em 12 meses terminados em março, a alta foi de 5,6%. O principal impulso foi dado pelo setor de comércio, com uma expansão de 14,8%. A agropecuária registrou também um excelente desempenho (9%), estimulada pela demanda externa. A indústria manufatureira teve uma redução de atividade de 3,9%, fortemente influenciada pela paralisação parcial da refinaria Ancap. Excluindo-se esse fator, a indústria obteve um crescimento de 3,2%, destacando-se os setores de alimentos, bebida e fumo, têxteis, vestuário e couro, minerais não-metálicos (devido à maior demanda de construção) e a indústria de papel. O valor agregado do setor de construção aumentou 3,7%, graças a uma recuperação de obras públicas, e a rubrica transportes e comunicações apresentou um crescimento de 3,5%. O nível de desemprego em todo o país cedeu ligeiramente em abril, não pelo aumento dos postos de trabalho, mas pela redução da oferta de mão-de-obra. No trimestre fevereiro/abril, o desemprego médio foi de 11,4%, em comparação a 11,7%, no trimestre móvel anterior (GRÁFICO 16).
INFLAÇÃOO Índice de Preços ao Consumidor elevou-se 1,34% em maio, com o que a taxa em 12 meses alcançou 21,1%. Nos cinco primeiros meses do ano, a alta registrada foi de 7,9%, que, anualizada, representa um aumento de 20%, muito acima da meta oficial para o ano (GRÁFICO 17).
Pelo segundo mês consecutivo, a taxa de inflação foi praticamente igual à desvalorização mensal, o que, junto à desaceleração dos preços dos bens não-comercializáveis, sugere que a dinâmica dos preços domésticos está sendo determinada quase exclusivamente pela desvalorização do peso. Dessa forma, a equipe econômica espera acelerar o ritmo de queda da inflação através da redução da variação cambial, fixada em 1,4% até abril, em 1,2% a partir de maio e programada para se reduzir a 0,8% até o final do ano. O IPC de maio já reflete a nova metodologia empregada para seu cálculo pelo Instituto Nacional de Estadística (Ine), que adequou a cesta de consumo, com base em uma pesquisa nacional realizada entre junho de 1994 e maio de 1995. Constatou-se, assim, uma estrutura de gastos das famílias bastante diferente daquela utilizada para a base anterior, de dezembro de 1985, e que esteve vigente até março deste ano. Com as novas ponderações, o item alimentos e bebidas registrou a maior queda, de 11,4 pontos percentuais, ao passo que saúde apresentou o maior crescimento, de 5 pontos, seguido por transporte e comunicações, ensino e lazer. TAXA DE CÂMBIO E CONTAS EXTERNASA desvalorização acumulada no período janeiro/maio (7,6%) foi praticamente igual à variação do IPC (7,9%) e nos 12 meses terminados em maio essa diferença chegou a apenas 1%. No primeiro bimestre deste ano, as exportações alcançaram US$ 360 milhões e as importações US$ 544 milhões, representando um crescimento de, respectivamente, 9,2 e 22,7% em relação ao período janeiro/fevereiro de 1996. A Argentina começou a substituir o Brasil no papel de dinamizador das exportações uruguaias, com um aumento de 23% em suas compras, ao passo que para o Brasil as vendas do Uruguai aumentaram apenas 9,4%. Esta evolução contrasta com a que se observou nos últimos três anos, quando as exportações ao Brasil cresceram 35, 42 e 19%, respectivamente, enquanto as vendas à Argentina aumentaram 21% em 1994, caíram 30% em 1995 e cresceram somente 1,6% no ano passado. No período de 12 meses encerrado em fevereiro deste ano, o déficit comercial uruguaio passou a US$ 995 milhões, em comparação aos US$ 842 milhões registrados nos 12 meses anteriores (18,1%). As exportações, de US$ 2,4 bilhões, e as importações, de US$ 3,4 bilhões, ampliaram-se a uma taxa praticamente idêntica 17,5 e 17,7%, respectivamente, em relação às dos 12 meses anteriores. SISTEMA FISCALO custo da reforma estatal elevou-se a US$ 95 milhões no primeiro trimestre deste ano, o que corresponde a uma média de US$ 32 milhões mensais, ante os US$ 15 milhões do segundo semestre de 1996. Em março os gastos da reforma foram de US$ 33 milhões, dos quais a metade por transferências às Afaps (fundos de pensão, em sua maioria privados) e incentivos do governo central e a outra metade por incentivos de empresas públicas e gastos administrativos da reforma. Desta maneira, as despesas vinculadas à reforma do estado totalizaram US$ 184 milhões nos últimos 12 meses, equivalentes a mais de 50% do déficit anual do setor público nesse período, que acumulou US$ 344 milhões (1,8% do PIB). No primeiro trimestre de 1997, as despesas do governo central acumularam US$ 1.041 milhões, comparadas a US$ 910 milhões de igual período de 1996 (14,4%). Os gastos da reforma explicaram menos da metade desse aumento, tendo o resto correspondido a uma elevação generalizada de salários, outros gastos mas sobretudo dos investimentos (28,4% reais). As receitas, por outro lado, totalizaram US$ 992 milhões, com um crescimento de cerca de US$ 89 milhões (7,1% reais). Destacou-se a arrecadação de tributos relativos ao comércio exterior, com 14,5% em termos reais, associados ao dinamismo das importações. PERSPECTIVASSegundo as previsões do Instituto de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas e de Administração, o crescimento econômico em 1997 deverá ser da ordem de 3,5%, liderado pelas exportações e investimentos. O saldo negativo em conta corrente deverá manter-se nos mesmos níveis de 1996, ao passo que o déficit fiscal deverá apresentar uma piora sensível. Para a taxa de inflação, o Instituto prevê uma queda para 17%, uma projeção menos otimista do que as oficiais. Fluxos Comerciais e Paridades CambiaisNo primeiro semestre de 1997, as exportações brasileiras destinadas ao Mercosul atingiram US$ 4 bilhões, contra US$ 3,3 bilhões no mesmo período do ano anterior, o que corresponde a um incremento de 21,2%. As importações, por sua vez, passaram de US$ 3,7 bilhões para US$ 4,7 bilhões nesse mesmo período, assinalando um aumento de 27%. Em relação ao total das vendas externas brasileiras, a participação das exportações destinadas aos demais países do Mercosul evoluiu de 14,4% para 16,1%, enquanto a das importações aumentou de 14,2% para 15,9%. Quanto ao comércio brasileiro com cada membro do Mercosul, as vendas externas destinadas à Argentina, no mesmo período, aumentaram de US$ 2,3 bilhões para US$ 3 bilhões, o que representa uma expansão de 29,5%. Quanto às importações oriundas da Argentina, passaram de US$ 3 bilhões para US$ 3,9 bilhões, com um incremento de 30%. O saldo negativo no comércio bilateral entre os dois países atingiu US$ 0,9 bilhão, 28,5% acima do verificado em 1996, quando alcançou US$ 0,7 bilhão. No GRÁFICO 18, as exportações mensais, medidas pela média móvel de 12 meses terminados no mês de referência, apontam para a manutenção da trajetória de crescimento iniciada em março do ano passado. As importações mensais provenientes da Argentina, após uma estabilização no patamar levemente inferior a US$ 500 milhões até meados de 1996, apresentam, a partir daí, uma tendência crescente.
Em relação ao mercado paraguaio, as exportações, no mesmo período, mantiveram-se aproximadamente constantes, passando de US$ 634 milhões para US$ 656 milhões, enquanto as importações aumentaram US$ 255 milhões para US$ 280 milhões. No GRÁFICO 19, em que são mostrados os valores mensais de exportação e importação, medidos pela média móvel de 12 meses terminados no mês de referência, podemos notar que as exportações brasileiras mensais mantiveram-se estagnadas em torno de US$ 110 milhões e as importações mostram uma variação positiva desde março do ano passado, aproximando-se do valor de US$ 50 milhões.
No comércio com o Uruguai, no primeiro semestre de 1997 em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações brasileiras aumentaram 7,4%, passando de US$ 363 milhões para US$ 390 milhões, enquanto as importações cresceram 11,6%, passando de US$ 430 milhões para US$ 480 milhões, mantendo a trajetória de déficits crescentes desde 1995. O GRÁFICO 19 com dados mensais, medidos pela média móvel de 12 meses terminados no mês de referência, ilustra esse desempenho. A taxa de câmbio real bilateral, medida pela variação do IPC de ambos os países, indica uma relativa estabilidade, com uma tendência ligeiramente favorável à moeda brasileira diante das moedas dos demais parceiros do Mercosul, a partir de meados de 1996, o que pode ser observado no GRÁFICO 22. No trimestre móvel março/abril de 1997 contra o terceiro trimestre do ano passado, ocorreu uma desvalorização real da moeda brasileira de 1,4% ante o peso argentino, de 3,1% diante do peso uruguaio e de aproximadamente 0,8% (trimestre móvel dezembro/fevereiro) ante o guarani.
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