Boletim Conjuntural - nº 37, abril 1997

Emprego e Salário

As informações para os primeiros meses de 1997 apontam para uma melhoria no mercado de trabalho em relação ao mesmo período do ano passado, embora registrem uma queda em relação ao último trimestre de 1996. A pesquisa domiciliar realizada pelo IBGE, com informações das seis principais regiões metropolitanas do país, vem registrando aumento na taxa de desemprego aberto e queda na população ocupada quando comparado com os resultados observados nos últimos meses de 1996 movimento que vem acompanhando o ritmo da atividade econômica.
O nível de desemprego continua mais elevado na atividade industrial conforme apontado pelas pesquisas da Fiesp e da PIM-DG do IBGE, além das pesquisas domiciliares realizadas pela Fundação Seade sobre a região de São Paulo e da PME, que engloba seis regiões metropolitanas.

 

BC 37 - Gráfico 2.1


Por sua vez, o salário médio real do pessoal ocupado na indústria vem apresentando crescimento sistemático, tanto pela Fiesp com informações de São Paulo quanto pela PIM-DG do IBGE, com resultados para o Brasil. Para as demais atividades econômicas verifica-se essa expansão em praticamente todas as categorias. Da mesma forma, a massa de rendimentos em termos reais, calculada a partir das informações da PME, vem apontando crescimento quase generalizado, tanto em termos das atividades quanto por posição na ocupação.

Evolução do Emprego

A taxa de desemprego aberto para as seis regiões metropolitanas pesquisadas pela PME [1] do IBGE vem mantendo a trajetória de queda em relação ao mesmo mês de 1996 (Gráfico 2.2). Dessa forma, a taxa média do ano até fevereiro registra uma ligeira retração em relação ao ano passado - 5,3% contra 5,5% (Tabela II.1A na parte de Indicadores). No entanto, os dados dessazonalizados da mesma série indicam um crescimento na taxa de desemprego neste bimestre do ano em comparação com os meses imediatamente anteriores.

BC 37 - Gráfico 2.2


O resultado positivo em termos de queda na taxa de desemprego em relação ao primeiro bimestre do ano passado, segundo informações da PME, tem sido acompanhado pela expansão da população ocupada em praticamente todas as atividades. A média dos primeiros dois meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado aponta para a criação líquida de 211 mil postos de trabalho distribuídos da seguinte forma: 186 mil em serviços, 9 mil no comércio e 7 mil na construção civil. A indústria, embora venha registrando melhoria, continua apresentando resultado negativo com o fechamento de 53 mil postos (Tabela 2.1). Em relação aos últimos meses de 1996, observa-se no entanto uma trajetória de queda no nível da população ocupada, resultado influenciado pelo desempenho da atividade econômica nos últimos meses (Tabelas II.1C na parte de Indicadores ao final do Boletim).
A Fundação Seade, que realiza pesquisa domiciliar para a Grande São Paulo, aponta em março para uma elevação tanto na taxa de desemprego [2] total (15% contra 14,2%), quanto na taxa de desemprego aberto (9,9% contra 9,1%) em relação ao mês de fevereiro (Gráfico 2.3). As médias das duas taxas para o primeiro trimestre de 1997 ficaram acima das verificadas no ano anterior: 14,4% contra 14% para o desemprego total e 9,3% contra 9,2% para o desemprego aberto (Tabelas II.5A e II.5C na parte de Indicadores ao final do Boletim).

BC 37 - Gráfico 2.3


Por sua vez, o nível de ocupação manteve-se em declínio pelo quarto mês consecutivo. Em março foram eliminados 46 mil empregos: a indústria foi responsável por 17 mil, o comércio diminuiu 15 mil ocupações e o setor classificado sob a rubrica "outros" eliminou 13 mil, enquanto o setor de serviços permaneceu praticamente estável.
O nível de emprego industrial para o mês de março no Estado de São Paulo apresentou uma queda de 0,56% em comparação com fevereiro segundo a pesquisa semanal da Fiesp. Este resultado representa a demissão de 10 mil trabalhadores na indústria de transformação paulista, seguindo a trajetória de retração que vem sendo observada na série dessazonalizada (Gráfico 2.1).

 

Evolução dos Salários

A pesquisa mensal da Fiesp aponta em fevereiro para uma expansão de 2,1% no salário médio real da indústria paulista em comparação com o mesmo mês do ano anterior (Gráfico 2.4). Dessa forma, a média do primeiro bimestre de 1997 se situou 2,8% acima do nível verificado no mesmo período de 1996.

BC 37 - Gráfico 2.4


As informações da PIM-DG do IBGE por sua vez registraram, para o acumulado no ano até janeiro, crescimento de 0,7% no salário médio real do pessoal ocupado na produção para o Brasil, enquanto São Paulo foi a única região a apresentar retração (-0,3%).
A PME, que apresenta pesquisa referente a todas as atividades econômicas, aponta para uma elevação de 2,6% no rendimento médio real das pessoas ocupadas no resultado acumulado no ano até janeiro em comparação com igual período de 1996 (Tabela 2.1). O crescimento ocorreu em praticamente todas as atividades: construção civil 6,5%, serviços 5,5% e indústria de transformação 1%, e comércio apresentando queda de 2,6%. Segundo as categorias, destacam-se empregados sem carteira de trabalho assinada 4,9%, com carteira de trabalho assinada 3,5% e conta própria 2,5%, enquanto os empregadores registraram retração de 2,7% no mesmo período.

BC 37 - Tabela 2.1


O salário mínimo em termos reais apresentou crescimento de 3,2% em março quando comparado com igual mês do ano passado, encerrando o primeiro trimestre do ano com expansão de 3,3% em relação a igual trimestre do ano passado.
A massa salarial real do pessoal ocupado na indústria paulista, calculada a partir das informações da pesquisa mensal da Fiesp, apresenta queda de 2,6% para o acumulado no ano até o primeiro bimestre deste ano. Os resultados da PME para as seis regiões metropolitanas utilizadas no cálculo da massa de rendimentos do trabalho em termos reais indicam expansão de 3,7% no acumulado do ano até janeiro para as pessoas ocupadas (Tabela 2.1). As atividades que apresentaram crescimento foram serviços (8,5%) e construção civil (7,7%), enquanto comércio e indústria de transformação registraram queda de 4 e 0,9%, respectivamente, no mesmo tipo de comparação. Por posição na ocupação, houve expansão em empregados sem carteira de trabalho assinada (8,4%), empregados por conta própria (6,8%) e empregados com carteira de trabalho assinada (2,4%) com resultado até janeiro, enquanto empregadores apresentaram queda de 4,3%.

1 As estimativas das observações omissas (junho e julho de 1992 e maio e junho de 1993) foram feitas usando o programa "STAMP", considerando tendência estocástica e sazonalidade usando variáveis dummies.
2 A Fundação Seade trabalha com duas taxas de desemprego: total e aberto. Define-se como desemprego aberto "as pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva nos últimos 30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhum trabalho nos últimos sete dias". O desemprego oculto engloba "as pessoas que realizaram de forma irregular algum trabalho remunerado ou pessoas que realizaram trabalho não-remunerado em ajuda a negócios de parentes e que procuraram trabalho nos 30 dias anteriores ao da entrevista ou que, não tendo procurado neste período, o fizeram até 12 meses atrás (desemprego oculto pelo trabalho precário)" e "as pessoas que não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias, por desestímulo do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses (desemprego oculto pelo desalento e outros)". A taxa de desemprego total indica a proporção da População Economicamente Ativa (PEA) que se encontra na situação de desemprego aberto ou oculto. A taxa de desemprego aberto restringe-se às pessoas nessa situação.


 

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