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Carta Mercado de Trabalho - Conjuntura e Análise - nº 3, dezembro 1996

O Desemprego Cai, a Formalização Aumenta

Segundo o Caged/MTb, o nível de emprego formal voltou a aumentar em setembro, após ter diminuído em agosto. Foram criados 18.581 novos empregos com carteira assinada, elevando a variação acumulada ao longo de 1996 para 84.613 nos últimos 12 meses, contudo, o saldo continua negativo (-283.148).

Uma análise mais desagregada mostra que:

  • o resultado foi positivo na maioria das unidades da Federação e, sobretudo, em Pernambuco, onde o desempenho até então vinha sendo bastante ruim. Entretanto, ele foi particularmente negativo, em Minas Gerais, o estado em que o desempenho acumulado ao longo do ano vinha senso melhor até agosto (Gráfico1);
  • o setor que mais gerou empregos em setembro foi a indústria de transformação (20.466), superando até mesmo os serviços (12.799); em compensação, a agricultura que era, até então, o setor que mais tinha gerado empregos neste ano - suprimiu 16.724 postos de trabalho;
  • o saldo acumulado pela indústria ao longo do ano continua, porém, negativo (-20.570);
  • ele foi, mais uma vez, positivo apenas para as faixas etárias até 30 anos; e
  • o resultado foi novamente mais expressivo para as mulheres (11.100) que para os homens 7.481).

Carta Mercado de Trabalho 3 - Gráfico 1

Segundo a PME/IBGE, nas principais regiões metropolitanas o emprego com carteira assinada continuou aumentando e o sem carteira diminuindo. Com isto, o grau de formalização, aumentou pelo terceiro mês consecutivo (Gráfico 2), somente não se verificando esse movimento em Porto Alegre. Observe-se, entretanto, que o patamar continua extremamente baixo desde uma perspectiva histórica: a média móvel acumulada no terceiro trimestre é praticamente idêntica à do segundo, a mais baixa que se tenha registrado desde que foi criada a PME.

Carta Mercado de Trabalho 3 - Gráfico 2

A taxa de desemprego aberto calculada pelo IBGE para o conjunto das regiões metropolitanas se reduziu, mais uma vez, em setembro, atingindo 5,15%. As quedas mais fortes se deram nas regiões do Nordeste e no Rio de Janeiro, ao passo que em São Paulo ela subiu ligeiramente (de 3,74% para 5,92%), apesar de a taxa de desemprego da indústria de transformação ter diminuído. Curiosamente, a mesma taxa calculada a partir da PED/Seade-Dieese em São Paulo continuou sua trajetória decrescente, passando de 9,90% em agosto para 9,70% em setembro.

Os dados da PME apontam que a queda da taxa de desemprego, desta vez, veio acompanhada de uma relativa melhora do perfil dos desempregados, dado que:

  • a participação dos desempregados há mais de 12 meses no desemprego total - que vinha aumentando de forma praticamente contínua ao longo dos últimos 12 meses - caiu de 19,72% em agosto para 18,33% em setembro; e que
  • também diminuiu o peso dos indivíduos com mais de 30 anos de idade e, portanto, dos chefes de família e cônjuges.

Vale assinalar, porém, que voltaram a aumentar as taxas de desemprego e de participação das mulheres, levando o peso destas no desemprego total a atingir 47,12% (contra apenas 40% no mesmo mês do ano passado).

A renda real média do trabalho em setembro, conforme dados da PME/IBGE, caiu 0,75% em relação a agosto. Essa queda, contudo, não foi generalizada: ela não se verificou em três das seis regiões metropolitanas pesquisadas (Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador), nem em setores importantes, como a indústria de transformação, a construção civil e os serviços industriais de utilidade pública, e tampouco para os trabalhadores por conta própria. A renda real média, entretanto, ainda é mais de 6% superior à registrada no mesmo mês do ano passado; o único grupo para o qual esse aumento não se verificou e o formado pelos empregadores.

O diferencial de rendimentos entre os empregados com e sem carteira assinada continuou aumentando, uma vez que a renda média destes caiu mais do que a dos empregados com carteira assinada; isto pode explicar, pelo menos em parte, o aumento do grau de formalização. O diferencial entre empregados com carteira e trabalhadores por conta própria, por sua vez, diminuiu, apesar de a participação destes últimos na ocupação total ter crescido (Gráfico 3).

Carta Mercado de Trabalho 3 - Gráfico 3

Carta Mercado de Trabalho 3 - Gráfico 4

Carta Mercado de Trabalho 3 - Gráfico 5

Carta Mercado de Trabalho 3 - Gráfico 6