
Grupo dos 7NÍVEL DE ATIVIDADEO panorama da economia mundial para o próximo ano, segundo o World Economic Outlook de outubro do FMI, deverá continuar caracterizado por um quadro de crescimento econômico, muito próximo do compasso atual. A previsão para os países industrializados é de uma expansão de 3,8% em 1996 e uma suave aceleração para algo próximo a 4% em 1997. Já para o conjunto dos países em desenvolvimento, a expansão deverá ser em torno de 6% no próximo ano (a mesma prevista para 1996). O desempenho em 1997 do nível de atividade deste grupo deverá ser ainda bastante diferenciado. O foco mais dinâmico de crescimento deverá continuar sendo os países asiáticos (7,5%). A América Latina deverá expandir-se em 5%, um ponto percentual abaixo do desempenho previsto para o continente africano. Nos Estados Unidos, o nível de atividade, medido pela taxa anualizada de variação do PIB sazonalmente ajustado, cresceu 4,8% no segundo trimestre de 1996, mostrando uma forte aceleração em relação aos 2% do período anterior. Isto, por sua vez, se constitui em um desempenho bem acima das expectativas formadas ao final de 1995, quando se acreditava em uma expansão bem mais modesta ao longo de 1996. Os sinais de uma eventual desaceleração ainda não são claros, com as estimativas, segundo o Consensus Forecasts de setembro, apontando para um crescimento de 2,4% em 1996, sendo o mesmo número projetado para 1997. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, tem apresentado um movimento consistente de alta, revertendo, assim, a trajetória de desaceleração observada ao longo de 1995. A partir de janeiro deste ano, o produto da indústria passou a crescer de maneira mais robusta, atingindo 4% em julho e 3,4% em agosto. A taxa de desemprego atingiu 5,1% em agosto, contra 5,6% do mesmo mês do ano anterior.
Em meados de 1994, no auge do aquecimento da economia americana, esse indicador vinha declinando até atingir o nível de 6% que, supostamente, deveria desencadear uma aceleração das taxas de inflação, denotando um superaquecimento do nível de atividade. Mesmo assim, apesar da desaceleração da economia americana observada em 1995, o comportamento da trajetória da taxa de desemprego continuou suavemente declinante. Durante 1996, explicado em boa medida pela reaceleração econômica no primeiro semestre, esse indicador voltou a apresentar nova queda sem ser acompanhado por uma elevação significativa no nível geral de preços. Todo esse comportamento tem levado a uma reestimativa do nível mínimo que o desemprego poderia chegar sem desencadear uma reação ascendente na inflação - conhecido como o conceito de Taxa de Desemprego Não-Aceleradora da Inflação (TDNAI). O desempenho do mercado de trabalho tem sido bastante razoável, principalmente se comparado com o dos países europeus. O processo de downsizing por que têm passado as empresas americanas - fruto, em boa parte, da globalização e da conseqüente diminuição dos custos em busca de competitividade - tem gerado cortes intensos no número de postos de trabalho, o que não tem impedido a redução do desemprego, o crescimento dos salários e até uma melhoria no sentimento dos americanos em relação à situação econômica nesses últimos dois anos (segundo comportamento do índice de confiança dos consumidores do Conference Board). Em setembro, esse indicador já acumulava uma elevação de 25% desde janeiro, o que, por sua vez, revela um bom ambiente para os gastos de consumo.
No Japão, a projeção do Consensus Forecasts de setembro, já levando em conta o bom desempenho dos primeiros três meses de 1996 (quase 13% na taxa anualizada) aponta para um crescimento de 3,7% neste ano - um ponto de percentagem acima do número divulgado em junho - mas prevendo uma desaceleração para 1,8% em 1997. O Banco do Japão, na sua análise trimestral sobre o desempenho da economia no curto prazo, espera uma desaceleração nos próximos trimestres em relação ao observado no período compreendido entre outubro de 1995 e março de 1996, mas enfatiza que a economia continua em rota suave de recuperação. De fato, no segundo trimestre de 1996, o PNB, sazonalmente ajustado, reduziu-se em 2,9%, quando medido pela taxa trimestral anualizada, revertendo o movimento de aceleração do nível de atividade observado ao longo de 1995 e início deste ano. Se observarmos, no entanto, a taxa de expansão em relação ao mesmo período do ano anterior, verificaremos um crescimento de 3,4%. Nesse período, dois fatores, em conjunto, constituíram-se em obstáculo ao crescimento. Os gastos privados tiveram uma retração de 1,3%, depois de subirem 2,4% no trimestre anterior, o que teria subtraído 0,8% no crescimento do PIB. Além disso, os investimentos públicos expandiram-se apenas 0,6%, contra 8,7% anteriormente, contribuindo somente em 0,1%. Contudo, revertendo um movimento de dois anos, o deflator do PNB foi positivo neste período, refletindo de alguma forma a recuperação da demanda e, muito provavelmente, pondo fim à deflação que estava associada à estagnação econômica dos últimos quatro anos. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, também respondeu à retomada econômica, mantendo-se em trajetória ascendente ao longo do primeiro semestre deste ano. Em julho cresceu 6%, caindo, porém, para 2,2% em agosto. A taxa de desemprego, ainda a mais baixa entre os países industrializados, elevou-se de 2% no início de 1992 para 3,6% em maio de 1996, um aumento de 80%. A partir de então, ocorreu um estancamento nessa tendência com uma queda para 3,3% em agosto. A transição de um quadro de estímulo fiscal para um outro de contração fiscal lança, sem dúvida, um risco apreciável de estancar a trajetória de crescimento por que passa a economia japonesa. Sendo assim, existem fortes pressões políticas para que se adotem algumas medidas adicionais para o fortalecimento do processo de recuperação. Um outro pacote fiscal, avaliado em US$ 27,8 bilhões, está em estudo, mesmo considerando o atual patamar da dívida pública bruta de 95% do PIB. O governo japonês, sensível a qualquer medida que possa tornar mais consistente o atual processo de recuperação, está apreciando uma importante demanda política (de um segmento do PLD) para adiar o aumento do imposto sobre o consumo, prometido para abril de 1997. A política monetária deverá continuar dando suporte ao crescimento em 1996. Na Alemanha, o PIB do lado ocidental, sazonalmente ajustado, mostrou um bom desempenho no segundo trimestre, quando cresceu 6% pela taxa trimestral anualizada. Segundo dados revistos para os três primeiros meses deste ano, a queda de 1,5% agora se transformou em um crescimento de 0,7%, o que demonstra um desempenho razoável no primeiro semestre deste ano. As previsões do Consensus Forecasts de setembro para 1996 são de uma expansão de 0,9%, acelerando-se para 2 % em 1997. A produção industrial, pela taxa de 12 meses, ao longo deste ano contraiu-se vários meses (janeiro, março e abril), mas, recentemente, cresceu 1% em junho e as expectativas são de que continue nesse passo devido ao aumento das encomendas para a indústria segundo dados de julho e agosto. Essa aparente recuperação ainda não se refletiu no mercado de trabalho, em que a situação continua bastante crítica e com poucas perspectivas de melhora no curto prazo. O custo unitário da mão-de-obra na indústria é o mais elevado (US$ 30) se comparado a seus principais concorrentes, que se encontram, em geral, abaixo dos US$ 20 (no Japão está menor do que os US$ 25). Com relação às estatísticas de desemprego da Alemanha Ocidental, a série foi interrompida em julho de 1995, quando estava em 6,8%. Para a Alemanha unificada, esse indicador se encontra acima dos 9%, patamar preocupante para a estabilidade social. Em maio e junho alcançaram, respectivamente, 9,4 e 9,3%. A tentativa do governo Kohl de reduzir o déficit público dos 3,9% do PIB em 1995 para o teto máximo de 3%, fixado em Maastricht, conduziu o processo para a aprovação do orçamento fiscal enviado para o Congresso. Impuseram-se cortes nas despesas de quase todos os ministérios como estratégia de alcançar a meta de 25 bilhões de marcos alemães. Além disso, o ministro Theo Waigel ainda pretende cortar 20 bilhões de marcos nos fundos de pensão e seguros estatais e convencer os 16 Lander (estados alemães) a cortar mais 25 bilhões de marcos nos seus gastos projetados. O governo tem em mente colocar em marcha uma série de reformas estruturais que possibilitem melhorar a competitividade internacional da economia alemã a longo prazo. Na França, o PIB, sazonalmente ajustado e medido pela taxa trimestral, após o bom desempenho dos primeiros três meses deste ano (5%), voltou a se contrair 1,6%. As projeções do Consensus Forecasts de setembro para 1996 são de um crescimento de apenas 1,2%, mas acelerando-se em 1997 para 2,1%, o mesmo ritmo observado no ano passado (2,2%). A produção industrial, pela taxa de 12 meses, tem refletido essa performance e declinado constantemente a partir de fevereiro. Foram quedas de 1% em março, de 0,5% em abril e junho e 0,7% em maio. A taxa de desemprego também foi impactada e atingiu 12,5% em julho e 12,6% em agosto, quase um ponto de percentagem superior aos mesmos meses do ano anterior. A política do franc fort - câmbio franco-marco estável - não permite estimular a economia no curto prazo, na medida em que impede o Banco da França de usar a política monetária de forma mais adequada, via queda mais significativa das taxas de juros. O governo francês pretende reduzir o déficit público de 4% do PNB em 1996 para 3% em 1997. Os aumentos de impostos sobre cigarros, álcool e outros itens, captação de US$ 5,8 bilhões como parte do acordo relativo à privatização da empresa de telecomunicações France Télécom, em função do qual o governo assume o pagamento de pensões para seus funcionários, combinados aos cortes de gastos e na suposição de que a economia cresça em torno de 2,5%, são partes integrantes dessa estratégia do governo da França para chegar próximo ao teto de Maastricht. No Reino Unido, o ritmo de crescimento da economia teve uma aceleração do primeiro para o segundo trimestre de 1996. O PIB sazonalmente ajustado, em uma base trimestral anualizada, expandiu-se 1,8%, nos primeiros três meses, e 2,3% no período seguinte. As projeções do Consensus Forecasts de setembro são de um crescimento de 2,1% em 1996 e um aumento para 3,3% em 1997. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, encontra-se em trajetória de desaceleração. Após crescer 1,7% em junho, diminuiu para 0,8% em julho e agosto o seu ritmo de expansão. A taxa de desemprego continua declinante, atingindo 7,7% em maio e junho, voltando a se reduzir nos meses de julho e agosto para 7,6 e 7,5%, respectivamente. INFLAÇÃOA desaceleração do ritmo de crescimento na Europa no segundo semestre de 1995 e início de 1996, mais forte do que estimada inicialmente, contribuiu para manter ausentes as pressões inflacionárias nos países do G-7, apesar do elevado crescimento experimentado pela economia americana no segundo trimestre do ano. Como se pode observar no GRÁFICO 3, a variação do índice de preços ao consumidor dos países do G-7, no acumulado de 12 meses, manteve-se praticamente estável desde o início de 1996, oscilando entre 2,2 e 2,4%. As perspetivas para a inflação ainda permanecem bastante favoráveis, levando-se em conta que as economias da maioria desses países ainda operam com elevadas margens de capacidade ociosa e altas taxas de desemprego.
Nos Estados Unidos, apesar do excelente desempenho da economia no segundo trimestre do ano e da baixa taxa de desemprego, a taxa de inflação, medida pela variação do índice de preços ao consumidor, no acumulado de 12 meses, manteve-se relativamente estabilizada ao longo de 1996: partindo de 2,7% em janeiro, alcançou 3% em junho, voltando a cair para 2,9% em agosto. Em nível de atacado, no entanto, esta apresentou um ligeiro movimento de alta, elevando-se de 2,3% em janeiro para 3% em agosto. A divulgação do índice de preços ao consumidor de agosto, bem como o anúncio pelo Departamento do Trabalho de uma redução de 40 mil postos de trabalho não-agrícolas em setembro, a primeira desde janeiro, após um expansão de 239 mil em agosto, sinalizando que a economia pode estar se desacelerando, reforçou a percepção dos analistas de que inexistem sinais de uma reaceleração inflacionária. Outro dado apontando na mesma direção é o de que a capacidade instalada na indústria tem crescido aproximadamente no mesmo ritmo da produção, sendo o nível de utilização da capacidade instalada em agosto último (83,5%), praticamente igual ao observado em agosto de 1995 (83,9%). As previsões do Consensus Forecasts de setembro apontam para uma inflação de 3% em 1996 e 3,1% em 1997, ligeiramente superior aos 2,8% registrados em 1995. Quanto à Alemanha, a variação em 12 meses do índice de preços ao consumidor apresentou a partir do segundo semestre de 1995 um movimento de queda, alcançando 1,4% em agosto último, 0,8 ponto de percentagem inferior ao valor registrado em julho de 1995. Em nível de atacado, observa-se também um movimento de queda, ainda mais acentuado, desde setembro de 1995, tendo a taxa de inflação, no acumulado de 12 meses, caído de 2,5% para -0,1% em junho último. As elevadas taxas de desemprego e de capacidade ociosa, que resultaram da forte desaceleração do nível de atividade a partir do segundo semestre de 1995, explicam a queda da inflação no período. Apesar de os dados mais recentes, relativos ao terceiro trimestre do ano, estarem indicando uma recuperação da economia, a inflação está sob controle e os acordos salariais ocorridos no ano foram bastante moderados. As previsões do Consensus Forecasts de setembro indicam taxas de inflação de 1,5 e 1,8%, respectivamente, em 1996 e 1997. No Japão, a taxa de inflação, medida pela variação do índice de preços ao consumidor no acumulado de 12 meses, apresentou um ligeiro movimento de alta desde o início do ano: de -0,4% em janeiro, esta alcançou 0,2% em agosto, indicando, assim, que a tendência deflacionária experimentada pela economia japonesa teria chegado ao fim, em decorrência da recuperação observada no início de 1996. Em nível de atacado, a inflação tem se mantido estável entre -0,9 e -0,8% nos oito primeiros meses do ano. Recentemente, a persistente acumulação de estoques na indústria, em virtude de crescimento menor do que o esperado no segundo trimestre, pode estar mostrando que a economia poderá voltar a se desacelerar em 1997. As elevadas margens de capacidade ociosa da economia e a alta taxa de desemprego para os padrões japoneses indicam que uma retomada do ritmo de crescimento da economia é compatível com a ausência de pressões inflacionárias. As previsões do Consensus Forecasts de setembro apontam para uma inflação em 1996 e 1997 de, respectivamente, 0,3 e 1,2%. No Reino Unido, a taxa de inflação apresentou movimento de queda a partir de setembro de 1995, atingindo 2,1% em agosto último, 1,7 ponto percentual inferior ao valor observado em setembro do ano passado. O bom comportamento da inflação no período pode ser explicado pelo crescimento da economia abaixo da taxa de crescimento tendencial nos dois primeiros trimestres do ano. Apesar da expectativa de um crescimento mais vigoroso no segundo semestre, os aumentos salariais têm sido moderados e a existência de margem ociosa de capacidade instalada deverá permitir que a inflação continue a declinar, ou pelo menos se manter estável até o final do ano. As projeções do Consensus Forecasts de setembro apontam para uma inflação em 1996 de 2,3%, mas que deverá se elevar ligeiramente, no entanto, em 1997 para 2,9 %. Já na França, a taxa de inflação apresentou um movimento de queda a partir de maio último - possivelmente explicada pela contração da economia no segundo trimestre do ano -, alcançando 1,6% em agosto. Apesar da expectativa de uma retomada da economia a partir do segundo semestre do ano, a elevada taxa de desemprego (12,3% estimada para 1996) permitirá uma recuperação do crescimento com a inflação estável ou mesmo em queda. As projeções do Consensus Forecasts de setembro apontam para uma inflação em 1996 e 1997 de, respectivamente, 2 e 1,7%. POLÍTICA MONETÁRIA E MERCADOS FINANCEIROSApesar do aquecimento da economia americana - e, em menor grau, da japonesa-, no segundo trimestre do ano, os Estados Unidos e o Japão mantiveram inalteradas suas taxas de juros de curto prazo, enquanto a Alemanha reduziu a sua repo rate de 3,3% para 3% no final de agosto, mantendo, no entanto, inalterada a taxa de redesconto em 2,5%. As baixas taxas de inflação e a ênfase colocada no ajustamento fiscal deverão contribuir para manter relativamente baixas as taxas de juros. Elevações das taxas de juros de curto prazo pelas autoridades monetárias, em resposta à retomada do crescimento, deverão ser graduais e mais intensas somente a partir de 1997. Nos Estados Unidos, apesar do vigor demonstrado pela economia no segundo trimestre do ano e das baixas taxas de desemprego, o FED, contrariando as expectativas do mercado, manteve inalterada a taxa dos Federals Funds em 5,25%. A posição do FED pode ser justificada pelo bom comportamento da inflação e pelos primeiros indícios, no terceiro trimestre do ano, de que a economia estaria se desacelerando. Caso esses indícios se confirmem, caracterizando um quadro de crescimento moderado com inflação estável, é possível que o FED mantenha inalterada a taxa de juros de curto prazo, ainda que a mais longo prazo a expectativa seja de elevação das taxas de juros dos Federals Funds (GRÁFICO 4). As taxas de retorno dos títulos do governo de longo prazo, que se haviam elevado significativamente nos primeiros meses do ano, como resultado das mudanças das expectativas com relação à evolução das taxas de juros de curto prazo, recuaram ligeiramente a partir de agosto, após a decisão do FED de manter inalterada a taxa de juros. As últimas projeções do Consensus Forecasts de setembro para as taxas de juros dos títulos de 10 anos do governo são de que estas se mantenham no atual patamar de 6,9% até o final do ano, caindo ligeiramente para 6,8% em um horizonte de 12 meses (GRÁFICO 5).
Na Alemanha, o Bundesbank promoveu um corte maior do que o esperado pelo mercado na taxa de juros praticada nos leilões de recompra de títulos do governo (repo rate), levando-a para 3%, mantendo, no entanto, inalterada a taxa de redesconto em 2,5%. Com a inflação sob controle e com uma política fiscal contracionista, não existe, a curto prazo, qualquer indício de elevação da taxa de redesconto. Em um horizonte mais amplo de tempo, no entanto, espera-se uma elevação dos juros de curto prazo, atualmente em níveis historicamente baixos, uma vez que a economia dê sinais inequívocos de uma recuperação mais vigorosa. Com relação às taxas de juros dos títulos do governo de 10 anos, as projeções do Consensus Forecasts de setembro são de que estas se mantenham no atual patamar de 6,5% até o final do ano, elevando-se para 6,8% em 12 meses. No Japão, apesar da retomada do crescimento observada no primeiro semestre, marcando o fim de três anos de estagnação econômica, o Banco Central do Japão (BOJ) manteve inalterada a sua taxa de redesconto. Recentemente, as taxas de juros de longo prazo têm apresentado um movimento de alta, refletindo a expectativa de elevação da taxa de juros de curto prazo - como resultado do crescimento - que, no entanto, só deverá ocorrer em 1997. Com relação às taxas de juros dos títulos de 10 anos do governo, o Consensus Forecasts de setembro prevê que estas se mantenham no atual patamar de 3,2% até o final do ano e se elevem para 3,6% em um horizonte de 12 meses. Após sofrer forte desvalorização ante o marco e o iene, o dólar, a partir de maio do ano passado, voltou a apresentar tendência de valorização: com relação ao iene, a valorização do dólar acumulada entre abril de 1995 e setembro último foi de 31%, enquanto diante do marco foi de 9,1%. Deve-se observar, no entanto, que o movimento de valorização do dólar ante o marco foi interrompido em maio último, observando-se a partir de então um ligeiro movimento de desvalorização do dólar (GRÁFICO 6).
Os fundamentos, no entanto, não são mais favoráveis a uma trajetória de valorização do dólar ao longo de 1997, principalmente diante do iene, na medida em que a economia japonesa já se encontra em processo de recuperação mais vigoroso que a economia alemã e operando com taxas de juros extremamente baixas, permitindo prever-se que a evolução do diferencial de juros nos Estados Unidos e no Japão deverá favorecer a moeda japonesa. As projeções do Consensus Forecasts até o final do ano são de que a paridade do marco ante ao dólar permaneça próxima da atual (1,508 marco por dólar), enquanto o iene se valorize ligeiramente, atingindo 108,7 ienes por dólar. Em um ano, a expectativa é de valorização do iene (105,8 ienes por dólar) e de ligeira desvalorização do marco, que deverá alcançar a relação de 1,514 marco por dólar. Após a estabilidade do segundo trimestre de 1996, as principais bolsas de valores internacionais, no período julho-setembro, retomaram suas trajetórias de elevação dando seqüência ao movimento iniciado em 1995 (GRÁFICO 7). O índice Dow Jones da bolsa de Nova Iorque, após ter acumulado um crescimento recorde de quase 30% ao longo de 1995, iniciou 1996 com um forte ritmo de alta, chegando perto dos 5.800 pontos durante o segundo trimestre. A partir de então, durante o terceiro trimestre, mostrou novo vigor atingindo uma nova barreira histórica (6 mil pontos). A bolsa londrina, balizada pelo índice FT-SE, após acumular uma alta de 20% ao longo de 1995, estabilizou-se no primeiro semestre de 1996, oscilando pouco acima dos 3.600 pontos. Entre julho e setembro apresentou um novo movimento de alta. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, que oscilou em torno da barreira dos 22 mil pontos no segundo trimestre, estancando o movimento de recuperação observado no ano passado, voltou a cair para próximo dos 20 mil pontos, apresentando uma forte oscilação no terceiro trimestre.
BALANÇA COMERCIAL E CONTA CORRENTEO déficit comercial dos Estados Unidos totalizou US$ 79 bilhões no primeiro semestre de 1996, resultado 6,5% inferior ao observado nos mesmos meses do ano passado (GRÁFICO 8). As exportações de mercadorias no período expandiram-se 7,9%, atingindo US$ 308 bilhões, enquanto o crescimento das importações, da ordem de 4,6%, foi algo menor.
A composição geográfica do comércio americano no semestre, em relação ao verificado nos dois primeiros trimestres de 1995, apresentou significativas modificações: enquanto o déficit dos Estados Unidos com o Japão contraiu-se 29,2% (atingindo pouco mais de US$ 23 bilhões), o saldo negativo dos Estados Unidos com o Canadá e com os países da América Latina expandiu-se 26,2% (para US$ 14 bilhões) e quase 61% (totalizando mais de US$ 9 bilhões), respectivamente. Com relação ao balanço em conta corrente, ao longo de 1996 mantém-se a tendência recente de redução do déficit americano, a despeito do movimento de valorização do dólar verificado desde meados do ano passado (GRÁFICO 9).
Os dados mais recentes, relativos aos meses de julho e agosto de 1996, indicam, no entanto, um aumento do saldo negativo do comércio americano de mercadorias, com as exportações relativamente estáveis e as importações elevando-se ligeiramente, em função, principalmente, da alta nos preços do petróleo. De fato, as projeções do Projeto Link apontam para uma elevação do déficit dos Estados Unidos, a partir dos US$ 159 bilhões verificados em 1995, para US$ 168 bilhões em 1996 e US$ 178 bilhões no ano seguinte. O superávit na balança comercial do Japão vem-se contraindo quase continuamente desde 1994, sendo que, a partir de meados do ano passado, o ritmo de redução apresentou nítida aceleração. O fenômeno tem sido creditado a mudanças estruturais que têm sido operadas na economia japonesa, substituindo a tradicional estratégia orientada para as exportações por outra de maior abertura de mercados e estímulo à produção fora do país, visando a uma redução nos custos gerais, particularmente da mão-de-obra. Adicionalmente, aponta-se uma tendência de mudança de atitude do consumidor japonês, cada vez mais propenso a comprar bens importados, particularmente artigos de luxo. De fato, a partir de meados de 1995, a despeito da trajetória de desvalorização delineada pelo iene em relação ao dólar, os sinais mais evidentes de retomada da atividade econômica no país acarretaram um significativo aquecimento nas importações japonesas, enquanto as exportações mantiveram sua tendência de contração. Nesse sentido, as projeções do Consensus Forecasts de setembro de 1996 apontam para uma redução do superávit em conta corrente do Japão dos US$ 111 bilhões observados em 1995 para cerca de US$ 63 bilhões, tanto em 1996 quanto em 1997. Com relação às principais economias européias, observa-se uma nítida trajetória de crescimento do saldo externo da França e da Alemanha (que, a partir de 1996, supera o superávit japonês) e a manutenção do déficit comercial do Reino Unido em patamar relativamente estabilizado, embora as previsões correntes venham indicando um aumento do seu saldo negativo em conta corrente neste e no próximo ano. Segundo o Consensus Forecasts, o déficit em conta corrente da Alemanha deverá reduzir-se quase linearmente do patamar de US$ 20 bilhões verificado em 1995 para aproximadamente a metade deste valor em 1997. COMÉRCIO MUNDIALSegundo a Organização Mundial do Comércio, as exportações mundiais totais de mercadorias em 1995 cresceram em valor quase 19% e totalizaram cerca de US$ 4,9 trilhões, enquanto o fluxo internacional de serviços superou a marca de US$ 1,2 trilhão. Em relatório da instituição, destacam-se no período o rápido crescimento do comércio realizado pelos países em desenvolvimento, particularmente no Leste Europeu, e o fato de, pelo quarto ano consecutivo, o crescimento das importações asiáticas mostrar-se superior ao das exportações. Até o final da década, segundo os resultados da rodada de projeções do Projeto Link de setembro deste ano, o comércio mundial de bens deverá se expandir a uma taxa média anual de 6,3% em volume, bastante inferior ao incremento de mais de 10% verificado em 1995. A demanda dirigida pelas exportações brasileiras, estimada a partir das taxas de crescimento (em quantum) das importações dos principais parceiros comerciais do Brasil, deverá, no entanto, expandir-se a taxas ligeiramente inferiores à do comércio mundial nos próximos anos (GRÁFICO 10).
CommoditiesO índice da média dos preços (em dólar) das commodities da revista The Economist vem-se apresentando em queda desde meados do segundo trimestre de 1996, interrompendo o esboço de recuperação que se vinha delineando nos primeiros quatro meses do ano (GRÁFICO 11). Essa recente redução reflete o estancamento do movimento de alta nos preços dos grãos (que em abril atingiram cotações internacionais recordes) e a intensificação da trajetória de contração dos preços dos metais, que, de fato, vem sendo observada desde o primeiro trimestre do ano passado.
A queda nas cotações dos metais pode ser explicada pelo desaquecimento econômico observado no âmbito dos países industrializados desde o ano passado (aparentemente revertido em 1996, pelos menos no Japão e nos Estados Unidos) que tem desestimulado sensivelmente a demanda por esses produtos, principalmente na Europa. As projeções de curto prazo continuam apontando para a manutenção deste quadro, uma vez que ainda são elevados os níveis de capacidade ociosa vigentes nos principais países produtores. Recentemente, o índice dos preços dos metais apresentou uma forte contração em função da crise desencadeada com a descoberta de operações irregulares (de caráter especulativo) realizadas pela Sumitomo, a maior empresa de comercialização e produção de cobre do Japão, com 400 anos de existência. O escândalo, ainda sob investigação, suscitou dúvidas acerca da eficácia dos mecanismos de regulação e fiscalização das atividades bursáteis com metais (principalmente na Bolsa de Londres) e levou um grande número de especuladores a retirar seus recursos desses mercados, pressionando ainda mais as cotações. Com relação aos produtos agrícolas, os preços dos grãos, que, em abril, atingiram patamares inéditos (em função de condições climáticas adversas que prejudicaram o plantio e o desenvolvimento da safra passada, principalmente no Meio-Oeste americano), voltaram, desde então, a se contrair significativamente, em resposta às estimativas que têm sido realizadas para a próxima safra. De fato, segundo o USDA, a produção mundial de grãos, que no ano-safra 1996/95 contraiu-se 3,2%, deverá crescer 7,5% no próximo período, com incrementos substantivos não só nos Estados Unidos, mas também na China e nos países do antigo bloco soviético. O principal fator para o comportamento dos preços desses produtos, no entanto, continua sendo o nível dos estoques mundiais, que na safra passada reduziram-se em quase 19% e representaram 13,9% do consumo total estimado - metade dos 28,1% observados em 1986. Na atual safra (1996/97), a razão estoques/consumo deverá atingir 15,1%, valor, não obstante, ainda considerado reduzido para evitar o acentuado grau de volatilidade que os preços dos grãos têm apresentado ante eventuais choques na oferta. Com respeito às "bebidas", enquanto os preços internacionais do cacau vêm apresentando acentuadas oscilações, a cotação do café tem-se situado em patamar bastante reduzido. Os preços do cacau, no curto prazo, deverão experimentar alguma recuperação, caso se confirmem as estimativas do USDA de redução de cerca de 12% da produção da Costa do Marfim, maior produtor mundial. As cotações do café no mercado internacional, por seu turno, parecem ter-se estabilizado um pouco abaixo de US$ 1,20 por libra-peso (metade da cotação em julho de 1994), valor em que se encontra desde fevereiro, a despeito dos excessivamente reduzidos níveis dos estoques nos países consumidores. Por fim, o preço das matérias-primas agrícolas deverá apresentar alguma elevação no curto prazo, em reflexo principalmente à quebra de mais de 20% da safra chinesa de algodão. PetróleoO preço do petróleo (tipo Brent) apresentou-se em alta ao longo de todo o terceiro trimestre de 1996 (GRÁFICO 12), atingindo, na média de setembro, US$ 22,50 por barril, a maior cotação desde a Guerra do Golfo.
O movimento de alta das cotações do petróleo, também observado nos primeiros meses do ano, tem sido fundamentalmente explicado pelos historicamente reduzidos níveis de estoques tanto de derivados quanto de óleo cru, principalmente nos Estados Unidos. Para alguns analistas, o comportamento dos estoques reflete uma opção operacional por parte das refinarias que, visando a reduzir os custos de carregamento, têm crescentemente adotado técnicas de gerenciamento do tipo just in time e retido volumes cada vez menores de petróleo e seus produtos. Em relatório de agosto de 1996 (Commodity Markets and the Developing Countries), no entanto, o Banco Mundial refuta essa tese, argumentando ser as forças de mercado, isto é, fatores conjunturais relacionados a oferta e demanda mundiais, o principal fator determinante dos baixos níveis dos estoques. Para a organização, se a intenção era aumentar a lucratividade das refinarias, teria sido mais prudente reduzir os estoques de derivados e manter elevados os de óleo cru, aumentando, desta maneira, as margens de refino (a diferença entre os preços dos produtos e o preço do petróleo). De fato, a queda do volume estocado junto às refinarias vem sendo observada desde o terceiro trimestre do ano passado, quando se reduziu drasticamente o fornecimento do petróleo mexicano para os Estados Unidos, devido aos furacões que atingiram o Golfo do México, e seguiu-se o inverno no Hemisfério Norte, excepcionalmente longo e rigoroso. Adicionalmente, a demanda por parte dos países em desenvolvimento tem-se mostrado mais aquecida do que vinha sendo estimado e o crescimento da produção do Mar do Norte apresentou sinais de desaceleração também não antecipados. Um último fator explicativo para o comportamento dos estoques - que, em última análise, eleva significativamente a vulnerabilidade do mercado a movimentos de oferta e demanda, e, com isso, torna muito mais voláteis os preços no mercado à vista - tem sido as considerações acerca do retorno do Iraque ao mercado. O acordo firmado em 20 de maio deste ano entre o país e as Nações Unidas, autorizando exportações da ordem de 800 mil barris por dia (com os recursos obrigatoriamente destinados a fins humanitários), vinha desde então sendo embargado pelos Estados Unidos, que questionavam a lista de produtos a serem importados pelo Iraque, a gestão financeira da receita das exportações e, principalmente, a garantia de não discriminação à população curda do Norte do país. Não obstante, o aumento da oferta mundial em função do petróleo iraquiano era dado como certo para ocorrer ainda em 1996 e, devido aos impactos que possivelmente teria sobre os preços, vinha sendo aguardado pelas refinarias, que, só então, recomporiam os seus estoques. No início de setembro, no entanto, as operações militares iraquianas em apoio a uma das facções curdas do Norte do país (visando a aumentar a influência do governo na região próxima à fronteira com a Turquia, por onde seria escoado o petróleo do país) e a resposta também militar dos Estados Unidos, ampliando a zona setentrional de exclusão dos vôos iraquianos, afastaram por tempo indeterminado o retorno do país ao mercado mundial de petróleo. Diante desse quadro, a necessidade de recompor os estoques ante a proximidade do próximo inverno tem mantido os preços elevados, situação que deverá perdurar até o final do primeiro trimestre de 1997. Segundo a revista The Economist, inclusive, pode-se esperar uma explosão das cotações no curto prazo, caso o inverno no Hemisfério Norte se mostre de novo anormalmente longo e rigoroso, dada a manutenção das sanções impostas ao Iraque. |
Outras Seções |