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Panorama da Economia Mundial nº 20 - janeiro 1996GRUPO DOS 7 |
NÍVEL DE ATIVIDADEO panorama econômico mundial no segundo semestre de 1995 foi marcado pela continuidade do movimento generalizado de desaceleração observado no âmbito dos países do G-7 (as sete nações industrializadas mais importantes), com destaque para uma performance aquém do esperado no Japão e na Alemanha (GRÁFICO 1). Na França, o enfraquecimento econômico que já vinha se delineando foi reforçado pela greve ocorrida ao final do ano passado, reduzindo, assim, as estimativas de crescimento para 1995. A exceção neste grupo, entretanto, foi a economia americana, que logrou um desempenho bem melhor no terceiro trimestre. Uma conseqüência importante desse desaquecimento foi a diminuição das pressões inflacionárias que estavam em curso, em função do ciclo de expansão verificado em 1994, permitindo, assim, a possibilidade de um maior abrandamento das políticas monetárias em 1996 com o intuito de acomodar maior expansão do produto. A previsão do Fundo Monetário Internacional (outubro de 1995) para os países do conjunto OCDE aponta para uma taxa de crescimento de 2,4% em 1996, uma ligeira desaceleração em relação aos 2,5% estimados para o ano passado. Gráfico 1 - Produto Nacional Bruto
Fonte: OCDE. Elaboração: IPEA/DIPES. Obs.: Estatos Unidos - PIB; Alemanha - ex-RFA. Nos Estados Unidos, a taxa anualizada de crescimento do PIB apresentou uma significativa aceleração no terceiro trimestre de 1995 (4,2%), depois de um fraco desempenho no segundo trimestre (1,3%). As estimativas, entretanto, são de uma expansão em torno de 2% nos últimos meses, levando a uma expansão de 3,3% no ano, abaixo dos 4,1% observados em 1994, o melhor desempenho dos anos 90. As perspectivas da economia americana para 1996 são, em geral, bastante positivas, apontando para uma expansão em média de 2,7%, segundo o Consensus Forecasts de dezembro, o que caracteriza um ritmo de crescimento em linha com o potencial de longo prazo (estimado entre 2,5 e 3%). Outros indicadores do nível de atividade também apresentaram um bom desempenho no terceiro trimestre. A produção industrial, medida pela taxa de variação em 12 meses, registrou um breve período de recuperação em agosto (3,1%) e setembro (3%), mas retomou a trajetória declinante, observada no primeiro semestre de 1995, crescendo apenas 2,2% em outubro e 1,9% em novembro (GRÁFICO 2). A taxa de desemprego ficou em 5,5% em novembro do ano passado, e tem-se mantido entre 5,4 e 5,6% desde dezembro de 1994, denotando que muito possivelmente o mercado de trabalho já estaria bastante próximo de uma situação de pleno emprego, não restando, portanto, espaço para quedas mais significativas. Nesse sentido, o ciclo de crescimento atual da economia americana, ao contrário do observado nos países europeus, onde as taxas de desemprego estão em muitos deles acima dos 10%, logrou uma redução do desemprego de um patamar de 7,7% em junho de 1992 para os atuais 5,5% da força de trabalho. O consumo, o mais importante componente da demanda agregada, não teve um bom desempenho nos últimos três meses de 1995. As vendas de Natal do setor de varejo foram comparáveis aos anos de recessão de 1990/91, evidenciando timidez nos gastos de consumo ao final do ano. Segundo estimativas, em uma base anualizada, as taxas de variação trimestral deste tipo de dispêndio deverão situar-se em torno de 2,7%, em contraste com os 5,1% registrados no mesmo período de 1994. A projeção para o crescimento do consumo em 1996 está em 2,9%, muito próxima dos 3% estimados para 1995. Gráfico 2 - Produção Industrial
Fonte: OCDE. Elaboração: IPEA/DIPES. A expansão econômica, que teve início ainda em 1991, logrou um crescimento médio em torno de 3% desde então e deverá continuar em 1996 próxima a esse ritmo.. Um outro aspecto de grande interesse para a capacidade de crescimento para os próximos anos relaciona-se à evolução do déficit do setor público. O projeto do Partido Republicano é equilibrar o orçamento até o ano 2002, incorporando essa meta em uma proposta orçamentária já aprovada pelo Congresso, onde tem maioria. Contudo, o presidente Clinton, do Partido Democrata, reagiu a essa proposta admitindo um equilíbrio em 10 anos e não em sete como queriam os republicanos. A discussão política em torno do timing de ajuste fiscal estende-se à forma pela qual se alcançaria essa meta. Os republicanos querem uma redução de impostos de US$ 245 bilhões nesses sete anos e cortes drásticos nos gastos sociais e de saúde, enquanto os democratas desejam medidas baseadas em cortes de outra natureza, sendo bem mais avessos a reduções de impostos. De qualquer maneira, as previsões do Goldman Sachs apontam para um déficit em relação ao PIB de 1,6% tanto em 1995 quanto em 1996. No Japão, o PIB, sazonalmente ajustado, apresentou uma queda de 0,7% no terceiro trimestre de 1995, após o bom desempenho do período anterior (3,1%). A maior taxa de crescimento registrada desde a recessão de 1992 foi de 3,7% no terceiro trimestre de 1994, mas logo seguida de uma queda de igual magnitude no período seguinte. A falta de continuidade no processo de expansão, que já dura quatro anos, tem propiciado um ambiente que não favorece a reversão dos problemas do sistema financeiro e caracterizado o mais longo período de estagnação econômica do pós-guerra. As estimativas para o quarto trimestre de 1995 apontam para uma recuperação do PIB de 1,8%, o que resultaria, assim, em um tímido crescimento de 0,3% no ano, inferior inclusive ao de 1994 (0,6%). Esse desempenho instável da economia japonesa refletiu-se sobre a produção industrial no segundo semestre em 1995. De fato, medido pela taxa de 12 meses, após um breve período de recuperação entre agosto de 1994 e maio de 1995, o produto da indústria retomou desde então a trajetória declinante observada a partir de 1992. A taxa de expansão em novembro foi de apenas 0,5%, ante 1,4% de outubro. Outro indicador muito importante, os gastos de consumo, também se expandiu a um ritmo bem mais lento em 1995 (0,8%) do que em 1994 (2,2%). As previsões para 1996 são de uma expansão de 1,8%. Um outro fator limitante para o fortalecimento do consumo é a situação do mercado de trabalho. A taxa de desemprego está em níveis historicamente altos, tendo atingido 3,4% da força de trabalho em novembro do ano passado. O foco principal da atual estagnação da economia japonesa repousa na fragilidade em que se encontra o seu sistema financeiro, com falências rondando importantes casas bancárias, e no processo de deflação de importantes ativos (ações e imóveis) que ainda não foi claramente interrompido. A resolução da crise do sistema bancário, através de concessão de substanciais fundos públicos, parece dominada por uma inércia. Ao final de 1995, o governo aprovou uma ajuda financeira para sete instituições de empréstimos em sérias dificuldades, mas a um custo de uma crescente oposição da sociedade e de expressivos segmentos políticos. A política monetária tem tentado injetar liquidez nesse sistema, mas a própria fragilidade financeira explica boa parte desse malogro. A política fiscal, francamente expansionista, tem tentado fortalecer a demanda agregada através de sucessivos pacotes fiscais. Nesse sentido, as projeções do Consensus Forecasts de dezembro último prevêem um crescimento mais significativo de 1,9% em 1996, recolocando a economia japonesa em um novo ciclo de expansão. Na Alemanha Ocidental, o PIB, sazonalmente ajustado e medido pela taxa de variação trimestral anualizada, registrou uma desaceleração no terceiro trimestre de 1995 (0,8%) em relação ao trimestre anterior (1,6%). As estimativas para os três últimos meses do ano passado apontam para uma expansão um pouco maior (1,2%), fechando o ano com um desempenho aquém do esperado e inferior ao de 1994. Para o total da Alemanha, em função de taxas de crescimento relativamente maiores no lado oriental, a estimativa para o quarto trimestre é de 1,6%. As previsões, segundo o banco de investimento Goldman Sachs de novembro, são de uma expansão um pouco maior para o total da Alemanha (de 2,4% em 1995 para 2,6% em 1996), mas com uma aceleração no lado ocidental (de 1,9% em 1995 para 2,2% em 1996) e uma desaceleração no lado oriental (de 6,9% em 1995 para 5,2% em 1996). O relaxamento da política monetária perdura nos últimos três anos, já tendo atingido, inclusive, as mais baixas taxas de juros desde 1988, quando a economia crescia a um bom ritmo. O objetivo desta política é dar base de sustentação ao ciclo de crescimento da economia alemã. Entretanto, a manutenção de um marco valorizado e os grandes aumentos salariais do segundo semestre de 1995 deterioraram a capacidade de competir da indústria alemã, fazendo com que sua produção se retraísse, a fim de evitar uma possível acumulação de estoques não desejados. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, que também confirma essa desaceleração, apresentou um crescimento nulo em setembro e uma queda de 2% nos meses de outubro e novembro de 1995. No primeiro semestre do ano passado, o produto da indústria apresentou um desempenho consistentemente declinante. Outro fato preocupante é a fraqueza dos gastos de consumo, o que de certa forma tem impedido um melhor desempenho, dado o seu peso relativo na demanda doméstica. As estimativas para essa variável apontam para uma expansão de 2% em 1995, contra apenas 0,9% em 1994 e 0,5% em 1993, em função de uma melhoria na renda pessoal disponível no ano passado. Para o corrente ano, a projeção do Goldman Sachs aponta para uma taxa de crescimento de 3% tanto no consumo como na renda pessoal disponível. Em virtude da rápida desaceleração da economia alemã e também das mais baixas previsões de crescimento, têm-se levantado dúvidas acerca da capacidade de manutenção do atual nível de emprego, reavivando novamente a questão salarial, que foi objeto de intenso debate durante a última recessão. Tradicionalmente, os salários são fixados com base em acordos que cobrem setores inteiros da indústria, tendo como objetivo garantir uma remuneração básica inicial. Esse modo de negociação, entretanto, tem sido criticado por sua rigidez e por lograr uma significativa elevação dos salários, impedindo a criação de novos empregos e dificultando a acomodação de uma taxa de desemprego em níveis satisfatórios. Em novembro do ano passado esse indicador atingiu 9,3% da força de trabalho, contra 8,9% no mesmo mês de 1994. Uma proposta que visa introduzir maior flexibilidade nesses acordos salariais foi encaminhada pela federação dos empregadores, mas rejeitada a princípio pelos sindicatos, ainda antes da próxima reunião com o chanceler Helmut Kohl em fins de janeiro (será a sétima rodada de negociações com o objetivo de encontrar novas maneiras de se estimular a criação de novos postos de trabalho). O restabelecimento de uma remuneração mínima por setor, acrescida de um complemento que refletiria tanto os lucros obtidos pela empresa específica como o próprio desempenho do trabalhador, visaria à redução do custo unitário da mão-de-obra, melhorando, assim, a competitividade da indústria e estimulando o setor exportador. O déficit público em 1995 ficou em 3,6% do PIB, 0,6% maior do que o teto máximo permitido pelo tratado de Maastricht, fato atribuído ao fraco desempenho econômico, que gerou uma arrecadação tributária menor do que o esperado. O governo alemão tem adotado uma postura inflexível quanto às metas de convergência macroeconômica previstas para a concretização da união monetária entre os integrantes da União Européia a partir de 1#186; de janeiro de 1999, exigindo, inclusive, a imposição de um custo financeiro como forma de induzi-los ao cumprimento das metas de Maastricht. Nesse sentido, as previsões para 1996 são de uma redução do déficit orçamentário, em virtude desse compromisso político, o que poderá levar à adoção de uma política monetária mais expansionista, tendo em vista compensar o efeito contracionista de uma política fiscal mais restrita. Na França, o PIB, sazonalmente ajustado, durante o terceiro trimestre de 1995 apresentou um modesto crescimento de 0,6%, mostrando uma significativa desaceleração em relação aos 3% dos primeiros três meses de 1995. As estimativas para o quarto trimestre são, entretanto, de um crescimento de 2,2%, permitindo uma expansão em 1995 (2,7%) muito próxima à de 1994 (2,9%). A projeção para 1996, segundo o Consensus Forecasts, aponta para uma taxa em torno de 1,9%. A amplitude da greve ao final do ano, com paralisações em vários serviços públicos, teve um reflexo bastante negativo sobre o consumo, que já vinha se enfraquecendo ao longo de 1995. Dados relativos ao consumo das famílias registraram uma queda de 4,4% entre setembro e outubro. A disposição do primeiro-ministro francês, Alain Juppé, em reduzir drasticamente o déficit fiscal através de aumento de impostos e cortes nos benefícios da seguridade social tem tido impacto bastante negativo na confiança dos consumidores, o qual, por sua vez, já se encontra em níveis próximos aos observados durante a recessão de 1993. A produção industrial, segundo os últimos dados disponíveis, decresceu cerca de 1% em outubro, após um fraco crescimento de 0,4% em setembro. A taxa de desemprego, após atingir 12,7% em setembro de 1994, manteve-se declinante em conseqüência do processo de recuperação, situando-se em 11,5% em setembro e outubro de 1995, ainda em patamares mais elevados do que no Reino Unido e na Alemanha. A política do franc fort da Banque de France tem conseguido manter a moeda francesa em relação ao marco alemão o mais próximo possível de sua paridade oficial, permanecendo a taxa de juros francesa atrelada à política monetária do Bundesbank. Nesse sentido, a última redução nos juros alemães proporcionou um maior abrandamento na política monetária francesa, devendo assim criar um ambiente mais propício ao crescimento. No Reino Unido, o PIB, sazonalmente ajustado, no terceiro trimestre de 1995 cresceu 2%, próximo aos 2,3% do período anterior. As estimativas para o último trimestre apontam para um crescimento de 1% aproximadamente, o que resultaria em uma desaceleração da economia britânica de 3,9% em 1994 para 2,7% em 1995. As projeções, segundo o Consensus Forecasts de dezembro, mostram um crescimento de 2,4% em 1996. A produção industrial, medida pela taxa de 12 meses, após um bom desempenho ao longo de 1994, desacelerou-se no primeiro semestre de 1995. Nos meses de julho a setembro, um novo desaquecimento na indústria levou-a para uma taxa de expansão em média próxima a 1%, tendo caído em outubro para 0,5%. A taxa de desemprego, não obstante essa desaceleração, tem continuado a declinar suavemente, apesar de bastante elevada. A partir do início de 1994, verifica-se uma clara trajetória declinante nesse indicador de desemprego, atingindo 8% em novembro de 1995, quase um ponto de percentagem inferior ao do mesmo mês do ano anterior. INFLAÇÃOA acentuada desaceleração do ritmo de crescimento dos países industrializados, ocorrida principalmente a partir do segundo semestre em 1995, reduziu substancialmente as pressões inflacionárias. Como se pode observar no (GRÁFICO 3), a variação do índice de preços ao consumidor, no acumulado de 12 meses, depois de um ligeiro repique observado em março e abril, quando atingiu 2,7%, apresenta a partir de maio um ligeiro movimento de queda, alcançando 2,3% em novembro. Gráfico 3 - Índice de Preços ao Consumidor
Fonte: OCDE. Elaboração: IPEA/DIPES. Historicamente, a inflação na área da OCDE tende a cair quando o PIB cresce abaixo da taxa de crescimento tendencial, ocorrendo o inverso quando o PIB cresce acima dessa taxa. Nesse sentido, na medida em que as previsões para 1996 são de um crescimento muito próximo ao crescimento do produto tendencial, a expectativa é de que a inflação permaneça estável em 1996. Nos Estados Unidos, a taxa de inflação, medida pela variação do índice de preços ao consumidor, no acumulado de 12 meses, depois de apresentar um ligeiro repique em abril e maio, quando alcança 3,2%, volta a registrar um movimento de queda, atingindo 2,6% em novembro. Ao nível do atacado, ainda que sujeita a algumas oscilações, ela tem se mantido baixa, em torno de um patamar de 2%, valor observado em novembro. Apesar da baixa taxa de desemprego, da ordem de 5,6%, próxima daquela considerada "natural", as projeções do Consensus Forecasts de dezembro apontam para uma inflação de 2,9% em 1996, igual à estimada para 1995. A expectativa de uma taxa estável em 1996 pode ser explicada tanto pela previsão de um crescimento neste ano próximo da taxa de crescimento tendencial, quanto pela ausência de pressões do custo unitário da mão-de-obra, que deverá manter-se bem abaixo da taxa de inflação estimada em função dos ganhos de produtividade esperados. Quanto à Alemanha, a variação em 12 meses do índice de preços ao consumidor, após ter permanecido estável até julho em 2,3% - significativamente inferior aos valores observados em 1994 -, apresentou a partir de então um ligeiro movimento de queda, alcançando 1,8% em dezembro. Ao nível do atacado, esta apresenta uma elevação no primeiro semestre, voltando, no entanto, a registrar movimento de queda a partir de então, atingindo 2,4% em setembro. A previsão de uma lenta recuperação da economia alemã em 1995, aliada à elevada taxa de desemprego observada, da ordem de 9,9%, justifica as projeções do Consensus Forecasts de dezembro, que apontam para uma inflação em 1996 de 1,9%, praticamente igual àquela estimada para 1995 (de 2%). No Japão, a taxa de inflação, medida nos 12 últimos meses pela variação do índice de preços ao consumidor, manteve-se muito próxima de zero, e até mesmo negativa em muitos meses, tornando-se, no entanto, mais fortemente negativa em outubro e novembro, quando alcançou -0,6%. Ao nível do atacado, manteve-se negativa ao longo de todo o ano de 1995, atingindo -0,6% em novembro. À semelhança do observado para a Alemanha, a lenta recuperação da economia prevista para este ano, pelo menos para os padrões japoneses, e a relativamente elevada taxa de desemprego deverão contribuir para manter a inflação em 1996 próxima de zero, sendo a projeção para este ano do Consensus Forecasts de dezembro de 0,2%. Já no Reino Unido, a taxa de inflação, após apresentar uma elevação de 0,5% ponto percentual entre abril e setembro, quando alcança 3,8%, explicada em parte por um aumento dos impostos indiretos e pela desvalorização da libra, volta a cair a partir de então, atingindo 3,1% em novembro. Coerentemente com a previsão de uma desaceleração do ritmo de crescimento da economia, já observada a partir do segundo trimestre de 1995 e intensificada no último trimestre, as projeções do Consensus Forecasts de dezembro apontam para uma inflação em 1996 de 2,4%, contra de 3,4% estimada para 1995. Na França, a taxa de inflação manteve-se bastante baixa em 1995, oscilando entre um mínimo de 1,5% em julho e um máximo de 2% em setembro, atingindo 1,9% em novembro. As projeções do Consensus Forecasts de dezembro apontam para uma inflação em 1996 de 1,9%, inferior, portanto, à estimada para 1995 (de 2,5%), como resultado da forte desaceleração do ritmo de crescimento da economia, principalmente a partir do último trimestre do ano passado. POLÍTICA MONETÁRIA E MERCADOS FINANCEIROSComo reflexo do desaquecimento da economia dos principais países industrializados em 1995, aprofundado no segundo semestre do ano, observou-se um abrandamento da política monetária nesses países ao longo de 1995. Nos Estados Unidos, o FED promoveu, no início de julho, uma mudança significativa na condução da política monetária, reduzindo, pela primeira vez em quase três anos, a taxa de juros dos Federal Funds em 0,25 ponto percentual, levando-a para 5,75%. Em meados de dezembro, diante do bom comportamento da inflação e da desaceleração da economia para níveis compatíveis com a taxa de crescimento do produto potencial, o FED promoveu um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dos Federal Funds, levando-a para 5,5%. A longo prazo, no entanto, a expectativa é de que o FED adote uma política monetária mais restritiva, tendo em vista prevenir um excessivo aquecimento da economia. O banco de investimento Goldman Sachs prevê que as taxas dos Federal Funds a médio prazo (três a seis meses) mantenham-se no atual patamar, enquanto que a longo prazo (12 a 18 meses) deverão se elevar para 6% (GRÁFICO 4). Gráfico 4 - Taxa de Juros de Curto Prazo
Fonte: FMI e Financial Times. Elaboração: IPEA/DIPES. A decisão do FED no sentido de promover um corte na taxa de juros de curto prazo refletiu-se no mercado de títulos de longo prazo do governo, que apresentou tendência de baixa. A crise estabelecida entre o executivo e o legislativo norte-americano por conta dos cortes no orçamento, no entanto, tem provocado oscilações nas taxas de retorno desses títulos, impedindo, segundo alguns analistas, que os juros dos títulos do Tesouro de 30 anos caiam abaixo de 6%. As últimas projeções do banco de investimento Goldman Sachs para a taxa de juros dos títulos do governo de 10 anos são de 5,9% em um horizonte de três meses, subindo para 6,3 e 6,8%, respectivamente, em um horizonte de seis e 12 meses. Já as previsões do Consensus Forecasts de dezembro apontam para uma taxa de juros dos títulos do governo americano de 10 anos muito mais baixa, de 5,9% (GRÁFICO 5). Gráfico 5 - Taxa de Juros de Longo Prazo
Fonte: FMI e Financial Times. Elaboração: IPEA/DIPES. Na Alemanha, o receio de um desaquecimento mais acentuado da economia levou o Bundesbank a reduzir a taxa de redesconto no final de março em 0,5 ponto percentual e em agosto em mais 0,5, levando-a para 3,5%, o mais baixo nível nos últimos seis anos. A queda da inflação nos últimos meses e a forte desaceleração da economia ocorrida principalmente no último trimestre de 1995 levaram o Banco Central alemão, antecipando-se à decisão do FED, a promover na primeira quinzena de dezembro um novo corte nas taxas de juros de curto prazo de 0,5, levando a taxa de redesconto para 3%, não estando descartadas, pelo presidente do Bundesbank, cortes adicionais nas taxas de juros. Essa medida provocou uma reação imediata no mercado de títulos públicos, observando-se uma queda nas taxas de retorno dos títulos de 10 anos. As projeções do banco de investimento Goldman Sachs para as taxas de juros dos títulos do governo de 10 anos em um horizonte de três meses são de uma queda para 6%, com relação à taxa de 6,2% registrada no final de novembro. Em um horizonte de seis e 12 meses, as previsões do banco são de que essas taxas voltem a se elevar para 6,2 e 6,9%, respectivamente. As previsões do Consensus Forecasts para um horizonte de 12 meses apontam para uma taxa de juros um pouco inferior, de 6,6%. Também o Japão, diante da forte apreciação do iene frente ao dólar e da estagnação da economia, promoveu no final de março de 1995 um corte para 1% na sua taxa de redesconto, que estava fixa em 1,75% desde setembro de 1993. Em 7 de junho último, o Banco Central do Japão, em uma reação ao corte das taxas de juros de curto prazo nos Estados Unidos anunciado no dia anterior, reduziu a taxa de juros do interbancário em 0,5 ponto percentual, levando-a para 0,75%. No início de setembro, diante dos sinais de fraqueza da economia, o Japão promoveu uma nova redução na sua taxa de juros básica, levando a sua taxa de redesconto para 0,5%. A perspectiva de que a política monetária no Japão deverá continuar não restritiva enquanto o país não der sinais claros de recuperação resultou em uma queda na taxa de juros dos títulos do governo de 10 anos e em uma redução das projeções anteriores de sua evolução a médio e longo prazos. As projeções do banco de investimento Goldman Sachs para as taxas de juros dos títulos de 10 anos do governo são, a curto prazo, de estabilidade no atual patamar de 2,8%, devendo elevar-se em um horizonte de seis e 12 meses para 3 e 3,4%, respectivamente. Para um horizonte de 12 meses, a previsão do Consensus Forecasts é também de uma taxa de juros de 3,4%. O ano de 1995 caracterizou-se por fortes oscilações nas taxas de paridades entre as moedas das três maiores economias do mundo, conforme descrito no Editorial (GRÁFICO 6). As projeções do banco de investimento Goldman Sachs apontam para alguma recuperação do dólar em um horizonte de seis meses, projetando uma valorização do dólar frente ao marco do nível atual de 1,44 por dólar para 1,55 e do dólar frente ao iene dos atuais 105 por dólar para 112. Em um horizonte de um ano as previsões são de 110 ienes por dólar e de 1,45 marco por dólar, valor próximo ao vigente atualmente. Gráfico 6 - Taxa de Juros de Longo Prazo
Fonte: FMI e Financial Times. Elaboração: IPEA/DIPES. Com relação às principais bolsas de valores internacionais, verificou-se durante o último trimestre de 1995 a continuidade do movimento de alta generalizado observado no período anterior (GRÁFICO 7). Os centros financeiros de Nova Iorque e Londres apresentaram ao longo de 1995 um desempenho consistente, em contraste com a bolsa de Tóquio, que, após se manter em queda no primeiro semestre, recuperou-se vigorosamente (cerca de 37% nos últimos seis meses de 1995), ultrapassando o patamar dos 20 mil pontos ao final do ano passado, a despeito da ainda fraca performance que vem apresentando a economia japonesa. Gráfico 7 - Índices de Bolsas
Fonte: Financial Times. Elaboração: IPEA/DIPES. O índice Dow Jones em 1995 ultrapassou duas barreiras históricas, fato único desde a sua criação. Em novembro último atingiu os 5 mil pontos, depois de já ter atingido os 4 mil pontos em fevereiro do mesmo ano. Esse surpreendente desempenho, conseguido em um ambiente de desaceleração do nível de atividade, pode ser creditado à elevação dos lucros das empresas. A trajetória suavemente declinante nas taxas de juros americanas e perspectivas de novas reduções estão na base desse bom desempenho. O otimismo do mercado de Wall Street fica reforçado com as perspectivas de um iminente acordo político para a eliminação do déficit público até o ano de 2002, o que, por seu turno, deverá ter reflexos nas taxas de juros de longo prazo. BALANÇA COMERCIAL E CONTA CORRENTENo terceiro trimestre de 1995, os Estados Unidos apresentaram um déficit em sua balança comercial de US$ 40,6 bilhões, 6,8% inferior ao do trimestre anterior e ligeiramente menor do que o do primeiro trimestre do ano (GRÁFICO 8). Gráfico 8 - Balança Comercial
Fonte: FMI. Elaboração: IPEA/DIPES. Este melhor desempenho no período julho/setembro deveu-se ao crescimento das exportações (1,7%), que passaram de US$ 145 bilhões para US$ 147,5 bilhões, simultaneamente a uma pequena redução das importações de US$ 188,6 bilhões para US$ 188,1 bilhões. Em relação ao mesmo trimestre de 1994, os resultados são ainda mais significativos, com um crescimento das exportações da ordem de 6,7% e uma queda do déficit de quase 9%. As importações foram 3,4% mais elevadas. O déficit americano em conta corrente registrou um decréscimo de 8,7% no período julho/setembro em relação ao trimestre anterior, passando de US$ 43,2 bilhões para US$ 39,4 bilhões (GRÁFICO 9). Gráfico 9 - Balanço em Conta Corrente
Fonte: FMI. Elaboração: IPEA/DIPES. O superávit comercial do Japão revelou uma acentuada queda no terceiro trimestre de 1995 em relação ao trimestre anterior. Em dólares, o saldo japonês reduziu-se em quase 15%, passando a US$ 32,6 bilhões, sob o impacto de uma retração nas exportações, que passaram de US$ 115,3 bilhões no período abril/junho, para US$ 105,8 bilhões no acumulado de julho a setembro (-8,2%). As importações japonesas também declinaram no terceiro trimestre de 1995, tendo alcançado US$ 73,2 bilhões, valor 4,9% inferior ao do trimestre anterior. As exportações registraram um declínio expressivo em setembro, situando-se em US$ 33,7 bilhões (em comparação com os US$ 36,4 bilhões em agosto), resultado para o qual contribuíram as menores vendas de carros. Em ienes, o superávit japonês teve uma queda de dimensões menores (5,2%), explicada por um pequeno crescimento de 2,1% das exportações, e um aumento de 5,9% das importações. No entanto, a retração do saldo no terceiro trimestre apenas confirmou a tendência iniciada no trimestre anterior, que já havia apresentado um resultado 4,7% inferior ao dos primeiros três meses do ano. É cada vez mais disseminada a percepção quanto a uma mudança estrutural da economia japonesa na direção de uma maior absorção de importações de produtos manufaturados, beneficiadas pela valorização do iene, reduzindo-se a tradicional predominância das matérias-primas na pauta de importações do país. Em conta corrente, o superávit do Japão também registrou uma queda, que chegou a 4,3% entre o segundo e o terceiro trimestres de 1995: de US$ 30,9 bilhões para US$ 29,5 bilhões. Na Alemanha, o superávit comercial do terceiro trimestre de 1995 praticamente repetiu o valor do trimestre anterior, respectivamente US$ 16,5 bilhões e US$ 16,6 bilhões. As exportações e importações tiveram ligeiro crescimento - em torno de 1% - em marcos alemães e apresentaram o movimento inverso quando medidas em dólares, situando-se em US$ 128,8 bilhões e US$ 112,3 bilhões. Ao longo dos nove primeiros meses de 1995, portanto, os resultados da balança comercial alemã ainda não haviam refletido o impacto negativo da valorização do marco, tendo o superávit apresentado um crescimento de 22% (em marcos) em relação ao valor de idêntico período em 1994. No entanto, o papel tradicionalmente desempenhado pelas exportações como motor do crescimento alemão vem perdendo força: após uma expansão de 7,5% em 1994, estima-se que as vendas externas do país tenham aumentado cerca de 2,8% em 1995. O déficit em conta corrente ampliou-se consideravelmente, passando de US$ 1,8 bilhão no período abril/junho, para US$ 9,2 bilhões entre julho e setembro de 1995. O desempenho comercial do Reino Unido sofreu um processo de deterioração em 1995. O déficit comercial, após experimentar um incremento de pouco mais de 60% entre o primeiro e o segundo trimestres do ano, manteve-se em US$ 5,3 bilhões no terceiro trimestre, o que significou um aumento de 2,5% em relação ao trimestre anterior. Tanto as exportações como as importações cresceram 2,8% em comparação com o período abril/junho. Em conta corrente, o déficit do terceiro trimestre foi de US$ 2 bilhões, cerca de 8% superior ao do trimestre anterior, uma deterioração atribuída à evolução na balança de bens. O superávit comercial da França sofreu uma acentuada queda no terceiro trimestre de 1995 em comparação ao anterior (31,5%), caindo para US$ 4,1 bilhões. As exportações, de US$ 71,7 bilhões no período julho/setembro, foram 3,3% inferiores às do trimestre anterior, enquanto as importações mantiveram-se praticamente constantes. Em conta corrente, os superávits franceses reduziram-se a cada trimestre, passando de US$ 8,8 bilhões, para US$ 4,7 bilhões e US$ 1,3 bilhão nos três primeiros trimestres de 1995, respectivamente. O boom das exportações, que havia tirado a Europa da recessão há dois anos, está progressivamente perdendo momentum. Os principais países exportadores europeus - o que inclui Alemanha, Reino Unido e França - deverão ter um desempenho, em 1996, inferior ao do mercado mundial, com a contribuição das exportações para o crescimento do PIB ficando próxima de zero, segundo estimativas da OCDE. COMÉRCIO MUNDIALO relatório World Economic Outlook, publicado pelo FMI em outubro do ano passado, prevê uma queda na taxa de crescimento do volume de comércio mundial de bens em 1996, que deverá atingir 6,4% contra 8,3% projetada para 1995. Nos países desenvolvidos, estima-se que o incremento dos volumes de importação e de exportação atingirão, respectivamente, 5,1 e 4,8%, ambas inferiores às taxas estimadas para o ano passado, de 7,4%, tanto para as importações como para as exportações. Nos países em desenvolvimento não-exportadores de petróleo, a expansão do volume de exportações é calculada em 10,5%, enquanto a das importações situa-se em 9,9%, mas também menores que os respectivos incrementos projetados para 1995, de 12 e 11,4%, respectivamente. Para o Brasil, a "demanda dirigida" - medida pela taxa de crescimento do volume de importações dos principais parceiros comerciais, ponderada pelas respectivas participações na pauta de exportação brasileira - deverá alcançar 7% em 1996 contra 8,6% em 1995 (GRÁFICO 10). Gráfico 10 - Comércio Mundial
Fonte: FMI e DTIC-Secex. Elaboração: IPEA/DIPES. CommoditiesO índice da média dos preços das commodities com cotação em dólar da revista The Economist acumulou em 1995 cerca de 10% de contração, revertendo o forte movimento de alta que vinha sendo observado desde o último trimestre de 1993 (GRÁFICO 11). Gráfico 11 - Índices de Preços das Commodities
Fonte: The Economist. Elaboração: IPEA/DIPES. Obs.: Base média de 1990 = 100. De maneira geral, a queda das cotações encontra explicação na conjunção de dois fatores recentemente observados no âmbito dos principais países industrializados: o desaquecimento global dessas economias, com impactos sobre a demanda por esses produtos, e a relativa valorização do dólar, principalmente a partir do segundo semestre do ano, acarretando perda de competitividade aos produtos com cotação na moeda americana. As sucessivas reduções de taxas de juros promovidas mais recentemente tanto nos Estados Unidos quanto no Japão e na Alemanha ainda não se mostraram capazes de proporcionar uma reversão no sentido da recuperação das cotações, mas têm garantido alguma sustentação nos preços de alguns produtos. No grupo dos metais, após a forte queda que se seguiu à última elevação dos juros americanos em fevereiro de 1995, as cotações vêm apresentando grandes oscilações, com intensa participação dos fundos de pensão e de investimentos. A tendência mais evidente, no entanto, ainda é de ligeiro declínio dos preços internacionais. A taxa de utilização da capacidade produtiva nas minas e fundições tem voltado a se expandir - um incremento ainda mais significativo na oferta tem sido previsto para 1996 -, principalmente no Ocidente, enquanto a demanda, mesmo nos países do Hemisfério Oriental, já apresenta alguns sinais de desaquecimento. Nesse sentido, os estoques de mercadorias junto às bolsas internacionais e disponíveis à comercialização voltaram a se elevar significativamente, com respeito à maioria dos produtos, desde meados de 1995. No grupo dos alimentos, o principal movimento de queda continua sendo observado nos preços do café, que possui um peso significativo na composição do índice da The Economist. Ao longo de 1995, a sua cotação contraiu-se mais de 45%, atingindo menos de US$ 1 por libra-peso, ante os mais de US$ 2,40 observados em julho de 1994. Os fundamentos do mercado, não obstante, permanecem altistas, com os estoques em poder dos consumidores em níveis considerados reduzidos, assim como a oferta do produto, fortemente prejudicada pela geada e pela seca que atingiram as lavouras brasileiras ainda em 1994. Nesse sentido, embora atualmente venha sendo crescentemente questionada a capacidade de sobrevivência do acordo de retenção nas exportações implementado pelos países produtores em meados de 1995, as projeções continuam apontando para alguma recuperação dos preços do café já no curto prazo. Ainda no grupo dos alimentos, foram os grãos os produtos cujos preços apresentaram melhor desempenho em 1995. Atingidas por uma seca que atrasou o plantio, seguida por chuvas que dificultaram a colheita, as safras americanas foram significativamente reduzidas e os preços experimentaram substancial elevação ao longo do ano (55, 25 e 30%, acumulados, respectivamente, nas cotações internacionais do milho, trigo e soja). O baixo nível em que se encontram os atuais estoques mundiais e a crescente demanda observada principalmente na China permitem supor que os preços desses produtos se manterão relativamente elevados ao menos no médio prazo. PetróleoOs preços do petróleo experimentaram alguma recuperação nos dois últimos meses de 1995, atingindo quase US$ 18/barril (tipo Brent) na média de dezembro (GRÁFICO 12). Gráfico 12 - Preço do Petrólea (Tipo Brent)
Fonte: AIE-OCDE. Elaboração: IPEA/DIPES. De fato, a despeito do desaquecimento econômico dos países da OCDE, o inverno no Hemisfério Norte - que neste ano está anormalmente rigoroso - é um período em que o consumo de petróleo (particularmente de óleo para aquecimento) sazonalmente se eleva. Além disso, a vigência de estoques em níveis relativamente reduzidos, em função do elevado consumo de gasolina no último verão nos Estados Unidos, também contribui para explicar esse movimento de alta. Recentemente, em fins de novembro, os representantes da Opep decidiram manter por mais seis meses o seu teto de produção, fixado desde setembro de 1993 em 24,52 milhões de barris por dia, menos de 35% da oferta mundial. Algumas análises, no entanto, apontavam para a possibilidade de a organização extinguir de vez o seu sistema de quotas e adotar uma política mais agressiva de market-share. Nos últimos dois anos, a vigência de preços relativamente comprimidos e o insucesso nas tentativas de convencimento no sentido de também restringir a produção dos países não-membros do cartel (que têm batido sucessivos recordes) acarretaram substanciais perdas de receitas e de mercado à Opep. A decisão de novembro, assim, constitui mais uma tentativa - se não exitosa, muito provavelmente a última, ao menos no médio prazo - de gerência da Opep sobre os preços internacionais do petróleo. Adicionalmente, ao longo da reunião, muito se discutiu acerca de mecanismos e sanções a serem adotados para coibir os eventos de extrapolação das quotas individuais, que recentemente se tornaram mais freqüentes. Por fim, o retorno do Iraque ao mercado tem-se tornado menos incerto, o que implicará substantivos esforços de acomodação da produção no âmbito do cartel. Nesse contexto, o movimento recente dos preços deve de fato ser considerado um fenômeno eminentemente sazonal, e as perspectivas de curto e médio prazos continuam apontando para preços do petróleo em patamares reduzidos. |