
Boletim Conjuntural 34 - julho 1996InflaçãoEm junho, os principais índices de inflação ficaram acima de 1%: o IGP-DI apresentou alta de 1,22%, o INPC de 1,33% e o IPC da Fipe de 1,41%, ficando o índice combinado em 1,32%. Dos sete grupos que compõem o índice da Fipe, apenas o grupo Transporte ficou acima da média (com os transportes urbanos crescendo 12,9% no mês), indicando forte concentração da elevação de preços em um único item. Atuando favoravelmente, com variações negativas, estiveram a carne bovina, os alimentos in natura, aquisição de linha telefônica e já alguns itens do Vestuário. Até o fechamento deste Boletim já havia sido divulgada a terceira quadrissemana de julho, com o índice geral ficando em1,56%, abaixo dos 1,81% da segunda quadrissemana. Novamente a principal pressão altista veio dos transportes coletivos, efeito que só deve desaparecer em agosto. |

| A Tabela 3.1 traz dois índices de preços ao consumidor e a Tabela 3.2 mostra o comportamento do IPA no trimestre de abril/junho de 1996. O crescimento dos índices de preços por atacado continua inferior ao dos preços ao consumidor, ainda que esta diferença tenha caído sensivelmente em relação àquela observada nos primeiros 12 meses da estabilização. A diferença fundamental com relação aos índices de preços ao consumidor está no comportamento dos preços dos serviços que, por suas características próprias ¾ não sofrem a competição de importados e mantêm relações de clientela mais fortes ¾, não são mercados puramente competitivos. Certamente essa mudança de preços relativos é permanente, já que a própria abertura comercial, independentemente de ser acompanhada ou não por valorização do câmbio, aproxima a configuração de preços relativos daquela observada nas economias abertas, de mais alta renda. Na Argentina, por exemplo, depois de cinco anos de estabilização bem-sucedida, a relação preços no atacado (em que o peso dos tradeables é alto) e preços ao consumidor (onde os non-tradeables têm peso importante) caiu para a terça parte do que era em 1986. |


| Na Tabela 3.3 fica clara essa diferença. De acordo com o IPC da Fipe, no acumulado dos últimos 24 meses, enquanto o subgrupo Serviços apresentou variação de 195% (com aumentos de 454% nos aluguéis, 145% nos serviços pessoais e 96 % nas despesas com educação), os bens competitivos tiveram variação de 34%, bastante abaixo da variação do total do índice, que foi de 56%. O grupo "alimentação fora do domicílio" apresentou crescimento de preços muito mais próximo ao dos Serviços no primeiro ano do real, o que se explica pelo fato de que, apesar de seus custos estarem mais ligados a mercados competitivos, esta é uma atividade muito mais próxima à prestação de serviços. Ao final do segundo ano, no entanto, por conta da redução de demanda, a variação acima do índice da Fipe era de apenas 9% (em comparação aos 19,2% dos primeiros 12 meses). |


| Nas Tabelas 3.4 e 3.5 estão os resultados do seguinte exercício: construiu-se a partir do IPC-Fipe um índice de preços formado pela média ponderada dos preços competitivos+oligopolizados (como proxy para o comportamento dos bens tradeable) e um índice de preços de serviços incluindo aluguel (como proxy para o comportamento dos bens non- tradeable). Nos dois casos a base é ,junho de 1994=100. A seguir retirou-se dos serviços o item aluguel. De fato, a mudança de preços relativos é muito mais abrupta nos primeiros meses e menos aguda quando se exclui do cálculo a variação dos aluguéis. |




PERSPECTIVASNão existem pressões no horizonte até o final do ano. As variáveis- chave continuam sendo as tarifas públicas, incluindo os combustíveis, e os preços agrícolas, que passaram a responder mais de perto às condições do mercado internacional, que têm se mostrado muito voláteis. O IPA-agrícola acumula 11,9 % nos seis primeiros meses do ano e mesmo que chegue a 20% até dezembro, em função do realinhamento no preço das carnes, o bom comportamento dos preços industriais sinaliza que em termos de preços no atacado a inflação não deve ultrapassar os 8%. A taxa anualizada de inflação, medida pelo índice combinado (média geométrica do IPC-Fipe, INPC e IGP-DI), continuava decrescente até o primeiro trimestre de 1996 (10,7%), mas os índices de abril a junho produziram uma taxa anualizada consideravalmente maior (16,4%), inclusive mais alta do que a que deverá ser observada no acumulado dos doze meses de 1996. |
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