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18/11/2009 15:40

Ipea e Câmara promoveram debate sobre a crise

Seminário organizado pelo Ipea na Câmara dos Deputados conclui que respostas à recessão mundial não indicam novos padrões de desenvolvimento

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Foto: Sidney Murrieta

Há indícios de que a fase mais crítica da crise global esteja no fim, enquanto os países que estiveram no epicentro do abalo econômico aos poucos retomam o crescimento. As causas da crise residem na falta de regulação do sistema financeiro global. Mas houve mudanças fundamentais, com regras mais rígidas para esse sistema globalizado?

O deputado Cláudio Vignatti (PT-SC), presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, não parece otimista. "São fortes as resistências às mudanças, principalmente das nações centrais, por serem regras que contrariam os princípios da globalização financeira idealizada pelos grandes grupos internacionais", afirmou na abertura do seminário Desdobramento da Crise Financeira Global, promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelas comissões de Desenvolvimento Econômico e de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

O presidente do Ipea, Marcio Pochmann concordou com o deputado. "Nas soluções apontadas para a crise mundial não há indicativo de medidas de um modelo de produção e de consumo menos degradante ao meio ambiente", disse. "A crise é parte intrínseca do desenvolvimento capitalista. Houve esgotamento de um modelo do passado e falta maturidade para a adoção de novo modelo de desenvolvimento", ressaltou Pochmann para uma plateia de especialistas e parlamentares durante o seminário realizado na terça-feira, 17, no auditório da TV Câmara, em Brasília.

Pochmann observou ainda que o mundo começa a sair da crise "com a mesma linha de produção predatória". Na visão do presidente do Ipea, contribui para essa situação o fato de as agências de governança multilaterais estarem enfraquecidas frente ao poder de articulação de "500 grandes empresas transnacionais e conglomerados financeiros", que não querem uma regulação mais rígida do sistema financeiro.

Depois de destacar que a crise não aumentou a pobreza no Brasil devido às medidas anticíclicas adotadas pelo governo, como a expansão do crédito,  a manutenção  de programas de inclusão social e o aumento real do salário mínimo, Pochmann frisou que "a condição de País democrático criou condições de tomada de decisões".

Lições aprendidas
John C. Robertson, vice-presidente do Federal Reserve Bank of Atlanta (o FED, Banco Central dos Estados Unidos), e Sérgio Odilon dos Anjos, chefe do Departamento de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil, debateram com a plateia, na parte da manhã, o tema "A crise e a re-regulamentação do sistema financeiro internacional". Robertson listou, entre cinco lições que o seu País aprendeu com a crise, a falta de regulação. "O Banco Central ofereceu crédito aos bancos sem saber se a liquidez seria suficiente", disse. Ele relatou ainda que o FED deixou de supervisionar muitas instituições que funcionavam como bancos.

Em sua exposição, Sérgio Odilon dos Anjos mostrou que sistema financeiro brasileiro já atuava há muito anos com regras robustas em relação aos bancos e instituições financeiras. "Não permitimos que os bancos emprestassem acima de seu capital", exemplificou.

Na parte da tarde, o tema "As respostas do Brasil à crise financeira e econômica internacional" contou com a participação do diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional para um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago), o economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Junior.

Entre os debatedores, houve unanimidade em relação ao que está por vir. Paulo Nogueira Batista, por exemplo, concordou com Pochmann sobre a governança multilateral no que se refere ao FMI. "Os países em desenvolvimento, os do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e do G-20, devem ter mais poder decisório no fundo", conclamou.

O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, deputado Edmilson Valentim (PCdoB-RJ), alertou sobre a dificuldade da situação global. "O Brasil, de forma geral, é visto como experiência positiva, mas não nos basta contemplar essa realidade diante das diferenças sociais enormes que temos, que vão do trabalho escravo à tecnologia de ponta, como é o caso da Petrobras", comentou.

 
 

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