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16/11/2009 16:46

Conjuntura em Foco analisa câmbio valorizado

Documento produzido pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto aponta que a política cambial fez aumentar a dívida pública

A recente recuperação da indústria está relacionada às medidas anticíclicas que o governo adotou depois da crise internacional que abalou as economias mundiais, mas a valorização cambial vem provocando quedas no setor de exportações, que precisa ser recuperado. É o que indica o documento Conjuntura em Foco lançado pelo Instituto de Pesquisa Economica Aplicada (Ipea) nesta segunda-feira, dia 16.

Segundo o documento, a valorização do câmbio é responsável ainda pela trajetória de crescimento da dívida líquida do setor público, que alcançou "44,9% do Produto Interno Bruto (PIB) - R$ 1.325,6 bilhões - em setembro, elevando-se 0,9 ponto percentual (p.p.) do PIB em relação ao mês anterior." No acumulado do ano, observou-se aumento de 6,1 p.p. do PIB no endividamento líquido.

O Conjuntura em Foco é lançado todos os meses em que o Grupo de Análise e Previsões (GAP) da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea não elabora a Carta de Conjuntura. Trata-se de uma nota que faz análise pontual de algum tema relevante da conjuntura e uma seção com breve apresentação de números recentes da economia.

Câmbio valorizado

Segundo a nota deste mês, o câmbio apreciado, adicionado ao baixo dinamismo da economia internacional, além de provocar queda nas exportações de produtos industrializados, diminui o desempenho da indústria brasileira em razão da competição com os produtos importados no mercado interno. 

O governo impulsionou o consumo interno por meio da ampliação de crédito fornecido por bancos públicos, das isenções tributárias, dos programas sociais inclusivos e da correção real do salário mínimo, mas, segundo o documento do Instituto, a política cambial não tem sido utilizada como uma política compensatória.

"Quanto mais o câmbio se valoriza", diz o documento, "menor é o valor em reais das reservas internacionais do País (que são denominadas em dólares e representam uma parcela significativa dos ativos financeiros públicos, como os títulos da dívida pública)." Desde a segunda quinzena de outubro, o governo estabeleceu o Imposto sobre Operação Financeira (IOF) de 2% sobre a entrada de capitais de não residentes dirigidos à aplicação em títulos de renda fixa e variável. A nota considera que ainda é cedo para analisar os efeitos dessa medida.

As perspectivas para 2010 são positivas no documento. "A economia brasileira tem tudo para conviver com bons indicadores econômicos, cuja síntese deverá ser o bom comportamento do mercado de trabalho", afirma.

Leia a Conjuntura em Foco na íntegra

 
 

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