Setor Externo
O desempenho das contas externas no primeiro trimestre de 1997 vem confirmando as
expectativas formadas no final do ano passado, que indicavam um aumento do déficit comercial e
de serviços e um concomitante aumento dos fluxos de capital de modo a financiar este déficit e
sustentar o equilíbrio da taxa de câmbio. De fato, embora o governo demonstre uma clara
preocupação com a trajetória de crescimento das importações -- refletida nas medidas de
restrição aos financiamentos tomadas em março --, as linhas gerais da política econômica com
relação ao setor externo não mostram sinais de mudança. A taxa de câmbio se mantém em rota de
pequenas desvalorizações nominais mês a mês, não foram adotadas medidas de contenção da
demanda -- embora estas ainda não sejam descartadas pelo próprio governo -- e permanece o
movimento de mudança do perfil dos fluxos de capital, com aumento de prazo dos empréstimos
em moeda, redução dos capitais de curto prazo e crescimento dos investimentos diretos. No
entanto, o ponto crucial com relação ao equilíbrio das contas externas ainda persiste: o fraco
desempenho das exportações.
Balança Comercial e Taxa de Câmbio
A balança comercial registrou, no primeiro trimestre de 1997, um déficit de US$ 3 bilhões,
bastante superior aos US$ 452 milhões do mesmo período de 1996, gerando um déficit
acumulado em 12 meses de US$ 8,5 bilhões. Estes números não permitem uma extrapolação para
os demais trimestres do ano, uma vez que os primeiros três meses do ano são tradicionalmente
desfavoráveis para as exportações. De qualquer modo, o déficit em valores dessazonalizados foi
de US$ 2,5 bilhões no período.
Assim como nos últimos meses do ano passado, os déficits são explicados, em grande parte, pelo
fraco desempenho das exportações. Estas alcançaram US$ 10,7 bilhões no trimestre, valor 3,6%
superior ao do mesmo período de 1996 (Tabela 4.1), mas o crescimento no acumulado em 12
meses é de apenas 0,7% (Tabela IV.2 no anexo). Além disso, vale destacar que todo o
crescimento observado neste trimestre deve-se às exportações de produtos básicos, que
cresceram 24,3%, devido à safra recorde e talvez às medidas de desoneração do ICMS na
exportação destes bens adotadas no final do ano passado. Os semimanufaturados registraram
queda de 1,2% -- o que é positivo, dado que estes produtos vinham registrando quedas maiores
ao longo de 1996 -- e os manufaturados se reduziram em 1%.
Entre os produtos básicos destaca-se o crescimento de 150% nas exportações de café em grão,
devido mais a aumentos de quantidade (123%) do que de preço (12%). Soja (93%), carne de
frango (33,8%) e minério de ferro (16%) também explicam grande parte do crescimento dos
básicos, registrando ganhos significativos de quantidade exportada e algum ganho de preço. Vale
registrar que a participação dos básicos no total da pauta de exportações cresceu de 19,4% no
primeiro trimestre de 1996 para 24,3% neste ano.
Quanto aos produtos semimanufaturados, o desempenho no primeiro trimestre, embora tenha
apresentado queda de 1,2%, indica uma trajetória favorável, uma vez que estes produtos ainda
sofrem os impactos da grande queda dos preços internacionais ao longo de 1996, sendo que no
mês de março, isoladamente, já registraram aumento de 4% em relação ao mesmo mês do ano
passado. Os semimanufaturados de ferro e aço, principal item da pauta, registraram aumento de
3,7%, explicado por aumentos de preço, enquanto alumínio e celulose tiveram quedas de 12,5 e
21,4%, respectivamente. Estas quedas são basicamente atribuídas a preço, especialmente no caso
da celulose, que registrou perda de 40% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Outros
produtos que registraram crescimento importante no período foram couros e peles (21,8%), ouro
não-monetário (23,7%), óleo de soja em bruto (17,8%) e madeira laminada (39,7%).
Os produtos manufaturados tiveram queda de 1% nas exportações no primeiro trimestre vis-à-vis
o mesmo período de 1996, mantendo um baixo dinamismo já observado desde o segundo
semestre do ano passado -- inclusive, sua participação na pauta se reduziu de 59% no ano
passado para 56,3% no primeiro trimestre desse ano. Este fraco desempenho tem sido
influenciado por produtos como partes e peças para veículos, com queda de 7% (explicado por
uma redução de 16% nos preços); suco de laranja congelado, com queda 15,6% no valor das
exportações (mas com aumento de 14,3% nas quantidades exportadas); e laminados planos, que
caíram 33,4%, com reduções tanto de preço quanto de quantidade. De fato, o comportamento
dos preços dos manufaturados não tem sido favorável nos últimos meses, indicando que o
potencial de ganhos de preço é reduzido, após os aumentos observados no período 1993/96 (ver
nota técnica no final do Boletim). Entre os produtos que tiveram desempenho mais favorável no
trimestre estão calçados (aumento de 5% no valor exportado, basicamente explicado por
quantidades), motores de pistão (aumento de 7,4%), veículos de carga (+56,1%) e automóveis
(inclusive CKD), que cresceram 110%, refletindo provavelmente os compromissos de exportação
assumidos pelas montadoras no âmbito do regime automotivo.
Quanto às importações, a grande notícia do período foi a restrição aos financiamentos com prazo
inferior a um ano, que englobavam cerca de 63% das importações em 1996, segundo dados da
receita federal. Os reais impactos desta medida, no entanto, devem se dividir em aumento de prazo
de financiamento, aumento de preço dos importados, e efetiva redução das importações. Este
último impacto parece ainda fraco, uma vez que a média diária das importações nas três primeiras
semanas de abril foi de US$ 249 milhões, ainda superior à de março, que foi de US$ 242 milhões.
No primeiro trimestre as importações mantiveram uma trajetória de crescimento em ritmo
razoavelmente acelerado, tendo registrado um total de US$ 13,7 bilhões no período, com
crescimento de 27,7% em relação ao primeiro trimestre de 1996 (Tabela 4.1). Em valores
acumulados em 12 meses, estas já alcançam US$ 56,2 bilhões, com crescimento de 15,8%. Entre
as categorias de uso, o maior crescimento foi observado nos bens duráveis -- 67,1% em relação
ao primeiro trimestre de 1996, puxado basicamente por um aumento de 176% nas importações de
automóveis. Mas a maior contribuição para o aumento das importações em valores absolutos
(cerca de US$ 1 bilhão) veio dos bens de capital, que registraram crescimento de 41,3% sobre o
primeiro trimestre de 1996, alcançando US$ 3,4 bilhões. As importações de combustíveis e
lubrificantes também registraram crescimento elevado, de 34,1%, mas o crescimento observado no
mês de março em relação ao mesmo mês do ano passado (14%) mostra que estas já tendem a se
desacelerar na margem. Por fim, as compras de matérias-primas e de bens de consumo
não-duráveis cresceram, respectivamente, 16,6 e 19,8%, taxas também elevadas mas bem abaixo
da médias das importações totais.
No que diz respeito à taxa de câmbio real, o Gráfico 4.2 mostra que, após um período de relativa
estabilidade entre meados de 1995 e o final de 1996, retornou-se a uma trajetória de valorização,
explicada basicamente pela valorização do dólar diante das principais moedas internacionais. A
taxa de câmbio real para o total das exportações apresenta valorização de 0,5% na taxa de
paridade em relação a março do ano passado, e de 8,1% na taxa efetiva para a amostra de 10
países. Esta valorização se reduz para 6,1% quando se considera uma amostra ampliada, de 15
países -- incluindo-se Argentina, Uruguai, Chile, México e Coréia do Sul. Esta nova taxa (que
passará a ser calculada regularmente pelo GAC) apresenta menor valorização porque as moedas
destes países são, em geral, atreladas ao dólar. Em relação a junho de 1994, a valorização
acumulada é de 16,3% na taxa de paridade, 21% na taxa efetiva para 10 países e 19,3% na
amostra ampliada para 15 países.
O movimento da taxa de câmbio real vem indicando alguma desvalorização ao longo dos últimos
meses no caso dos produtos manufaturados, embora a um ritmo lento (Gráfico 4.3). A taxa de
paridade R$/US$ mostrava, no mês de março, desvalorização de 4,3% em relação a março de
1996, embora no conceito de taxa efetiva (considerando-se uma cesta de moedas de 10 países
industrializados) esta desvalorização se torne uma valorização de 0,3%. Quando se expande a
amostra de países obtém-se novamente uma desvalorização de 1,7% na taxa de câmbio efetiva
real. Desde junho de 1994, a valorização da taxa efetiva é de 11,5% no caso da amostra de 10
países e de 9,6% considerando-se 15 países.
Índices de Preço e de Quantum das Exportações
Uma novidade importante com relação à análise do desempenho das exportações brasileiras
refere-se aos índices de preço e de quantum das exportações, desenvolvidos em um trabalho
conjunto do IPEA e da FUNCEX. A partir deste Boletim estes índices passarão a ser publicados
regularmente, com dados para as exportações totais, por fator agregado, por categorias de uso e
por setor-matriz do IBGE nível 50. As séries destes índices para os últimos anos são apresentadas
no anexo de indicadores, e a metodologia de cálculo destes índices, bem como uma primeira
análise destes dados, são apresentadas em duas notas técnicas em anexo.
Balança de Serviços e Conta Corrente
O saldo da balança de serviços no primeiro trimestre foi deficitário em US$ 4,4 bilhões, com
crescimento de 14,4% em relação ao primeiro trimestre de 1996. Em valores acumulados em 12
meses, o déficit já alcança US$ 22,2 bilhões, mantendo-se em uma rota de crescimento observada
desde 1992 (ver Tabela IV.5 em anexo). Vale registrar que 55% do déficit, ou US$ 2,4 bilhões,
referem-se aos serviços de fatores (Tabela 4.3) e, destes, US$ 1 bilhão são relativos ao
pagamento de juros, sendo notável a queda em relação aos US$ 1,9 bilhão pagos no primeiro
trimestre de 1996. É notável, em especial, o crescimento das receitas com juros, que já
alcançaram US$ 978 milhões no trimestre. Este ganho advém, em sua maior parte, de uma melhor
aplicação das reservas do Banco Central no mercado internacional. Quanto aos demais serviços
de fatores, vale destacar que as remessas de lucros e dividendos tiveram uma substancial elevação
no trimestre (255% em relação ao ano passado), alcançando US$ 1,3 bilhão e superando o
pagamento de juros -- provavelmente um fato inédito. No entanto, vale notar que cerca de metade
destas remessas ocorreu em janeiro, talvez como forma de fugir à cobrança da CPMF.
Quanto aos serviços não-fatores, cujo déficit no primeiro trimestre foi de US$ 2 bilhões, o
principal fator de pressão continua sendo a conta viagens internacionais, que registrou déficit de
US$ 892 milhões, 34,7% superior ao do mesmo período de 1996. O crescimento da renda
interna, a facilidade de acesso a câmbio e o alto custo do turismo interno são aspectos que
impactam diretamente neste resultado, suscitando inclusive algumas iniciativas oficiais no sentido de
reduzir custos e estimular o turismo interno. A receita do país com viagens internacionais neste
trimestre foi de apenas US$ 255 milhões. Outra conta importante na balança de serviços é a de
transportes, cujo déficit no trimestre foi de US$ 573 milhões, com crescimento de 35% em relação
ao ano passado. Esta conta reflete diretamente o aumento da corrente de comércio, e de fato sua
trajetória tem sido fortemente ascendente desde o início da década (Tabela IV.5 em anexo).
O aumento dos déficits comercial e de serviços e uma pequena queda nas transferências unilaterais
fizeram com que o déficit em conta corrente atingisse US$ 6,8 bilhões no trimestre, com
crescimento de 99% em relação ao mesmo período do ano passado (Tabela 4.3). Como
proporção do PIB, o déficit acumulado em 12 meses alcançou em março o nível de 3,64% do
PIB, mantendo-se em trajetória de alta e ainda sem perspectivas de reversão significativa. De fato,
o déficit em conta corrente deve se manter elevado ainda por algum tempo, refletindo o
desequilíbrio entre poupança doméstica e investimento.
Conta de Capital
As entradas de capital estrangeiro no país permanecem em crescimento, tendo ingressado no
primeiro trimestre US$ 17 bilhões, representando um aumento de 11% em relação às entradas de
janeiro a março de 1996. Com relação aos fluxos líquidos, no entanto, estes não foram suficientes
para cobrir todo o déficit em conta corrente do período, uma vez que houve uma perda de
reservas de US$ 1,1 bilhão. Com isso, desconsiderando-se os erros e omissões e outros capitais
compensatórios, o fluxo líquido de capitais no país foi de cerca de US$ 5,7 bilhões no período.
Deve-se destacar, no entanto, que o processo de mudança na qualidade dos fluxos permanece,
com crescimento dos investimentos diretos, aumento dos prazos de captação de empréstimos em
moeda e redução de spreads.
Entre as diversas modalidades de capital, o destaque no período ficou por conta dos investimentos
em moeda, cuja participação no total dos ingressos foi de 62%, contra 52% no mesmo período do
ano passado. Deste total, US$ 7,9 bilhões (74%) foram investimentos de portfolio e US$ 2,7
bilhões referiram-se a investimentos diretos. Em termos líquidos, no entanto, os investimentos de
portfolio renderam US$ 3,3 bilhões e os diretos US$ 2,7 bilhões. De fato, os investimentos
diretos, agregando-se investimentos em mercadorias e conversão de dívidas, alcançaram no
trimestre US$ 2,9 bilhões, e no acumulado em 12 meses já alcançam US$ 11 bilhões, o
correspondente a 42% do déficit em conta corrente no período. Somente em março estes fluxos
somaram US$ 1,7 bilhão, devendo-se destacar que cerca de US$ 1 bilhão referiram-se à
aquisição do Bamerindus pelo HSBC.
Os empréstimos em moeda acumularam no trimestre entradas de US$ 4,1 bilhões, 7,5% abaixo
dos ingressos no primeiro trimestre do ano passado. Deve-se destacar que o desempenho mais
fraco ocorreu justamente no mês de março, quando os fluxos foram de US$ 1,1 bilhão, o que
talvez possa ser explicado pela mudança nas taxas de juros norte-americanas. A queda foi
concentrada basicamente nas captações via Resolução 63 -- que começaram a cair no segundo
trimestre do ano passado por conta das restrições a estas operações impostas pelo Banco Central
em fevereiro de 1996 -- e nas emissões de bônus e notes, o que pode ser explicado pelas
expectativas em torno do aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve. Ainda assim,
verificou-se no trimestre uma importante queda nos custos de captação, com o spread médio
ficando em 9,77% (contra 10,22% no último trimestre de 1996). Esta melhoria se deveu em
grande parte a duas emissões de bônus da República, com spread médio de 8,37%. A recente
melhoria da classificação de risco do país pela Standard & Poor's deve reforçar a tendência de
queda destes custos no futuro.
Economia Mundial
No último trimestre de 1996, o desempenho das principais economias industrializadas foi marcado
por uma inflexão na trajetória de crescimento. A taxa de variação trimestral anualizada dos países
do G-7, que vinha se desacelerando dos 3,1% registrados no início do ano passado para 2,7% e
2,1% no segundo e terceiro trimestres, respectivamente, voltou para 3,2% no último trimestre de
1996. De um lado, Estados Unidos, Japão, Reino Unido e Canadá expandiram-se relativamente
na mesma magnitude e, de outro, Alemanha, França e Itália apresentaram uma fraca performance.
Todavia, apesar de a economia japonesa ter crescido acima da média do G-7 (3,6 e 2,4%,
respectivamente), ainda não significa o fim da fase de lento crescimento observado nos últimos
anos, como atestam as projeções para a economia japonesa em 1997. As estimativas para as
principais economias industrializadas apontam também uma nova reversão no ritmo de crescimento
do primeiro trimestre de 1997, dos 3,2% para aproximadamente 2,5%.
As elevadas taxas de desemprego, o relativamente lento crescimento dos países da Europa
continental e a desaceleração da economia japonesa, particularmente no segundo e terceiro
trimestres de 1996, contribuíram para manter ausentes as pressões inflacionárias nos países
industrializados. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, apesar do vigoroso crescimento
econômico, não se verificou, até o momento, movimento significativo de alta da inflação. A
variação do índice de preços ao consumidor dos países do G-7, no acumulado de 12 meses,
manteve-se praticamente estável desde o início de 1996, oscilando entre um mínimo de 2,2% e um
máximo de 2,5%, alcançando 2,4% em fevereiro último. As perspectivas para a inflação em 1997
permanecem bastante favoráveis, levando-se em conta que a maioria dos países industrializados,
com exceção dos Estados Unidos e do Reino Unido, ainda se encontra operando com elevadas
margens de capacidade ociosa e taxas extremamente altas de desemprego, e que não se espera,
para esse ano, uma elevação significativa das taxas de inflação nos Estados Unidos e na Inglaterra.
Nos Estados Unidos, o acelerado crescimento da economia nos dois últimos trimestres bem como
o fato de esta estar operando com uma taxa de desemprego abaixo do nível consistente com
ausência de pressões inflacionárias levaram o FED, apesar de a taxa de inflação ter permanecido
estável até fevereiro, a elevar a taxa dos Federal Funds, pela primeira vez desde fevereiro de
1995, em 0,25 ponto de percentagem. As últimas projeções da Goldman Sachs apontam para
uma taxa dos Federal Funds, em dezembro deste ano, de 6,5%, a qual deverá permanecer estável
ao longo de 1998, apenas recuando no final do ano para 6,3%. Ainda segundo a Goldman Sachs,
as taxas de retorno dos títulos de dez anos -- atualmente da ordem de 6,7% --, que ainda não
incorporaram a expectativa de novos aumentos das taxas de juros, deverão também apresentar
uma elevação até o final do ano, quando deverão alcançar 7,2%, recuando no primeiro trimestre
de 1998 para 7% e alcançando 6,6% no final de 1998.
Na Alemanha, o Bundesbank manteve inalterada no primeiro trimestre do ano a taxa de juros
praticada nos leilões de recompra de títulos do governo (repo rate) em 3% e a taxa de redesconto
em 2,5%. As últimas projeções da Goldman Sachs apontam para uma taxa de redesconto de
2,5% ao longo de 1997, com uma elevação para 3% no final do ano, devendo permanecer nesse
patamar em 1998. Com relação às taxas de juros dos títulos do governo de 10 anos, as projeções
da Goldman Sachs apontam para uma elevação do atual patamar de 5,8% para 7% no final de
1997 e 7,5% no final do primeiro trimestre de 1998, e uma ligeira redução ao longo dos últimos
três trimestres de 1998, devendo fechar o ano em 7,2%.
No Japão, tendo em vista o efeito contracionista sobre o nível de atividade da redução do déficit
fiscal projetado para 1997, a perspetiva de uma desaceleração, mesmo que temporária, da
economia, deixa quase nenhuma margem de manobra para o Banco Central alterar a atual política
monetária, extremamente expansionista. As projeções da Goldman Sachs apontam para a
manutenção da taxa de redesconto no atual patamar de 0,5% até o final do primeiro semestre de
1998, com uma elevação para 1% a partir de então. Com relação às taxas de juros dos títulos de
10 anos do governo, estas projeções apontam para uma gradual elevação do atual patamar de
2,4% para 2,8% no final do ano, 3,2% no final do primeiro trimestre de 1998 e 3,9% no final de
1998.
O dólar continuou a apresentar no primeiro trimestre de 1997 uma firme trajetória de valorização
-- iniciada em maio de 1995 -- diante do iene e do marco: apenas no primeiro trimestre do ano a
valorização do dólar ante o iene foi de 7,1%, e diante do marco de 8,5%. O fato de os
fundamentos macroeconômicos continuarem favoráveis ao dólar, paralelamente à preocupação
com o sucesso na implementação do Euro, deverá, a curto prazo, permitir que o dólar continue
valorizado diante do iene e do marco. A mais longo prazo, no entanto, a preocupação com o
crescente déficit comercial norte-americano bem como a expectativa de um movimento nas taxas
de juros mais favorável ao iene e ao marco, na medida em que a economia japonesa e alemã
comecem a demonstrar sinais de uma recuperação mais vigorosa, deverão levar a um
enfraquecimento do dólar. As previsões da Goldman Sachs para um horizonte de 12 meses
apontam para uma desvalorização do dólar ante o iene do atual patamar de 123 ienes por dólar
para 105, enquanto em relação ao marco a expectativa é de que o dólar se desvalorize do nível
atual de 1,69 marco por dólar para 1,45.
O comércio mundial de mercadorias experimentou um incremento de 4% em 1996, em termos de
quantum, segundo relatório recente da Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa taxa, no
entanto, representa uma significativa desaceleração, após os fortes crescimentos observados de 10
e 8,5%, respectivamente, em 1994 e 1995. As projeções do Projeto Link das Nações Unidas
com respeito ao comércio mundial de mercadorias em 1997 e 1998 são de um reaquecimento em
relação ao ritmo observado no ano passado, registrando uma expansão esperada em termos de
quantum de 7,2 e 6,3% respectivamente.
O índice dos preços em dólar das commodities da revista The Economist apresentou significativo
movimento de alta ao longo do primeiro trimestre de 1997. Essa recuperação tem sido
fundamentalmente explicada pela forte elevação observada nas cotações da soja e do café -- o
preço da maioria dos demais produtos agrícolas tem-se apresentado em patamares reduzidos
recentemente, em função de incrementos substantivos esperados na oferta mundial, quando
comparada a atual safra com a anterior --, e pela manutenção do lento, ainda que vacilante, ritmo
de crescimento nos preços internacionais dos metais (não-ferrosos), iniciado em meados do
semestre passado.
Por fim, o preço do barril de petróleo (tipo Brent) vem experimentando uma forte contração desde
o início deste ano, após ter-se elevado quase continuamente desde fins de 1995 e ter atingido
cotações inéditas desde o Conflito do Golfo em 1990/91. O efetivo retorno das exportações
iraquianas de petróleo ao mercado e as expectativas de aumentos significativos da oferta
principalmente na América Latina e na região do Mar do Norte, assim como a constatação de que
o inverno neste ano teria sido bem menos rigoroso do que o do ano passado, têm acarretado uma
acomodação das cotações neste ano. Após ter registrado, na média, US$ 20,42 por barril em
1996, as projeções do Banco Mundial para o preço do petróleo são de US$ 19,5 em 1997 e
US$ 18,5 em 1998.
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