Boletim Conjuntural - nº 36, janeiro 1997

Emprego e Salário

Os resultados do segundo semestre de 1996 mostram melhores perspectivas em termos do mercado de trabalho. As pesquisas domiciliares realizadas tanto pelo IBGE, com informações das seis principais regiões metropolitanas do país, quanto pela Fundação Seade, com dados da região de São Paulo, apontam para queda na taxa de desemprego a partir de julho, embora a média do ano ainda tenha ficado acima do nível observado em 1995.

Verifica-se além disso que o desemprego tem-se concentrado na atividade industrial, principalmente na região de São Paulo. A pesquisa de emprego realizada pela Fiesp e a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-DG) do IBGE, ambas realizadas em nível de estabelecimento, também registram retração no pessoal ocupado na indústria. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) feita em nível de domicílio também aponta na mesma direção: declínio no nível de ocupação na indústria.

Por outro lado, o salário médio real do pessoal ocupado na indústria continua apresentando crescimento, tanto pela Fiesp quanto pela PIM-DG do IBGE, com dados de Brasil. Englobando todas as atividades econômicas verifica-se essa mesma tendência - a PME vem registrando crescimento no rendimento real das pessoas ocupadas em todas as categorias. Também a massa de rendimentos em termos reais, calculada a partir das informações da PME, vem apresentando expansão significativa de forma generalizada, tanto em termos das atividades quanto por posição na ocupação.

Evolução do Emprego

A pesquisa domiciliar realizada pela Fundação Seade para a Grande São Paulo indicou em dezembro de 1996 uma queda tanto na taxa de desemprego [1] total (14,2% contra 14,5%), quanto na taxa de desemprego aberto (9,2% contra 9,6%) em relação ao mês imediatamente anterior (Gráficos 2.2 e 2.3). As taxas médias para o ano de 1996 ainda se situaram acima das verificadas no ano anterior: 15% contra 13,2% para o desemprego total e 9,9% contra 9% para o desemprego aberto (Tabelas II.5A e II.5C na parte de Indicadores ao final do Boletim).

BC 36 - Gráfico 2.1

BC 36 - Gráfico 2.2

BC 36 - Gráfico 2.3

Segundo a mesma pesquisa, no entanto, o nível de ocupação apresentou ligeira retração de 0,2% em dezembro. Nesse mês foram eliminados 11 mil empregos: o setor serviços foi responsável por -20 mil e o setor classificado sob a rubrica "outros" por -16 mil, basicamente devido à redução nos serviços domésticos. O comércio por seu turno gerou 20 mil postos, enquanto a indústria criou 5 mil ocupações.

A taxa de desemprego aberto para as seis regiões metropolitanas pesquisadas pela PME [2] do IBGE manteve a trajetória de queda, iniciada em maio de 1996, chegando a 4,56% em novembro, resultado que se iguala à média de 1995. No entanto, se considerarmos a taxa média do ano até esse mês, verifica-se que essa continua acima do nível que vigorava em 1995: 5,6% contra 4,7% (Tabela II1.A), apesar da significativa recuperação ocorrida no segundo semestre de 1996 em termos de emprego.

As informações da PME vêm registrando crescimento na população ocupada para todas as atividades. A média dos 11 primeiros meses desse ano em relação ao mesmo período do ano passado apontam para a criação de postos de trabalho em serviços (364 mil), comércio (67 mil) e construção civil (57 mil). A indústria continua sendo o único setor a registrar queda, com o fechamento de 142 mil postos, embora esse número seja menor a cada mês. Dessa forma, o fluxo líquido agregado ainda continua positivo em 354 mil empregos.

A pesquisa semanal da Fiesp registrou um quadro desfavorável em relação ao emprego na indústria de transformação paulista em 1996. O nível de emprego em dezembro de 1996 apresentou queda de 0,42%, o que contribuiu para que no ano passado o número de demissões chegasse a 176 mil trabalhadores. Da mesma forma, essa tendência de retração no nível de emprego indutrial vem sendo observada na série dessazonalizada (Gráfico 2.1).

Evolução dos Salários

A Fiesp, através de pesquisa mensal, aponta crescimento de 6,3% em novembro para o salário médio real da indústria paulista em comparação com o mesmo mês do ano passado (Gráfico 2.4). A média dos primeiros 11 meses de 1996 continua registrando expansão em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 6,9%.

Da mesma forma, os dados da PIM-DG do IBGE registraram, para o acumulado no ano até outubro, crescimento de 6% no salário médio real do pessoal ocupado na produção na região de São Paulo, enquanto para o Brasil a expansão foi de 4,8%.

Os resultados da PME referentes a todas as atividades econômicas, durante os primeiros 10 meses desse ano, mostram que houve uma elevação de 8,1% no rendimento médio real das pessoas ocupadas no resultado acumulado no ano em relação ao mesmo período de 1995. Esse crescimento foi generalizado pelas categorias, destacando-se empregados com carteira de trabalho assinada (8,2%), por conta própria (8,3%), sem carteira de trabalho assinada (7,3%) e empregadores (3,3%).

O salário mínimo real, além de apresentar crescimento de 2,6% em dezembro quando comparado com o mesmo mês do ano passado, encerrou o ano com expansão de 2,7% em relação à média de 1995.

BC 36 - Gráfico 2.4

BC 36 - Gráfico 2.5

A massa salarial real para o pessoal ocupado na indústria paulista, calculada a partir das informações da pesquisa mensal da Fiesp, apresenta queda de 2,7% para o acumulado no ano até novembro. Os resultados disponíveis na PME para as seis regiões metropolitanas utilizadas no cálculo da massa de rendimentos do trabalho em termos reais indicam crescimento de 10,5% no acumulado do ano até outubro para as pessoas ocupadas. Esse aumento ocorreu em todas as atividades: serviços (14,5%), construção civil (14%), comércio (11,5%) e indústria de transformação (1,6%), no mesmo tipo de comparação. Por posição na ocupação também houve expansão generalizada: empregados sem carteira de trabalho assinada (15%), empregados por conta própria (15,2%), empregadores (8,2%) e empregados com carteira de trabalho assinada (6,1%).

Nota

1 - A Fundação Seade trabalha com duas taxas de desemprego: total e aberto. Define-se como desemprego aberto "as pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva nos últimos 30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhuma atividade nos últimos sete dias". O desemprego oculto engloba "as pessoas que realizaram de forma irregular algum trabalho remunerado ou pessoas que realizaram trabalho não-remunerado em ajuda a negócios de parentes e que procuraram trabalho nos 30 dias anteriores ao da entrevista ou que, não tendo procurado neste período, o fizeram até 12 meses atrás (desemprego oculto pelo trabalho precário)" e "as pessoas que não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias, por desestímulo do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses (desemprego oculto pelo desalento e outros)". A taxa de desemprego total indica a proporção da População Economicamente Ativa (PEA) que se encontra na situação de desemprego aberto ou oculto. A taxa de desemprego aberto restringe-se às pessoas nessa situação. [Voltar]

2 - As estimativas das observações omissas (junho e julho de 1992) foram feitas usando o programa "STAMP", considerando tendência estocástica e sazonalidade utilizando variáveis dummies. [Voltar]

 

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