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17/03/2017 19:17
Seminário abordou desafios ao crescimento e cenário econômico

Evento no Rio de Janeiro nesta sexta, 17, teve como homenageado o ex-presidente do Ipea Michal Gartenkraut

As alternativas para a retomada do crescimento no Brasil foram tema do debate realizado nesta sexta-feira, 17, na unidade do Ipea no Rio de Janeiro, durante o seminário Desafios do Brasil, em homenagem a Michal Gartenkraut, presidente do Instituto entre 1987 e 1988. O evento foi aberto pelo atual presidente, Ernesto Lozardo, que ressaltou a “história engrandecedora do Ipea” e a relevância dos conhecimentos que a casa vem produzindo para o país. A primeira mesa de debate teve como foco os desafios macroeconômicos do Brasil.

Marco Antonio Cavalcanti, diretor-adjunto de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, iniciou os trabalhos em uma apresentação conjunta com José Ronaldo Souza Jr., diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas. Diante do auditório lotado, eles trataram dos resultados preliminares da parte macroeconômica do projeto Desafios da Nação. “Em termos de desigualdade, estamos muito mal. Apesar dos ganhos que ocorreram recentemente, ainda somos um dos piores países nessa amostra de desigualdade. A gente pensa que melhorou muito, mas ainda estamos entre os piores países porque nossa melhora, em termos relativos, não foi tão grande assim. Nosso grande desafio macroeconômico é aumentar o crescimento do PIB per capita e diminuir a desigualdade”, afirmou Cavalcanti.

Em seguida, Armando Castelar, que já foi técnico do Ipea e atua como pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), comentou que está otimista em relação à conjuntura macroeconômica. “A perspectiva é do PIB crescendo este ano na média de 0,4%, mas esse 0,4 precisa ser relativizando porque a gente tem um carregamento estatístico relativo. Se comparar trimestre com trimestre, a expectativa é de que cresça”, afirmou. “Outra excelente notícia vem da área de inflação. A gente já está trabalhando com 4,1% de inflação para este ano, 4,3% para ano que vem, e o PIB para ano que vem em 12,3%, um número mais respeitável.”

A segunda mesa, que tratou dos desafios sociais, contou com a presença de Ricardo Paes de Barros, outro ex-pesquisador do Ipea e atual economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, além de Carlos Henrique Corseuil, coordenador de Estudos e Pesquisas em Trabalho e Renda do Ipea. Corseuil destacou a relação entre baixa produtividade do trabalho e a alta rotatividade. “Enquanto o trabalhador está exercendo uma determinada função, ele está se capacitando em um treinamento. Isso é interrompido com o aumento da rotatividade. Se o trabalhador tem perspectiva de ficar pouco tempo na empresa, sem que o empresário saiba disso, você tem poucos incentivos para que haja qualificação da mão-de-obra”, afirmou.

Paes de Barros mencionou avanços sociais obtidos nos últimos anos. “O progresso é muito claro. Os pobres foram crescendo 8% no PIB per capita por ano, enquanto os ricos estavam crescendo 2% do PIB per capita ao longo de 10 anos. Isso quer dizer que o pobre estava crescendo quatro vezes mais rápido que o rico. Se quiser reduzir a desigualdade, não tem jeito, tem de haver desigualdade nas taxas de crescimento na direção correta”, declarou.

Homenagens

O seminário foi marcado por diversas homenagens a Michal Gartenkraut. O organizador do evento, Vagner Ardeo, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, agradeceu a todos por “ter recebido o apoio irrestrito para a homenagem muito justa”. Ardeu lembrou de sua convivência com Gartenkraut: “Tive a felicidade de conviver com Michal, fui aluno dele e, por causa das aulas dele, saí da engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e fui para a economia”.

Luis Paulo Rosenberg, economista, consultor e comentarista econômico, discorreu de forma bem-humorada sobre os momentos que passou na vida profissional com o homenageado. Rosenberg trabalhou com Gartenkraut na iniciativa privada e também no governo, ambos assessorando a Presidência da República na época do Plano Cruzado.  “Michal viveu pelo menos umas três vidas na área profissional de tão bem-sucedido que ele conseguiu ser, um grande homem em todos os aspectos: no pessoal, acadêmico e no caleidoscópio profissional que ele era”, afirmou.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fábio Kanczuk, recordou o período em que teve Gartenkraut como chefe. “Ele fazia 200 mil tabelas, olhava 30 mil números de ângulos diferentes e falava que ia extrair leite de pedra. E eu pensava que era por aí que eu devia seguir a minha carreira. Penso ainda da mesma forma. Outra coisa que me marcou é a pureza que o Michal tinha, principalmente quando a gente lidava com alguma coisa relacionada com a academia. Ele me emprestava alguns livros de economia”, disse. “Às vezes, eu chegava na sala dele e dizia ‘Michal, não tô entendendo essa equação aqui’. E os olhos dele brilhavam, ele adorava ver o negócio. Ele vibrava com aquilo.”

Ao final do seminário, foi descerrada a placa de inauguração do novo auditório do Ipea no Rio de Janeiro, que recebeu o nome de Michal Gartenkraut. A cerimônia de inauguração contou com a presença de familiares do ex-presidente do Ipea, do presidente Ernesto Lozardo e da representante da Associação dos Funcionários do Ipea (Afipea), Marina Nery.

 

Acesse a apresentação “Desafios ao crescimento inclusivo brasileiro”, de Ricardo Paes de Barros

Acesse a apresentação “Rotatividade no Brasil”, de Carlos Henrique Corseuil

 

 

 

 
 

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