Baixa produtividade no campo compromete renda no CE

 Baixa produtividade no campo compromete renda no CE

Estudo que aborda a situação social no Ceará foi divulgado nesta quarta-feira, 1°, na capital Fortaleza

Em 2009, o rendimento médio do trabalho no Ceará era R$ 684,15, valor consideravelmente inferior à média nacional e abaixo até mesmo do rendimento da região Nordeste. Em compensação, outros indicadores sociais do estado melhoraram, na última década, mais rapidamente que no país e no Nordeste. A mortalidade infantil caiu de 35 por mil para 24 por mil entre 2001 e 2007. O tempo médio de estudo atingiu 6,5 anos no final de 2009, enquanto, na região, ficou em 6,34.

Esses dados estão na publicação Situação Social nos Estados: o caso do Ceará, divulgada nesta quarta-feira, 1°, durante coletiva pública na capital do estado, Fortaleza. Ela integra uma série de estudos que o Ipea está apresentando em várias cidades brasileiras nos meses de janeiro e fevereiro. Já foram lançados trabalhos com dados do Espírito Santo, Distrito Federal, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.

Para Herton Ellery Araújo, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, a baixa produtividade agrícola em regiões do interior do Ceará impede que os salários no meio rural cresçam e melhorem o rendimento médio do trabalhador do estado. "O salário médio no campo era cerca de R$ 300 na época, mesmo somando as rendas mais altas de grandes produtores. Não chegava ao salário mínimo. É preciso melhorar a produtividade das atividades econômicas", argumentou.
     
Araújo ressalta, no entanto, que mesmo em locais de baixa renda, as políticas públicas são capazes de melhorar a vida das pessoas. "O Ceará se destaca, no Nordeste, em redução da mortalidade infantil e aumento do número de anos de estudo. Isso é política pública. Ao mesmo tempo, está com a situação ruim no saneamento básico, problema que o Piauí soube combater, atingindo 80% de cobertura na zona rural", comparou.

Extrema pobreza
Apesar de ainda ter renda inferior à média brasileira, o Nordeste e também o Ceará observaram, na última década, uma redução acelerada no número de pessoas abaixo da linha da extrema pobreza (R$ 70 per capita). Os percentuais de extremamente pobres da região e do estado eram muito próximos em 2001, cerca de 22%, e percorreram trajetórias semelhantes, caindo para 11% em 2009.
  
"A renda melhorou e o desemprego caiu, isso foi decisivo para a redução da miséria. O aumento da cobertura previdenciária e as outras transferências de renda também ajudaram", analisou o técnico do Ipea. Em 2009, as transferências e benefícios sociais correspondiam a mais de 26% da renda domiciliar no Ceará.

Indicadores
Todos os estudos da série Situação Social nos Estados apresentam e analisam sinteticamente 19 indicadores principais de áreas da política social: emprego e renda, saúde, educação, demografia, seguridade, entre outros. Há ainda um anexo estatístico em que é possível combinar os dados de acordo com as necessidades do leitor, seja ele gestor público, pesquisador, estudante, etc.

"Notamos, dentro do Ipea, que faltavam dados acessíveis sobre o estados. A maioria das nossas análises cobriam apenas o país como um todo e as regiões. A intenção é facilitar a vida do professor universitário, do jornalista, de quem quer que esteja interessado na discussão desse assuntos", explicou Herton Ellery.

Leia a íntegra do estudo A situação social nos estados - Ceará

Veja os gráficos da apresentação sobre a situação social no Ceará