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21/12/2016 14:00

Inflação intensifica trajetória de queda e deve atingir meta em 2017


IPCA-15 divulgado nesta quarta-feira reforça tendência de arrefecimento

A seção de inflação da Carta de Conjuntura, divulgada nesta quarta-feira pelo Ipea, traz uma análise do comportamento da inflação em 2016 e as perspectivas para 2017. Com o fim do impacto da forte alta nos preços dos alimentos, a partir de setembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) iniciou uma trajetória de desaceleração mais intensa, processo que se intensificou em dezembro, como mostra o resultado do IPCA-15 divulgado também nesta quarta-feira pelo IBGE. O índice registou alta de 0,19%, recuando praticamente 1,0 p.p. em relação ao observado no mesmo mês de 2015 (1,18%).

Com a incorporação deste resultado, a inflação acumulada no ano, medida pelo IPCA-15, foi de 6,6%, bem abaixo da registrada em 2015 (10,7%), consolidando uma trajetória de convergência em direção à meta de 4,5% em 2017.

Assim como vem ocorrendo ao longo do último trimestre, o maior alívio veio do grupo alimentação, que sozinho contribuiu com -0,05 p.p., refletindo a queda da alimentação no domicílio, com deflação de 0,45%. Neste grupo, destacam-se as quedas nos preços do feijão (-17,2%), da batata (-15,8%) e do leite (-5,4%). A tendência é que esta melhora se mantenha nos próximos meses, tendo em vista que os preços agrícolas ao produtor medidos pelo IPA-10 em dezembro revelam uma intensificação deste processo de deflação (-1,5% em dezembro ante -1,0% em novembro).

Nesta mesma direção, a queda de 1,9% no preço da energia elétrica, possibilitada pela mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, permitiu uma deflação de 0,28% do grupo habitação, que juntamente com o recuo de 0,52% na inflação do grupo artigo de residência explicam essa melhora no comportamento do IPCA-15 em dezembro. Em sentido oposto, o grupo transportes se constituiu no foco de maior pressão sobre o índice, repercutindo as altas das passagens aéreas (26,6%).

Maria Andréa Parente Lameiras, autora do estudo sobre inflação e pesquisadora do Grupo da Carta de Conjuntura do Ipea, prevê que em 2017 haverá nova desaceleração da taxa de inflação. “Teremos ainda uma economia crescendo lentamente, com um mercado de trabalho pouco dinâmico. As pessoas continuarão com um poder aquisitivo reduzido, o que, novamente, puxará a inflação, sobretudo dos bens e serviços livres, para baixo”. Ela também destaca que a postura mais transparente da nova diretoria do BACEN contribui para um aumento da confiança do mercado no cumprimento da meta, gerando uma queda nas expectativas futuras e possibilitando um recuo mais rápido da taxa de juros. 

Os riscos para a consolidação desse quadro são baixos, porém existentes, e estão, basicamente, conectados ao mercado externo. Pode ocorrer alguma desvalorização cambial decorrente de medidas adotadas pelo novo governo norte-americano, com impacto nos preços comercializáveis. Além disso, o recente acordo entre os produtores de petróleo pode gerar uma alta nos preços domésticos dos combustíveis, cuja regra de reajuste passou a refletir as cotações internacionais.

Serviço:
A pesquisa está publicada no blog Carta de Conjuntura e disponível no Portal Ipea. As entrevistas com a pesquisadora Maria Andréa Parente Lameiras podem ser agendadas pelo e-mail  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , ou pelo telefone 61 2026-5334. 

 
 

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