
Nível de AtividadeNível de AtividadeO PIB brasileiro, de acordo com estimativas do GAC, teria apresentado em 1996 crescimento de 3,2%, resultando na elevação da renda per capita em 1,8% no ano. Seus valores nominais passaram, respectivamente, a R$ 755 bilhões e R$ 4,8 mil. Os grandes setores de atividade que compõem o PIB apresentaram um crescimento equilibrado em torno da média, com a agropecuária crescendo 3,3%, a indústria 2,2% e os serviços 3,9%. Nas categorias mais desagregadas destacam-se a pecuária (+7,8%), os serviços industriais de utilidade pública - energia (+6,1%) e comércio (+5,4%). Esse desempenho agregado foi possível graças à recuperação da economia no segundo semestre do ano, já que o resultado do primeiro semestre havia sido de crescimento nulo diante de igual período de 1995. As comparações com igual período do ano anterior na maioria das vezes encobrem a verdadeira dinâmica ao longo do ano. Na verdade, as taxas de crescimento trimestrais do PIB foram todas positivas durante o ano, saindo de 0,1% no primeiro trimestre para 1,5% no segundo, alcançando o máximo no terceiro (+3,1%) e desacelerando para 1,6% no último trimestre do ano. As perspectivas para 1997 são de continuidade da desaceleração no ritmo de crescimento observado no último trimestre de 1996. Segundo nossas previsões, são esperadas duas quedas consecutivas no indicador dessazonalizado: de 0,5% no primeiro trimestre e de 0,8% no segundo. A despeito disso, as taxas de crescimento do PIB no início deste ano, quando calculadas com base em comparações com iguais trimestres de 1996, serão substancialmente positivas. As perspectivas são de o PIB sair da taxa de 3,2% acumulada até dezembro e chegar em junho com a taxa acumulada de quatro trimestres -- período que corresponde ao terceiro ano da economia sob a égide do Real -- em torno de 5,4%. Embora não tão elevado quanto os 7,2% de crescimento do primeiro ano do Real, esse desempenho caracteriza uma nova dinâmica: ao invés da expansão do consumo observada naquele momento, o crescimento no terceiro ano do Real deverá resultar basicamente da ação do setor privado na ampliação da capacidade produtiva, como ressaltam os resultados dos investimentos já realizados -- a taxa de investimento cresceu na média dos últimos dois trimestres de 1996 para 16,3% do PIB, ante 15,8% no segundo ano do Real. Apesar dessa recuperação, em termos de médias anuais, a formação bruta de capital que foi de 16,6% do PIB em 1995, cai para 16,1% do PIB em 1996. As dificuldades de curto prazo no âmbito do controle fiscal e da balança comercial não deverão ser empecilhos para esse crescimento moderado. No primeiro caso, a explicitação de alguns déficits potenciais contribui para limpar os passivos escondidos por administrações anteriores em todas as esferas de governo, tornando assim mais transparentes as contas públicas. No segundo caso, é preciso analisar o desempenho da balança comercial sob um prisma dinâmico: grande parte do crescimento das importações corresponde a bens de capital tecnologicamente mais avançados e a peças e componentes ainda não produzidos internamente, mas que são exigidos por novos produtos nacionais de qualidade superior para que se tornem competitivos internacionalmente. As exportações reagirão progressivamente à medida que se consolidarem os avanços de produtividade obtidos recentemente, os quais têm redundado em maior poder de competição por parte da indústria brasileira. Os investimentos externos diretos atualmente comprometidos aumentarão nossa capacidade produtiva e competitividade, possibilitando a ampliação das exportações de manufaturados. É importante, também, chamar a atenção na questão externa para o fato de que as taxas agregadas de crescimento do PIB (3,2%) e da indústria geral (extrativa mineral + transformação, de 1,6%) não refletem o desempenho dos setores que efetivamente mais oneram a balança comercial devido a sua demanda por importações. Esse é certamente o caso dos setores de bens intermediários e de bens duráveis de consumo, extremamente dependentes de importações de matérias-primas e componentes. Isso quer dizer que, se quisermos avaliar a questão do aquecimento da economia (do ponto de vista do impacto sobre a balança comercial), os setores relevantes para esse fim serão esses dois (em termos dos indicadores dessazonalizados de crescimento mês a mês ou trimestre a trimestre). O exame desses dois setores mostra que eles foram os maiores responsáveis pela recuperação da produção industrial durante 1996. A produção de bens intermediários cresce ao longo do ano e no quarto trimestre é ainda bastante elevada (3,6%); as perspectivas para 1997, entretanto, são de desaceleração com duas quedas consecutivas, embora as taxas comparadas com o mesmo período de 1996 sejam crescentes. Por sua vez, a produção de bens de consumo duráveis, que têm um crescimento excepcional durante o ano, desacelera-se substancialmente no quarto trimestre, com uma queda de 0,5%. As perspectivas para 1997 são de um crescimento ainda elevado no primeiro trimestre, mas de uma queda no segundo; também nesse caso, as comparações com igual período de 1996 revelarão taxas crescentes. Portanto, levando em consideração a fragilidade do Indicador IPEA para as categorias de uso, é preciso aguardar os resultados do IBGE de novembro e dezembro para que se possa avaliar a verdadeira trajetória de suas produções no quarto trimestre do ano passado e ter melhores previsões para os dois primeiros trimestres deste ano.
Produção IndustrialA indústria brasileira (extrativa + transformação) manteve no último trimestre de 1996 a trajetória de crescimento que se verifica desde o terceiro trimestre de 1995, com uma breve interrupção no primeiro trimestre do ano passado. Nossa estimativa (de acordo com o Indicador IPEA, para novembro e dezembro) é de que a expansão do quarto trimestre tenha sido de 1,5% no índice dessazonalizado em relação ao terceiro trimestre. Em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento chega a 8,2%. Com isso, estimamos que a indústria tenha fechado 1996 com um crescimento de 1,6% (Tabela 1.1).
Desagregando a indústria segundo as categorias de uso (utilizando o resultado do Indicador IPEA de novembro e dezembro), estima-se que todas as categorias apresentam crescimento superior a 3,4%, à exceção da produção de bens de capital, que deve encerrar o ano em queda de 14,2%. Vale salientar a estimativa de crescimento de 10,4% na produção dos bens de consumo duráveis. As comparações com igual período do ano anterior normalmente encobrem a verdadeira dinâmica do ano (principalmente quando no ano anterior a produção esteve sujeita a fortes oscilações, como foi o caso de 1995). De fato, as taxas de crescimento trimestrais da produção industrial foram, à exceção da do primeiro trimestre, todas positivas durante 1996: inicia com a queda de 1,5 no primeiro trimestre, passa para 2,7% no segundo, alcança o máximo no terceiro (+4,6%), desacelerando para 1,5% no último trimestre. Essa dinâmica responde basicamente ao afrouxamento das restrições monetárias e, mais no final do período, à intensificação de obras públicas como decorrência de investimentos na recuperação de estradas com concessão para exploração do setor privado, bem como de obras públicas no âmbito das administrações municipais, em ano eleitoral. Ainda assim, essa dinâmica agregada esconde a dinâmica das categorias de uso: conforme comentado anteriormente, destacam-se com excepcional recuperação os bens intermediários e de consumo durável, que tiveram em praticamente todos os trimestres taxas superiores à media da indústria. Até mesmo o setor de bens de capital já apresentava sinais de recuperação no último trimestre do ano. Perspectivas da Produção IndustrialIncorporando o resultado efetivo do IBGE para outubro e as estimativas do Indicador IPEA de novembro e dezembro, prevê-se que a indústria geral (extrativa mineral + transformação) apresentará, no primeiro trimestre de 1997, crescimento de 9,2%, fechando o primeiro semestre com crescimento de 6,3% nas taxas acumuladas no ano. Esses crescimentos excepcionais se explicam pela baixa base de comparação que foi o primeiro semestre de 1996. No indicador dessazonalizado, mais adequado para avaliar o ritmo esperado para este semestre, prevemos que a indústria apresentará crescimento no primeiro trimestre (+1,1%) e forte queda (-3,5%) no segundo (Tabela 1.2).
Segundo as categorias de uso, essa dinâmica seguirá basicamente a da categoria de bens de consumo. Esse resultado deve ser visto com cautela, pois se baseia em resultados do Indicador IPEA para os meses de novembro e dezembro, cujas estimativas são mais precárias do que para o total da indústria.
Evolução do ConsumoInformações da pesquisa da FCESP sobre o comércio na região metropolitana de São Paulo, utilizadas pelo GAC como proxy de consumo interno, reforçam a percepção de que o crescimento observado nos três primeiros trimestres do ano teria cedido lugar a uma queda no quarto trimestre (-2,7%). Em termos das vendas físicas, o resultado dessazonalizado de dezembro apresentou uma queda em relação a novembro (-3,5%), embora registre crescimento quando comparado a dezembro de 1995 (+3,1%). Excluindo-se as vendas de concessionárias, esses números pioram, passando a ser -9,4 e +0,9%, respectivamente. Em termos de faturamento real, observa-se, nos dados dessazonalizado, queda em dezembro de 3,5% em relação a novembro e de -2,7% em relação a dezembro de 1995, confirmando as expectativas do mercado de que as vendas de natal não seriam melhores do que as do ano passado (Tabela 1.4).
O resultado global do ano de 1996 foi de um pequeno crescimento de 1,4% nas vendas físicas (4,2% excluindo-se as concessionárias de veículos) e queda de 7,4% no faturamento real (-4,5% excluindo-se as concessionárias). Essa diferença entre os indicadores de vendas físicas e faturamento real sugere que o consumo está sendo sustentado por vendas de bens de menor valor ou por uma redução das margens de lucro do comércio. A pesquisa de comércio do IBGE para o Rio de Janeiro mostra também queda do faturamento real no acumulado no ano até novembro, ainda que em menor proporção do que a mostrada pela pesquisa da FCESP para São Paulo (-4,3% contra -7,8%). Nas vendas por atacado, no entanto, observa-se um quadro diferente daquele apresentado pelo comércio varejista. Informações da CNI e da Fiesp mostram um desempenho positivo das vendas reais da indústria -- de 5,7 e 5,9%, respectivamente, no acumulado no ano até novembro (Tabela 1.3). Pib e InvestimentoO resultado dessazonalizado do quarto trimestre do PIB foi ainda de crescimento (+1,6%) sobre o já excepcional resultado do terceiro trimestre (+3,1%). Esse desempenho positivo se repetiu ao longo dos últimos cinco trimestres, acumulando 8,5% de crescimento quando comparado com o terceiro trimestre de 1995. Com esse resultado, o PIB do quarto trimestre é o mais elevado que se tem notícia na série. A performance do indicador do PIB na série dessazonalizada reflete o desempenho do setor industrial que, depois de um período de forte retração no segundo e terceiro trimestres de 1995, cresceu continuamente nos últimos cinco trimestres, acumulando 8,9% de crescimento. O setor agropecuário cresceu no mesmo período 13,4%, enquanto o de serviços cresceu 7,4%. O Produto Interno Bruto brasileiro de 1996 teria fechado, segundo estimativas do GAC, com crescimento de 3,2%, enquanto a renda per capita teria crescido 1,8%. Seus valores nominais seriam, respectivamente, cerca de R$ 755 bilhões e de R$ 4,8 mil (Tabela I.4 na seção de Indicadores). As expectativas para 1997 são de desaceleração na trajetória de crescimento, com o indicador dessazonalizado apresentando duas quedas consecutivas nos dois primeiros trimestres do ano (-0,5 e -0,8%), a despeito do fato de que as comparações com iguais trimestre do ano passado ainda mostrarão elevado crescimento. O primeiro semestre deste ano deverá apresentar crescimento de 4,6% em relação ao primeiro do ano passado, de tal forma que a taxa acumulada em quatro trimestres sairá dos 3,2% em 1996 para 5,4% ao fim do primeiro semestre deste ano (Tabela 1.5)
A taxa de investimento apresenta uma significativa recuperação a partir do primeiro trimestre de 1996 (15,6%) após trajetória decrescente ao longo de todo ano de 1995. No segundo trimestre a taxa foi de 16,1%, resultado influenciado principalmente pelo crescimento da construção civil (na série dessazonalizada). Esse desempenho refletiu, como dito antes, o aumento das obras públicas, assim como uma intensa atividade na construção por conta própria (o chamado consumo formiga). Ainda no segundo trimestre, observa-se também uma forte elevação nas importações de bens de capital. No terceiro trimestre a taxa estimada é de 16,4%, sendo que a maior contribuição vem precisamente da importação de bens de capital. No quarto trimestre a taxa foi de 16,2%, com a maior contribuição sendo da produção interna de bens de capital, que cresceu 2,7% em relação ao trimestre anterior, já que tanto a importação de bens de capital quanto a construção apresentaram queda. Assim sendo, a taxa média de investimento de 1996 foi de 16,1% do PIB (Tabela VIII.5 na seção de Indicadores). A despeito da queda do último trimestre, durante 1996 foi significativa a retomada da importação de bens de capital, o que contribuirá para a expansão e modernização do parque industrial brasileiro, aumentando nossa capacidade competitiva no mercado de bens comercializáveis. Esse é um processo que se iniciou com a abertura econômica a partir de 1989, e seus números são impressionantes: a participação de equipamentos importados, que era de 10,5% do consumo aparente de bens de capital em 1990, foi crescendo progressivamente: em 1994 já era praticamente o dobro daquele valor e em 1995 passou a representar 24,6% do total dos equipamentos investidos no país. Em 1996 esse percentual será substancialmente maior, a julgar pelo evolução das importações durante o ano. As mudanças estruturais na composição do investimento são também significativas: a participação dos equipamentos na formação de capital, que se havia reduzido para cerca de 30,2% em 1992, em prol de maior participação da construção, volta a se recuperar e já alcançava 32,3% em 1995. |
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