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22/11/2016 09:30

Desenvolvimento Humano no Brasil mantém trajetória de crescimento entre 2011 e 2014 

Brasil e todas as 27 UFs apresentaram tendências de avanços positivos do IDHM, com destaque para o Amapá, Amazonas e Piauí

No período de 2011 a 2014, quando os indicadores econômicos deram os primeiros sinais de desaceleração e estagnação, o desenvolvimento humano no Brasil continuou a crescer. Isso significa que, no início da crise, as pessoas continuaram vivendo mais, estudando mais e até ganhando mais. No entanto, mesmo mostrando uma tendência positiva, no período de 2011 a 2014 os dados de longevidade e educação apresentaram taxas de crescimento anual inferiores se comparadas com o último período intercensitário (2000 a 2010). Por outro lado, no mesmo período, a renda apresentou taxa de crescimento anual ainda superior se comparada aos anos de 2000 a 2010.

Isso é o que mostra o estudo Radar IDHM, lançado nessa terça-feira, 22, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com a Fundação João Pinheiro e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).Representante residente do PNUD no Brasil, Niky Fabianic creditou esses resultados à robustez dos programas sociais no país: “É importante manter e aprimorar programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que deram suporte à população”.

O Radar IDHM utiliza informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para monitorar tendências desse Índice – e de 60 indicadores socioeconômicos – nos anos intercensitários. Além de Fabianic, participaram do lançamento o presidente da Fundação João Pinheiro, Roberto Nascimento Rodrigues, e o coordenador de Estudos Setoriais Urbanos do Ipea, Marco Aurélio Costa.




O leve avanço do IDHM no início da década de 2010 pode estar relacionado com natureza dos dados considerados (que propositadamente têm sensibilidade diferente ao desempenho da economia) e com a rede de proteção social existente no país. No período analisado, a proporção de pessoas vulneráveis (com renda domiciliar per capita inferior a R$ 255) decresceu a uma taxa média anual de 9,3% (contra 3,9% no último período intercensitário). Já a proporção de pessoas extremamente pobres (com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70) teve decréscimo médio anual de 14% (contra 6,5% no último período intercensitário). 

O panorama da desigualdade, por sua vez, continuou apresentando tendência estável, com taxa de decrescimento inexpressiva tanto no período analisado como no período de 2000 a 2010. Para a coordenadora do Atlas do Desenvolvimento Humano do PNUD, Andréa Bolzon, é necessário um conjunto complementar de políticas que possam reverter esse quadro. “Por uma decisão política, um set de políticas foram implementadas com o objetivo de aumentar a renda das pessoas mais pobres. No entanto, para diminuir a desigualdade, outro conjunto de políticas, como taxação de grandes riquezas, é que conseguiriam diminuir esse fosso”, defendeu.

Ainda que os dados confirmem as disparidades regionais existentes no país, alguns estados do Norte e Nordeste apresentaram um avanço expressivo no IDHM entre 2011 e 2014. São eles: Amapá, Amazonas e Piauí.


No que se refere aos dados de educação, no Brasil, tanto a escolaridade como a frequência escolar cresceram a taxas médias anuais muito inferiores às observadas de 2000 a 2010. Um dos destaques é a estagnação no percentual de pessoas com 18 anos ou mais e ensino fundamental completo (que somavam 60,1% em 2011 e 61,8% em 2014).

Também chama a atenção a taxa de crescimento significativamente mais lenta do percentual de pessoas com 18 a 20 anos com ensino médio completo (saindo de 48,4% em 2011 para 52% em 2014). Na faixa etária de 15 a 17 anos, apenas 61% tinham ensino fundamental completo em 2011. Em 2014, esse número alcançou 65,5%, ainda muito longe do ideal.

Nas Unidades da Federação, São Paulo, Roraima e Goiás apresentaram as menores tendências de avanço nos dados de educação. Já Sergipe e Espírito Santo apresentaram uma tendência de estagnação, indicando um quadro de evolução nula entre 2011 e 2014.


O Radar IDHM também permite a avaliação de 60 indicadores para o Distrito Federal e nove Regiões Metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Todas tiveram tendência de aumento do IDHM entre 2011 e 2014, sendo que os melhores desempenhos foram observados nas RMs de Curitiba (0,035), Recife (0,025) e Rio de Janeiro (0,025). Entre as que apresentaram os menores avanços estão as RMs de Belém (0,006), Fortaleza (0,013), Belo Horizonte (0,018) e São Paulo (0,018).

Todas as nove RMs registraram tendência de evolução do IDHM Longevidade, com destaque para Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. O coordenador do Ipea Marco Aurélio Costa explicou por que os dados metropolitanos são melhores que os índices nacionais: “Há uma certa concentração das condições favoráveis ao desenvolvimento humano nas RMs”.

Acessível pelo endereço www.atlasbrasil.org.br, a base de dados completa do Radar IDHM e suas análises têm o objetivo de estimular o desenho e a implementação de políticas públicas que contribuam para gerar avanços na realidade social e econômica do Brasil, com redução das desigualdades socioespaciais e ampliação das oportunidades de inclusão social. 

Vídeo: Veja à íntegra do lançamento do Radar IDHM 
Vídeo: Coordenador comenta os resultados do Radar IDHM 
Vídeo: Assista às entrevistas com os pesquisadores

Confira o estudo completo
Acesse a plataforma Radar IDHM
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Nota Metodológica – Renda

 
 

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