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Panorama da Economia Mundial nº 22 - julho 1996Grupo dos 7 |


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Nos Estados Unidos, depois da desaceleração do nível de atividade verificada ao longo de 1995, colocando a economia abaixo de sua tendência de longo prazo, estimada em 2,5%, o PIB sazonalmente ajustado voltou a apresentar um bom ritmo de crescimento no primeiro trimestre de 1996. De fato, sua taxa trimestral anualizada foi de 2,3% nos primeiros três meses, contra apenas 0,5% ao final do ano passado. As estimativas para o segundo trimestre são de uma significativa aceleração na produção, com uma taxa próxima a 4%. Todavia, em função de uma provável resposta da política monetária, que deverá se tornar mais restritiva, a expectativa é de que no segundo semestre ocorra alguma desaceleração. As projeções do Consensus Forecasts de junho apontam para uma taxa de 2,2% em 1996 e 1997, apostando na intenção do FED em conduzir o crescimento da economia em velocidade de cruzeiro, não permitindo elevações significativas da inflação. Existem quatro razões para a retomada do crescimento no início de 1996. Os gastos dos consumidores - a mais importante - cresceram 3,6%, em comparação com o último trimestre do ano passado, quando foi de 1,2%. A expectativa é de que esse ímpeto se mantenha no período abril/junho, dando sustentação aos 4% estimados de expansão do PIB. Os investimentos, em equipamentos e infra-estrutura, expandiram-se a uma taxa de 12,5%, contra aproximadamente 3% do trimestre anterior. Os dispêndios do governo federal cresceram 8,5% nos primeiros três meses, interrompendo, assim, a trajetória de queda verificada ao longo de 1995, que, por sua vez, foi resultado de uma política de contenção fiscal. A adoção do novo orçamento para o atual ano fiscal não prevê cortes adicionais aos que foram realizados no período anterior. O ciclo de acumulação de estoques - outro fator importante - parece ter chegado ao fim, com uma queda de cerca de US$ 5 bilhões no primeiro trimestre. As perspectivas para os próximos trimestres é que ocorra um movimento significativo de recomposição nos estoques, em virtude desse choque de demanda, com conseqüências positivas para a contratação de mão-de-obra, via novas encomendas. A consolidação desse quadro praticamente reverte a situação de apatia vigente no segundo semestre do ano passado. Existem também evidências dessa forte retomada do nível de atividade na primeira metade de 1996 no mercado de trabalho e no setor industrial. Por exemplo, a taxa de desemprego em 12 meses caiu de 5,6% em maio para 5,3% em junho, a mais baixa desde meados de 1990. A trajetória declinante do desemprego, observada a partir de meados de 1992, foi interrompida no início do ano passado, quando passou a oscilar entre 5,5 e 5,7%. Portanto, essa recente redução sem dúvida reflete o bom desempenho da economia nessa primeira metade de 1996. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, que vem desacelerando-se desde fins de 1994 (quando estava crescendo a um ritmo em torno de 6%), chegou a registrar uma expansão de apenas 0,3% em janeiro deste ano. A partir de então, respondendo ao reaquecimento econômico, passa a elevar-se, atingindo 2,6% em abril e 3,3% em maio (GRÁFICO 2). |

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No Japão, as projeções de crescimento da economia, baseadas no Consensus Forecasts de junho, ainda não levaram em conta o fantástico crescimento no primeiro trimestre de 1996 (quase 13% na taxa anualizada). Mesmo assim, os números apontam claramente para uma recuperação de 2,5% em 1996 e uma pequena desaceleração para 2,2% em 1997. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, desde o início do ano vem crescendo a um ritmo melhor do que o observado no segundo semestre do ano passado, apesar da queda de 2,8% em março, mas já se recuperando em abri1 e maio (0,9 e 2,4% respectivamente). A taxa de desemprego, entretanto, que vinha apresentando uma trajetória de elevação desde 1992, só interrompida em 1994, quando ficou oscilando em torno do patamar de 3%, retomou a suave trajetória de elevação a partir do final de 1995, atingindo 3,4% em maio último. O governo gastou US$ 88 bilhões em obras públicas durante 1995, o maior incentivo fiscal de sua história, resultando de fato em uma aceleração no ritmo de crescimento. A taxa trimestral anualizada de expansão do PIB ajustado sazonalmente no início do ano passado foi de quase 1%, passando para 2,4% e 2,1% nos dois trimestres seguintes e terminando 1995 com 4%, sem nenhuma contração da produção como vinha ocorrendo desde 1992. Em seguida, nos primeiros três meses de 1996, registrou-se uma taxa anualizada de 12,7%, o melhor desempenho dos últimos 23 anos. Cabe lembrar que todo esse estímulo fiscal foi realizado em um ambiente de taxa de juros em níveis bastante reduzidos. A dúvida que se coloca é justamente sobre a futura eficácia desses mecanismos de política macroeconômica em caso de uma forte desaceleração. A taxa oficial de juros encontra-se em 0,5%, deixando, portanto, pouco espaço para reduções adicionais. A dívida bruta do setor público disparou de 65% do PIB em 1991 para 95% em 1996, enquanto o déficit fiscal do governo federal neste ano está estimado em US$ 193 bilhões, já representando cerca de 4,5% do PIB. Sendo assim, também já não existe espaço para estímulos fiscais de grande envergadura no médio prazo. Com o intuito de reverter em parte essa deterioração das contas públicas, em fins de junho deste ano o governo confirmou a esperada elevação da alíquota de imposto sobre as vendas de 3 para 5%, o que será incluído já no próximo orçamento, devendo somente se tornar efetivo no próximo ano fiscal, iniciado em 1º de abril de 1997. As estimativas são de uma arrecadação entre US$ 37 bilhões a US$ 46 bilhões aproximadamente. O aspecto negativo, entretanto, é seu impacto adverso sobre o consumo, importante fator de sustentação de um vigoroso crescimento. Outra medida de saneamento esperada para o final deste ano é a eliminação de uma dedução do imposto de renda para os assalariados, estimada em 2 trilhões de ienes (cerca de US$ 18 bilhões). A prolongada fragilidade do sistema financeiro ainda é o principal fator limitativo de um crescimento mais vigoroso, tipicamente associado ao Japão do pós-guerra. Com o intuito de resolver este problema, o governo japonês enviou para apreciação no Parlamento um conjunto de medidas que incluem reformulação e refinanciamento do sistema de seguros de depósitos, criação de um mecanismo institucional para lidar com as falências do sistema financeiro e não-financeiro, criação de um sistema de alerta preventivo para essas instituições e, por último (um assunto mais polêmico), execução de um plano para gastar US$ 6 bilhões aproximadamente no processo de liquidação das cooperativas de crédito habitacional falidas. Todas essas medidas vêm sendo consideradas insuficientes para reverter definitivamente todo esse quadro institucional. Na Alemanha, no primeiro trimestre de 1996, o PIB com ajuste sazonal do lado ocidental, medido pela taxa trimestral anualizada, voltou a se contrair em 1,5%, praticamente na mesma magnitude ocorrida no final do ano passado, o que seria suficiente, pelo conceito utilizado correntemente, para qualificar uma recessão. As estimativas para o período abril/junho, entretanto, são de uma taxa de crescimento de 1,2%, ritmo que também está sendo esperado para o segundo semestre deste ano. As razões para esse otimismo repousam na continuidade da expansão das exportações alemãs, devido ao crescimento do comércio mundial, ao movimento de depreciação observado no marco e às taxas de juros relativamente baixas. Este último aspecto e a disposição política do governo no sentido de enfrentar uma série de problemas estruturais, incluindo as contas públicas, têm gerado uma boa confiança dos empresários. O rigoroso e prolongado inverno parece ter tido um papel bastante considerável nesta performance ruim, afetando a construção civil e outros importantes setores da indústria. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, registrou queda em março (-6%), abril (-3%) e maio (-2%) deste ano, dando continuidade a uma trajetória de desaceleração iniciada no início de 1995. Como reflexo desse desaquecimento, a queda do emprego adquiriu novo fôlego. As estatísticas da Alemanha unificada mostram uma taxa de desemprego em trajetória crescente ao longo de 1995 e início de 1996. O bom desempenho da economia em 1994 reduziu apenas marginalmente o desemprego, mas quando sobreveio nova desaceleração, no ano passado, registrou-se outra trajetória ascendente. As projeções para o crescimento da economia alemã como um todo em 1996 são de apenas 0,9% (0,7% para o lado ocidental), acelerando-se para 2,2% em 1997 (1,9% no lado ocidental), segundo o Consensus Forecasts de junho. O déficit fiscal de 3,9% do PIB registrado em 1995 inviabiliza, pelo menos por enquanto, a entrada da Alemanha na união monetária, programada para 1999, e que estabelece um teto máximo de 3% já para 1997. Com o intuito de reverter este quadro, o governo alemão propôs um orçamento federal para 1997 (que ainda está sendo avaliado pelo Congresso) de US$ 290 bilhões, contendo um corte de US$ 16,4 bilhões (18 dos 26 planos de gasto do governo), o que constitui um grande esforço para tentar equacionar e compatibilizar a atual estrutura fiscal com as metas de Maastricht e é parte de um programa mais abrangente que inclui mudanças no sistema tributário e medidas de desregulamentação. Na França, o PIB, sazonalmente ajustado, apresentou um bom desempenho no primeiro trimestre de 1996, crescendo 5%, quando medido pela taxa anualizada de variação trimestral, revertendo, assim, o processo de desaceleração por que passou a economia francesa ao longo de 1995. A recuperação dos setores afetados pela greve ao final do ano passado, o forte aumento da produção de energia e um maior número de dias trabalhados explicam em boa parte essa performance. As estimativas para o segundo trimestre, entretanto, são de uma expansão próxima de zero, só devendo ocorrer um crescimento mais forte no segundo semestre. A taxa de desemprego de 12 meses, após ter atingido um máximo de 12,7% em maio de 1994, iniciou uma trajetória declinante até meados do ano passado (11,5% entre julho e setembro) e, a partir de então, tem apresentado um ligeiro movimento de alta (11,9% em abril de 1996) como resultado da desaceleração econômica de 1995. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, acompanhou esse desaquecimento e passou a registrar queda a partir de outubro último (-0,4%), estendendo-se até abril (-0,8%). As projeções para 1996 e 1997, segundo o Consensus Forecasts de junho, apontam para uma taxa de crescimento do PIB francês de 1,4% e 2,5%, respectivamente. No Reino Unido, o PIB, sazonalmente ajustado, em uma base trimestral anualizada, cresceu 1,8% no primeiro trimestre de 1996. As estimativas para o segundo são de uma pequena desaceleração (1,5%), ritmo que também deverá ser mantido no terceiro. Para os últimos meses do ano espera-se uma reativação da economia, com expansão de 3,2%, totalizando algo em torno de 2% em 1996 e uma nova aceleração para 3,2% em 1997, segundo o Consensus Forecasts de junho. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, encontra-se em movimento descendente, registrando uma queda de 2,8% em março, mas recuperando-se em abril (0,9%). A taxa de desemprego em 12 meses continua declinante, atingindo 7,7% em maio, contra 8,3% há um ano. |


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Nos Estados Unidos, a taxa de inflação, medida pela variação do índice de preços ao consumidor, no acumulado de 12 meses, apresentou um movimento de queda no segundo semestre de 1995, com um ligeiro repique em janeiro último, como resultado da elevação do preço da energia, e manteve-se mais ou menos estabilizada nos cinco primeiros meses de 1996, alcançando 2,9% em maio. Ao nível do atacado, também apresentou relativa estabilidade nos cinco primeiros meses de 1996, oscilando entre 2 e 2,5% e atingindo 2,3% em maio. Apesar da relativa estabilidade da inflação nos Estados Unidos até o momento, as perspectivas são de uma reaceleração inflacionária a partir do segundo semestre do ano, dado que a economia já está operando acima de sua capacidade e a taxa de crescimento corrente ultrapassa a taxa de crescimento potencial. Também a taxa de desemprego está inferior àquela considerada "natural", o que tem resultado em um crescimento real do custo unitário da mão-de-obra, pela primeira vez desde a última recessão, de tal forma que o custo da hora trabalhada tem superado os ganhos de produtividade. As previsões do Consensus Forecasts de junho, que não incorporam ainda em sua análise os indicadores mais recentes da economia - criação de 239 mil postos de trabalho não-agrícolas em junho com relação à expectativa de 152 mil, o que indica um crescimento vigoroso -, apontam para uma inflação de 2,9% em 1996 e 1997. Já o Banco de Investimento Goldman Sachs, baseado em indicadores mais atualizados, prevê para 1996 e 1997 taxas de inflação de, respectivamente, 3,1 e 3,4%. Quanto à Alemanha, a variação em 12 meses do índice de preços ao consumidor, após ter permanecido estável no primeiro semestre de 1995 em 2,3%, apresentou a partir de então uma evolução descendente, alcançando 1,4% em junho último. Ao nível do atacado, observa-se também um movimento de queda desde setembro de 1995, atingindo 0,7% em maio último. A forte desaceleração do nível de atividade a partir do segundo semestre de 1995, e que se aprofundou no primeiro semestre de 1996, explica o bom comportamento da inflação no período. A perspectiva de uma lenta retomada no segundo semestre de 1996, que só deverá se tornar mais vigorosa em 1997, e a elevada taxa de desemprego, que neste ano deverá alcançar 10,2%, justificam as previsões do Consensus Forecasts de junho, que indicam taxas de inflação de 1,6 e 1,9%, respectivamente, em 1996 e 1997. O Banco de Investimento Goldman Sachs, no entanto, prevê taxas de inflação um pouco mais elevadas em 1996 e 1997 (1,8 e 2,6%, respectivamente), como resultado do esperado movimento de desvalorização do marco no final do ano. No Japão, a taxa de inflação, medida pela variação do índice de preços ao consumidor no acumulado de 12 meses, apresentou a partir de outubro uma ligeira elevação (de -0,7 para 0,3% em maio último), possivelmente explicada em parte pela desvalorização do iene. Ao nível do atacado, após apresentar movimento de queda, a inflação tem-se mantido estável em -0,9% nos primeiros três meses do ano. A elevada margem de capacidade ociosa da economia e a relativamente alta taxa de desemprego para os padrões japoneses indicam que será possível uma retomada do ritmo de crescimento da economia sem pressões inflacionárias. Portanto, apesar da previsão de uma recuperação mais vigorosa da economia em 1996 e 1997, ainda que em níveis relativamente baixos para os padrões japoneses, as estimativas do Consensus Forecasts de junho apontam também para uma inflação em 1996 e 1997 de, respectivamente, 0,1 e 1,3%. No Reino Unido, a taxa de inflação vem declinando desde setembro de 1995, atingindo 2,1% em junho último, movimento que é explicado pela desaceleração do ritmo de crescimento da economia observada a partir do segundo trimestre de 1995 e que se aprofundou no primeiro semestre de 1996. Coerentemente com a previsão de uma lenta retomada do crescimento ao longo do ano, que deverá se tornar mais vigorosa somente em 1997, as projeções do Consensus Forecasts de junho apontam para uma inflação de 2,4% em 1996 e uma elevação para 3,1% em 1997. Já na França, a taxa de inflação apresentou um ligeiro movimento de alta a partir de novembro último - possivelmente explicada pela desvalorização do franco frente ao marco -, alcançando 2,4% em maio. Apesar da expectativa de uma retomada mais vigorosa da economia a partir do segundo semestre do ano, a elevada taxa de desemprego (11,9%) deverá acomodar um maior crescimento com ausência de pressões inflacionárias. As projeções do Consensus Forecasts de junho apontam para uma inflação em 1996 e 1997 de, respectivamente, 2 e 1,9%. |



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Na Alemanha, desde 1992 o Bundesbank promoveu sucessivos cortes na sua taxa de redesconto, que totalizaram 6,25 pontos de percentagem, levando-a para 2,5% em abril último, nível historicamente baixo. A queda da inflação para níveis inferiores a 2%, paralelamente ao aperto da política fiscal, deverá levar o Banco Central a adotar a estratégia de manter inalterada a política monetária. As previsões do Banco de Investimento Goldman Sachs apontam para uma taxa de redesconto de 2,5% até o terceiro trimestre de 1997, alcançando 3% no final do ano. Com relação às taxas de juros dos títulos de 10 anos do governo, as projeções do Banco de Investimento Goldman Sachs em um horizonte de seis meses são de que estas alcancem 6,7%, nível bastante próximo do atual, elevando-se para 7,1% em um horizonte de 12 meses e para 7,5% no final de 1997. As previsões do Consensus Forecasts para um horizonte de 12 meses apontam para uma taxa de juros um pouco inferior (6,9%). No Japão, apesar do elevado crescimento do PIB no primeiro trimestre de 1996, que possivelmente deverá marcar o fim de três anos de estagnação econômica, declarações recentes do presidente do Banco Central do Japão (BOJ) sugerem não haver a menor intenção de promover, pelo menos no curto prazo, uma alteração na atual política de taxas de juros. Considerando a reduzida probabilidade de uma reaceleração inflacionária e o corte do déficit público que deverá ocorrer em 1997, as projeções do Banco de Investimento Goldman Sachs apontam no sentido da manutenção da taxa de redesconto no atual patamar de 0,5% até o final de 1997. Com relação às taxas de juros dos títulos de 10 anos do governo, o Banco de Investimento Goldman Sachs prevê que estas se elevem do atual patamar de 3,2% para 3,9% no final do ano e para 4% em um horizonte de 12 meses, caindo para 3,6% no final de 1997. Para um horizonte de 12 meses, a previsão do Consensus Forecasts é de uma taxa de juros de 3,7%. Após sofrer forte desvalorização frente ao marco e ao iene em 1994 e nos primeiros meses de 1995, o dólar, a partir de maio do ano passado, voltou a apresentar tendência de valorização, que entre abril de 1995 e junho de 1996 foi de 8,6% em relação ao marco e de 28,3% em relação ao iene (GRÁFICO 6). |

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Os fundamentos continuam favoráveis a uma trajetória de valorização do dólar ao longo de 1996, basicamente por duas razões: em primeiro lugar, devido à expectativa de uma melhoria significativa da balança em conta corrente norte-americana, que deverá ter como contrapartida uma queda do superávit comercial japonês; e, em segundo, porque os diferenciais entre as taxas de juros deverão favorecer os ativos denominados em dólar, com a expectativa de elevação das taxas de juros de curto prazo nos Estados Unidos e a ausência de expectativa, pelo menos a curto prazo, de elevação das taxas de juros na Alemanha e no Japão. As projeções do Banco de Investimento Goldman Sachs apontam para alguma recuperação do dólar em um horizonte de seis meses, projetando uma valorização frente ao marco do nível atual de 1,52 por dólar para 1,60 e frente ao iene dos atuais 109 por dólar para 116. Em um horizonte de um ano as previsões são de que o dólar volte para a relação de 1,50 marco por dólar, próxima da atual, e recue um pouco frente ao iene para uma cotação de 110 por dólar. As principais bolsas de valores internacionais mantiveram-se relativamente estáveis no segundo trimestre de 1996, consolidando, assim, uma interrupção da trajetória de alta desses mercados observada em 1995 (GRÁFICO 7). O índice Dow Jones da Bolsa de Nova Iorque, após ter acumulado um crescimento recorde de quase 30% ao longo de 1995, iniciou 1996 com um forte ritmo de alta, chegando perto dos 5.800 pontos durante o segundo trimestre. Entretanto, em função da esperada elevação das taxas de juros pelo FED, da realização de lucros por investidores e da reavaliação da lucratividade de várias empresas (processo denominado de correção técnica da bolsa), esse índice acumulou uma queda de 5,5% em julho. As expectativas, todavia, são de uma reversão desse movimento em função de uma recuperação da rentabilidade das empresas e de uma elevação menor do que a esperada nos juros. A Bolsa de Londres, balizada pelo índice FT-SE, após acumular uma alta de 20% ao longo de 1995, estabilizou-se no primeiro semestre de 1996, oscilando em torno de 3.700 pontos, e apresentou uma pequena queda de 2,5% entre o início de maio e o final de junho, mas já crescendo 2% em julho. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, tem oscilado em torno da barreira dos 22 mil pontos, estancando o movimento de recuperação observado no ano passado. |



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Em conta corrente também ocorreu uma reversão da melhoria verificada ao final do ano passado, e o déficit norte-americano cresceu 16,8%, chegando a US$ 39,2 bilhões no primeiro trimestre de 1996. As previsões do Banco de Investimento Goldman Sachs para o balanço em conta corrente de 1996 são de uma redução (10%, em comparação com 1995) do déficit para cerca de US$ 137,5 bilhões (GRÁFICO 9). |

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A contração do superávit da balança comercial do Japão prosseguiu no primeiro trimestre do corrente ano, confirmando a tendência iniciada em meados de 1995. O saldo japonês sofreu uma queda de 22%, passando de US$ 22,6 bilhões em outubro/dezembro de 1995 para US$ 17,6 bilhões em janeiro/março deste ano, como resultado de um crescimento de pouco mais de 6% nas importações e de uma redução de 1,7% nas exportações. O saldo positivo em conta corrente também apresentou no primeiro trimestre de 1996 uma retração - 14%, em relação a outubro/dezembro de 1995 -, passando a aproximadamente US$ 19 bilhões naquele período. Analistas do Nomura Research Institute, no entanto, prevêem que, à cotação de 105 ienes por dólar - média próxima à que prevaleceu no primeiro trimestre do ano -, o saldo japonês em conta corrente deverá voltar a crescer lentamente. Esta perspectiva confirmaria as projeções do Goldman Sachs para o superávit em conta corrente do Japão em 1996, estimado em US$ 67,6 bilhões. O superávit comercial da Alemanha sofreu uma redução de US$ 16,8 bilhões para US$ 15,6 bilhões entre o último trimestre de 1995 e o primeiro trimestre do corrente ano. A queda (7%) deveu-se a um declínio tanto das exportações (3%) como das importações (2,2%). Para 1996, entretanto, as previsões da Câmara Alemã da Indústria e Comércio (DIHT) são de um aumento do valor das vendas e compras externas do país de, respectivamente, 5,5 e 2,8%, o que deverá elevar ligeiramente o saldo comercial em relação ao ano anterior. Em conta corrente, o déficit alemão caiu 44% entre o quarto trimestre de 1995 e o primeiro trimestre de 1996 (para cerca de US$ 3 bilhões), devendo apresentar neste ano uma pequena redução em relação ao ano anterior. O déficit da balança comercial do Reino Unido, que havia decrescido nos últimos três meses de 1995, voltou a ampliar-se no primeiro trimestre deste ano, alcançando US$ 6,7 bilhões (8%). As importações aumentaram a uma taxa mais elevada do que as exportações - 2,7 contra 1,1% -, impulsionadas por um nível de atividade econômica mais aquecido no país do que na maioria de seus parceiros comerciais europeus. Ainda não estão disponíveis os números relativos à conta corrente, cujo déficit para 1996 tem sido projetado em níveis semelhantes ao do ano anterior (de US$ 10,5 bilhões). A balança comercial da França apresentou um superávit de US$ 6,2 bilhões no primeiro trimestre de 1996, quase 7% superior ao do último trimestre do ano anterior. Os valores exportados e importados mantiveram-se praticamente constantes, em níveis ligeiramente superiores a, respectivamente, US$ 72 bilhões e US$ 66 bilhões. O superávit em conta corrente mais do que dobrou no mesmo período, passando a US$ 7 bilhões, devendo ultrapassar, em 1996, os US$ 17 bilhões alcançados no ano anterior. |


Commodities O índice da média dos preços (em dólar) das commodities da revista The Economist vem apresentando desde meados de maio de 1996 uma ligeira queda, após a pequena elevação verificada nos primeiros meses do ano. Esta redução é explicada pela intensificação do declínio dos preços dos metais e pelo estancamento do movimento de forte alta das cotações dos grãos, que se vinha verificando desde fins do ano passado (GRÁFICO 11). |

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A cotação dos metais vem-se contraindo desde o primeiro semestre do ano passado, em resposta fundamentalmente ao desaquecimento econômico dos principais países industrializados, aliado ao estado praticamente estagnado em que se encontra o setor de construção civil tanto na Europa quanto na Ásia. Desde fins de maio de 1996, o mercado internacional de metais tem vivenciado uma grave crise com a descoberta de operações irregulares, envolvendo quase US$ 2 bilhões, realizadas por uma grande operadora japonesa de cobre. Este fato, por seu turno, tem suscitado dúvidas acerca da eficácia dos mecanismos de regulação e fiscalização dessas atividades, principalmente na Bolsa de Metais de Londres. Na ausência de fundamentos de oferta e demanda que apontem para uma recuperação das cotações ao menos no curto prazo, investidores institucionais têm retirado seus recursos desses mercados, e os preços dos principais produtos têm experimentado forte contração. Com respeito aos alimentos, os preços dos grãos, após serem cotados em patamares recordes em fins de abril passado, têm apresentado fortes oscilações, mas ainda se encontram bastante elevados. A alta observada até recentemente deveu-se à seca de quase seis meses que prejudicou o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, cujo plantio já havia sido fortemente impactado pelas enchentes do ano passado. Com a chegada das chuvas, os preços pararam de subir, mas indicações de novas dificuldades no plantio da próxima safra no país (com estimativas de quedas significativas nos coeficientes de produtividade das culturas) têm mantido os preços internacionais dos grãos em níveis elevados. A cotação do café no mercado externo, por outro lado, manteve-se relativamente estabilizada em patamares reduzidos (em torno de 120 centavos de dólar por libra-peso) ao longo de todo o primeiro semestre do ano, em função da queda do consumo que vem sendo verificada principalmente nos Estados Unidos e das estimativas de crescimento de 20% da safra brasileira, e a despeito dos baixos estoques em poder das indústrias de torrefação e do sistema de ordenamento e retenção das exportações oriundas dos países produtores, implementado a partir de julho do ano passado. A possibilidade de ocorrência de novas geadas sobre as lavouras brasileiras, a exemplo de 1994, tem acarretado recentemente intensas especulações nos mercados de café. Por fim, os preços do cacau experimentaram forte recuperação no segundo trimestre de 1996, em função da menor oferta da Costa do Marfim, que reteve parte da sua safra principal para misturar e enriquecer a qualidade da sua safra intermediária. As perspectivas de curto e médio prazos para os mercados de commodities apontam para uma relativa manutenção do quadro atual. Os preços dos metais, tendo em conta o excesso de capacidade ociosa nas indústrias de fundição, não deverão experimentar grandes recuperações, uma vez que não tem sido projetado um grande surto de crescimento, principalmente no âmbito dos países da OCDE. Com respeito aos alimentos, uma alta substantiva adicional das cotações só deverá ser observada na ocorrência de situações meteorológicas significativamente adversas. Por outro lado, os níveis ainda reduzidos dos estoques mundiais de grãos não permitem esperar quedas vultosas nos preços desses produtos. Petróleo O preço do petróleo apresentou fortes oscilações no segundo trimestre de 1996, após ter atingido, no início de abril, cotações recordes em mais de seis anos (GRÁFICO 12). |

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Ao longo do trimestre anterior, os preços do barril experimentaram uma vigorosa elevação, em resposta ao fato de o último inverno no Hemisfério Norte ter sido anormalmente prolongado e rigoroso e em virtude dos níveis de estoque historicamente reduzidos em poder das refinarias. Esses baixos estoques, por seu turno, encontram explicação na cada vez mais freqüente adoção de técnicas operacionais do tipo just in time por parte das empresas e nos problemas verificados nos fornecimentos ainda no terceiro trimestre do ano passado, quando tradicionalmente dá-se a estocagem com vistas à demanda mais elevada do inverno. Adicionalmente, desde janeiro, representantes das Nações Unidas e do Iraque vêm negociando o retorno do país ao mercado, o que também desestimulou as refinarias a adquirirem grandes volumes de petróleo, por receio ou expectativa de uma queda forte dos preços. O petróleo iraquiano está sob embargo desde a crise do Golfo, no segundo semestre de 1990. No ano anterior, a produção do país havia sido de cerca de 2,8 milhões de barris por dia (Mbd), mais de 4% da oferta mundial. Os termos recentemente negociados, e de fato firmados em 20 de maio último, autorizam exportações da ordem de US$ 2 bilhões em seis meses - ou cerca de 0,7 Mbd -, com os recursos obrigatoriamente destinados a fins humanitários (alimentos, remédios etc.). De fato, em meados de julho ainda se discutiam a lista de produtos a serem importados pelo Iraque, a gestão financeira da receita das exportações e, principalmente, as garantias de não discriminação à população curda do norte do país. Nesse sentido, a expectativa é de que o petróleo iraquiano só deverá chegar efetivamente ao mercado em agosto ou setembro. De modo a acomodar essa oferta adicional de petróleo, no início de junho os representantes da Opep reuniram-se em Viena e resolveram elevar o teto de sua produção, fixado em 24,52 Mbd desde setembro de 1993, para 25,033 Mbd, alocando a diferença ao produto iraquiano. Não obstante, a oferta do cartel há meses situa-se ao redor de 26 Mbd e aparentemente muito pouco tem sido discutido pelos representantes acerca de mecanismos efetivos para coibir para as freqüentes violações das quotas individuais definidas para cada país membro. Assim, tendo em conta os excelentes resultados observados na produção dos países não pertencentes à Opep, as previsões correntes apontam para uma queda dos preços até o final deste ano. |

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