Panorama da Economia Mundial - nº 25, abril 1997

Editorial

Preço das commodities: evolução recente e perspectivas para 1997

Os principais produtos primários (commodities) comercializados internacionalmente têm seus preços determinados ou fortemente influenciados pelas cotações vigentes nas principais bolsas de mercadorias, localizadas em importantes centros financeiros mundiais. Uma característica marcante observada nas cotações desse tipo de produto é a sua significativa volatilidade. Na verdade, esse fenômeno advém do fato de, teoricamente, tanto a oferta quanto a demanda nesses mercados serem tidas como inelásticas com relação aos preços no curto prazo, resultando em uma elevada sensibilidade dos preços a pequenas variações ou choques acontecidos ou esperados tanto nas suas ofertas quanto nas suas demandas.

Em 1996, a balança comercial brasileira das principais commodities internacionais acumulou um superávit de mais de US$ 8,8 bilhões, resultado, no entanto, US$ 1,1 bilhão inferior ao saldo do ano anterior. As exportações, por um lado, expandiram-se quase US$ 400 milhões e atingiram US$ 15,2 bilhões no ano passado, enquanto as importações, por seu turno, totalizaram cerca de US$ 6,4 bilhões, registrando, no entanto, um crescimento de US$ 1,5 bilhão com respeito às realizadas em 1995. Os movimentos das cotações internacionais dos produtos primários no início de 1997 e as perspectivas que têm sido elaboradas recentemente vêm apontando para resultados mais favoráveis ao saldo externo líquido do comércio brasileiro de commodities neste ano, principalmente quando se tem em conta as respectivas composições das pautas de exportação e importação dessas mercadorias.

Os preços dos principais produtos primários comercializados internacionalmente apresentaram oscilações acentuadas ao longo do ano passado. De acordo com o Banco Mundial - Commodity Markets and the Developing Countries (February 1997) -, o índice das cotações em dólar das commodities não-energéticas apresentou, em 1996, uma redução de 5,8% em relação à média do ano anterior. Este resultado deveu-se a uma queda de 6% nas cotações das matérias-primas agrícolas e de 12% no índice dos metais e minerais, apesar do crescimento de 5,7% observado no preço médio dos alimentos, fundamentalmente como resquício dos valores recordes registrados nos preços dos grãos na primeira metade de 1996. O índice referente aos produtos energéticos, por outro lado, acumulou uma elevação de 19% aproximadamente.

De maneira geral, as cotações dos grãos, que se haviam elevado continuamente durante todo o ano de 1995 e atingido patamares recordes no segundo trimestre do ano passado, comprimiram-se vigorosamente a partir de então. Os preços do café e do cacau apresentaram-se relativamente estáveis ao longo de 1996, embora na média do período a cotação do café tenha registrado uma redução de cerca de 20% em relação à média observada em 1995. O preço internacional do suco de laranja também comprimiu-se fortemente em 1996, após ter atingido valores significativamente elevados nos primeiros meses do ano. Embora apresentando algumas oscilações, também as cotações do açúcar e do algodão delinearam movimento de queda em 1996, quando comparadas às vigentes no ano anterior, o mesmo acontecendo com as preços dos metais não-ferrosos, que, de maneira geral, comprimiram-se continuamente em 1995 e até o último trimestre de 1996, quando começaram a esboçar alguma recuperação. As cotações do fumo, no entanto, apresentaram uma trajetória simétrica, com seus preços se recuperando fortemente no período. Por fim, o preço internacional do petróleo apresentou movimento contínuo de alta desde o segundo trimestre de 1995.

Em resumo, quando comparadas as médias dos preços em 1996 em relação às de 1995, os produtos da pauta das exportações do Brasil cujas cotações apresentaram elevação significativa foram a soja (grão e farelo) e o fumo - explicando boa parte do crescimento de 11% das exportações de produtos básicos -, enquanto para o café e para a maioria dos metais não-ferrosos, bem como para a celulose, o açúcar e o óleo de soja, os preços reduziram-se - explicando uma parcela significativa da queda de 8,7% das exportações brasileiras de semimanufaturados em 1996 -, e as cotações médias do minério de ferro, do suco de laranja e do cacau mantiveram-se relativamente estáveis. Já na pauta das importações, por seu turno, observaram-se altas expressivas nos preços internacionais médios de milho, trigo, arroz e petróleo e alguma redução nas cotações de algodão e borracha natural.

O quadro abaixo resume esses resultados e apresenta a evolução em termos de valor, quantidade e preços dos principais produtos primários constantes nas pautas de exportação e de importação do Brasil em 1995 e 1996, bem como as projeções que têm sido realizadas com respeito às cotações dessas mercadorias nos principais mercados internacionais.

COMÉRCIO EXTERNO BRASILEIRO DE COMMODITIES

 

US$ bilhões

Comp. %
da Pauta

VARIAÇÃO PERCENTUAL

 

 

 

Valor

Quanti-
dade

Preço Médio

PREÇOS(a)

 

1995

1996

(1995)

(1996/95)

(1996/95)

(1996/95)

(1996/95)

(1997/96)

EXPORTAÇÕES

Soja em grão

0,77

1,02

5,27

32

4

27

18

-3

Soja em farelo

2,00

2,73

13,4

37

-3

41

36

-3

Fumo

1,18

1,52

7,9

29

14

14

16

3

Café

2,43

2,10

16,3

-14

7

-19

-19

40

Alumínio

1,22

1,07

8,2

-12

1

-13

-17

5

Celulose

1,45

0,95

9,7

-34

11

-41

-41

3

Açúcar

1,04

0,94

7,0

-10

-5

-6

-10

-8

Óleo de soja

1,03

0,69

6,9

-34

-26

-10

-12

1

Suco de laranja

1,11

1,39

7,4

26

23

3

3

-7

Minério de ferro

2,55

2,70

17,1

6

-1

7

6

2

Cacau

0,12

0,16

0,8

38

35

3

2

5

Total/Média (b)

14,87

15,25

100,0

2,5

2,9

0,0

-1,7

4,7

IMPORTAÇÕES

Soja em grão

0,19

0,24

3,9

26

7

18

18

-3

Milho

0,16

0,08

3,2

-52

-76

94

35

-28

Trigo

0,91

1,29

18,8

41

31

8

18

-15

Arroz

0,28

0,30

5,7

8

-15

27

6

-3

Petróleo

2,59

3,46

53,3

34

10

22

20

-7

Algodão

0,54

0,86

11,2

58

103

-23

-17

-2

Borracha

0,18

0,14

3,7

-23

-16

-8

-12

-5

Total/Média(b)

4,86

6,36

100,0

31,0

19,0

15,4

13,5

-8,3

FONTES: Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, Banco Mundial - Commodity Markets and the Developing Countries (February 1997) -, Projeto Link - Pre-Meeting Forecasts (Spring 1997) - e Gazeta Mercantil.
(a)cotações internacionais nas principais bolsas de mercadorias e projeções.
(b) ponderado pelas respectivas pautas de 1995.

Utilizando-se como ponderação as respectivas composi-ções das pautas de exportação e importação brasileiras em 1995, é possível estimar, a partir das cotações desses produtos nas principais bolsas internacionais, uma pequena redução no preço médio das commodities exportadas pelo Brasil no ano passado, que, segundo os atuais fundamentos em cada um desses mercados, deverá se reverter e se transformar em um crescimento projetado da ordem de 5% em 1997. Em relação aos produtos primários importados pelo Brasil, por outro lado, observou-se uma elevação média da ordem de 15%, mas que, de maneira inversa, deverá acumular neste ano corrente uma redução da ordem de 8%.

De fato, com relação aos produtos agrícolas, os preços dos grãos, que se haviam contraído na segunda metade do ano passado - em resposta às estimativas de crescimento da produção mundial (safra 1996/97) em cerca de 8% (sendo mais de 20% nos Estados Unidos, cuja safra anterior fora fortemente prejudicada por condições climáticas adversas) -, encontravam-se em fins de 1996 em patamares realmente bastante reduzidos. No entanto, ao contrário do que se tem observado nos mercados do milho e do trigo (produtos constantes da pauta de importação brasileira), os preços da soja e dos seus produtos (exportados pelo Brasil) voltaram a se elevar fortemente nos primeiros meses de 1997, atingindo patamares até mesmo superiores àqueles observados há um ano. As principais explicações para esse comportamento diferenciado residem na manutenção da tendência de redução dos estoques finais de soja e seus produtos nos Estados Unidos, na sensivelmente menor demanda chinesa por milho e trigo e no forte crescimento das ofertas canadense e australiana de trigo e argentina de ambos os produtos. As projeções correntes, no entanto, ainda apontam para uma pequena queda nas cotações internacionais da soja (tanto em grão quanto em farelo) - ainda que de magnitude sensivelmente inferior às redu-ções previstas nos preços do trigo e do milho - e uma pequena alta na cotação do óleo de soja.

Os preços internacionais do fumo (terceiro item da pauta de produtos básicos das exportações brasileiras) elevaram-se 16% em 1996, devido à quebra da safra 1995/96 nos Estados Unidos e à redução da ordem de 7,5% dos estoques mundiais no ano passado. As projeções do Banco Mundial são de que, em 1997, os preços deverão apresentar uma elevação adicional de 2,6%, indicando a manutenção dos atuais fundamentos de oferta e demanda nesse mercado.

Também os preços do café (do qual o Brasil é o maior produtor e exportador e, atualmente, o segundo maior consumidor mundial) apresentaram nos primeiros meses de 1997 uma forte elevação, acumulando ao longo do primeiro trimestre do ano uma alta de cerca de 60% e alcançando valores inéditos desde as geadas que atingiram as lavouras brasileiras em 1994. As incertezas acerca da safra 1997/98 do Brasil (a ser colhida entre maio e setembro) e uma longa greve de portuários na Colômbia têm sido apontadas como os fatores responsáveis por esse movimento nos preços. De fato, há algum tempo as cotações do café vêm apresentando significativo potencial de instabilidade, devido aos fortemente reduzidos e decrescentes estoques acumulados junto aos países consumidores - em parte explicados pela crescente adoção de processos do tipo just in time nas indústrias de torrefação.

A despeito das dúvidas que ainda persistem quanto ao comportamento futuro dos preços internacionais do café, os números do Projeto Link (um consórcio internacional e não-governamental de pesquisa, com participantes de mais de 60 países, coordenado pelas Nações Unidas e pela Universidade de Toronto) de março de 1997 apontam para valores neste ano 40% em média superiores aos vigentes em 1996.

No grupo dos metais, o preço do alumínio (o mais importante produto semimanufaturado da pauta de exportação do Brasil) comprimiu-se 16,5% em 1996 em relação à média do ano anterior. Desde outubro passado, no entanto, as suas cotações têm-se recuperado, acumulando, em fins de março, 25% de alta. O crescente aumento de utilização da capacidade instalada nos principais países produtores deverá acarretar algum arrefecimento dos preços no segundo semestre deste ano. Não obstante, as projeções correntes apontam para preços em média 5% superiores aos observados no ano passado. Já contratos para 1997 referentes ao comércio internacional de minério de ferro deverão, segundo o Banco Mundial, apresentar valores cerca de 1,5% mais elevados, constituindo a terceira alta consecutiva desde 1995.

Com relação à celulose (o segundo mais importante item da pauta de exportação de semimanufaturados), seus preços apresentaram uma redução da ordem de 40% no ano passado, após terem se elevado mais de 50% e atingido patamares recordes em meados de 1995. As previsões mais recentes apontam para uma pequena recuperação das cotações em 1997 (ao redor de 3,5%), sugerindo que pelo menos não deverão se observar neste ano reduções adicionais significativas.

A cotação internacional do suco de laranja, a despeito de ter se reduzido 35% entre maio e dezembro de 1996, acumulou uma alta de aproximadamente 2,5% na média do ano em relação à de 1995. Os preços esboçaram alguma recuperação no início de 1997, em função dos possíveis danos decorrentes de geadas na Flórida - que efetivamente não se concretizou -, mas, segundo as projeções correntes, deverão acumular uma queda da ordem de 7,5% neste ano. O açúcar é outro importante produto da pauta de exportação brasileira que, em termos de variação de preços no mercado internacional, não deverá apresentar desempenho muito satisfatório, pois a commodity é tida como abundante no mercado mundial. Seus preços, após terem se reduzido 10% no ano passado, deverão comprimir-se em 8 a 9% adicionais em 1997, segundo as previsões mais recentes.

Por fim, os preços do cacau, do qual o Brasil é um dos maiores produtores mundiais, deverão elevar-se em 1997 cerca de 5,5%, segundo o Banco Mundial, caso se confirmem as estimativas de reduções da ordem de 10 a 15% que têm sido esperadas para a produção africana.

Com relação à pauta das commodities importadas, o Brasil vem-se tornando o maior consumidor mundial de algodão, cujas cotações, que em média haviam-se reduzido 17% no ano passado, deverão ser ainda de 1 a 2% inferiores em 1997, segundo as projeções mais recentes. Esse movimento se explica pela menor demanda chinesa (onde os estoques encontram-se bastante elevados) e pelo significativo aumento da produção de algodão nos Estados Unidos (a segunda maior safra da história, segundo o Departamento de Agricultura americano), na África e na Austrália.

A cotação do barril de petróleo - o mais importante item da pauta de importação do Brasil - elevou-se 19,5% em 1996 em relação à média do ano anterior, consubstanciando um movimento praticamente contínuo iniciado em julho daquele ano (1995). Essa trajetória de alta tem sido explicada pelos rigores do inverno (1995/96) no hemisfério norte, período em que a demanda é sazonalmente mais aquecida, e pelos baixos estoques retidos pelas refinarias - seja porque esperavam uma queda dos preços em resposta ao retorno do Iraque ao mercado, seja em função da adoção de procedimentos de gerenciamento de estoques do tipo just in time.

Nos primeiros meses de 1997, no entanto, os preços reduziram-se fortemente e encontravam-se, no início de abril, em patamares inferiores à média de 1996. De fato, as análises mais recentes têm projetado para 1997 preços de 5 a 10% inferiores à média vigente no ano passado, como resultado de um crescimento previsto da oferta mundial - da ordem de 4,2%, fundamentalmente devido ao efetivo retorno das exportações iraquianas, a incrementos significativos na produção do Mar do Norte e à manutenção do bom desempenho das exportações líquidas russas - mais intenso do que o da demanda (2,6%), no curto prazo.

O preço internacional do arroz (quinto item da pauta dos produtos básicos), que em 1996 foi em média 5,7% inferior ao vigente no ano anterior, deverá, sem embargo, reduzir-se em mais 2,7% em 1997, graças às safras recordes a serem colhidas na China e na Índia, os maiores produtores mundiais.

Por último, as cotações da borracha natural, embora tenham se reduzido cerca de 12% em 1996, encontravam-se em dezembro mais de 50% superiores às vigentes em 1993. A recente ratificação da terceira rodada do Acordo Internacional de Borracha Natural (INRA), uma associação de países consumidores e produtores dessa mercadoria, deverá implicar a reativação do esquema de controle dos preços através de estoques reguladores internacionais, acarretando menor volatilidade das cotações e, possivelmente, uma pequena redução nos preços médios vigentes em 1997.

Adicionalmente às perspectivas descritas acima - preços internacionais de importantes commodities exportadas pelo Brasil em geral mais elevados em 1997, observando-se o contrário com respeito àquelas presentes na pauta dos importados -, deve-se apontar que a isenção, determinada em outubro, do ICMS incidente sobre as exportações da maioria dos produtos aqui analisados deverá acarretar, tudo o mais constante, uma elevação na remuneração esperada pelos exportadores e, por conseqüência, um aumento nos quanta de exportação dessas mercadorias, ampliando assim os efeitos favoráveis dos movimentos previstos para os preços das commodities.

À guisa de exercício, e com vistas apenas a quantificar isoladamente o impacto resultante dessas variações esperadas nas cotações, isto é, combinando-se as trajetórias estimadas para os preços, tanto com respeito às pautas de exportados quanto de importados, e mantendo constantes as quantidades comercializadas em 1996 (de fato, uma hipótese conservadora), seria possível obter um aumento do saldo da balança brasileira de commodities da ordem de US$ 1,2 bilhão.

Sumário e Projeções

Em 1996, a balança comercial brasileira das principais commodities internacionais acumulou um superávit de mais de US$ 8,8 bilhões, resultado, no entanto, US$ 1,1 bilhão inferior ao saldo do ano anterior. Os movimentos das cotações internacionais dos produtos primários no início de 1997 e as perspectivas que têm sido elaboradas recentemente vêm apontando para resultados mais favoráveis ao saldo externo líquido do comércio brasileiro de commodities neste ano, principalmente quando se tem em conta as respectivas composições das pautas de exportação e importação dessas mercadorias.

Com relação ao nível de atividade no âmbito da OCDE, observou-se no último trimestre de 1996 que o desempenho das principais economias industrializadas foi marcado por uma inflexão na trajetória de crescimento. De um lado, Estados Unidos, Japão, Reino Unido e Canadá expandiram-se relativamente na mesma magnitude e, de outro, Alemanha, França e Itália apresentaram uma fraca performance.

Com relação ao comportamento da inflação, as elevadas taxas de desemprego, o relativamente lento crescimento dos países da Europa Continental e a desaceleração da economia japonesa no segundo e terceiro trimestre de 1996 contribuíram para manter ausentes as pressões inflacionárias nos países industrializados. As perspectivas para a inflação em 1997 permanecem bastante favoráveis, levando-se em conta que a maioria dos países industrializados, com exceção dos Estados Unidos e do Reino Unido, ainda se encontra operando com elevadas margens de capacidade ociosa e taxas extremamente altas de desemprego, e que não se espera, para esse ano, uma elevação significativa das taxas de inflação nos Estados Unidos e na Inglaterra (TABELAS 1 A 4).

Com relação à política monetária nos principais países industrializados, observou-se somente um aperto nos Estados Unidos (os Federal funds, em 25 de março último, foram elevados em 0,25 ponto percentual, atingindo para 5,5%) em função dos sinais de um crescimento vigoroso da economia no último trimestre de 1996 e primeiro de 1997, mesmo sob a presença de estabilidade das taxas de inflação. Por outro lado, o lento crescimento na Alemanha e os sinais de desaceleração da economia japonesa levaram os Bancos Centrais desses países a manter inalteradas as taxas de juros de curto prazo.

Os países industrializados, de forma agregada, acumularam em 1996 um déficit externo (em conta corrente) da ordem de US$ 29,2 bilhões, segundo estimativas do Banco de Investimentos Goldman Sachs, aproximadamente 3,9% superior ao saldo negativo observado em 1995. O relativo maior dinamismo das importações de mercadorias nas principais economias desenvolvidas no ano passado - considerando-se os respectivos valores convertidos em dólar - pode ser creditado, dentre os principais fatores, à manutenção do movimento de valorização da moeda americana, ao encarecimento do preço internacional do petróleo e à evolução do nível de atividade em cada um desses países. De fato, em 1996 se observou fundamentalmente uma redução absoluta do superávit comercial japonês e um agravamento do déficit externo dos Estados Unidos, enquanto na União Européia, ainda apresentando um ritmo relativamente lento de crescimento econômico, verificou-se uma expansão das exportações superior ao das importações dos seus membros.

O comércio mundial de mercadorias experimentou um incremento de 4% em 1996, em termos de quantum, segundo relatório recente da Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa taxa, no entanto, representa uma significativa desaceleração, após os fortes crescimentos observados de 10 e 8,5%, respectivamente, em 1994 e 1995.

Por fim, com relação aos países do Mercosul, observa-se um movimento de recuperação em todas as três economias. Os indicadores de produção industrial na Argentina no primeiro bimestre de 1997 confirmam a fase expansiva da economia. As estimativas do aumento do PIB, realizadas tanto pelo governo como pelos analistas privados, apontam para um crescimento anual superior a 5%, liderado por dois componentes da demanda agregada: as despesas de consumo e as de investimento, reproduzindo, assim, as características do ciclo econômico verificado no período 1991/94.

As estimativas preliminares do Banco Central do Paraguai indicam um crescimento do PIB entre 1,3% e 1,5%, em 1996. As projeções oficiais para 1997 fixam uma meta de crescimento econômico de 3% e uma taxa de inflação de 8%, a qual, no entanto, deverá frustrar-se, já que o IPC acumulou uma variação de 5,3% nos três primeiros meses do corrente ano. A economia uruguaia registrou um crescimento de 4,9% em 1996, muito acima das expectativas oficiais no início do ano, em torno de 1%. Os primeiros indicadores relativos ao nível de atividade em 1997 apontam para a manutenção do crescimento neste ano. O Informe de Conjuntura elaborado pela Faculdade de Ciências Econômicas e de Administração do Uruguai prevê para 1997 um crescimento econômico de, no mínimo, 3%, baseado, principalmente, no comportamento das exportações e do investimento. A taxa de inflação deverá ultrapassar a meta governamental e situar-se em torno de 20%. Todos os analistas apontam para um crescimento do déficit fiscal, em nível superior a 2% do PIB.

 

Tabela 1 - Sumário de Previsões - Países Industrializados
 Variação Percentual

Ano

Produto

Inflação (IPC)

Balança Corrente

Comércio Maundial

OCDE

LINK

G.S.

OCDE
(a)

LINK
(b)

G.S.

OCDE

G.S.

OCDE

G.S.

1996

2,4

2,5

2,3

4,1

1,8

2,2

-0,1

-0,3

6,1

4,5

1997

2,4

2,4

2,4

3,6

2,1

2,3

0,0

-0,4

6,7

7,2

1998

2,7

2,6

2,4

3,2

2,1

2,6

0,1

-0,5

7,3

6,3

Fontes: OECD Economic Outlook, dezembro de 1996; Goldman Sachs, março de 1997; Project Link pre-meeting forecasts, março de 1997; (a) Deflator do PIB; (b) Deflator do consumo privado.

Tabela 2 - Sumário de Previsões - Estados Unidos
 Variação Percentual

Ano

Produto

Inflação (IPC)

Balança Corrente

Comércio Maundial

OCDE

LINK

G.S.

OCDE
(a)

LINK
(b)

G.S.

OCDE

G.S.

OCDE

G.S.

1996

2,4

2,4

2,5

2,0

3,0

2,9

-1,6

-1,7

-2,1

-2,2

1997

2,2

2,7

2,9

2,1

2,9

3,2

-1,8

-1,2

-2,0

-2,3

1998

2,0

2,1

1,8

2,1

3,1

3,4

-1,8

-0,6

-2,0

-2,2

Fontes: OECD Economic Outlook, dezembro de 1996; Goldman Sachs, março de 1997; Project Link pre-meeting forecasts, março de 1997; (a) Deflator do PIB.

Tabela 3 - Sumário de Previsões - Japão
 Variação Percentual

Ano

Produto

Inflação (IPC)

Balança Corrente

Comércio Maundial

OCDE

LINK

G.S.

OCDE
(a)

LINK
(b)

G.S.

OCDE

G.S.

OCDE

G.S.

1996

3,6

3,4

3,6

-0,1

0,1

0,0

-4,1

-5,8

1,4

1,4

1997

1,6

1,4

1,7

0,5

1,2

0,7

-2,6

-4,1

1,4

1,1

1998

3,7

2,4

1,9

0,0

0,9

0,7

-2,3

-3,7

1,5

0,9

Fontes: OECD Economic Outlook, dezembro de 1996; Goldman Sachs, março de 1997; Project Link pre-meeting forecasts, março de 1997; (a) Deflator do PIB.

Tabela 4 - Sumário de Previsões - Alemanha
 Variação Percentual

Ano

Produto

Inflação (IPC)

Balança Corrente

Comércio Maundial

OCDE

LINK

G.S.

OCDE
(a)

LINK
(b)

G.S.

OCDE

G.S.

OCDE

G.S.

1996

1,1

1,4

1,4

1,3

1,5

1,5

-4,1

-3,9

-0,7

-0,9

1997

2,2

2,2

2,2

1,2

1,8

1,9

-3,4

-3,4

-0,2

-0,8

1998

2,6

2,5

2,8

1,3

2,0

2,5

-2,6

-2,9

0,0

-0,8

Fontes: OECD Economic Outlook, dezembro de 1996; Goldman Sachs, março de 1997; Project Link pre-meeting forecasts, março de 1997; (a) Deflator do PIB.

Tabela 5 - Sumário de Previsões - Mercosul
 Variação Percentual
 ArgentinaParaguaiUruguaiBrasil
AnoPIBInfl.Bal.
Corr.
(%PIB)
PIBInfl.Bal.
Corr.
(%PIB)
PIBInfl.Bal.
Corr.
(%PIB)
PIBInfl.Bal.
Corr.
(%PIB)
1995-4,61,6-0,94,710,9-10,0-2,435,4-2,24,123,2-2,6
19963,50,6-1,52,812,7-9,71,429,7-2,22,910,4-2,9
19975,01,9-2,03,211,5-10,52,524,0-1,64,07,7-3,3
Fontes: Latin American Consensus Forecats, dezembro 1996.