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06/11/2009 18:47

Encontro Ipea na capital sergipana debateu desenvolvimento sustentável

Empresários e acadêmicos participaram do segundo dia do seminário. A diretora da Dirur falou sobre institucionalidades

No último dia do seminário O Futuro do Nordeste: Estratégia de Desenvolvimento para as Próximas Décadas, em Aracaju (SE), o técnico de Pesquisa e Planejamento do Ipea Carlos Wagner de Albuquerque foi o mediador da mesa de debates sobre novas institucionalidades e desenvolvimento sustentável, que contou com a palestra de Eugenio Dezen, gerente da Unidade de Negócio de Exploração e Produção da Petrobras para o estado de Sergipe.

Dezen apresentou nesta sexta-feira, dia 6, dados que mostram a Petrobras como a quarta maior empresa de petróleo com reservas comprovadas (sem contar com o pré-sal), e o valor de mercado da empresa está em sexto lugar no mundo "O desafio é buscar novas fontes, pois há um declínio da produção de campos existentes e um aumento da demanda global de óleos", avaliou. Apontou também que, durante a qualificação profissional de 2009 a 2012, serão 207.643 pessoas treinadas, e o Nordeste terá 64.937. Os investimentos na exploração da Bacia do Nordeste e de uma parte do Norte chegarão a R$ 13,8 bilhões até 2013.

Em sua apresentação, o professor da Universidade Federal de Sergipe Ricardo Lacerda de Melo abordou as disparidades entre o Nordeste e outras regiões. A renda per capita familiar da região é metade da renda per capita brasileira, e 55% dos miseráveis do País se encontram no Nordeste. Mas também reconheceu indicadores de melhorias e se mostrou otimista com o crescimento da região. Ele citou o estudo realizado pela Target Consultoria que revela que a participação do Nordeste no consumo nacional em 2008 superou a da região Sul pela primeira vez desde 1980 e foi o segundo maior mercado de consumo do País.

A diretora da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur), Liana Carleial, alertou que o País não possui uma estratégia de desenvolvimento regional. Segundo a pesquisadora, é preciso aproveitar o momento do Brasil para potencializar investimentos no Nordeste. Outro ponto que abordou foi o fato da média salarial nordestina em todas as atividades econômicas ser mais baixa que nas demais regiões brasileiras. "Qual é a causa para isso se a produtividade é convergente e a evolução da escolaridade está crescendo?", questionou.

A diretora argumentou que é necessário construir novas institucionalidades, pois o Brasil não tem uma discussão de qual é o formato do federalismo regional que proponha mecanismos de coordenação dos territórios. "A virada do Nordeste só vai acontecer se pesquisadores, as firmas, a sociedade civil e o Estado se envolvam em pensar esse formato", ressaltou.

Marcos Pimentel de Viveiros, diretor da M. Dias Branco, líder no mercado brasileiro de massas e biscoitos, e Sydrião Alencar, do Banco do Nordeste, participaram da última mesa de debates. Viveiros expôs que 44,9% do mercado de consumo de biscoitos da firma são do Nordeste, e 69% da renda da empresa é gerada na região. Ao final, o empresário chamou a atenção para o problema da ausência de uma identidade regional, que é agravada com a animosidade entre os estados do Nordeste, resultado da guerra fiscal que tem prejudicado o crescimento da região.

A série de seminários Encontros Brasil Ipea 45 Anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional vem promovendo debates em diversas capitais do País com cada uma das diretorias do Instituto.

Veja a apresentação sobre institucionalidades no Nordeste

 
 

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