
Boletim Conjuntural 33 - abril 96Emprego e SalárioAs taxas de desemprego no começo deste ano cresceram em relação às que vigoravam em 1995, tanto para a PME do IBGE (que apresenta informações para seis regiões metropolitanas e para o total do Brasil) até fevereiro quanto para a Fundação Seade (com resultados para a Grande São Paulo) até março. Mesmo assim, estas pesquisas, feitas em nível de domicílio, apontam para um quadro de criação de empregos em setores como comércio e serviços, enquanto na indústria o pessoal ocupado diminuiu. Os dados da PME, até fevereiro, indicam criação de 190 mil novos postos de trabalho neste início de 1996 quando comparado com o mesmo período do ano anterior, distribuídos entre os setores de serviços (342 mil), comércio (110 mil) e construção civil (oito mil). A indústria de transformação diminuiu em 273 mil a população ocupada neste setor em relação à 1995. A Fundação Seade, por sua vez, aponta na mesma direção. A população ocupada por setor de atividade cresceu em serviços (3,5%), no setor classificado sob a rubrica "outros" (que inclui os empregados na construção civil e empregados domésticos, com 4,5%) e no comércio (1,1%). Por outro lado, a indústria de transformação diminuiu o nível de ocupação em 7,6% em relação ao ano passado. Este crescimento na ocupação é compatível com o aumento na taxa de desemprego na medida em que a População Economicamente Ativa (PEA) (ver Nota 1) esteja crescendo mais do que a população ocupada. Esses resultados são mais acentuados nas pesquisas feitas em nível de empresa, como a da Fiesp para São Paulo, que mostra queda significativa no nível de emprego industrial quando comparado com o ano de 1995. Nestas pesquisas, os fenômenos de terceirização e subcontratação resultam em queda mais pronunciada do pessoal ocupado nos estabelecimentos pesquisados. Os salários do setor industrial continuam mostrando crescimento em relação ao ano passado de acordo com a Fiesp. Da mesma forma, o rendimento médio real das pessoas ocupadas vem aumentando de forma generalizada para todas as categorias, destacando-se os empregados sem carteira de trabalho assinada, segundo a PME. Este mesmo movimento de recuperação vem se registrando com o salário mínimo, que cresceu significativamente em termos reais em comparação com o primeiro trimestre de 1995.
EVOLUÇÃO DO EMPREGOAs informações fornecidas pela Fundação Seade para a Grande São Paulo, conforme pesquisas domiciliares, mostram em março aumento tanto na taxa de desemprego (ver Nota 2) total (15 contra 13,8%) quanto na taxa de desemprego aberto (10,1 contra 9,1%) em relação a fevereiro de 1996 (Gráficos 2.2 e 2.3). As taxas médias para o primeiro trimestre de 1996 também se situaram acima das verificadas no ano passado: 14 contra 12,7% para o desemprego total e 9,2 contra 8,7% para o desemprego aberto (Tabelas II.5A e II.5C na parte de Indicadores ao final do Boletim). Pelo terceiro mês consecutivo o nível de ocupação permaneceu em declínio. A indústria reduziu 21 mil postos de trabalho, o comércio diminuiu 36 mil e nos serviços houve um decréscimo de 43 mil. Ocorreu crescimento somente no setor "outros", com a geração de 11 mil ocupações, em função de aumento tanto na construção civil quanto nos serviços domésticos. Deve-se destacar que em março o setor que menos demitiu foi a indústria, confirmando a desaceleração no ritmo das demissões também verificada nas informações da Fiesp.
Mesmo com a queda no nível de ocupação, por setor de atividade, de acordo com os dados da Fundação Seade, verifica-se no resultado acumulado no ano até março crescimento em quase todos os setores em relação ao mesmo trimestre de 1995: serviços (3,5%), o setor classificado sob a rubrica "outros" (4,5%) e comércio (1,1%), enquanto a indústria apresentou queda (-7,6%). Por posição na ocupação, enquanto o número de empregados com carteira assinada caiu 0,9%, o de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada cresceu 1%. As séries dessazonalizadas das taxas de desemprego total e aberto mostram tendências distintas. Enquanto a taxa de desemprego aberto mostra claramente uma trajetória de queda que se verifica desde dezembro do ano passado, a taxa de desemprego total, que sazonalmente tende a cair ao longo do primeiro trimestre do ano, vem apresentando um movimento oscilante desde novembro de 1995 (Tabelas II.5B e II.5D nos Indicadores). A taxa de desemprego aberto para as seis regiões metropolitanas estudadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) (ver Nota 3) do IBGE foi de 5,7% em fevereiro deste ano, superior aos 5,26% verificados em janeiro e acima dos 4,25% de fevereiro do ano passado. A taxa média do ano até este mês situou-se em 5,48% contra 4,34% do mesmo período de 1995. Na série dessazonalizada, a taxa de desemprego, que vinha mostrando um movimento de queda desde dezembro de 1995, voltou a crescer a partir de fevereiro deste ano. O número de pessoas ocupadas cresceu 0,7% na comparação de fevereiro de 1996 com o mesmo mês do ano anterior, enquanto que por setor de atividade esse crescimento ficou assim distribuído: serviços (4,7%), comércio (3,3%) e construção civil (1,5%), apresentando queda na indústria de transformação (-9,8%). Por posição na ocupação, cresceu o número de empregados por conta própria (4,9%), empregados sem carteira de trabalho assinada (2,1%) e empregadores (1,5%), enquanto o número de empregados com carteira de trabalho assinada caiu (-2,1%). Da mesma forma que a Fundação Seade, a PME também aponta para a criação de postos de trabalho neste início de 1996 (190 mil) em relação a 1995, com dados até fevereiro. Por setor de atividade, serviços foi responsável por mais 341.566 ocupações, comércio por 109.751, enquanto a indústria de transformação fechou 272.668 postos de trabalho. Os resultados da pesquisa semanal da Fiesp continuam apontando em 1996 para um quadro desfavorável em relação à geração de empregos na indústria. Em relação à série dessazonalizada, os índices apresentam a mesma tendência observada na série original: a partir de maio observa-se queda mês contra mês imediatamente anterior até março deste ano (Gráfico 2.1). Em março houve queda pelo décimo primeiro mês consecutivo (0,9%), o que significa a demissão de 18.274 empregados, confirmando as perspectivas para 1996 da Fiesp, que previa novas demissões neste começo de ano. EVOLUÇÃO DOS SALÁRIOSO salário médio real da indústria paulista, segundo as informações da pesquisa mensal da Fiesp (Gráfico 2.4), encontrava-se em fevereiro num nível superior ao do mesmo mês do ano passado (1,2%). A média do primeiro bimestre de 1996 para o salário real é 2,4% superior à verificada no mesmo período de 1995. Por outro lado, a massa salarial real, com informações até fevereiro, caiu 6,7% em relação a igual período do ano anterior, devido à forte queda no índice de pessoal ocupado na indústria de transformação paulista.
Segundo a PME do IBGE, o rendimento médio real das pessoas ocupadas no trabalho principal cresceu no resultado acumulado no ano em todas as categorias, destacando-se empregados sem carteira de trabalho assinada (13,7%), empregados com carteira de trabalho assinada (12,5%), empregados por conta própria (10,8%) e empregadores (3,9%). O crescimento até janeiro do rendimento das pessoas ocupadas foi de 12,3% em termos reais. O índice de rendimento médio dos assalariados da pesquisa da Fundação Seade mostra estabilidade em relação a janeiro de 1996 (Gráfico 2.5). Por atividade, ocorreram resultados distintos: enquanto no comércio houve crescimento de 2,5%, o setor de serviços permaneceu estável. Em relação à indústria, houve uma queda de 0,8%, contrariando os resultados da Fiesp. Esta discrepância pode estar relacionada à diferença de deflatores, uma vez que a Fundação Seade utiliza o ICV do Dieese que deverá em breve ser submetido a uma nova ponderação, uma vez que o indicador atual, por refletir uma estrutura de gastos das famílias com rendimento de até 30 salários mínimos, capta variações de preços de alguns serviços com maior intensidade. Com relação ao salário mínimo, seu nível em março de 1996 estava em termos reais 19% acima do que vigorava no mesmo mês de 1995. O resultado acumulado do ano aponta um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. |
| Nota 1 - A PEA compreende o potencial
de mão-de-obra com que pode contar o setor produtivo, isto é,
as pessoas ocupadas e as desocupadas que estavam dispostas a trabalhar
e que para isso tomaram alguma providência efetiva consultando
pessoas, jornais, etc.[Voltar]
Nota 2 - A Fundação Seade trabalha com duas taxas de desemprego: total e aberto. Define-se como desemprego aberto "as pessoas que procuram trabalho de maneira efetiva nos últimos sete 30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhuma atividade nos últimos sete dias". O desemprego oculto engloba "as pessoas que realizaram de forma irregular algum trabalho remunerado ou pessoas que realizaram trabalho não-remunerado em ajuda a negócios de parentes e que procuraram trabalho nos 30 dias anteriores ao da entrevista ou que, não tendo procurado neste período, o fizeram até 12 meses atrás (desemprego oculto pelo trabalho precário)" e "as pessoas que não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias, por desestímulo do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses (desemprego oculto pelo desalento e outros)". A taxa de desemprego total indica a proporção da População Economicamente Ativa (PEA) que se encontra na situação de desemprego aberto ou oculto. A taxa de desemprego aberto restringe-se às pessoas nessa situação.[Voltar] Nota 3 - As estimativas das observações omissas (junho e julho de 1992) foram feitas usando o programa "STAMP", considerando tendência estocástica e sazonalidade utilizando variáveis dummies.[Voltar] |
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