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16/12/2016 18:01

Análise mostra trajetória do crédito

Mesmo após forte crescimento, a relação crédito/PIB no Brasil não é alta se comparada internacionalmente

O Ipea divulgou nesta sexta-feira, dia 16, a seção da Carta de Conjuntura sobre crédito. A análise, assinada pelo técnico de planejamento e pesquisa Estêvão Kopschitz, mostra que o crédito cresceu acima do Produto Interno Bruto (PIB) durante o período de expansão anterior à recessão. Porém, mesmo após esse crescimento, a relação crédito/PIB no Brasil não é alta se comparada internacionalmente: equivale à da América Latina, de 50%, e é bem menor do que a média mundial, de 130%, ou a dos países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 147%. Isso sugere que o crédito era subutilizado no Brasil e seu aprofundamento, isto é, o aumento da proporção do crédito em relação ao PIB, era desejável, mas pode ter acontecido rápido demais.

O Banco de Compensações Internacionais (BIS) produz para 43 países, inclusive o Brasil, indicadores de “superaquecimento financeiro”, ou de alerta de crise bancária, entre eles a diferença (hiato) entre a razão crédito/PIB e sua tendência de longo prazo. Segundo estudo do BIS, dois terços das crises bancárias foram precedidas por hiatos superiores a 10% do PIB durante os três anos anteriores aos eventos. Assim, quando a razão crédito/PIB supera sua tendência de longo prazo em valores próximos ou superiores a 10% do PIB, este é um sinal de alerta. O Brasil esteve com essa variável acima de 10% de 2011 a 2013 e acima de 7,0% de 2006 a 2015. Em 2016, até o segundo trimestre, o hiato caiu rapidamente para 1,5% do PIB.

Mas as famílias, agora com altos encargos financeiros do endividamento acumulado, podem ter pouco espaço para novas dívidas. Ao longo desse processo de aumento rápido do crédito, o comprometimento da renda mensal das famílias brasileiras com o serviço da dívida – juros e amortizações – passou de 15,8% em março de 2005 para 22,2% em setembro de 2016. Ou seja, houve um aumento de 40% na participação desse componente na despesa do orçamento familiar.

Um aspecto positivo é que a inadimplência de pessoas físicas não tem crescido e o nível registrado em outubro último, 4,2%, é o mesmo de um ano antes. No entanto, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomercio-SP, de setembro último, registrou que, das famílias paulistanas com rendimento de até dez salários mínimos, 25,2% tinham contas em atraso, sendo este o nível mais alto desde o início da série, em 2010. No caso das famílias com rendimento superior a dez salários mínimos, o percentual com contas em atraso é bem menor, de 7,6%, e está em queda, que foi iniciada em julho deste ano, depois de atingir um pico de 10,7% em junho.

A inadimplência das pessoas jurídicas, entretanto, aumentou de 1,9% em dezembro de 2014 para 3,6% em outubro de 2016. O número de recuperações judiciais requeridas foi, em novembro deste ano, 57% maior que em novembro de 2015. Apesar de elevada, essa taxa de variação está em queda, depois de atingir o pico de 90% em maio de 2016.

Em outubro, a taxa de queda do saldo total de crédito na economia, em termos reais, em relação ao mesmo mês do ano anterior, se reduziu, depois de um ano com taxas negativas sempre superiores à do mês anterior. Em outubro, o saldo total de crédito caiu 9,1% em relação a outubro do ano passado, depois de cair 9,4% em setembro.

Serviço:
A seção completa sobre crédito da Carta de Conjuntura pode ser acessada pelo Portal Ipea ou pelo Blog da Carta de Conjuntura

 
 

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