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22/11/2019 14:43

Escolaridade da mãe impacta no nível de alfabetismo e emprego dos filhos


Pesquisa do Ipea também aponta que filhos de mães sem estudo apresentam maior dificuldade para lidar com interfaces digitais

Um estudo publicado nesta sexta-feira, 22, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que quanto menor a escolaridade da mãe, menor o nível de alfabetismo, a probabilidade de exercer trabalho remunerado e as habilidades para o manuseio de tecnologias por parte dos filhos. A análise se baseia em dados da pesquisa Indicador de Analfabetismo Funcional 2018 (Inaf), realizada pela Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro.

No que diz respeito à população na faixa etária entre 25 e 64 anos cujas mães não tiveram nenhuma escolaridade, quase metade não tem trabalho remunerado. Na outra ponta, 78,8% daqueles cujas mães têm ensino superior completo ou incompleto estão trabalhando.

De acordo com o estudo O Peso do Passado no Futuro do Trabalho: a Transmissão Intergeracional de Letramento, 60% dos filhos de mães sem escolaridade são considerados analfabetos funcionais. Esses filhos também têm maior dificuldade para lidar com interfaces digitais, cada vez mais utilizadas no mundo do trabalho: metade deles não consegue realizar depósitos ou saques em caixas eletrônicos, ou consegue com dificuldade.

O pesquisador do Ipea Luís Cláudio Kubota ressalta no estudo que, em 1970, cerca de um terço da população brasileira era analfabeta, enquanto 29% eram analfabetos funcionais em 2018. E a alta escolaridade não significa alta proficiência: um quarto dos brasileiros com nível superior tem nível elementar de letramento – a pesquisa considera os níveis proficiente, intermediário, elementar, rudimentar e analfabeto. “Essa baixa qualificação de parcela tão significativa da população ajuda a explicar a situação de altas taxas de desemprego e subemprego que enfrentamos no momento”, afirma o documento.

O estudo também alerta para o alto impacto social que o analfabetismo funcional produz, como baixos indicadores de saúde, maior dependência de programas de assistência social, maior envolvimento com o crime e baixa autoestima. A análise do Ipea recomenda atenção especial às famílias mais vulneráveis, com a ampliação do acesso e da permanência das crianças na educação infantil e integral, de modo que haja menos defasagens em relação àquelas vindas de ambientes familiares onde o nível cultural é maior.

Acesse o estudo completo

 
 

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