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07/10/2016 15:00

Ipea aponta tendências da inflação para 2016 e 2017

Recuo no próximo ano depende de maior retração nos preços livres, como os dos alimentos. Carta de Conjuntura analisa a taxa de 0,08% do IPCA em setembro


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou nesta sexta-feira, 7, a análise da Carta de Conjuntura sobre a inflação, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro apresentado pelo IBGE. No mês passado, o IPCA registrou taxa de 0,08%. O documento aponta para a expectativa de melhora do cenário inflacionário nos próximos meses. No curto prazo, a desaceleração dos preços dos alimentos, a continuidade na queda da inflação de serviços e os efeitos defasados da apreciação cambial, da ordem de 20% ao longo de 2016, devem contribuir para um recuo mais expressivo dos preços livres.

A inflação acumulada em 2016, até setembro, registrou alta de 5,5%. Para o restante do ano, a expectativa é de intensificação da queda nas taxas de variação em 12 meses do IPCA, de modo que, ao fim de 2016, a inflação acumulada chegue próxima a 7,0%. Isso sinaliza que o processo desinflacionário em curso deve ocorrer de forma lenta.

O resultado de 0,08% em setembro é o melhor desde julho de 2014 e representa uma desaceleração tanto em relação ao mês anterior (0,44%) quanto em relação ao mesmo período de 2015 (0,54%). Esta queda no índice é resultante, sobretudo, da reversão da trajetória dos preços dos alimentos no domicílio, cuja taxa mensal de inflação recuou de 0,36% em agosto para -0,6% em setembro, registrando a primeira variação negativa desde setembro de 2015 (-0,05%). Na desagregação deste grupo, observa-se que as maiores contribuições à queda vieram dos segmentos dos cereais (-1,5%), tubérculos (-8,8%) e leites e derivados (-3,5%).

O recuo mais intenso da inflação em 2017 deverá passar, necessariamente, por uma maior retração dos preços livres, que pode se beneficiar dos efeitos do baixo dinamismo do mercado de trabalho sobre a demanda, além de um comportamento bem mais favorável dos alimentos. De acordo com a primeira estimativa do plantio de safra 2016/2017, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), haverá um aumento de 1,3% na oferta de grãos, resultante da expansão das culturas de feijão (3,8%), arroz (2,0%), soja (1,6%) e milho (0,5%), que também devem arrefecer os custos de produção de carnes, ovos e leites.

A retração apresentada pelo IPCA em 2016 é resultado, principalmente, da forte queda nos preços administrados, cuja taxa de variação em 12 meses recuou de 18,1% em dezembro para 7,9% em setembro, repercutindo o fim dos reajustes represados em 2014 e repassados ao consumidor em 2015. Em contraposição, os preços livres, que, em teoria, seriam mais sensíveis à recessão econômica pela qual atravessa o país e, por conseguinte, deveriam retroagir mais rapidamente, revelam tendência oposta, com taxas de inflação acumulada em 12 meses acelerando de 8,5% em dezembro de 2015 para 8,7% em setembro último.

A variação dos itens administrados, cuja taxa acumulada em 12 meses em setembro (7,9%) é menos que a metade da observada no mesmo mês do ano anterior (16%), foi possibilitada, sobretudo, pela melhora no comportamento do item “energia elétrica”. A inflação desse item em 12 meses retroagiu de 53% em setembro de 2015 para -5,6% em setembro último. Em sentido contrário, os preços dos bens livres formam o principal foco de pressão sobre o IPCA em 2016.

Por fim, deve-se destacar o comportamento mais favorável dos bens de consumo duráveis, mesmo frente à desvalorização cambial ocorrida em 2015. Tal comportamento deve-se, sobretudo, aos preços dos automóveis, cuja inflação em 12 meses recuou de 6,9% em setembro do ano passado para -0,02% nesse mesmo mês em 2016, refletindo não só a contração do crédito direcionado, mas, principalmente, a deterioração do mercado de trabalho e seus efeitos sobre as decisões de consumo de bens com maior valor agregado.

Acesse o texto completo da seção Inflação da Carta de Conjuntura n°32

Conheça o blog da Carta de Conjuntura do Ipea

 

 
 

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