
InflaçãoOs principais índices de preços apresentaram menores variações no quarto trimestre de 1996, em relação ao trimestre anterior, embora com trajetórias diferentes ao longo do trimestre. O INPC ficou praticamente estável ao longo do trimestre, tendo variado 0,33% em dezembro, contra 0,34% em novembro e 0,38% em outubro. O IPC-Fipe teve trajetória descendente, passando de 0,58% em outubro para 0,34% em novembro e apenas 0,17% em dezembro. As maiores pressões sobre esse índice de dezembro se deram nos grupos transportes (2,40%), como reflexo do aumento dos combustíveis ocorrido em meados do mês; saúde (1,4%), devido ao forte aumento de preços de remédios (3,20%); e educação (0,75%), influenciado pelo início dos reajustes de matrículas e mensalidades escolares (0,94%). Em contrapartida, os grupos alimentação e vestuário tiveram queda significativa em relação a novembro. No caso da alimentação, houve variação fortemente negativa (-1,41%), enquanto a variação do vestuário caiu, com o fim do efeito dos lançamentos de verão, para 0,33%, contra 1,28% em novembro, quando tinha sido o grupo que apresentou maior variação. Já o IGP-DI subiu bastante em dezembro, ficando em 0,88%, contra 0,28% em novembro e 0,22% em outubro. Dentre os seus componentes, o maior responsável por essa subida foi o IPA-DI, que ficou em 1,24%. O IPC subiu para 0,44%, contra 0,25% em novembro, sendo que o comportamento dos grupos que o compõem foi semelhante ao descrito anteriormente para os componentes do índice da Fipe.
Acumulado do AnoA inflação acumulada em 1996 ficou abaixo das expectativas mais otimistas. O IGP-FGV teve variação de apenas 9,34%, contra 14,78% em 1995. Dentre os seus componentes, o único a apresentar variação maior que no ano anterior foi o IPA (8,09% contra 6,39%), enquanto os demais caíram significativamente. O IPC caiu de 25,91% para 11,34%, e o INCC, de 31,45% para apenas 9,56%. Os outros dois índices apresentaram queda ainda mais significativa. A variação acumulada do INPC foi de 9,12% em 1996, contra 21,98% no ano anterior, e a do IPC-Fipe, de 10,03%, contra 23,16% em 1995.
Com relação à trajetória ao longo do ano, observa-se na Tabela 3.1 que os índices subiram no segundo trimestre, em relação ao primeiro, para entrar numa tendência de queda acentuada no segundo semestre. Analisando mais detalhadamente a evolução do índice combinado, porém, podemos dividir o ano em dois períodos distintos. No primeiro, de janeiro a julho, tivemos quase sempre inflação entre 1 e 2% ao mês (com exceção de fevereiro e março, que tiveram índices abaixo de 1%). O segundo período, a partir de agosto, caracteriza-se por uma queda significativa no nível do índice mensal, que ficou sempre abaixo de 0,5% ao mês, com uma média mensal de 0,3%, contra 1,1% do período janeiro/julho.
Dentre os grupos que compõem os índices de preços ao consumidor, os que apresentaram maiores variações acumuladas no ano foram educação (22% no IPC-FGV, 27% no IPC-Fipe e 16% no INPC), habitação (14, 18 e 26%), transporte (12, 20 e 20%) e saúde (18, 18 e 13%). Em compensação, outros dois grupos tiveram variação muito abaixo dos índices gerais. O vestuário apresentou alta de 5,5% no IPC-FGV e variações negativas nos demais índices (-3% no IPC-Fipe e -1,7% no INPC), enquanto alimentação subiu cerca de 2% nos três índices. Preços no AtacadoOs preços no atacado, medidos pelo IPA-OG, apresentaram aceleração em dezembro, com índice de 1,21%, contra 0,24% em outubro e em novembro, em conseqüência da subida tanto dos preços agrícolas quanto dos industriais, acumulando 8,09% em 1996, contra 6,39% de 1995. A variação do IPA-agrícola em dezembro foi de 1,04%, bem acima do 0,02% de novembro e do 0,32% de outubro. Essa alta foi, no entanto, localizada nos itens legumes e frutas (13,65%) e raízes e tubérculos (2,18%), que foram os únicos a apresentar variação maior que a do IPA-agrícola. Com isso, o índice teve variação média de 0,46% no trimestre (ver Tabela 3.2), contra 1,13 no trimestre anterior, acumulando no ano 17,30%, contra 14,28% nos 12 meses encerrados em setembro e -5,62% no ano de 1995.
O IPA-industrial apresentou variação de 1,29% em dezembro, muito superior aos meses anteriores, devido principalmente à alta dos combustíveis e lubrificantes (9,52%) e dos produtos farmacêuticos (3,22%). Com isso, a média mensal no quarto trimestre (Tabela 3.2) foi de 0,62%, contra 0,30% no terceiro trimestre, com o acumulado no ano atingindo 3,88%, acima dos 3,35 dos 12 meses até setembro, mas ainda inferior à variação cambial, que foi de 6,93% no ano, o que propiciou ganho cambial aos exportadores de produtos manufaturados, que são mais sensíveis ao câmbio. Preços RelativosAnalisando os componentes do IPC-Fipe conforme apresentados na Tabela 3.3, verifica-se que, ao contrário do que aconteceu desde o Plano Real até 1995, os serviços não constituíram o grupo com maior variação em relação ao índice geral, sendo superados pelos preços administrados. No acumulado do ano, os serviços tiveram variação "real" de 10,95%, contra 12,37% dos administrados. Note-se que os administrados haviam apresentado em 1995 variação menor que a do índice geral. Assim, permanecem com variações "reais" negativas apenas os preços competitivos e os oligopolistas, estes últimos em geral sujeitos à concorrência dos importados.
Entre os competitivos, verifica-se que todos os itens tiveram variação "real" negativa, destacando vestuário e calçados, cujos preços apresentaram queda nominal, de 1,03 e 8,64%, respectivamente. Entre os oligopolistas, os itens veículos e remédios apresentaram variação acima do índice geral: 13,61 e 15,28% nominais, respectivamente. Com relação aos serviços, que desde o Plano Real vinham apresentando aumentos superiores à inflação, observa-se uma grande melhora em 1996, em relação a 1995. Em primeiro lugar, apenas três dos seis itens apresentaram variações reais significativas, ainda assim bem inferiores às verificadas em 1995. O caso mais preocupante, que é o dos aluguéis, apresentou evolução muito favorável, saindo de um índice "real" de 111,46% em 1995 para 19,60% em 1996. Em segundo lugar, a variação "real" dos serviços ficou em 10,95% em 1996, contra 48,65% em 1995, indicando um grande avanço no processo de convergência das variações de preços, que é fundamental para a consolidação da estabilidade. Isso pode ser confirmado ao se analisar as Tabelas 3.4 e 3.5, que mostram uma diminuição, no segundo semestre, da velocidade de queda dos preços dos bens competitivos e oligopolizados (tomados como proxy para os bens tradeables), em relação aos preços de serviços (tomados como proxy para os non-tradeables) ou de serviços exclusive aluguéis. Neste último caso, a queda da velocidade é mais intensa, o que reflete o fato de que, não considerando os aluguéis, os preços dos serviços apresentaram variação de apenas 3,69% no segundo semestre, bastante próxima, portanto, da variação do índice geral, que foi de 2,84%. No último trimestre do ano, os serviços, excluindo-se os aluguéis, subiram apenas 1,53%, o que significa variação "real" de apenas 0,44%.
Perspectivas para 1997Em janeiro de 1997, os índices de inflação devem se situar ao redor de 1%, em conseqüência ainda do efeito do aumento dos combustíveis ocorrido em dezembro; além de aumento dos alimentos "in natura", devido às chuvas fortes características deste mês; de reajustes das matrículas e mensalidades escolares para o novo ano letivo; e do maior aumento dos aluguéis, devido à concentração de reajustes de contratos no mês de janeiro. Como esses fatores não devem ter efeitos mais duradouros, a tendência para o ano como um todo é da manutenção da trajetória de queda da inflação, pois permanecem atuando os fatores que têm determinado essa trajetória. Os preços dos serviços têm cada vez menos espaço para subir acima da inflação e aqueles que são vinculados a contratos com indexação, como aluguéis, devem ter aumentos cada vez menores à medida que a inflação cai, o que aponta para o reforço do processo de convergência dos preços relativos. Os aumentos de tarifas públicas deverão estar menos vinculados à inflação passada, o que, na ausência de grandes pressões de custos, deve significar aumentos mais próximos dos índices gerais. Os preços industriais devem continuar a sentir os efeitos dos ganhos de produtividade e da concorrência externa, enquanto os preços agrícolas dependerão de condições climáticas que permitam a confirmação das previsões de crescimento da safra, de cerca de 7% em relação à de 1996. Com isso, e mantidas as atuais políticas cambial e monetária, espera-se uma taxa de inflação na faixa de 5 a 8% em 1997 para os preços ao consumidor e de 3 a 5% para os preços no atacado. |
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