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15/01/2016 17:10

Três setores são responsáveis por mais de 40% das demissões

Comércio, agropecuária e serviços domésticos foram os que mais contribuíram para os desligamentos entre o 4º trimestre de 2014 e o 3º de 2015


Mais de 40% dos desligamentos do mercado de trabalho entre o 4º trimestre de 2014 ao 3º trimestre de 2015 vieram do conjunto de setores de comércio – exceto veículos automotores e motocicletas –, agropecuária e serviços domésticos. É o que mostra a Nota Técnica Análise da dinâmica do emprego setorial de 2014 a 2015, lançada pelo Ipea nesta sexta-feira (15), no Rio de Janeiro.

“Podemos ver quais são os setores que estão puxando a taxa de desemprego para cima, os que estão puxando para baixo, os que estão contratando ou desempregando, precarizando ou estruturando”, afirmou André Calixtre, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.

O estudo, que foi o segundo trabalho publicado a partir da PNAD Contínua (o primeiro foi a Nota Técnica PNAD 2014 - breves análises), avaliou os dados de emprego e da informalidade. Dentre os setores que mais contribuíram para os desligamentos, o comércio – exceto de veículos automotores e motocicletas – lidera a lista, com 16,3%. Juntamente com o setor de serviços domésticos e o de agropecuária, os três contribuem com mais de 40% dos desligamentos. “Não necessariamente houve uma queda acentuada na quantidade de postos de trabalho desses setores, porque se houver alta rotatividade os desligamentos podem ser sucedidos por contratações”, afirma Carlos Henrique Corseuil.

Apesar desses números, os pesquisadores explicam que o crescimento do desemprego não está ligado ao aumento dos desligamentos, mas sim a uma diminuição de contratações. A taxa de desligamentos, inclusive, sofreu uma retração de 9,8% para 8,9% entre o segundo e o terceiro trimestres de 2015.

Os dados do estudo mostram também que a taxa de informalidade apresentou um aumento entre o segundo trimestre de 2014 e o terceiro trimestre de 2015, de 43,9% para 45,1%, o que evidencia a baixa criação de empregos formais em determinados setores. Comércio – exceto de veículos automotores e motocicletas também lidera a lista dos setores que mais pesaram no total das transições formal-informal, com 16,6%, seguido por educação, construção e incorporação de edifícios, administração pública, defesa e seguridade social, e serviços domésticos.

Apesar da alta contribuição de alguns setores para a dinâmica do emprego, a situação não é crítica no mercado de trabalho como um todo. “Existe uma percepção de que há uma crise generalizada no mercado de trabalho, mas a pesquisa mostra que ela não é tão generalizada como se imaginava”, afirma Calixtre. “Dos 84 setores agregados, seis setores representam 57% dos desligamentos. Isso dá menos de 7% dos setores, que também contribuem para quase metade da informalidade do ano de 2015”, conclui.

Segundo os pesquisadores do Ipea, apesar de políticas macroeconômicas adequadas serem benéficas para todos os setores analisados, políticas setoriais também devem ser aplicadas para o mercado de trabalho.

Confira a apresentação da NT Análise da dinâmica do emprego setorial de 2014 a 2015

Leia a Nota Técnica Análise da dinâmica do emprego setorial de 2014 a 2015

 
 

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