Twitter
Youtube
facebook
Google +
Google +

 

tips and trick
03/11/2016 09:05

Brasil consegue fazer ajuste rápido das contas externas 

A queda do deficit é explicada principalmente pelo aumento espetacular do superavit comercial

A redução recente do deficit em transações correntes ocorreu de forma rápida e intensa, concentrada entre abril de 2015 e maio de 2016, período em que se registraram quedas superiores a US$ 2,5 bilhões, ao comparar cada mês com os mesmos meses do ano anterior. O ponto máximo chegou a US$ 9 bilhões em dezembro de 2015. O montante acumulado foi de US$ 72 bilhões, equivalente a cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). A maior parte deveu-se à balança comercial, com saldo positivo de US$ 45 bilhões no período.

Essas informações fazem parte da seção Setor Externo da Carta de Conjuntura do Ipea, lançada nesta quinta-feira (3). Segundo o autor do estudo, o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Fernando Ribeiro, já há sinais de certa estabilização do deficit na margem. “Não é exagero afirmar que o país já ‘completou’ o ajuste das contas externas”, afirma. Afinal, o deficit atingiu nível inferior à média histórica, que é de 1,8% do PIB. Este valor desceu para 1,3% nos 12 meses até setembro e caminha para fechar o ano em torno de 1%.

O trabalho também compara a trajetória recente do deficit em transações correntes com a dos anos 1980 e 1990, concluindo que o ajuste atual foi bem mais rápido do que o da década de 1990. A explicação para a diferença recai na dinâmica da atividade econômica. Do final de 2014 até o segundo trimestre de 2016, o PIB teve redução acumulada de quase 7%. Do final de 1998 até meados de 2000, ao contrário, o PIB teve crescimento acumulado de 4,5%. A maior semelhança entre os três episódios relaciona-se ao comportamento da taxa de câmbio, que teve forte desvalorização em todos os casos e certamente assumiu papel relevante para impulsionar o ajuste externo.

Em 2016, a queda do deficit é explicada principalmente pelo aumento espetacular do superavit comercial, que, no acumulado de janeiro a outubro, alcançou US$ 38 bilhões, três vezes mais que nos primeiros 10 meses de 2015. A melhoria da balança deve-se a uma queda extraordinária das importações, de 22,7% no ano, mais que compensando o comportamento negativo do valor exportado, que se reduziu em 4,6%. Este último, por usa vez, deve-se unicamente à queda dos preços, pois o quantum exportado acumulou alta de 7,6% de janeiro a setembro, em comparação com 2015, voltando a crescer após anos seguidos de retração.

Conheça o blog da Carta de Conjuntura

Confira a seção Setor Externo da Carta de Conjuntura n° 32

 
 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil.
Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Expediente Portal Ipea