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21/03/2017 11:10

Sinais apontam recuperação da economia, diz análise do Ipea

Um dos indicadores de um cenário mais favorável é a previsão de alta de 0,3% na produção industrial em fevereiro

 

A seção de Atividade Econômica da Carta de Conjuntura do Ipea divulgada nesta terça-feira, 21, faz uma avaliação dos números de 2017 e analisa a evolução das taxas de crescimento do PIB, da produção por setor (agropecuária, indústria, serviços), dos componentes da demanda, consumo, formação bruta de capital fixo (FBCF) e produção industrial. Para o Grupo de Conjuntura do Instituto, a economia brasileira apresenta sinais iniciais de retomada. Há indícios de melhora, por exemplo, no Indicador Ipea de Produção Industrial, que prevê avanço de 0,3% no resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, referente a fevereiro, na comparação com janeiro.

O desempenho dos indicadores coincidentes da produção industrial foi, mais uma vez, heterogêneo. Alguns dos indicadores que registraram números negativos foram a produção de aço, com recuo de 3,5%, e a venda de papel e papelão, que caiu 0,4% ante o mês de janeiro. Entre os resultados positivos, a produção de automóveis refletiu o bom comportamento das exportações de veículos e avançou 5,9% na margem, depois da queda de 13,3% em janeiro. Outra alta, de 2%, veio do volume de tráfego de carga em estradas com pedágio.

Além da previsão otimista da produção industrial, os níveis de confiança também subiram. Um terceiro fator positivo é a desaceleração da inflação. A queda dos juros, por sua vez, contribui para o barateamento do custo do capital e possibilita que as famílias renegociem as dívidas passadas, abrindo alguma folga em seus orçamentos, inclusive para aumentar o consumo. A liberação dos recursos das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) também injeta mais recursos na economia. Como o parque industrial já se encontra com os níveis de estoques próximos aos planejados, qualquer melhora no comércio varejista afetará o desempenho da produção.

Outro elemento que pode influenciar positivamente a atividade econômica ao longo de 2017 está associado ao setor externo, pois há boas perspectivas para que permaneça a evolução positiva do volume exportado no ano passado, especialmente com relação às commodities. As projeções para as safras na lavoura indicam crescimento relevante em 2017, o que melhora as projeções para o agronegócio.

Alguns fatores, entretanto, podem contribuir para atrasar o processo de recuperação. Em primeiro lugar, a trajetória da atividade econômica depende de reformas estruturais. Ainda há números negativos, como o Indicador Ipea de FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que recuou 3% em janeiro. O atual quadro de obstrução do canal do crédito tende a retardar os efeitos positivos provenientes da queda nas taxas de juros.

Apesar dos indícios favoráveis, a recuperação da atividade econômica tende a ser lenta, e o legado da recessão ainda se faz presente, podendo ser medido nos últimos resultados do PIB. O recuo de 0,9% na passagem entre o terceiro e o quarto trimestre de 2016, na série livre de efeitos sazonais, foi o oitavo consecutivo. Contra o mesmo trimestre de 2015, o PIB caiu 2,5%, encerrando o ano com retração de 3,6%. Nos últimos dois anos, a perda chegou a 7,2%.

Acesse a seção de Atividade Econômica da Carta de Conjuntura nº 34 do Ipea

Acesse o blog da Carta de Conjuntura do Ipea

 
 

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