Twitter
Youtube
facebook
Google +
Google +

 

tips and trick
30/10/2017 09:53

Boletim traz novo olhar sobre políticas sociais e desigualdades

Pesquisadores concordam que, sem bom planejamento, a implantação de políticas sociais tem pouco impacto positivo sobre o público-alvo

Mesmo positivas, políticas de assistência social podem acabar potencializando os graus de desigualdades existentes no Brasil, aponta a 13ª edição do Boletim de Análise Político-Institucional (Bapi). O lançamento da publicação ocorreu nesta terça-feira (24) durante o 41° Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), em Caxambu, Minas Gerais.

O boletim chama a atenção para o risco de processos de implementação de políticas, programas e serviços públicos resultarem na reprodução de desigualdades sociais – entendidas como o potencial reforço a exclusões e desvantagens anteriores. Técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e organizador da publicação, Roberto Rocha Coelho Pires explica que a nova série de estudos representa um primeiro passo rumo à “construção de uma agenda de pesquisa sensível aos processos de reprodução de desigualdades”. Um círculo vicioso, afirma ele, ganha forma por meio da implementação indiscriminada de políticas e serviços públicos.

"Nesse caso, uma violência simbólica se expressa na imposição aos indivíduos de uma definição sobre sua existência social e na interiorização de classificações frequentemente estigmatizantes. Isso perpetua suas posições sociais subordinadas em relações estruturais de dominação, enfraquecendo elos de cidadania por meio da percepção das políticas e dos serviços públicos não como direitos, mas como favores do Estado", destacou Pires.

Fracasso estudantil
Em seu artigo, Marina Meira de Oliveira e Cynthia Paes de Carvalho lançam luz sobre problemas como superlotação no ambiente escolar, escassez de recursos e as condições insalubres em que professores lecionam Brasil afora. Na avaliação das pesquisadoras, que acompanharam de perto o dia a dia em uma escola municipal do Rio de Janeiro, a inclusão de estudantes que apresentam atraso no fluxo acadêmico em programas de aceleração escolar não resolve o problema.

Em vez disso, sugere o artigo, as escolas colocam alunos problemáticos no cerne de um limbo escolar, uma vez que, após matriculados em cursos de metodologia alternativa, eles não seriam avaliados em pé de igualdade com estudantes de cursos regulares. Conforme apontam as especialistas, isso dificulta o mapeamento da situação educacional no país.

"Diversos são os fatores que competem para a ressignificação da aprendizagem escolar como uma recompensa para alguns e renúncia para outros, em vez de um direito de todos – uma condição que contribui para a reprodução de desigualdades, mesmo quando se trata da implementação de políticas destinadas a compensar desvantagens históricas de grupos desfavorecidos", concluem.

Em nove capítulos, o Bapi 13 contempla, ainda, temas como a distribuição do programa Bolsa Família, saúde coletiva e assistencialismo à população de rua usuária de drogas.

Confira o Boletim de Análise Político-Institucional n° 13

 
 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil.
Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Expediente Portal Ipea