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10/05/2017 10:30

Grupos mais vulneráveis tiveram maior alta no desenvolvimento humano municipal

Relatório da Fundação João Pinheiro, do Ipea e do PNUD traz dados por cor, sexo e situação de domicílio da população com radiografia de desigualdades que ainda persistem

O relatório Desenvolvimento Humano para Além das Médias: Índice de Desenvolvimento Humano Municipal por cor, sexo e situação de domicílio, lançado nesta quarta-feira, 10 de maio, apresenta uma radiografia das desigualdades e semelhanças entre mulheres e homens, negros e brancos, e populações urbanas e rurais no Brasil. Os dados são referentes aos anos de 2000 e 2010.  “O IDHM nos permite desenhar políticas públicas, nos dá uma mapa, um roteiro para esse desenho. O país precisa crescer, pois desta forma irá garantir as políticas de distribuição de renda. Essas reformas apresentas [pelo Governo Federal] vão assegurar um crescimento maior ao país e aumentar a produtividade”, ressaltou o presidente do Ipea, Ernesto Lozardo, que participou da mesa de abertura do evento.

Também estiveram presentes Nick Fabiancic, coordenador-residente do Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, e Roberto Rodrigues, presidente da Fundação João Pinheiro. Fabianic destacou que, pela desagregação dos dados, é possível observar como os grupos mais vulneráveis melhoraram seu desenvolvimento. “As médias costumam esconder desigualdades, portanto, poder contar com dados desagregados nos permite ter uma melhor compreensão das disparidades existentes”, ressaltou.

“A melhora no IDHM para o período foi maior para os mais vulneráveis, o que pode ter contribuído para a diminuição da desigualdade no país”, aponta o relatório. Nesse intervalo de uma década, a taxa de crescimento anual do IDHM da população negra foi de 2,5%, ante 1,4% dos brancos, 1,9% das mulheres e 1,8% dos homens. A diferença entre o IDHM de negros e brancos reduziu-se pela metade no intervalo de 2000 a 2010 – em 2000, o IDHM da população negra (0,530) era 27% inferior ao da população branca (0,675), ao passo que, em 2010, o IDHM dos negros (0,679) passou a ser 14,4% inferior ao dos brancos (0,777).

O documento consolida o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e 170 indicadores socioeconômicos para o Brasil, as 27 Unidades da Federação, 20 Regiões Metropolitanas e 111 municípios do país. Cada indicador está vinculado a um subíndice: IDHM Educação, IDHM Renda, ou IDHM Longevidade. 

Apesar dos avanços, as desigualdades persistem
Mesmo estudando mais que os homens – 56,7% das mulheres com mais de 18 anos têm o ensino fundamental completo, ante 53% dos homens –, em 2010 elas apresentaram renda média no trabalho 28% inferior à deles. Enquanto as mulheres recebiam, em média, R$ 1.059,30, eles ganhavam cerca de R$ 1.470,73 no mesmo ano.

Quando se analisa a situação de domicílio, a renda domiciliar per capita média da população urbana em 2010 era quase três vezes maior do que a da população rural: R$ 882,64 e R$ 312,74, respectivamente. A escolaridade da população adulta revela um abismo: 60% da população urbana com mais de 18 anos possuía em 2010 o fundamental completo, ante 26,5% da população rural. No mesmo período, a população urbana vivia em média três anos a mais que a população rural: 74,5 anos contra 71,5.

Unidades da Federação
Roraima foi o único estado que apresentou aumento de desigualdade do IDHM entre negros e brancos de 2000 a 2010 (0,033). A maior redução de desigualdade entre esses dois grupos foi observada no Espírito Santo e no Mato Grosso do Sul, com uma queda de 0,042 no índice. 

Em Santa Catarina foi observada a maior diferença na renda média do trabalho entre homens e mulheres, em 2010. A renda média das mulheres era 34,84% inferior a dos homens: R$ 1.079,82 ante R$ 1.655,74. As maiores diferenças percentuais entre o IDHM da população urbana e o IDHM da população rural, em 2010, foram observadas no Amazonas, onde o índice rural era 47,5% inferior ao urbano, seguido do Acre (40,3%) e Roraima (37%).

Regiões Metropolitanas
A RM de Maceió apresentou a maior redução na desigualdade entre brancos e negros entre 2000 e 2010: 0,035. As RMs de Fortaleza e de Salvador também tiveram reduções significativas: 0,037 e 0,035, respectivamente. Em nenhuma RM brasileira houve aumento na diferença entre o IDHM de brancos e negros. 

A RM do Vale do Paraíba e Litoral Norte apresentou a maior diferença na renda média do trabalho entre homens e mulheres. A renda média das mulheres era 35% inferior a dos homens: R$ 1.112,94 e R$ 1.711,69, respectivamente. Por sua vez, as maiores disparidades entre o IDHM da população urbana e o da população rural foram observadas na RM de Manaus (31,3% inferior ao urbano), seguida da RM de Natal (30,2%) e da RM do Recife (27,9%).

Municípios 
Na escala utilizada no relatório, a população negra não possui Muito Alto IDHM em nenhum dos 111 municípios analisados. Já a população branca atingiu esse nível de IDHM em 50 municípios, em 2010. Para o IDHM Médio, a situação é inversa: enquanto 28 municípios possuem população negra nesse recorte, nenhum município teve população branca nessa faixa (todos estão nas faixas de Alto ou Muito Alto IDHM).

Em Feira de Santana (BA) o IDHM da mulher era 9,3% inferior ao do homem, para o ano de 2010. Em Porto Alegre (RS), o IDHM da população negra era 18,2% inferior ao da população branca.

Leia o relatório Desenvolvimento Humano para Além das Médias neste link.

Acesse toda a base de dados da plataforma do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil

Confira os gráficos de apresentação do relatório Desenvolvimento Humano para Além das Médias

 
 

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