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07/01/2019 15:39

PIB per capita municipal do Rio de Janeiro seria 7,5% menor sem Olimpíada de 2016


Estudo do Ipea mostra impactos dos jogos no município e na região metropolitana do Rio de Janeiro

As Olimpíadas de 2016 tiveram efeito positivo e crescente tanto na cidade do Rio de Janeiro quanto na região metropolitana, aponta estudo divulgado nesta segunda, 07, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com a pesquisa, o evento atenuou os efeitos da crise aguda da economia brasileira – vivida no auge da preparação e realização dos Jogos – e permitiu manter o Produto Interno Bruto (PIB) per capita municipal no patamar de 2012. O PIB per capita é a soma de todos os bens produzidos em uma região, dividida pela quantidade de habitantes desse mesmo local.

"Sem os jogos, o indicador teria regredido aos níveis de 2007", destaca o autor do estudo, o pesquisador do Ipea e especialista em políticas públicas e gestão governamental Glauter Rocha. Na capital fluminense, o PIB per capita teria sido, em média, 7,5% menor sem os Jogos. Na região metropolitana, a média seria 5,1% mais baixa.

Com o evento, o PIB per capita do município do Rio de Janeiro foi aproximadamente R$ 3,7 mil/ano maior no período de 2012 a 2015 do que teria sido em um cenário sem o evento, ficando em R$ 49,4 mil/ano. Na região metropolitana, o crescimento foi de cerca de R$ 1,9 mil/ano, o que assegurou um PIB per capita de R$ 37,16 mil/ano.

A constatação, utilizando o método do controle sintético, foi possível através da comparação com outros 15 municípios brasileiros com mais de um milhão de habitantes: São Paulo, Salvador, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus, Curitiba, Recife, Porto Alegre, Belém, Goiânia, Guarulhos, Campinas, São Luís e Maceió. Criou-se, assim, um Rio de Janeiro hipotético, no qual não teria havido Jogos Olímpicos, com uma versão ponderada desses quinze municípios, levando em conta o comportamento de variáveis como população, taxa de investimento, participação setorial no PIB, capital humano e taxa de desemprego no período anterior à realização do evento (2002 a 2011). "A estimativa do efeito dos Jogos é a diferença entre o PIB per capita do Rio de Janeiro e de sua versão hipotética no período de 2012 a 2015", explica Rocha.

O pesquisador destaca que a realização de um empreendimento de tal porte suscita a expectativa de que seus efeitos se prolonguem para além da data de sua execução. No médio e longo prazos, podem ser esperados avanços na economia carioca decorrentes da ampliação e do aperfeiçoamento da infraestrutura da cidade, da melhoria dos processos produtivos e organizacionais tanto no setor privado quanto no público, e da publicidade internacional. Tais avanços podem impactar positivamente o turismo e as exportações.

Tomando como base a experiência com edições olímpicas anteriores, o estudo alerta, no entanto, que os impactos econômicos futuros não são automáticos. Dependem da capacidade de atores públicos e privados aproveitarem as vantagens que o evento proporcionou.

Acesse o estudo completo

 
 

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