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07/02/2019 09:02

Comprometimento de renda do brasileiro é caracterizado por dívidas de prazo curto e juro alto


Análise do Ipea mostra que essa composição do endividamento contribui para o Brasil ter o dobro do comprometimento de renda frente a países desenvolvidos

No Brasil, o comprometimento da renda com pagamento de juros e amortizações é o dobro da média registrada em uma lista de 17 países desenvolvidos – 12 europeus, além de Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Coreia do Sul. A partir de dados divulgados pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra a composição do endividamento dos brasileiros e explica por que se compromete tanto a renda no país, apesar de o montante dessa dívida não ser tão alto.

"A dívida mais longa e com mais garantias tem menos impacto no orçamento doméstico, porque a amortização do principal é diluída em muitos anos e a qualidade da garantia permite que os juros sejam mais baixos", explica Estêvão Kopschitz, pesquisador do Ipea e autor da seção Crédito, da Carta de Conjuntura, divulgada nesta quinta-feira, 07. De acordo com cálculos do BIS, a média de comprometimento da renda com pagamento de juros e amortizações nos 17 países selecionados é de 9,8%, ante 20% no Brasil.

O endividamento das famílias é uma forma de movimentar a economia e fazer com que os brasileiros tenham acesso a um nível de vida melhor. Ele corresponde ao total da dívida, enquanto o comprometimento refere-se à parcela da renda destinada ao pagamento dessa dívida. No Brasil, o endividamento corresponde à metade da renda anual (55%). Já a média da amostra de 28 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 130%. "Os brasileiros investem menos em aquisição de imóveis, por exemplo, mas gastam muito com cartão de crédito, contribuindo para um aumento da taxa de juros, haja vista a falta de garantia típica desse tipo de crédito", avalia Kopschitz.

A comparação internacional também mostra que há espaço para que a parcela do endividamento das famílias com crédito habitacional continue aumentando no Brasil. Enquanto aqui esse percentual corresponde a 43%, ele varia entre 67% e 97% em países como Japão, Alemanha, Países Baixos e Noruega.

Fator importante para entender esse cenário de baixo endividamento, mas alto comprometimento de renda com pagamento de juros e amortizações, são as elevadas taxas de juros praticadas no Brasil. Embora elas tenham fechado 2018 em queda – média de 24,1% em dezembro de 2018, face a 26,5% em dezembro de 2017 –, o valor ainda é alto frente à série histórica, sobretudo quando comparada à taxa Selic, que é taxa básica de juros da economia brasileira.

 
 

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