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Carta Mercado de Trabalho - Conjuntura e Análise - nº 0, julho 1996

Sinais de Reaquecimento

Continuam os sinais de reaquecimento do mercado de trabalho. As últimas estatísticas disponíveis indicam que:

  • o número de empregos formais no Brasil como um todo aumentou pelo segundo mês consecutivo (após ter decrescido por nove meses seguidos);

  • a taxa de desemprego aberto voltou a diminuir na maioria das regiões metropolitanas; e

  • a queda da renda real média verificada no primeiro trimestre parece ter se estancado para a maior parte dos segmentos que compõem o mercado de trabalho.

O desempenho do mercado de trabalho, contudo, foi bastante diferente nas seis regiões metropolitanas costumeiramente pesquisadas pela PME/IBGE e no resto do Brasil.

No Brasil metropolitano, o ritmo de expansão da PEA seguiu aumentando nos últimos meses: o mercado de trabalho teve que absorver cerca de 570 mil novos participantes nos 12 meses anteriores a abril, sendo que apenas no último mês pesquisado foram quase 100 mil. Ao contrário do que vinha acontecendo no segundo semestre de 1995 e nos primeiros meses de 1996, o nível de ocupação - desde março - tem aumentado ainda mais rapidamente do que a PEA: quase 250 mil novos postos de trabalho foram criados no bimestre março/abril.

Esta retomada do nível de ocupação foi menos intensa nas regiões metropolitanas do Nordeste que nas do Sul/Sudeste e muito mais expressiva para as mulheres que para os homens. O único setor de atividade em que ela não se verificou foi o comércio. Sempre de acordo com a PME/IBGE, entretanto, o número de empregados com carteira assinada nestas seis regiões metropolitanas teria continuado em processo de queda.

Quase 85% dos postos de trabalho criados em março e abril foram para pessoas sem carteira assinada, cujo rendimento real médio - ao contrário do que ocorreu com os demais segmentos da força de trabalho - prosseguiu sua trajetória declinante.

A queda da taxa de desemprego aberto verificada recentemente na maioria destas regiões pode, portanto, ser interpretada como tendo sido provocada pela acentuação do papel de colchão desempenhado pelo segmento informal do mercado de trabalho.

É importante assinalar, todavia, que os resultados da PME não coincidem com os do Caged/MTb para estas mesmas seis regiões metropolitanas que apontam para a criação de mais de 13 mil novos empregos formais no bimestre abril/maio. É certo que este resultado não é muito expressivo, sobretudo se comparado ao que se registrou no Brasil como um todo neste mesmo bimestre (+162 mil novos empregos com carteira assinada), porem marca, uma importante reversão da tendência observada desde meados do ano passado.

Carta Mercado de Trabalho 0 - Gráfico 1

A dinâmica da geração de empregos com carteira assinada de toda forma, parece estar se deslocando das principais regiões metropolitanas para o resto do país. O crescimento do nível de emprego formal em abril e maio no Brasil como um todo foi mais do que suficiente para reverter o saldo negativo acumulado no primeiro trimestre do ano. De janeiro a maio, mais de 134 mil empregos com carteira assinada teriam sido criados segundo o Caged, fenômeno que se verificou:

  • tanto para as mulheres quanto para os homens;

  • em todos os setores de atividade (exceto os serviços industriais de utilidade pública), ou seja, mesmo na indústria de transformação, embora o saldo acumulado por este setor desde o início do ano ainda seja negativo (Gráfico 2);

  • para todos os graus de instrução (exceto o superior completo, que registrou retração em maio); e

  • para todas as faixas etárias até 40 anos, o que marca uma diferença importante em relação ao padrão regstrado desde o início da década, quando, independente do fato da economia estar crescendo ou não, a variação do nível de emprego só foi positiva para trabalhadores abaixo dos 25 anos.

Carta Mercado de Trabalho 0 - Gráfico 2

Como já assinalado acima, a taxa de desemprego aberto no conjunto das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE em abril caiu pelo segundo mês consecutivo, o que foi observado:

  • em todas as regiões metropolitanas, exceto Salvador, que em abril voltou a registrar a maior taxa do país, superando mais uma vez São Paulo (Gráfico-3);

  • nos principais setores de atividade, exceto a construção civil;

  • com menor intensidade para os menos instruídos; e

  • sobretudo para as mulheres (e cônjuges).

Carta Mercado de Trabalho 0 - Gráfico 3

Exceto em Salvador, contudo, o quadro continuava se mostrando mais grave que 12 meses antes (Gráfico 4).

Carta Mercado de Trabalho 0 - Gráfico 4

Os dados da PED/Seade-Dieese de São Paulo, por sua vez, também indicam uma queda da taxa de desemprego aberto, mas um aumento do desemprego oculto, sobretudo daquele devido ao trabalho precário.

A renda real média do conjunto das seis regiões metropolitanas pesquisadas pela PME/IBGE, que havia diminuído em março (Pela primeira vez desde a implantação do Plano Real), manteve se praticamente estável em abril (aumento de O,1%), em patamares próximos aos registrados em outubro do ano passado. Como já ressaltado acima, ela continuou diminuindo de forma não negligível, entretanto, para os empregados sem carteira assinada, que voltaram aos níveis registrados em maio de 1995.

Carta Mercado de Trabalho 0 - Gráfico 5

Carta Mercado de Trabalho 0 - Gráfico 6

Carta Mercado de Trabalho 0 - Gráfico 7